7 de jan de 2015

Teste do Citroën C3 Aircross Exclusive MT

Teste do Citroën C3 Aircross Exclusive MT

De uns tempos para cá, o mercado brasileiro de automóveis viu uma verdadeira proliferação de modelos normais com apelo aventureiro. A febre começou com o Fiat Palio Adventure em 1999 e se alastrou: Fiat Idea Adventure, Volkswagen CrossFox, Renault Sandero Stepway, Hyundai HB20X e Toyota Etios Cross, entre outros. Até a minivan Chevrolet Spin pegou carona no conceito com a versão Activ. A Citroën entrou nessa briga em 2006, com o C3 XTR. Não deu muito certo. Em 2010, a marca francesa mudou a estratégia e atacou com o C3 Aircross – antes mesmo de lançar a minivan C3 Picasso, da qual é derivado. Com maior distância do solo, suspensão reforçada, pneu de uso misto e o estepe pendurado na traseira, o modelo, em 2011, emplacou uma média de 1.400 carros/mensais. Ao longos dos anos o número caiu: mil unidades por mês em 2012, 800 em 2013 e, finalmente, 600 no ano passado. A reação da Citroën, no entanto, não foi das mais efetivas. Para a linha 2015, fez sutilíssimas alterações no visual e adicionou – só agora – sensor de estacionamento como item de série.

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As novidades do C3 Aircross 2015 são bem discretas e, basicamente, estéticas. Na dianteira, os faróis ganharam máscara negra e as barras longitudinais no teto, molduras dos faróis de milha e estribos agora têm acabamento grafite – antes eram em cor de alumínio. A versão “top” Exclusive ainda traz o novo tom nas maçanetas das portas e nos espelhos retrovisores externos. Na paleta de cores para a carroceria agora consta o branco perolizado ou Blanc Nacré, como pomposamente a marca francesa chama. Já a estreia tecnológica é o quase prosaico sensor de estacionamento traseiro, que se torna item de série na gama. Na configuração Exclusive com câmbio manual, ele se soma ao rádio CD/MP3 com Bluetooth e USB da Pionner, estepe traseiro com abertura por telecomando, ar-condicionado digital e comandos satélites no volante. Para mostrar o caráter aventureiro, o C3 Aircross Exclusive ainda traz mostradores circulares do painel, com funções de série como inclinômetro longitudinal, lateral e uma bússola.

A motorização do C3 Aircross não sofreu alterações na linha 2015. Sob o capô, continua unicamente o 1.6 litro 16V com a tecnologia Flex Start – que elimina o reservatório de gasolina para partida a frio – e o comando de válvulas variável, que favorece o enchimento dos cilindros em uma faixa de rotação mais ampla e torna o motor mais potente, tanto em baixas como em altas rotações. Com gasolina no tanque, o propulsor gera 115 cv a 6 mil rpm e 15,5 kgfm de torque a 4 mil giros. Abastecido com etanol, os números sobem para 122 cv e 16,4 kgfm nos mesmos regimes. O Citroën C3 Aircross tem apenas duas versões que podem ser equipadas com transmissão manual ou automática. A mais vendida é a Tendance, que responde por 40% do “mix”, e começa em R$ 58.990. Ela chega a R$ 63.290 com câmbio automático – que tem 20% de participação da gama. Com apenas 5% da fatia, a Exclusive com câmbio manual começa em R$ 64.290. A segunda configuração que faz sucesso é a Exclusive AT, que “abocanha” 35% das vendas e parte de R$ 69.290. A fabricante francesa oferece sistema de navegação integral com tela de sete polegadas apenas na configuração mais dispendiosa.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 litro de máximos 122 cv presta um bom serviço ao C3 Aircross. Como a relação final foi encurtada em 15%, 80% do torque fica disponível já a partir de 1.500 rpm. A transmissão manual de cinco velocidades também ajuda a extrair mais a agilidade com trocas curtas e precisas. As arrancadas são convincentes e o carro não esmorece. O conjunto é mais que suficiente para mover o crossover sem dificuldades. Nota 8. Estabilidade – Apesar de alto, o C3 Aircross Exclusive passa bastante segurança a quem vai ao volante. Mesmo em velocidades mais elevadas, a direção tem peso certo e não exige correções. Em curvas mais fechadas, a carroceria tende a rolar. Porém, nada que comprometa. Nota 8. Interatividade – Os comandos do crossover estão quase todos onde deveriam estar. As exceções são o freio de mão – que fica muito baixo – e os “apêndices” ligados ao volante do sistema de som e piloto automático. Já a retrovisão é um pouco prejudicada pelo terceiro apoio para cabeça centralizado. O manuseio do rádio é simples e conectar o smartphone ao Bluetooth leva apenas alguns segundos. Para os aventureiros, o Aircross tem três mostradores, incluindo uma bússola de difícil leitura. Nota 6.

Consumo – Aqui paga-se o preço do bom torque às custas da redução na relação final. Segundo o InMetro, o C3 Aircross Exclusive dotado da transmissão manual faz 8,8 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, os números registrados foram 6,3 km/l na cidade e 7,5 km/l na estrada. O Programa Brasileiro de Etiquetagem classificou o modelo com a nota “C” tanto em sua categoria quanto no geral. O índice de consumo energético fica em 2,29 MJ/km. Nota 5. Conforto – O C3 Aircross Exclusive vai bem nesse aspecto. A espuma dos bancos tem densidade correta e espaços para pernas e cabeças são justos. Três ocupantes atrás convivem sem apertos. O isolamento acústico é bem feito e a suspensão consegue filtrar o lunático asfalto brasileiro. Nota 9. Tecnologia – Não pode se dizer que o C3 Aircross Exclusive é um carro altamente tecnológico. Longe disso. Equipamentos como sensor de estacionamento, rádio com CD/MP3, Bluetooth e entradas USB/Auxiliar podem ser encontrados em hatches de entrada com preços bem menores. GPS integrado só acompanha a versão com câmbio automático. A atual geração é de 2009 e a plataforma é a mesma de outros modelos recentes da PSA, como o DS3. O motor, embora antigo, foi atualizado recentemente, recebeu novos materiais, dispensou o tanquinho e teve o rendimento melhorado. Nota 7. Habitabilidade – É agradável estar a bordo do C3 Aircross Exclusive. A sensação de espaço está sempre presente com a ampla área envidraçada frontal. Espaço esse que todos os ocupantes – dianteiros e traseiros – desfrutam no interior. Com o teto alto, dificilmente uma cabeça vai raspar ali. O porta-objetos logo à frente da alavanca de câmbio é inutilizável. Qualquer item que se coloque ali vai, inevitavelmente, escorregar para o chão. A solução é usar o nicho acima, que possui uma borracha para segurar os objetos. O porta-malas engole respeitáveis 403 litros e pode chegar a 1.500 com o bancos traseiros rebatidos. A dificuldade é ter de acionar o mecanismo de rebater o estepe pendurado atrás sempre que for abrir o compartimento. Nota 8.

Acabamento – Sobriedade. Essa é a melhor palavra que define o habitáculo do C3 Aircross. Não há requinte, mas os plásticos aparentam boa qualidade e os encaixes são justos, sem rebarbas. Há toques em preto brilhante no painel e prata no volante e nas saídas de ar. Os pedais também têm acabamento em alumínio. Nota 7. Design – Os “enxertos” estéticos fizeram bem ao C3 Aircross. Tem estribo protetor, assinatura Aicross no perfil, barras de teto longitudinais, estepe pendurado na traseira e caixas de rodas com plásticos. Ele, literalmente, veste o traje aventureiro. Nota 8. Custo/benefício – Para tirar um Citroën C3 Aircross Exclusive manual da concessionária são necessários R$ 64.290. A Chevrolet Spin Activ parte de R$ 63.340 e vem com motor mais fraco, embora 1.8 litro. Mas traz um sistema multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas. A Fiat cobra iniciais R$ 58.830 pelo Idea Adventure. Com equipamentos iguais do C3 Aircross Exclusive, a conta sobe para R$ 64.400. Esse ano ainda deve chegar um concorrente de peso: a nova geração do Honda Fit Twist. Nota 6. Total – O Citroën C3 Aircross Exclusive MT somou 72 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Difícil notar logo de cara que se trata de uma versão 2015 do Citroën C3 Aircross Exclusive. As mudanças – mesmo no design – são pontuais e bem sutis. A marca francesa adicionou máscaras negras e trocou o prata por grafite em algumas partes, como rack do teto, estribo, maçanetas e retrovisores externos. Elas conferem mais refinamento à estética robusta do crossover. Mas o grande trunfo do Aircross é o habitáculo. A posição mais “altinha” de condução e o amplo para-brisa garantem ao motorista uma perfeita visão do que acontece à frente. O interior é espaçoso e os materiais, se não passam a imagem de sofisticação, também não deixam má impressão.
Dinamicamente, o C3 Aircross Exclusive garante conforto a quem está no volante. A suspensão “trata” bem os ocupantes e o motor 1.6 litro de 115/122 cv dá conta do recado – principalmente pela redução de 15% na relação final do diferencial em comparação com o C3 Picasso, que faz torque e potência chegarem mais cedo. O câmbio mecânico de cinco velocidades tem bom escalonamento, com as primeiras marchas bem curtas para situações urbanas e as últimas mais longas para trechos mais livres.  Quem quiser ainda testar o carro no fora de estrada, a Citroën dá uma ajuda. O Aircross tem sua altura em relação ao solo elevada em 36 mm no eixo dianteiro e 41 mm no eixo traseiro, o que assegura um vão livre em relação ao solo de 23 cm na frente e 24 cm na traseira. Dentro, na parte superior do painel, há um conjunto de três mostradores circulares composto por um inclinômetro lateral, inclinômetro longitudinal, que mede ângulo de subida e descida, e também uma bússola. Esses mostradores são mera alegoria para quem só vai usar o carro no asfalto.

Ficha técnica

Citroën C3 Aircross Exclusive MT

Motor: 1.6 a gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.587 cm³, quatro cilindros em linha, comando simples no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas na admissão. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 115 cv e 122 cv com gasolina e etanol a 6 mil rpm.
Torque máximo: 15,5 kgfm e 16,4 kgfm com gasolina e etanol a 4 mil rpm.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira com travessa deformável, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. 
Pneus: 195/55 R16.
Freios: Discos ventilados na frente, tambores atrás e ABS com EBD de série.
Carroceria: Minivan em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,27 metros de comprimento, 1,72 m de largura, 1,69 m de altura e 2,54 m de distância entre-eixos. Airbags frontais de série.
Peso: 1.404 kg.
Capacidade do porta-malas: 403 litros (1.500 litros com os bancos traseiros rebatidos).
Tanque de combustível: 55 litros.
Produção: Porto Real, Rio de Janeiro.
Itens de série: Airbag duplo, ABS com EBD, travamento central das portas, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, direção elétrica, trio elétrico, volante com regulagem de altura e profundidade, faróis de neblina, lanternas diurnas, rádio/CD/MP3/Bluetooth, maçanetas na cor da carroceria, faróis com acionamento automático, retrovisor eletrocrômico, ar-condicionado automático, cruise control, sensor de chuva, pedais com acabamento em alumínio, ponteira de escapamento cromada, volante em couro e rodas de liga leve de 16 polegadas.
Preço: R$ 64.290.
Opcionais: Pintura metálica, por R$ 1.390, pintura perolizada, por R$ 1.790.

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Desventuras em série - Citroën faz pequenas mudanças na linha 2015 do C3 Aircross mas vendas não reagem

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 07 Jan 2015 09:15:00

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