30 de set de 2015

Primeiras impressões do Jaguar XE

Primeiras impressões do Jaguar XE

A Jaguar explicita uma certa indiferença em relação aos modelos de entrada entre os sedãs médios premium. Inclusive porque o maior atrativo de seu novo XE é oferecer status e recursos que as marcas alemãs costumam “reservar” para os modelos maiores e mais caros. Por conta de política, o XE mais básico já tem um respeitável propulsor 2.0 turbo de 240 cv e com câmbio sequencial de oito marchas. Na versão S, na qual a marca britânica busca reiterar sua esportividade, o propulsor é um 3.0 V6 Supercharged de 340 cv. No Brasil, este conceito vem acompanhado de uma relação custo/benefício bem flagrante. Mesmo a versão mais barata, a Pure, custa R$ 169.900 e preserva a ideia de requinte através de equipamentos de conforto, revestimento em couro e acabamento esmerado. E a linha vai em um crescente de equipamentos, com a Pure Tech, de R$ 177 mil,  com a R Sport, de R$ 199.900 e, por fim, com a S, de R$ 299 mil.

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Desde a versão Pure, a marca busca valorizar também a dinâmica mais esportiva de seu modelo. Os 240 cv do motor 2.0 turbo produzem uma relação peso/potência de 6,37 kg/cv. Daí a capacidade de chegar a 100 km/h, partindo da imobilidade, em apenas 6,8 segundos. Na versão S, os números são ainda mais dramáticos: relação peso/potência de 4,89 kg/cv e zero a 100 km/h em 5,1 segundos. Cada uma das motorizações recebe uma calibragem de suspensão específica. Na R Sport é mais rígida e na S tem controle de amortecimento. Todas, porém, têm a mesma arquitetura básica: triângulos sobrepostos na frente e integral link atrás, um conjunto multilink montado sobre subchassi com molas. Desde o modelo básico, também, o XE conta com paddle-shifts no volante e sistema de controle de condução – Jaguar Drive Control –, que altera a resposta de motor, direção, câmbio e o nível de intromissão do controle de estabilidade e de tração. No caso da versão S, que tem amortecedores ativos, muda também o comportamento da suspensão.

Nessa política de manter a marca elitizada, os modelos chegam bastante completos desde a versão básica. Ela traz itens como faróis de xênon, start/stop, tela touch de 8 polegadas, controle de cruzeiro, sensor traseiro, GPS e ar de duas zonas. O pacote Tech adiciona sensor de chuva, teto solar e câmara de ré. A R Sport inclui, entre outros, bancos, suspensão e visual mais esportivos, rodas aro 18, sistema de som Meridian, ajustes elétricos de banco e volante e teto panorâmico. A versão S traz tudo que o XE pode oferecer. Além do propulsor 3.0 V6 com compressor mecânico, de 340 cv, ela traz head-up display a laser, que projeta em cores as informações no vidro diante do motorista, faróis adaptativos, kit aerodinâmico, rodas de 19 polegadas, sistema de som de 380 W e sensores de estacionamento dianteiro, traseiro e câmara de ré.

Desde 2008, quando passou para as mãos da indiana Tata, o esforço da fabricante britânica tem sido o de aumentar sua presença no mercado sem perder o glamour. A imagem sofisticada passa necessariamente pela tecnologia de construção e o XE tem 75% de sua construção em alumínio. O chassi, chamado de Q1, é o primeiro modular da marca e com base nele serão feitos o utilitário esportivo F-Pace, que chega em fevereiro, e o futuro sedã médio-grande XF. Mas, mesmo que não busque a popularidade, a fila nos mercados europeus e norte-americano está extrapolando a capacidade da fábrica de Solihull, na Inglaterra. Por isso também, o lote destinado ao Brasil não foi dos maiores e, na mesma batida dos mercados centrais, já está todo reservado. A Jaguar calcula que, em uma demanda normal, 50 XE sejam emplacados mensalmente, sendo entre 8 e 10 unidades da versão de topo S.

Primeiras impressões

Mogi-Guaçu/SP – O Jaguar XE se impõe pelo porte, sofisticação e espírito esportivo. As linhas dão um aspecto robusto e sólido ao sedã britânico. Mas, na verdade, há dois XE diferentes. Nas versões com motor 2.0 turbo de 240 cv, é um sedã ativo, bem disposto, capaz de trafegar em velocidades de cruzeiro de autobahn alemã, mas sempre dócil a quem está no volante. A versão S, com seu 3.0V6 Supercharged de 340, é uma fera, que se torna domável por conta dos variados controles eletrônicos disponíveis no modelo. Não por acaso, o teste-drive do primeiro foi na rodovia e o do segundo, no autódromo. A diferença de temperamento explica os R$ 100 mil a mais que a tabela aponta para a versão de topo.

Na pista, o XE S mostra a eficácia da suspensão traseira integral link, uma espécie de multilink evoluída. A carroceria simplesmente se recusa a rolar nas curvas e mesmo com pisadas mais intensas, não há qualquer tendência de sobresterço, sem acusar a tração traseira. As arrancadas são daquelas que marcam as costuras do banco nas costas do piloto e o supercharged deixa o motor sempre cheio – apesar do torque máximo só aparecer a 4.500 rpm, desde os giros mais baixos já tem força suficiente para mover o sedã. Com a motorização 2.0, o XE fica 135 kg mais leve. Em vez da força bruta da versão S, a versão R-Sport tem a agilidade a seu favor. Na rodovia, impressiona a facilidade com que os ponteiros do velocímetro e do tacômetro sobem. A suspensão tem bom compromisso entre estabilidade e conforto, mas sofre um pouco nos trechos com asfalto irregular.
Mesmo que seja classificado como sedã de luxo médio, o espaço atrás é digno de ser ocupado por um executivo, com ótima área para as pernas e cabeça – até por isso, o assento traseiro é mais baixo que o dianteiro. Se bem que, carros dessa categoria são pensados para que o dono assuma o volante. Os instrumentos, redondamente clássicos, são fundos a ponto de dificultar que o carona bisbilhote a velocidade. As regulagens de banco e volante elétricos são simples, mas há um excesso de comandos no console, no volante e nas hastes – ainda não descobriram como reduzir o número de botões em um carro com tantos recursos.

Ficha técnica

Jaguar XE

Motor 2.0 Turbo: A gasolina, dianteiro, longitudinal, 1.999 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e turbocompressor. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Potência máxima: 240 cv a 5.500 rpm. 
Torque máximo: 34,7 kgfm entre 1.750 rpm e 4 mil rpm. 
Diâmetro e curso: 87,5 x 83,1 mm.
Taxa de compressão: 10:1.
Aceleração 0-100 km/h: 6,8 segundos.
Peso: 1.535 kg. Motor 3.0 Supercharged (S): A gasolina, dianteiro, longitudinal, 2.995 cm³, seis cilindros em V, quatro válvulas por cilindro e compressor mecânico. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Potência máxima: 340 cv a 6.500 rpm.
Torque máximo: 45,9 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 84,5 x 89,0 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Aceleração 0-100 km/h: 5,1 segundos. 
Peso: 1.665 kg.
Velocidade máxima: 250 km/h, limitada eletronicamente.
Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Controle de tração. 
Suspensão: Dianteira independente com triângulos sobrepostos. Traseira integral link – multiling com subchassis sobre molas. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série e amortecedores eletrônicos na versão S.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,67 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,42 m de altura e 2,83 m de entre-eixos. 
Capacidade do porta-malas: 450 litros.
Tanque de combustível: 63 litros.
Produção: Solihull, Inglaterra. 
Lançamento mundial: Maio de 2015.
Lançamento no Brasil: Setembro de 2015.
Versão "Pure": Paddle shifts, freio de estacionamento elétrico, Isofix, sete airbags, ar-condicionado digital dual zone, bancos em couro com ajuste elétrico para motorista e passageiro memória para motorista, volante em couro multifuncional, iluminação ambiente interna ajustável, faróis de xenon, retrovisor interno antiofuscante, apoio de braço no banco traseiro com dois porta-copos, trio elétrico, direção elétrica, controle de cruzeiro, controle de estabilidade e tração, controle de torque direcional, revestimento em couro, start/stop, monitoramento da pressão dos pneus, faróis em xenon, luz diurna em led, Jaguar Drive com quatro modos de condução, sistema de som Jaguar com seis alto-falantes, entradas USB e iPod, tela central touchscreen de 8 polegadas em alta resolução, Bluetooth com áudio streaming, GPS e sensor de obstáculos traseiro.
Preço: R$ 169.900
Versão "Pure Tech": Adiciona teto solar, câmara traseira, sensor dianteiro de estacionamento e sensor de chuva.
Preço: R$ 177 mil.
Versão "R-Sport": Adiciona para-choque redesenhado, saias laterais, spoiler traseiro, bancos esportivos, suspensão recalibrada, revestimento em couro de duas cores, faróis de xenonadaptativos, assistente de farol alto, som Meridian com 11 alto-falantes, coluna de direção com ajuste elétrico e rodas de liga leve aro 18.
Preço: R$ 199 mil.
Versão "S": Adiciona motor 3.0 V6, amortecedores ativos, revestimento de couro e alcântara, detalhes de acabamento em fibra de carbono, pedais em alumínio, rodas de liga leve aro 19, head-up display em laser, spoiler traseiro maior, pinças de freios vermelhas, chave presencial para travas e ignição, sensor de estacionamento 360º e monitor de ponto cego.
Preço: R$ 299 mil.

Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias e divulgação

Dinâmica feroz - Jaguar aposta no requinte e na esportividade para encarar o mercado de sedãs de luxo no Brasil

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 30 Sep 2015 08:10:00

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