8 de dez de 2014

Teste do Renault Sandero Expression 1.6

Teste do Renault Sandero Expression 1.6

A Renault acertou em cheio quando lançou, em 2007, o Sandero. A marca francesa buscava há tempos afastar o rótulo de “importado” de seus veículos produzidos no Brasil e, de quebra, ampliar seu “market share” no mercado nacional. Embalada principalmente pelas boas vendas do seu principal hatch compacto – perto dele, o Clio se posiciona quase como um subcompacto –, o fabricante ultrapassou os 7% de participação no mercado nacional. E segue com bons emplacamentos, mantendo o modelo no 9º lugar da lista de carros mais vendidos no país. E 66% das vendas da Sandero são realizadas na versão intermediária Expression, sendo 3 em cada 4 com motor 1.0 – o outro é com motor 1.6.

Veja também:

  • Impressões do novo Renault Sandero
  • Teste do Renault Sandero Dynamique
O Sandero manteve em sua nova geração o porte acima de seus concorrentes diretos. São 4,06 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,54 m de altura e bons 2,59 m de entre-eixos, o que ajuda a proporcionar um espaço interno próximo ao de um hatch médio. A plataforma é a mesma anterior, com evoluções. Mas o principal avanço ocorreu na questão estética. A recente e profunda remodelação acompanha o atual “family face” da Renault no mundo, com o grande logotipo da marca na parte central da grade dianteira, acompanhado por um largo friso cromado que se estende até os faróis. Completam o visual moderninho as lanternas traseiras redesenhadas e os para-choques mais volumosos. Sob o capô, a versão Expression 1.6 carrega o mesmo motor da de topo, a Dynamique. Trata-se do velho conhecido 1.6 8V que estreou no Brasil ainda na primeira geração do Clio, em 1996. O propulsor libera 106/98 cv e 15,5/14,5 kgfm quando abastecido com etanol/gasolina. O câmbio de série é manual de cinco velocidades, mas a marca francesa oferece uma transmissão automatizada de cinco marchas. Nesta nova geração, não há câmbio automático e nem o motor 1.6 16V de 112 cv – quando abastecido com etanol –, que equipava os modelos sem embreagem.

A lista de itens de série não chega a ser farta, mas é bem precisa. Os “favoritos” ar-condicionado, direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricas e som com CD e Bluetooth saem de fábrica na versão Expression. Como opcional, além das cores metálicas, há apenas um pacote que inclui a central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas e navegador GPS, além de sensores de estacionamento traseiro. O kit custa R$ 1.500 e pode receber, como acessório nas concessionárias, uma câmara de ré. A Renault cobra atualmente R$ 40.500 iniciais pelo Sandero Expression 1.6. São R$ 1.910 a mais do que os R$ 38.590 pedidos na época de seu lançamento, em julho último. Pela vistosa cor da versão avaliada, a Azul Techno, é preciso pagar mais R$ 1.200. Somando tudo isso aos R$ 1.500 do pacote para ter o sistema Media Nav, o Sandero Expression 1.6 completo sai da loja por R$ 43.200. Uma prova de que a Renault já conseguiu afastar a ideia de fabricante estrangeira do consumidor brasileiro. Por conta disso, num futuro próximo, o custo/benefício pode não ser o principal chamariz de seus produtos.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 litro de 8V e 106 cv com etanol movimenta com coerência o Sandero. Como 85% dos 15,5 kgfm de torque são entregues já em 1.500 rpm, as saídas de sinal, ultrapassagens e retomadas se dão de forma eficiente. De acordo com a marca francesa, o zero a 100 km/h é cumprido em 11 segundos quando abastecido com etanol no tanque. Um bom resultado para um modelo que não tem a esportividade como característica. Nota 8. Estabilidade – O Sandero é um carro firme. Em alta velocidade e trajeto de curvas mais fechadas, a aderência do modelo ao solo é nítida, com rolagens de carroceria em nível normal. A direção, assim como em quase todos os carros da Renault, é precisa e não demanda correções para se manter na linha determinada pelo motorista. Nota 8. Interatividade – A versão Expression é a mais barata na motorização 1.6 e isso se traduz em um habitáculo mais racional. Há poucos comandos para serem acessados pelo motorista e todos se encontram em locais fáceis e visíveis. O volante não é multifuncional, mas há um comando na parte de trás da peça para operar o rádio e o volume do som. O sistema opcional de entretenimento tem um GPS totalmente intuitivo e tela sensível ao toque de sete polegadas. Mas o sensor de estacionamento traseiro, que vem de “brinde” com a central multimídia, se comporta como um acessório, já que não se comunica com o sistema de som. Para ouvir os apitos sonoros, é preciso baixar o volume do rádio. Nota 7.

Consumo – O Renault Sandero Expression 1.6 não participa do Programa de Etiquetagem do InMetro. Durante a avaliação, o computador de bordo marcou a média de 8,1 km/l de gasolina em trecho urbano. Na estrada, o consumo ultrapassou os 12 km/l, também com gasolina. Poderia ser bem melhor. Nota 6. Conforto – O principal trunfo do Renault Sandero no segmento de hatches compactos é seu espaço interno. Com seus 2,59 metros de entre-eixos, o modelo garante um habitáculo capaz de transportar cinco adultos sem grandes problemas. A suspensão é robusta e calibrada relativamente bem para o as ruas do Brasil. Os bancos dianteiros têm apoios laterais que não chegam a “encaixar” o corpo, mas seguram a movimentação na maioria das curvas. Nota 8. Tecnologia – A plataforma não é nova, mas passou por uma atualização. Já o motor 1.6 8V é o mesmo que equipava a geração anterior. A lista de equipamentos da versão Expression é simples, com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricos e som com CD e Bluetooth. Faltam ofertas de itens de segurança, como controle de estabilidade e airbags laterais ou de cortina. Nem um simples apoio de cabeça para o passageiro central traseira aparece. Mas há a opção de central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas e GPS. Nota 7. Habitabilidade – O Sandero só é comercializado em carroceria de quatro portas, logo é fácil entrar e sair do carro em qualquer versão. Há bons espaços para guardar latas, garrafas, carteira e celular. O porta-malas guarda bons 320 litros, uma capacidade acima da média do segmento. Nota 9.

Acabamento – Esse talvez seja o principal ponto fraco do modelo. São muitos plásticos rígidos utilizados por toda parte e de material que denota de cara sua condição de “carro popular”. Não há rebarbas aparentes e os encaixes são bem feitos. O sistema multimídia é envolvido por acabamento prateado e em preto brilhante. Nota 6. Design – A nova geração aproximou o Sandero do sedã Logan, tornando visível sua função de hatch do três volumes. O face-lift trouxe modernidade ao design, mas tirou um pouco da identidade visual que o Sandero tinha. Hoje, o modelo se assemelha bastante a outros concorrentes em seu segmento, como o Volkswagen Gol e o Chevrolet Onix. As linhas são fluidas e equilibradas e chamam atenção os novos conjuntos óticos e a grade dianteira, que leva um generoso símbolo da marca no centro. Mas o perfil perde bastante com a falta de rodas de liga-leve. As calotas empobrecem o desenho lateral do carro. Nota 7. Custo/benefício – O Sandero sempre se destacou nesse assunto, mas a configuração intermediária Expression não chega a se dar tão bem. Com motor 1.6, ela parte de R$ 40.500, mas com a cor azul testada e a central multimídia – que acompanha sensor de estacionamento traseiro – levam esse valor a R$ 43.200. Por R$ 40.980, a Nissan entrega o March SV também azul metálico, mas sem sistema de navegação ou central multimídia. No lugar, ele vem com rádio com CD, MP3 e Bluetooth. Em compensação, traz retrovisores externos e vidros traseiros elétricos de fábrica, itens que a Renault não disponibiliza nem como opcionais para o Sandero Expression. Já o Ford Ka SE Plus 1.5, que tem motor menor, mas mais potente, com 110 cv, custa R$ 43.475 com central multimídia sem navegador e vidros traseiros elétricos, além da cor metálica. Nota 7. Total – O Renault Sandero Expression 1.6 somou 73 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

O Renault Sandero é um carro com apelo extremamente racional. Seu espaço interno é amplo e há boa capacidade do porta-malas, de 320 litros. A posição mais alta de dirigir é confortável – auxiliada pelos bons ajustes de altura do banco do motorista e do volante – e a visibilidade é bem eficiente tanto na dianteira quanto na retrovisão. Depois do face-lift em sua nova geração, seu design tornou-se mais moderno e vistoso, principalmente na cor Azul Techno, do exemplar testado.  O motor 1.6 8V Hi-Power entrega até 106 cv de potência e 15,5 kgfm de torque quando abastecido com etanol. Trata-se de um propulsor bem aproveitado no trânsito intenso das cidades, com boas saídas de sinal e retomadas. Seu desempenho também agrada nas rodovias, com boas ultrapassagens e direção precisa. Não chega a ser um modelo que inspire esportividade, mas não faz feio diante dos concorrentes mesmo quando se leva o veículo com quatro passageiros a bordo. A transmissão – no caso, a manual de cinco velocidades – trabalha em sintonia com o motor. O pedal da embreagem um pouco alto e os engates próximos podem dificultar a vida dos condutores num primeiro momento. Mas basta um pouco de convivência com o carro para se adaptar a esses detalhes. Há um aviso no quadro de instrumentos sobre a hora certa de mudar a marcha, tanto para cima quanto para baixo. É uma boa ajuda a manter um consumo mais moderado. Porém, como se trata apenas de um sinal luminoso e não sonoro, é preciso estar sempre olhando para perceber o momento exato. O que não é muito seguro, principalmente em tráfego urbano.
A suspensão privilegia o conforto e filtra bem as irregularidades das ruas brasileiras, o que o torna um modelo indicado para uso familiar. As rolagens de carroceria são praticamente imperceptíveis e é bem fácil manter o Sandero na linha reta, mesmo em velocidades elevadas. Apesar de não contar com dispositivos de segurança como controle eletrônico de estabilidade, o hatch dificilmente se mostra instável em curvas. Desde que, é claro, não seja levado ao seu limite. Até 120 km/h, tudo se comporta de maneira previsível e coerente. A falta de um acabamento ligeiramente superior decepciona. Os plásticos rígidos têm um visual mais bruto que o da geração anterior na versão Expression. Quando se adquire o opcional sistema de entretenimento e navegação, a situação se ameniza com a moldura prateada e plástico em preto brilhante ao redor da peça. Mas fica no ar o tempo todo no habitáculo a condição de carro popular, um traço que muitas fabricantes já conseguiram diminuir em seus modelos com preço acima dos R$ 40 mil.

Ficha técnica

Renault Sandero Expression 1.6

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 98 cv com gasolina e 106 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 14,5 kgfm com gasolina e 15,5 kgfm com etanol a 2.850 rpm.
Diâmetro e curso: 79,5 mm x 80,5 mm.
Taxa de compressão: 12,0:1.
Suspensão: Tipo MacPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais. Barra estabilizadora na versão Dynamique. Traseira semi-independentes, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais com barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 185/65 R15.
Freios: Dianteiros com discos sólidos de 259 mm de diâmetro. Traseiros com tambores de 178 mm de diâmetro com direção mecânica. Dianteiros com disco sólido de 259 mm de diâmetro. Traseiros com tambores de 203 mm de diâmetro com direção hidráulica.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,06 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,53 m de altura e 2,59 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.055 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 320 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.
Itens de série: Direção hidráulica, retrovisores com regulagem interna, volante com regulagem de altura, abertura interna do tanque de combustível e do porta-malas, indicador de troca de marcha, relógio, indicador do reservatório de partida a frio, para-sol do passageiro com espelho, porta-copos dianteiro, revestimento completo do porta-malas, calotas, airbags frontais, bloqueio de ignição por “transponder”, brake-light, desembaçador traseiro, freios ABS com EBD, trava para crianças nas portas traseiras, rádio com CD-Player, MP3, 2DIN, USB, entrada auxiliar e Bluetooth, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, comando de abertura das portas por radiofrequência, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos, computador de bordo com seis funções, iluminação do porta-malas e do porta-luvas, para-sol do motorista com espelho, porta-copos traseiro, difusores de ar laterais cromados, manopla do câmbio e frisos na grade dianteira cromados, retrovisores na cor da carroceria, alarme perimétrico e travamento automático das portas a 6 km/h.
Preço: R$ 40.500.
Opcionais: Sistema Media Nav 1.2 com Eco-Coaching e Eco-Scoring e sensor de estacionamento e cor Azul Techno.
Preço completo: R$ 43.200.

Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

No centro da meta - Renault Sandero alia bom espaço interno e motor eficiente em sua versão intermediária Expression 1.6

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 03 Dec 2014 08:00:00

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