11 de set de 2015

Aceleramos: Renault Sandero RS é nervosinho e vai além do visual, com preparação para pista de corrida

Aceleramos: Renault Sandero RS é nervosinho e vai além do visual, com preparação para pista de corrida



Veja a galeria completa Sandero RS marca estreia da divisão Renault Sport no Brasil Divulgação/Renault Oferecer mais do que design é o que promete a Renault com o Sandero RS, que acaba de chegar às revendas brasileiras com preço sugerido de R$ 58.880. Diferente dos "esportivados", de estética apimentada, o hatch feito no Paraná foi efetivamente modificado pelo time de engenheiros da Renault Sport, divisão que prepara os bólidos do automobilismo e desenvolve as versões mais nervosas dos modelos de rua. Trata-se do primeiro modelo RS produzido fora da França na história da preparadora, criada em 1976. Do Sandero "normal", fez-se outro carro surpreendente e distinto, de personalidade própria e desempenho condizente. Não por acaso, o nome Sandero sequer aparece na carroceria, que ostenta inscrições "RS" na grade frontal e na tampa traseira, além da assinatura Renault Sport nas saias laterais. Quase todo o veículo recebeu um ajuste fino dos engenheiros da divisão. Foram alterados o design, a direção, os freios, a mecânica e a suspensão. Mesmo os pneus são exclusivos, criados em parceria com a alemã Continental.

Veja a galeria completa Versão preparada leva 8 segundos para arrancar de 0 a 100 km/h Divulgação/Renault Molho de pimenta Os números oficiais de desempenho já deixam bem claro que o Sandero RS é mesmo singular na linha do hatch. A aceleração de 0 a 100 km/h leva apenas 8 segundos, e a velocidade máxima atinge 202 km/h. A relação peso/potência é de interessantes 7,74 kg/cv. E a mecânica é inédita e exclusiva na gama: o 2.0 16V flex aspirado com 150 cv de potência e um torque viril de 20,9 kgfm, ambos obtidos com etanol (confira a ficha técnica abaixo). O gerenciamento é feito por um câmbio manual de seis marchas. No papel, é o mesmo conjunto mecânico do sedã médio Fluence e das versões mais caras do SUV Duster. Contudo, engenheiros da Renault do Brasil e da divisão RS deram um "toque de chef" na receita. O câmbio, por exemplo, teve as relações encurtadas para elevar o regime de giros e potencializar a esportividade ao volante. Já o motor recebeu injetores mais potentes (4,2 bar de pressão) e coletor de admissão com diâmetro 20% mais largo. O duto ainda foi reposicionado para captar ar mais frio.

Veja a galeria completa Motor 2.0 ganhou injetores de maior pressão e teve os dutos de admissão deslocados para melhorar captação de ar Divulgação/Renault Mudanças notáveis também foram feitas no sistema de freios. Estes receberam discos ventilados de 280 milímetros na dianteira, e sólidos de 240 mm na traseira, aumentando consideravelmente o poder de frenagem. Segundo a Renault, a distância necessária para parar totalmente a 100 km/h é mais de três metros menor que no Sandero convencional. A suspensão, por sua vez, recebeu molas 92% mais rígidas na frente e 10% no eixo traseiro, além de barras de torção 17% e 65% mais firmes, na mesma ordem. As modificações baixaram o centro de gravidade em 26 mm, fazendo com que o Sandero RS tenha até 32% menos inclinação lateral em curvas. E não é só. A preparadora remapeou a central eletrônica do motor, mudou o sistema de exaustão, inserindo um silencioso esportivo, e mexeu na transmissão, encurtando as relações — em especial a terceira e quarta marchas. Para arrematar, o modelo ganhou assistência eletrohidráulica na direção e o programa RS Drive, que oferece três modos de condução (Standard, Sport e Sport+).  

Veja a galeria completa Interior exibe o mesmo volante do Clio RS europeu, com envergadura esportiva, base achatada e diâmetro menor Divulgação/Renault

Veja a galeria completa Botão RS Drive permite selecionar três modos de condução Divulgação/Renault Primeiras impressões Para mostrar que o Sandero RS é um esportivo legítimo (e não apenas visual), a Renault ofereceu dois testes diferentes. Primeiro, percorremos estradas na região de Campinas (SP) para ver o comportamento do hatch em uma situação comum, como uma viagem. Depois, ganhamos passe livre para acelerar no Velo Cittá, circuito fechado que fica em Mogi Guaçu e é homologado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Foi quase um dia inteiro de test drive, que mostrou os diferentes comportamentos do modelo. Havia dois trechos rodoviários bem distintos. Escolhemos o mais comprido, de aproximadamente 170 km, que incluía passagem por uma serra sinuosa. Foi a escolha ideal. Desde as primeiras arrancadas, ficou muito claro que este é outro Sandero, com pouco em comum em relação ao modelo convencional. Com o modo Sport ativado, as respostas ao acelerador são entusiasmantes, embaladas por um ronco inesperado e delicioso vindo da frente e do duplo escape na traseira. A estabilidade e aderência em curvas é também marcante. Evidentemente, o conjunto de molas e amortecedores é bem mais rígido que no modelo "normal", e isso é sentido sobre o asfalto mais rugoso e deteriorado. Contudo, não chega a impactar negativamente no conforto a bordo. Neste sentido, o que pode causar algum incômodo é justamente o barulho do motor, que é bastante presente. A partir dos 3.000 giros, o ronco invade a cabine sem dó e faz até o assoalho vibrar com certa intensidade. A 4.000 rpm, faixa de torque máximo, a vibração é ainda mais aguda. No modo Standard, a condução fica um tantinho mais branda. Isso porque o Sandero RS é nervosinho até em modo normal. E essa era a intenção. As respostas ao acelerador são sempre imediatas e intensas, o que faz do modelo um dos poucos esportivos da categoria a oferecer uma real sensação de pilotagem. Por sinal, foi na pista fechada que todo o trabalho da preparadora se revelou. O "hot hatch" demonstrou extrema habilidade para fazer curvas e arrancar suspiros nas retas.  
Veja a galeria completa Dianteira ganhou para-choques mais agressivo com luzes de LEDs Divulgação/Renault Veja a galeria completa Rodas de 17 polegadas com pintura preta custam R$ 1.000 Divulgação/Renault Muito além do visual Após algumas voltas no circuito, acionamos o modo Sport+, que desliga os controles eletrônicos de estabilidade e de tração. Foi então que os ajustes na suspensão, na direção e nos freios se mostraram dignos de uma pilotagem esportiva. Nas curvas mais abertas, com o acelerador colado no assoalho, o Sandero RS produziu arrancadas intensas, ao mesmo tempo em que se manteve firme e estável na pista. Nas frenagens, nada de sustos. O hatch manteve o equilíbrio com desenvoltura e jeito de carro de corrida. Nas várias voltas que demos na pista do autódromo, surpreendeu sua capacidade de encarar curvas mais fechadas e a precisão das respostas da direção. Ali ficou evidente todo o trabalho da engenharia, com um rolamento sólido e seguro da carroceria e uma aderência impressionante para um modelo considerado popular. Ao final do dia, a sensação foi de que o Sandero RS é mesmo outro carro. Sua capacidade de divertir é tamanha que, provavelmente, é o Renault mais legal de pilotar desde a vinda da marca ao País. Aos que ligam para o design, vale dizer que o hatch entrega na estética aquilo que proporciona na pista. Na dianteira, grade e para-choques foram redesenhados para oferecer tomadas de ar maiores, e os faróis de neblina dão lugar a modernos filetes de LEDs, que diferenciam o RS do restante da linha. Nas laterais há saias, soleiras nas portas e adesivos que sugerem dinamismo. Na traseria, destaques para o escape duplo, o para-choques esportivo e aerofólio maior. A receita apimentada também aparece na cabine, que traz bancos esportivos com apoios laterais avantajados cobertos na parte de cima em camurça. Chama a atenção o volante de diâmetro reduzido e base achatada emprestado do Clio RS europeu da geração atual. Detalhes em vermelho no painel e molduras com brilho no console e nas portas dão o arremate final. E a lista de equipamentos inova em relação às demais versões, passando à mais completa da linha, com os controles de estabilidade e de tração e o assistente de saída em ladeiras. Por R$ 58.880, não se pode dizer que o Sandero RS é um carro barato. Mas estamos diante de um modelo com preparação real para encarar track days em pistas de corrida. Não é só maquiagem esportiva. *O jornalista viajou a convite da Renault do Brasil FICHA TÉCNICA Motor: 2.0 16V, aspirado, flex
Potência: 145 cv (G) e 150 cv (E) a 5.750 rpm
Torque: 20,2 kgfm (G) e 20,9 kgfm (E) a 4.000 rpm
Direção: Assistência eletrohidráulica
Câmbio: Manual, seis marchas; relações encortadas e modo Sport Plus
Suspensão: Independente McPherson na dianteira, semiindependente atrás; tração dianteira
Freios: Discos ventilados na dianteira (280 mm) e sólidos na traseira (240 mm); ABS, ASR e ESP
Rodas: Aro 16, pneus 195/55 desenvolvidos pela Continental
Dimensões: 4,07 metros de comprimento, 1,49 m de altura, 1,73 m de largura e 2,59 m de entre-eixos
Peso: 1.161 kg (ordem de marcha)
Capacidade do porta-malas: 320 litros
Tanque de combustível: 50 litros
Principais equipamentos: ar-condicionado automático, controles de estabilidade e de tração, modo Sport com ajustes eletrônicos, assistente de saída em ladeiras, rodas de liga leve aro 16 com pneus de perfil baixo, faróis auxiliares em LEDs, pacote estético e aerodinâmico, bancos esportivos com revestimento parcial em couro, escape duplo cromado, pedaleiras, volante em couro com comandos, controle de cruzeiro, espelhos laterais, vidros e travas elétricos, central multimídia com GPS e tela touch no painel
Único opcional: rodas de liga leve aro 17 com pneus 205/45 desenvolvidos pela Continental (R$ 1.000)
Preço: R$ 58.880 Acesse aqui a página de R7 Carros Assine o R7 Play e veja a Record online!

Fonte: R7
Publicado em: 2015-09-10T18:20:00-03:00

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