16 de set de 2015

Especial: Salão de Frankfurt 2015

Especial: Salão de Frankfurt 2015

Os alemães não têm pudores em afirmar que o Salão de Frankfurt é o maior do mundo. Uma coisa é certa: é o maior pelo menos em tamanho físico. O evento ocupa 13 pavilhões do centro de exposições do gigantesco Frankfurt am Main entre 17 e 27 de setembro. Isso em um momento em que o mercado da Europa começa a se recuperar da crise iniciada em 2008 – a previsão é que chegue a 16 milhões de automóveis vendidos em 2015. Por isso, todas as marcas trataram de deixar pelo menos um modelo de interesse para exibir no Salão. Mesmo que as fabricantes, cada vez mais, prefiram promover seus grandes lançamentos fora das datas de motorshows para garantirem uma cobertura de mídia mais volumosa. Veja também:
  • Prévia do Salão de Frankfurt 2015
Os grupos alemães, obviamente, mostraram pelo menos uma novidade por marca. A Daimler, dona da Mercedes-Benz e da Smart, trouxe o Classe C cupê, o Classe S cupê cabriolet e o Smart Fortwo Cabrio. Já o Grupo BMW apresentou o novo Série 7, o Rolls-Royce Dawn e a segunda geração do Mini Countryman. No entanto, foi o Grupo Volkswagen que mostrou o maior número de lançamentos. Pela marca-mãe, a novidade foi o Volkswagen Tiguan, além do conceito Golf GTE Sport.

Mas foi a Porsche quem mais brilhou, com o 911 S e, principalmente, com o belíssimo Porsche Mission E. A britânica Bentley insiste na construção do feioso SUV Bentayga – confirmou o início de produção para fim de novembro. Já a Bugatti, que encerrou a produção do Veyron e não tem outro modelo em linha, decidiu tirar do mundo virtual o Vision, personagem do game Gran Turismo 6. As italianas abusaram das linhas sensuais e da potência em seus respectivos modelos: Ferrari 488 Spider e Alfa Romeo Giulia. A Fiat, por sua vez, mostrou o leve face-lift que promoveu no pequeno 500. As francesas não ficaram assim tão estimuladas com Frankfurt. A Peugeot ganhou algum destaque com o conceito Fractal e a Citroën com o também conceito Aircross. Já a Renault mostrou a quarta geração do médio Mégane. Para finalizar, a única marca norte-americana a se fazer presente em Frankfurt foi a Ford, que deixou clara sua aposta em utilitários. Mostrou a Ranger renovada e o EcoSport feito na Rússia sem estepe na tampa traseira – nem em lugar nenhum. 

Os destaques de Frankfurt

Alfa Romeo Giulia – O sedã italiano ressurge no salão alemão, depois de 33 anos fora do mercado, com um motor 2.9 litros turbo com 510 cv, desenvolvido junto com a Ferrari. Ele é capaz de fazer de zero a 100 km/h em 3.9 segundos e chegar a 307 km/h. A tração é traseira e seus 1.524 kg são distribuídos igualmente entre os dois eixos. As encomendas, que passam a ser aceitas após a apresentação em Frankfurt, são para modelos a partir de 95 mil euros – ou R$ 420 mil. No caso de um improvável desembarque no Brasil, seu preço começaria em torno de R$ 800 mil. No projeto do Alfa Romeo Giulia está a intenção de criar uma nova vocação para a marca, que atualmente está meio sem função no Grupo FCA.  A ideia é passar a concorrer diretamente com as alemãs de luxo, como Audi, BMW e Mercedes-Benz.

Audi E-tron Quattro Concept – O crossover cupê da Audi combina aerodinâmica eficiente – coeficiente de 0,25 cx – com traços marcantes, que indicam o futuro do design da marca. A grade prateada e protuberante, linhas retas e entalhadas. Os três motores elétricos combinados rendem até 504 cv e a autonomia do conjunto de baterias é de até 500 km. O E-Tron Quattro é montado na plataforma modular MLB, para motores longitudinais, e é maior que o Q5 e menor que o Q7. Ou seja: está sendo pensado para brigar com BMW X6 e Mercedes-Benz GLE Coupé. No interior, um sistema OLED nas telas multimídias para passageiros dianteiros e traseiros dispensa botões.

Bentley Bentayga – O protótipo EXP 9F não fez muito sucesso em suas aparições. Por isso, a Bentley mudou um pouco a cara de seu primeiro SUV, decantado por ela como o mais luxuoso já construído no mundo. Seja como for, o Bentayga ainda impressiona pela estética desfavorável. O utilitário compartilha a plataforma modular MLB do Audi Q7. A propulsão motor também está à altura de um modelo da marca: com motores a gasolina biturbo e elétrico, o conjunto rende cerca de 600 cv. Na parte frontal, enormes entradas de ar junto com a grade cromada e faróis redondos – identidade visual da Bentley. Na traseira, as lanternas possuem formato similar ao do sedã Flying Spur, e na lateral, linhas fluídas com vincos marcantes.

BMW Série 7 – A sexta geração do sedã BMW Série 7 recebeu grandes doses de luxo e tecnologia. Além do visual mais marcante, o sedã de luxo também emagreceu 130 kg, pela aplicação de plástico com fibra de carbono – como na linha i – e passa a contar com suspensão adaptativa a ar em todas as versões. O sistema multimídia reconhece gestos e há comando na chave para estacionar remotamente, com o motorista fora da cabine. No pacote opcional Executive Lounge há ar-condicionado de quatro zonas, tablet de sete polegadas para controlar o sistema multimídia e todos os bancos ventilados, sendo os traseiros eletricamente ajustáveis e com massagem. Nas versões de entre-eixos alongados, há presença de teto solar panorâmico. Para impulsionar o veículo, são disponibilizados motores de seis e oito cilindros, que variam entre 265 e 450 cv. Outra novidade está em uma inédita versão híbrida – motor a gasolina junto com propulsor elétrico que rendem em conjunto 326 cv. A transmissão é sempre automática de oito velocidades.

Bugatti Vision Gran Turismo – Nem só de modelos concretos é feito o Salão de Frankfurt. A Bugatti mostra no motorshow alemão o conceito Vision Gran Turismo, desenvolvido exclusivamente para o game Gran Turismo 6. Criado em parceria com a própria desenvolvedora do jogo, a Polyphony Digital, o bólido virtual não ganhará versão de produção, mas inspirará o design do futuro superesportivo da marca, Chiron, que substituirá o Veyron. Seu visual é uma evolução natural do Veyron, mas inspirado também no passado de sucesso da Bugatti nas pistas. Principalmente no Bugatti Type 57 Tank, que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1937 e 1939. A própria pintura, em dois tons de azul, presta homenagem ao modelo histórico.
Citroën Aircross Concept – A Citroën mostrou em Frankfurt o Aircross Concept, revelado em abril último, no Salão de Xangai, na China. O conceito nada tem a ver com o Aircross que é vendido no Brasil. Seu visual remete ao crossover C4 Cactus, porém é mais agressivo e robusto, com pitadas de sofisticação e híbrido. O modelo mede 4,58 metros de comprimento, 2,10 m de largura, 1,73 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. O motor é um 1.6 16V THP a gasolina com 218 cv de potência instalado sobre o eixo dianteiro, que recebe a ajuda de outro elétrico de 95 cv sob o eixo traseiro. Internamente, ele traz quatro bancos individuais e as portas abrem em par – não há coluna central. De acordo com a marca francesa, ele é capaz de rodar 58,8 km com um único litro de combustível e cumprir o zero a 100 km/h em apenas 4,5 segundos.
Ferrari 488 Spider – A Ferrari garante que o 488 Spider é o conversível mais poderoso já construído. Ele é animado por um V8 biturbo central-traseiro de 3.9 litros de 670 cv e 77,5 kgfm de torque – o mesmo utilizado na 488 GTB. Com uma potência específica impressionante – 172 cv/litro –, o superesportivo percorre o zero a 100 km/h em 3 segundos e alcança os 200 km/h partindo da inércia em 8,7 segundos. Em parte, esse desempenho se deve ao baixo peso total: tem apenas 1.420 kg. O cupê-cabriolet possui teto rígido retrátil de vidro e fibra de carbono de tamanho bem reduzido, o que o torna 25 quilos mais leve do que se fosse feito em lona com armação de metal. Ele pode ser fechado totalmente em 14 segundos. O modelo ainda utiliza 11 tipos de alumínios diferentes na construção.
Ford Ranger – Mostrada pela primeira vez na Tailândia, em março, a picape média da Ford de cara nova tem desembarque confirmado no Brasil no ano que vem, no primeiro semestre. Em Frankfurt, ela aparece com o mesmo trem de força utilizado no Brasil: um 3.2 litros turbodiesel de cinco cilindros e capaz de render 200 cv. Já a transmissão é automática, de seis velocidades. O face-lift afetou a grade – que adota o formato hexagonal da nova identidade visual da Ford –, o conjunto óptico e o para-choque. Na traseira, nota-se uma leve modernização na lanterna. O resultado geral é um aspecto menos robusto e bem mais elegante. A tecnologia embarcada também aproxima a Ranger de um carro de passeio: há central multimídia Sync com tela “touch” de 8 polegadas, GPS, comandos por voz, direção elétrica, controle de cruzeiro adaptativo, monitor de ponto cego e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, entre outros.
Jaguar F-Pace – O F-Pace teve uma avant-première em Frankfurt logo após entrar para o livro “Guiness”, de recordes por ter feito o maior looping da história, com mais de 18 metros. O F-Pace foi inspirado no conceito C-X17 e divide a plataforma modular com o sedã médio XE. Sua construção é 80% em alumínio e por isso, segundo a Jaguar, é mais leve que seus concorrentes alemães: Audi Q5, BMW X3 e Mercedes-Benz GLC. Ele será lançado comercialmente em fevereiro de 2016 e chega ao Brasil em meados do ano com motores diesel 2.0 turbo de 180 cv e 3.0 V6 a gasolina de 340 cv e 380 cv. Os preços serão a partir de R$ 300 mil.
Mercedes-Benz Classe S Coupé Cabriolet – O modelo que ocupa o topo do line-up da marca da estrela volta a receber a variante conversível após 44 anos. A configuração com teto rígido retrátil se baseia no Classe S Coupé. A Mercedes fez um grande trabalho acústico para garantir um ambiente elegante quando o modelo se transforma em cupê e inseriu itens de sofisticação, como aquecimento para áreas do pescoço, em todos os assentos e apoio de braço. A capota demora 20 segundos para ser totalmente aberta ou fechada e o comando pode ser feito com o carro a até 60 km/h. Entre a gama de propulsores, o Classe S Coupé Cabriolet na versão S 500 carrega sob o capô um V8 de 4.6 litros, com 455 cv de potência e 71,4 kgfm de torque, acoplado a uma transmissão automática de nove velocidades. Já na variante AMG, da divisão esportiva da marca, a versão S63 terá um motor V8 de 5.5 litros e 585 cv e 91,8 kgfm em conjunto com uma transmissão esportiva AMG de sete velocidades.
Mini Countryman – A nova geração da "station" Mini Clubman aparece maior no Salão de Frankfurt. O modelo, baseado no Mini hatch de quatro portas, ficou 27 cm maior que o antecessor – 10 cm apenas no entre-eixos – e ganhou portas maiores. O Clubman é equipado com o motor Twin Turbo, 2.0 litros, de 192 cv, com câmbio sequencial de oito marchas. O zero a 100 km/h é feito em 7,1 segundos. No Brasil, o Clubman deve desembarcar ainda este ano. Peugeot Fractal – O cupê-conceito elétrico da Peugeot foi desenvolvido com um tratamento acústico sofisticado, para que sua presença seja mais facilmente detectada pelos pedestres e agradável para os ocupantes. Seus dois propulsores – um em cada eixo – somam 204 cv e empurram o Fractal do zero a 100 km/h em 6,8 segundos. A autonomia oferecida pelas baterias de íon de lítio é de até 450 km. Ele tem ainda uma suspensão capaz de variar a distância para o solo em até 11 cm – tanto para melhorar a aerodinâmica quanto para enfrentar pisos irregulares. No interior, possui uma tela holográfica de alta definição e permite ao condutor personalizar a informação do caminho mostrado. Porsche Mission E – A promessa do conceito elétrico da Porsche é ter uma autonomia de até 500 km. O esportivo de quatro lugares não tem coluna central, daí suas quatro portas se abrirem em pares – coisa comum em protótipos que dificilmente ganham as linhas de produção. O modelo tem dois motores elétricos capazes de gerar 600 cv, distribuídos pelas quatro rodas. Com isso, vai do zero aos 100 km/h em irrisórios 3,5 segundos. A carroceria é feita a partir de uma mistura de alumínio, fibra de aço de carbono e polímero reforçado. As rodas, de 21 polegadas na frente e 22 rodas polegadas na traseira, são em fibra de alumínio. Mais que números e dados técnicos impressionantes, o Mission E tem um visual caprichado, com toques futuristas. Certamente alguns de seus detalhes em breve estarão presentes nos modelos da Casa de Stuttgard nos próximos anos. Renault Mégane – A quarta geração do Mégane chega com um visual arrojado, marcado pela assinatura em leds nos faróis em formato de “C”. As linhas gerais ficaram mais esportivas – o hatch médio está mais largo e mais baixo – e o interior recebeu "gadgets" como um pad vertical de 8,7 polegadas no console central. O Mégane chega com seis motores, que vão de 90 cv, na versão diesel de entrada, a 205 cv, para a GT a gasolina. O hatch é montado sobre uma nova plataforma modular, chamada de CMF, disponível também para modelos da Nissan. O modelo será produzido na Espanha e chega ao mercado em janeiro de 2016. No Brasil, a versão RS da antiga geração era importada, mas não há previsão de que isso ocorra com o novo Mégane. Volkswagen Tiguan – A segunda geração do utilitário esportivo médio da Volkswagen passa a adotar a plataforma modular MQB, para motores transversais, a mesma do hatch Golf e do sedã Audi A3, que estão entrando em produção na fábrica paranaense de São José dos Pinhais. Por conta disso, o SUV ficou 50 kg mais leve que o antecessor. Os motores disponíveis na Europa vão de 115 cv a 240 cv. O mais provável é que o modelo que será vendido no mercado brasileiro seja o que utiliza o mesmo propulsor empregado no Audi Q3: 1.4 turbo de 150 cv. A Volkswagen exibiu ainda uma versão-conceito GTE do Tiguan. Trata-se de um plug-in hybrid drive com 218 cv de potência e tração integral.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

O centro do mundo - Fabricantes reservam algumas novidades para não fazerem feio no 66º Salão de Frankfurt

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Eventos
Publicado em: 16 Sep 2015 08:34:00

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