2 de jul de 2015

Teste do Volkswagen Jetta Highline

Teste do Volkswagen Jetta Highline

A disputa entre os sedãs médios no Brasil é acirrada. Mas a categoria, que por aqui é dominada por representantes das fabricantes japonesas no topo da lista – Toyota Corolla, Honda Civic e Nissan Sentra –, também tem espaço para outras qualidades, além da confiabilidade e conforto – traços que caracterizam os modelos nipônicos. A Volkswagen começou a trazer a versão pós-face-lift do sedã Jetta, importado do México. A ideia com esta renovação é ampliar a participação do três-volumes no segmento. E, de fato, isso vem ocorrendo. Desde que esta segunda fase da sexta geração do modelo chegou, em março, as vendas se aproximaram das mil unidades por mês – o que o deixa em quarto lugar neste ranking. Ou seja: a conjugação do design mais sóbrio com uma boa dose de esportividade tem encontrado algum respaldo. De fato, o Jetta Highline é o que oferece, entre os sedãs de marcas generalistas, o melhor comportamento dinâmico.

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O grande trunfo da configuração é a motorização. Nesta renovação, o propulsor 2.0 turbo do Jetta foi recalibrado e passou dos 200 cv para 211 cv – o torque passou de 28,5 kgfm para 28,6 kgfm. A transmissão é sempre automatizada de seis marchas,  dupla embreagem e trocas manuais no volante. Com esse trem de força, o modelo chega aos 100 km/h, partindo da imobilidade, em apenas 7,2 segundos. E é capaz de atingir a velocidade máxima de 241 km/h. São números que surpreendem diante da vocação familiar que os sedãs médios carregam no Brasil. E fazem com que o modelo da Volkswagen se torne apto também para oferecer mais esportividade. A suspensão, em razão disso, é do tipo Multilink na traseira, com novas molas e amortecedores – na versão de entrada é por eixo de torção. Na concorrência direta, este tipo de suspensão só está presente no Ford Focus e no Honda Civic O Jetta atual se distancia do modelo anterior principalmente pela nova frente, com para-choque redesenhado, entradas de ar e grade do radiador ligeiramente maiores, faróis de neblina quadrados e conjunto ótico com luz diurna em leds, na versão completa. Na parte traseira, a lanterna ficou com a parte interna mais afilada e tampa do porta-malas e para-choque foram mexidos. Por dentro, nenhuma ousadia ou grande novidade. Alguns detalhes no console central receberam um leve toque de refinamento. Caso do acabamento em preto brilhante em volta da alavanca do câmbio e frisos cromados ao redor dos controles do sistema de climatização.

A lista de itens de série é boa, mas não chega a destacá-lo no segmento. A direção é elétrica e o ar-condicionado é automático bizone. O carro entrega ainda sistema de entretenimento com uma acanhada tela sensível ao toque, de apenas 6,5 polegadas, oito alto-falantes, entradas auxiliar e USB e conexão Bluetooth, rodas de liga leve de 17 polegadas, seis airbags, bloqueio eletrônico do diferencial, controle de estabilidade e tração e assistência de partida em rampa. Até aqui, o modelo sai por R$ 93.990, o que o deixa caro no confronto com os rivais. Com os opcionais, o custo/benefício piora. Além do teto solar panorâmico, há um pacote de equipamento chamado de Exclusive e outro de Premium. O primeiro acrescenta ao sedã bancos de couro com sistema de aquecimento para os dianteiros em duas opções de cores, preto ou bege, e sensores de chuva e de luminosidade. Já o Premium traz todos os itens do Exclusive e mais GPS, abertura das portas e partida do motor sem chave, faróis bixenônio com luzes diurnas de leds e ajuste elétrico do assento do motorista, além de outros detalhes. Completo, o preço vai a R$ 107.543. Com os mesmos equipamentos, os concorrentes são, em média, R$ 10 mil mais baratos.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 2.0 TSI entrega agora 211 cv a 5.500 rpm e torque de 28,6 kgfm disponível em 2 mil giros. Na prática, o propulsor garante acelerações vigorosas desde as arrancadas até as ultrapassagens e retomadas. A transmissão automatizada de dupla embreagem de seis velocidades impressiona e há opção de trocas manuais no volante. Para um sedã médio familiar, a marca de zero a 100 km/h em apenas 7,2 segundos é uma vantagem e tanto. Nota 9. Estabilidade – O Jetta 2.0 TSI é bem grudado ao chão. A boa rigidez da carroceria não deixa espaço para torções e o modelo está sempre equilibrado, mesmo diante de curvas acentuadas realizadas em velocidades altas. A direção tem peso correto na estrada e ganha firmeza a cada subida do ponteiro do velocímetro. Além disso, o modelo conta com controle eletrônico de estabilidade e tração. Nota 9.

Interatividade – Os comandos são de fácil acesso e uso bem intuitivo. O ar-condicionado é de duas zonas e o acesso ao veículo e a partida do motor são feitos sem que a chave precise sair do bolso, graças ao sensor de presença dela. As manobras de estacionamento são facilitadas pelos sensores traseiros e dianteiros com visualização gráfica, mas a ausência de uma câmara de ré em um carro que pode chegar a R$ 108 mil é até supreendente. Nota 8. Consumo – O InMetro testou o Jetta Highline DSG e aferiu média de 8,9/12,1 km/l de gasolina na cidade/estrada. Obteve nota C tanto em sua categoria quanto no geral. Mas essas médias só são conseguidas quando o motorista esquece que está a bordo de um modelo 2.0 turbo e não explora a capacidade esportiva do carro. O consumo energético foi de 2,19 MJ/km. Nota 6.

Conforto – A suspensão mais firme cobra seu preço diante das imperfeições das ruas, sentidas pelos passageiros. O isolamento acústico é bom, já que só deixa o ronco do motor invadir a cabine quando se extrai uma atitude mais raivosa do Jetta. Os bancos têm boa densidade e recebem extremamente bem todos os ocupantes. Nota 7. Tecnologia – A plataforma é a PQ35, mesma usada no Golf VI, da geração anterior à atual. O motor é o mesmo usado na sétima geração do Golf GTI, mas com desempenho um pouco mais suave em comparação ao hatch – no GTI são 220 cv e 35,7 kgfm. A lista de equipamentos, contando com os opcionais, é vasta e inclui chave presencial, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, seis airbags, ar-condicionado de duas zonas, controles de estabilidade e tração, bloqueio eletrônico de diferencial, assistente de partida em rampas. Falta uma prozaica câmara de ré. Nota 8.
Habitabilidade – O acesso ao veículo é bom tanto à frente quanto atrás. O espaço é suficiente para levar até cinco pessoas em trajetos curtos ou quatro nas viagens longas. O porta-malas de 510 litros é bastante satisfatório. Há no interior bons nichos para carregar os objetos que precisam ficar mais à mão do motorista e o porta-luvas é refrigerado. Nota 8. Acabamento – Os plásticos rígidos estão por toda parte e, embora aparentem qualidade, não proporcionam um convívio agradável. Em áreas de toque, há o uso de revestimentos espumados, menos brutos, exceto nas portas. O design geral é conservador demais. O conjunto parece inferior a alguns rivais com preços mais acessíveis. Os encaixes e a finalização, no entanto, são bem feitos. Os bancos em couro opcionais podem ser pretos ou no tom mais claro da unidade avaliada. Nota 7.
Design – As linhas são bem tradicionais e, de maneira geral, falta um toque de ousadia. A aparência é até agradável, mas não se destaca diante da concorrência. O conservadorismo exagerado expresso no design não combina com a proposta esportiva do motor. Nem mesmo a paleta de cores para a carroceria ajuda. Estão disponíveis apenas os tons branco, preto, azul, cinza e prata. Nota 7. Custo/benefício – O Jetta Highline começa em R$ 93.990, mas completo chega a R$ 107.543. Um Ford Focus Titanium Plus 2.0 com câmbio automatizado custa R$ 98.900 e é até mais bem equipado que o Jetta completo, mas não é turbo e tem “apenas” 178 cv. A Citroen oferece o C4 Lounge 1.6 THP de 173 cv a R$ 89.490 com equipamentos similares ao Jetta completo. No confronto, o Jetta tem a desvantagem de ser movido apenas a gasolina – o que, no mínimo, dobra o valor do IPVA em relação aos rivais. Entre os sedãs médios não há um concorrente com o mesmo desempenho e comportamento dinâmico, mas a Volkswagen cobra muito bem por essa diferença. Nota 6. Total – O Volkswagen Jetta Highline conseguiu 75 de 100 pontos possíveis.

Impressões ao dirigir

Pele de cordeiro

A julgar unicamente pelo exterior, o Volkswagen Jetta seria um carro que prioriza o conforto, ideal para a condição de carro de família. A carroceria de três volumes garante um porta-malas bom – são 510 litros – e o entre-eixos, de medianos 2,65 metros, não impede que a cabine passe a impressão de ser ampla. A versão de topo, a Highline, ainda traz itens de série e pacotes de opcionais que reforçam a função social de sedã. Os bancos de couro – que podem ser claros, como os da unidade avaliada, ou pretos – contam com ajustes elétricos só para o motorista, mas recebem bem todos os ocupantes. Além de segurar bem o corpo nas curvas. É bem fácil achar uma posição agradável para a direção e o espaço interno é suficiente para garantir bem a viagem de até quatro ocupantes. Com cinco, dependendo da estatura dos passageiros, a situação pode se complicar, mas nada que não aconteça na maior parte dos modelos desta categoria. Alguns detalhes favorecem o conforto interno. As portas têm bons ângulos de abertura e facilitam o acesso ao interior. A chave com sensor de presença faz com que o motorista entre no carro e dê a partida sem precisar tirar a peça do bolso. Basta pegar na maçaneta e apertar o botão de Start e pronto. A climatização conta com ar-condicionado de duas zonas e saídas traseiras, o que faz com que o veículo rapidamente fique refrigerado. Os materiais usados chamam a atenção pela precisão nos encaixes e a aparente robustez. Mas faltam revestimentos mais refinados e suaves ao toque.
Dinamicamente, porém, o Jetta Highline vai bem quando o acelerador é carregado com firmeza. Não falta força para nada: saídas de sinal, retomadas e ultrapassagens são feitas com um vigor capaz de fazer inveja nos concorrentes mais diretos. O bom torque de 28,6 kgfm aparece por completo em 2 mil rpm, mas o carro se mostra ágil e esbanja vigor em qualquer regime de giros. A transmissão automatizada de dupla embreagem trabalha em sintonia exemplar com o propulsor. Os mais dispostos a ter o controle total das trocas nas mãos podem utilizar as aletas atrás do volante, mas o câmbio explora bem a esportividade do Jetta mesmo quando as mudanças de marchas são feitas automaticamente. A direção elétrica é precisa e transmite segurança o tempo todo, mesmo em velocidades altas. A suspensão mais firme até faz com que os impactos dos desníveis das ruas sejam mais sentidos no interior do carro, mas nada que atrapalhe tanto assim os passeios. Qualquer desconforto é rapidamente recompensado pelas doses de diversão que o Jetta Highline é capaz de oferecer.

Ficha técnica

Volkswagen Jetta Highline

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro. Com injeção direta de combustível, turbocompressor e comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Aceleração de zero a 100 km/h: 7,2 segundos.
Velocidade máxima: 241 km/h.
Potência máxima: 211 cv com gasolina em 5.500 rpm.
Torque máximo: 28,6 kgfm em 2 mil rpm.
Diâmetro e curso: 82,5 mm x 92,8 mm.
Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo Multilink, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,66 metros de comprimento, 2,02 m de largura, 1,47 m de altura e 2,65 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás.
Pneus: 225/45 R17.
Peso: 1.376 kg, em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 510 litros.
Tanque de combustível: 55 litros.
Produção: Puebla, México.
Itens de série: ABS com EBD, controle eletrônico de estabilidade, controle eletrônico de tração, alarme, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, seis airbags, oito alto-falantes, acendedor de cigarros e cinzeiro, ar-condicionado digital de duas zonas com refrigeração no porta-luvas e saída traseira, hill assist, bloqueio eletrônico do diferencial, direção elétrica, display multifuncional colorido com computador de bordo, espelhos retrovisores externos aquecíveis, com ajuste elétrico e luzes indicadoras de direção, faróis de neblina, Isofix, gaveta sob o banco do motorista, indicador de perda de pressão dos pneus, lanterna de neblina, lanternas traseiras escurecidas com iluminação em leds, rodas de liga leve de 17 polegadas, sistema de som com CD, Bluetooth, tela touchscreen e MP3, vidros dianteiros e traseiros elétricos, volante multifuncional em couro com comandos do sistema de som, computador de bordo e “shift paddles”. Preço: R$ 93.990.
Opcionais: piloto automático, bancos dianteiros aquecidos, banco do motorista com ajuste elétrico de altura, longitudinal, inclinação e apoio lombar, bancos com revestimento em couro, retrovisor interno antiofuscante, retrovisores externos rebatíveis, aquecíveis e com função “Tilt down”, faróis bixenônio com regulagem dinâmica de altura e luz de condução diurna em leds, faróis com acendimento automático, porta-revistas no encosto dos bancos dianteiros, regulagem dinâmica do facho do farol, com luz dinâmica para trânsito em curvas, sem gaveta sob o banco do motorista, sensor de chuva e crepuscular, chave presencial, sistema de som com navegação e teto solar elétrico.
Preço completo: R$ 107.543 em cor sólida ou R$ 108.665 no tom azul metálico da unidade testada.

Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Dupla personalidade - Design conservador do Volkswagen Jetta Highline esconde um sedã com esportividade aguçada

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 01 Jul 2015 10:40:00

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