15 de jan de 2015

Cobertura do Salão do Detroit 2015

Cobertura do Salão do Detroit 2015

Para a indústria, a era romântica do automóvel acabou em 2008, com a crise financeira internacional. Mas não para os consumidores. Estes não querem carros pragmáticos, racionais e sem glamour. Não é à toa que neste Salão de Detroit, que fica no Cobo Center até 25 de janeiro, ampliou-se o número de modelos sofisticados entre superesportivos de alta performance, SUVs de grandes dimensões e sedãs. Este desejo dos consumidores fica ainda mais evidente nos Estados Unidos por vários motivos. A queda no preço da gasolina – o litro custa, em média, o equivalente a R$ 1,30 –, fez os motores V8 voltarem com força. E mesmo que tenha sido o epicentro da crise, foi o primeiro entre os países centrais a se recuperar. A indústria agora está se preocupando um pouco menos em relação ao gosto dos chineses para focar no que os norte-americanos querem.

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Os alemães sabem muito bem disso. Volkswagen, Mercedes e Audi investiram em modelos grandalhões, como os SUVs Cross, GLE Coupé e Q7. A BMW foi uma pouco mais contida. Trouxe apenas o Série 6 de cara nova, com mais tecnologia e muita potência sob o capô. A Porsche apresentou a potentíssima versão GTS do 911 Targa para marcar o meio século da criação do modelo, que se completará em 2017.  No campo dos superesportivos, Detroit foi bem. Foram apresentados dois modelos para fazer história. O primeiro é o Acura NSX, braço de luxo da Honda nos Estados Unidos. Ele conta com quatro propulsores – três elétricos e um V6 biturbo – que despejam de forma combinada nada menos que 550 cv nas quatro rodas. O outro é uma das grandes estrelas do Salão: o GT Concept. O novo superesportivo da Ford faz referência ao vitorioso GT40, que venceu Le Mans de 1966 a 1969 e chega com nada menos que 600 cv no motor longitudinal traseiro da família Ecoboost.

Quem também brilhou neste quesito foi a Alfa Romeo. A marca voltou no final de 2014 oficialmente ao mercado dos Estados Unidos – já na condição de ítalo-americana por conta da FCA – com o 4C Coupé e guardou a versão Spider para ter sua estreia mundial em Detroit. O modelo segue as linhas e a lógica do 33 Stradale: é leve, com motor pequeno, mas de alta performance. Outro carro que chamou a atenção foi o Bolt EV Concept, um hatch da Chevrolet que a GM pretende lançar em até dois anos. Ao contrário da segunda geração do Volt, que manteve a configuração híbrida plug-in, o Bolt só se alimenta de baterias. No mais, Hyundai apresentou o conceito Santa Cruz, que mistura picape e carro de passeio, a Volvo mostrou o S60 Cross Country, um sedã preparado para se sujar de lama, e a Chrysler renovou e introduziu mais luxo no 300C, modelo que desembarca no Brasil ainda este ano.

Principais novidades de Detroit

Acura NSX – Na estética, a versão definitiva do esportivo Acura NSX não fugiu em quase nada do carro-conceito que o antecedeu, um ano atrás. Mas sob o capô, a marca de luxo da Honda para o mercado norte-americano mexeu bastante. O propulsor é um V6 biturbo, gerenciado por um câmbio de dupla embreagem com nove marchas. Ele ainda é auxiliado por três motores elétricos, que prometem evitar o chamado “turbo lag”. No total, são 550 cv de potência, número que coloca o NSX em confronto com modelos de entrada de marcas de superesportivos, como Ferrari, Lamborghini e Maserati. O preço também indica esta direção: US$ 150 mil nos Estados Unidos. No Brasil, um modelo como este sairia por volta de R$ 800 mil, valor que praticamente inviabiliza a importação.

Alfa Romeo 4C Spider – A Alfa Romeo aproveita o suporte do Grupo FCA – Fiat Chrysler Automobiles – para voltar ao mercado norte-americano em grande estilo. No final de 2014, já havia iniciado as vendas do modelo 4C Coupé, mas deixou para apresentar em Detroit a versão Spider, a mais glamourosa de seu esportivo. O desenho do conversível de dois lugares foi inspirado no modelo 33 Stradale, de 1967, e ele é empurrado por um motor quatro cilindros turbo de 1.742 cc. O propulsor fica instalado na traseira, é gerenciado com um câmbio de dupla embreagem de seis marchas e rende bons 240 cv de potência e 35,7 kgfm de torque. Como o 4C usa diversos componentes de fibra de carbono, alumínio e aços de baixa densidade e alta resistência, o peso a seco é de apenas 1.128 kg. Daí o zero a 100 km/h estimado em 4,1 segundos, com máxima de 257 km/h. Como típico esportivo de baixo peso, tem excelente estabilidade: suporta uma força-G de aceleração lateral de até 1,1. O 4C Spider é produzido em Modena, na Itália, e chega ao mercado norte-americano em meados de 2015.

Audi Q7 – A segunda geração do maior SUV da Audi perde um pouco o jeito pesadão, que marcava o primeiro Q7. Ele e o Q3, que também foi renovado, apresentam novos detalhes visuais na frente, que devem marcar o restante da linha ao longo dos próximos anos. A grade está mais projetada e alargada, a ponto de tocar diretamente nos faróis. Ele utiliza a plataforma modular MLB 2, evolução da utilizada pelo novo Porsche Cayenne e própria para motores longitudinais. Apesar de manter praticamente as mesmas dimensões, o conjunto ficou cerca de 360 kg mais leve com a utilização de aços de baixa densidade. No Brasil, o Q7 chega no segundo semestre deste ano ou no início de 2016 e terá sob o capô apenas versões mais evoluídas dos motores já conhecidos da gama: um V6 3.0 a gasolina TFSI de 333 cv e um 2.0 TFSI de 252 cv. O modelo mais forte cumpre o zero a 100 km/h em 6,2 segundos.

BMW Série 6 – A BMW apenas cumpriu tabela em Detroit. A maior novidade no estande da marca foi o face-lift do Série 6, nas versões Coupé, Gran Coupé e Cabrio. Nos Estados Unidos, inicialmente, serão oferecidos apenas os motores V8. Na 640, é um 4.4 litros turbo de 450 cv. Nas versões M6, é um 4.0 biturbo de 560 cv – a BMW ainda oferece um kit para elevar a potência para 575 cv. A motorização mais forte consegue cumprir o zero a 100 km/h entre 4,2 e 4,4 segundos, dependendo da versão. A máxima é sempre limitada a 250 km/h. Do grupo BMW, outra novidade foi o Mini John Cooper Works da nova geração.

Chevrolet Bolt Concept – A GM guardou para Detroit a apresentação mundial do pequeno Bolt EV. O carro-conceito deve dar origem a um hatch compacto totalmente elétrico já no ano que vem. Ele é totalmente construído com materiais leves, como fibra de carbono, magnésio e alumínio e a marca garante que a autonomia da carga supera as 200 milhas – cerca de 320 km. O interior é todo futurista, com funções controladas a partir de uma tela de 10 polegadas, e muito espaçoso. O modelo deve chegar ao mercado norte-americano pelo preço de US$ 30 mil. Isso o deixa cerca de US$ 10 mil mais barato que o Volt, que acaba de ganhar sua segunda geração. O sedã híbrido da GM ficou mais eficiente e estreia a nova plataforma modular da marca para veículos médios, que será utilizada também nos futuros Chevrolet Cruze e Opel Astra.
Chrysler 300C – A Chrysler renovou o seu sedã grande 300. O modelo continua baseado na plataforma do antigo Mercedes-Benz Classe E – ainda resquício dos tempos de DaimlerChrysler – e traz um visual mais limpo e sóbrio. Os motores são os conhecidos V6 3.6 litros Pentastar e o V8 5.7 litros Hemi. O modelo deve chegar ao Brasil em meados de 2015.
Ford GT Concept – A Ford apresenta o novo esportivo como conceito, mas basicamente o GT mostrado em Detroit é muito próximo da versão definitiva, que chega ao mercado em 2016. Esta “terceira geração” do Ford GT tem apenas algumas referências visuais do GT40, de 1964, tetracampeão de Le Mans. A segunda geração, produzida em 2005 e 2006, era uma cópia mais fiel do original e chegou a vender mais de 4 mil unidades. Desta vez, a Ford aplicou conceitos aerodinâmicos mais modernos – principalmente na traseira, onde o para-lama se destaca da carroceria, e nas laterais dois aerofólios simulam a coluna traseira. Um terceiro aerofólio traseiro, este central, se autoajusta para aumentar o downforce. O motor do protótipo é o Ecoboost 3.5 de 600 cv, gerenciado por um câmbio de dupla embreagem e sete marchas. A Ford apresentou ainda o Mustang GT350R, de 500 cv.
Hyundai Santa Cruz Concept – A Hyundai desta vez não fez tanto barulho. Além de uma versão híbrida do sedã médio-grande Sonata, a marca norte-coreana trouxe apenas uma picape-conceito. É bem verdade que não se trata de uma caminhonete comum. Ela é definida pela marca como aventureira urbana e tem características no habitáculo que a aproximam bastante de um confortável carro de passeio. Sob o capô, ela conta com um propulsor turbo-diesel 2.0 de 192 cv, que aciona as quatro rodas. Sua caçamba tem espaço de carga semelhante à de uma picape média e as linhas são bastante futuristas.
Mercedes GLE Coupé – A Mercedes até que esperou bastante, mas finalmente lançou um rival para o BMW X6. O GLE Coupé é um SUV com linhas mais esportivas e antecipa o visual e a engenharia que serão empregados na futura geração do utilitário médio-grande ML – que passa a se chamar simplesmente GLE, seguindo a nova nomenclatura da marca e que explicita que pertence à gama da Classe E. A vantagem apontada pela Mercedes é que o GLE Coupé dispõe de cinco lugares, contra os quatro oferecidos pelo SUV da rival. O modelo já chega nas versões 400, de 333 cv, 450 AMG, de 367 cv, e AMG GLE 63S Coupe, de 577 cv. Há ainda uma versão diesel, a 350d, de 258 cv,  com tração integral e câmbio de nove marchas. Tanto a 450 AMG quanto a 63S devem desembarcar anda este ano no Brasil. Outra novidade da Mercedes foi o modelo autônomo F015 Luxury Concept Car, já exibido em Las Vegas, na CES 2015.
Porsche 911 Targa 4 GTS – Em 2017, o 911 Targa completa 50 anos e a Porsche quer marcar a efeméride com a criação da versão GTS, a mais potente da história, e escolheu o Salão de Detroit para fazer a apresentação mundial. Inclusive porque, nos Estados Unidos, a configuração Targa era, de longe, a mais popular do esportivo alemão nos anos 1970. O propulsor é clássico: um boxer de seis cilindros e 3.8 litros gerenciado por um câmbio de sete marchas e dupla embreagem. São nada menos que 430 cv de potência e 45 kgfm de torque despejados nas quatro rodas. O zero a 100 km/h é feito em 4,6 segundos e a máxima é de 300 km/h.
Volkswagen Cross Coupé GTE – A Volkswagen teve bons resultados de vendas no mundo inteiro em 2014. Com duas exceções: Brasil e Estados Unidos. No caso do mercado norte-americano, a aposta da marca alemã é no SUV com jeito esportivo e motorização híbrida Cross Coupé GTE. Ele é construído na plataforma MQB – a mesma do Golf –, e terá duas configurações de carroceria, uma para a versão de cinco lugares, com cerca de 4,50 metros, e outra para sete lugares, com 4,85 metros. O modelo traz todas as tecnologias que o Grupo Volkswagen dispõe e deve atuar em um mercado um pouco mais exclusivo que o Touareg. A motorização é composta por um propulsor V6 3.6 FSI, de 280 cv de potência e 35,7 kgfm, e dois motores elétricos. O dianteiro tem 54,4 cv e 22,4 kgfm e o traseiro, 115 cv e 27,5 kgfm. Combinados, rendem 360 cv e levam o SUV a 100 km/h, partindo da imobilidade, em 6,2 segundos. Outro ponto interessante é que, apesar de ser pensado especificamente para os Estados Unidos, onde chega no final de 2016, o Cross Coupé inaugura a nova linguagem visual mundial da Volkswagen para a segunda metade da década. Volvo S60 Cross Country – A Volvo escolheu Detroit para apresentar uma proposta pouco comum, em que agrega características aventureiras a um sedã. O S60 Cross Country tem versões com tração integral e sua suspensão foi elevada em 6,5 centímetros em relação ao S60 normal. Ele recebe ainda duas motorizações diesel, de 115 cv e 190 cv, e uma a gasolina, 2.0 turbo de 250 cv, que deve chegar no Brasil ainda este ano. A estética é a mesma que a marca aplica a seus modelos do gênero: proteção nos arcos das caixas de roda e apliques em alumínio na base dos para-choques e nas laterais.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

Choque de realidade - Salão de Detroit 2015 traz poucas novidades, mas todas elas bem sintonizadas com o mercado

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Eventos
Publicado em: 14 Jan 2015 08:20:00

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