20 de dez de 2014

Teste do Ford Ka 1.5 SEL

Teste do Ford Ka 1.5 SEL

Poucos automóveis caem na “graça” do consumidor brasileiro logo de cara. Chevrolet Onix e Hyundai HB20 são os dois exemplos mais recentes, de 2012. Esse ano, a Ford entrou para esse clube de “arrasa-quarteirão” com o Ka. Em um curto espaço de tempo, o hatch conseguiu um êxito impressionante. Lançado em agosto no Brasil, a nova geração do compacto vem em um crescente. No primeiro mês cheio de vendas registrou mais de 7 mil emplacamentos. Em setembro, foram 9.603 unidades. E os 10.748 modelos comercializados em novembro o colocaram como quarto automóvel mais vendido no país no período. Essa progressão indica que as previsões da Ford no lançamento, de atingir 12 mil unidades/mês, estavam bem calculadas. A recém-chegada motorização 1.5 litro, no entanto, não foi pensada para ser uma versão de alto volume de vendas. Sua função é ajudar a consolidar a impressão positiva que o compacto do Ford já angariou. Mas, além disso, também pode ser exatamente o modelo que faltava para que a tal profecia de lançamento se concretize.

Veja também:

  • Impressões dos novos Ford Ka e Ka+ Sedan
  • Teste do novo Ford Ka 1.0 SEL
Mecanicamente, a versão “top” do Ka ganhou recentemente a companhia do motor 1.5 litro. Proveniente da família Sigma e já presente na gama do Fiesta, o propulsor bicombustível tem bloco de alumínio, duplo comando no cabeçote e oferece 105 cv e 14,6 kgfm de torque com gasolina no tanque. Com etanol, os números sobem para 110 cv e 14,9 kgfm e torque. A transmissão é sempre manual de cinco velocidades. Na versão SEL, a motorização mais potente da linha vem acompanhada por uma lista de equipamentos de série à altura do posto de topo de gama e que em parte justificam o preço de R$ 44.990. Chamam atenção, principalmente, os itens de segurança. Os controles eletrônicos de tração e estabilidade e o assistente de partida em rampa vêm de fábrica nessa versão. Entre as “comodidades”, o Ka 1.5 SEL vem com o “básico”. Estão lá ar-condicionado, vidros elétricos, computador de bordo e volante com regulagem de altura e o systema Sync com comandos por voz, Bluetooth e entradas USB/AUX. Há até assistente de emergência, que liga sozinho para o Sistema de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU – em caso de acidentes graves. De fora mesmo, ficou o sistema integrado de navegação. Além disso, itens simples – e cada vez mais comuns no segmento — contraditoriamente estão ausentes. Caso de retrovisores com ajustes elétricos, sensor de estacionamento traseiro, câmara de ré e sensor de ponto cego estão de fora. Mas estes podem ser adquiridos e instalados como acessórios nas concessionárias. Na verdade, é uma forma de a Ford ajudar na sobrevivência de sua rede.

Ponto a ponto

Desempenho – A combinação de um hatch compacto de baixo peso com um motor de até 110 cv e 14,9 kgfm de torque é promissora. E o Ka equipado com o conhecido propulsor Sigma 1.5 litro não decepciona. Os 25 cv e 4 kgfm de torque a mais em relação ao propulsor 1.0 fazem diferença. Não se trata de um desempenho que “cole” o motorista no banco, mas deixa o compacto bastante ágil e rápido. Nota 8. Estabilidade – A dinâmica do Ka não pede retoques. Ele segue na direção apontada, tem rolagens de carroceria bem controladas e direção elétrica bastante direta. Para qualquer exagero, os controles eletrônicos de tração e estabilidade – itens de série na versão SEL – devolvem o carrinho ao rumo. Mesmo em altas velocidades não há sensação de insegurança. Nota 8. Interatividade – O convívio com o Ka 1.5 SEL é simples. Os comados mais importantes estão bem localizados, o painel de instrumentos é bem legível e, na versão SEL, ainda há botões no volante para controlar os recursos do dispositivo multimídia Sync. Os engates da transmissão manual de cinco marchas são corretos e visibilidade é boa. Faltam apenas os retrovisores elétricos. Nota 7.

Consumo – Aferido pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro, o Ka 1.5 SEL registrou médias de 7,9 km/l e 9,5 km/l com etanol e 11,5 km/l e 13,6 km/l com gasolina, respectivamente nos ciclos urbano e rodoviário. Os números renderam nota “A” dentro no segmento e “B” no geral. Seu índice de consumo energético – de 1,75 MJ/km. Nota 8. Conforto – O conjunto suspensivo do Ka absorve bem as imperfeições do asfalto e deixa o motorista sempre com o carro na mão. Os bancos, no entanto, não acomodam bem os passageiros. São rígidos demais e provocam cansaço em trajetos mais demorados. No habitáculo, os ruídos do motor não incomodam, mas espaço interno só carrega dignamente quatro adultos. Um quinto elemento compromete a “convivência”. Nota 6. Tecnologia – O Ka é um projeto novo e compartilha a plataforma, inclusive eletrônica, com Fiesta e EcoSport. Daí ser um compacto de entrada que dispõe de tecnologias presentes apenas em modelos mais sofisticados, como controles de estabilidade e tração ou assistente de partida em rampa. Na versão SEL, o sistema multimídia Sync é item de série e traz comandos de voz, lê SMS, opera aplicativos para celular e ainda liga sozinho para o SAMU em caso de acidentes. Nesta configuração, o carro já traz ar-condicionado e direção, travas e vidros elétricos nas quatro portas. O motor Sigma 1.5 litro é simples, mas eficiente. Nota 9.

Habitabilidade – O bom ângulo de abertura das quatro portas garante o acesso tranquilo ao interior, que recebe bem os ocupantes – são 21 porta-objetos espalhados pelo habitáculo. Já o porta-malas de 257 litros fica ligeiramente abaixo da média do segmento, que é de 280 litros. Nota 7. Acabamento – Apesar de ser a versão mais cara, o Ka 1.5 SEL não ganha em requinte das outras versões. Há plásticos rígidos por todos os lados. Pelo menos são visual e tatilmente agradáveis e tem encaixes bem feitos. Na versão SEL, o console central tem pintura prateada e botões organizados simetricamente, na mesma lógica do Ford Fiesta. Nota 6. Design – A Ford encontrou um resultado estético interessante no hatch. A grande grade trapezoidal, integrante do estilo Kinetic 2, está lá e garante um “ar” de robustez. E os generosos faróis dão personalidade ao carrinho. No perfil, a linha de cintura alta e ascendente dá o tom. A traseira teve uma solução preguiçosa, com lanternas bem triviais. Nota 7.

Custo/benefício – Dotado do motor 1.5 litro, o Ka SEL custa R$ 44.990. Frente aos concorrentes, é o único equipado com controle eletrônico de estabilidade e tração e assistente de partida em rampa. Volkswagen Gol e Chevrolet Onix, equipados à altura, chegam a R$ 50 mil. Com propulsor 1.6 litro de 128 cv, o Hyundai HB20 Comfort Plus tem preço de R$ 46.690. Mais barato é o Nissan March SV. Com motor 1.6 de 111 cv, rodas de 16 polegadas, ar-condicionado digital, câmara de ré e o sistema multimídia com tela “touch” de 5,8 polegadas sai por R$ 43.990. No geral, o Ka 1.5 SEL se posiciona bem. Nota 8. Total – O Ford Ka 1.5 SEL somou 74 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

De carro descolado, carroceria duas portas e “queridinho” das jovens universitárias a modelo racional que chega para brigar no feroz subsegmento de hatch de entrada. A impressão é que o repaginado Ka perdeu o carisma, mas o sucesso bate à porta. Com novo design, quatro portas e mais tecnologia, o carrinho conseguiu agradar. E a versão SEL 1.5 é um bom exemplo. Com motor do Fiesta, o Ka mostra uma boa relação de peso/potência de 9,4 kg/cv. São 25 cv a mais que a configuração com o motor tricilíndrico, que rende 85 cv. Na prática, o conjunto não torna o Ka um “foguete”, mas o deixa bem à vontade em estradas e subidas íngrimes. No trecho urbano, o carrinho também ganha em agilidade. Já o acerto da suspensão é firme, mas não rígido. Ele consegue entregar um bom conforto aos ocupantes ao filtrar as irregularidades do asfalto, mas também não deixa o carro mole a ponto de fazer o condutor se sentir inseguro. Os “anjos da guarda” eletrônicos – controles de tração e estabilidade –, além de consertar algum abuso do condutor, ainda agrega valor ao Ka. A direção elétrica progressiva facilita a vida do motorista. Se mostra extremamente leve para manobras em velocidades baixas e ganha peso conforme o ponteiro do velocímetro sobe. Porém, mesmo com dimensões diminutas, sensores de estacionamento ou câmara de ré fazem falta ao carrinho na hora de parar em uma vaga. Outro item que pode incomodar é o simplório ajuste dos retrovisores, manual. É preciso uma ginástica desagradável para regular o espelho do lado direito. E não reflete uma boa imagem para o moderno Ka.

Ficha técnica

Ford Ka 1.5 SEL

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.498 cm³, quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência: 105/110 cv com gasolina/etanol a 6.500 rpm. 
Torque: 14,6/14,9 kgfm com gasolina/etanol a 4.250 rpm.
Diâmetro e curso: 79 mm X 76,4 mm.
Taxa de compressão: 11,1:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade.
Pneus: 195/55 R15. 
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,53 m de altura e 2,45 m de entre-eixos.
Peso: 1.034 kg.
Capacidade do porta-malas: 257 litros.
Tanque de combustível: 51,6 litros. 
Produção: Camaçari, Bahia, Brasil. 
Lançamento mundial: 2014.
Lançamento no Brasil: 2014.
Itens de série: Ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricas com controle remoto, chave canivete, airbags frontais, freios ABS com EBD, abertura elétrica do porta-malas, ajuste de altura da coluna de direção, sistema de multimídia com comandos de voz e assistência de emergência, controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, rodas de liga leve com 15 polegadas, faróis de neblina dianteiros, computador de bordo e alarme.
Preço: R$ 44.990.

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

O toque que faltava - Versão SEL 1.5 chega para ajudar na imagem e nas vendas do bem-sucedido Ford Ka

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 19 Dec 2014 17:55:00

Nenhum comentário:

Postar um comentário