30 de jul de 2015

Teste do Jac T6

Teste do Jac T6

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  • Impressões do JAC T6
A JAC já está presente no Brasil há quatro anos, mas ainda sofre com o preconceito de muitos consumidores à origem chinesa da marca. Para tentar conquistar uma fatia maior de público, a fabricante decidiu apostar no segmento que mais cresce no país e no mundo: os utilitários esportivos. Por isso, em junho desembarcou no país o seu T6. E adotou a mesma estratégia de quando começou a vender seus carros por aqui: oferecer mais por menos. Desta vez, nem tanto no quesito tecnológico, já que a própria legislação brasileira avançou – itens como airbags frontais e freios ABS são obrigatórios – e os modelos do segmento são vendidos em versões mais completas. A JAC investiu na ideia de ter um utilitário esportivo com preço de compacto e espaço de médio em uma versão única, apenas com dois pacotes extras de opcionais.

Desenvolvido no Centro de Design da JAC Motors em Turim, na Itália, o T6 tem dimensões maiores que todos os novatos concorrentes. Perde apenas para o Renault Duster na distância entre-eixos – são 2,64 metros contra 2,67 m. O modelo chinês tem 4,47 m de comprimento, 1,84 m de largura e 1,67 m de altura. Outro detalhe que chama atenção é o bom espaço de seu porta-malas, com capacidade para transportar 610 litros com todos os bancos levantados.  Apesar da queda no mercado automotivo nacional, as aspirações da JAC são grandes. A marca planeja conseguir 1% do mercado brasileiro total de SUVs e emplacar cerca de 400 unidades por mês neste ano. Uma marca que pode parecer baixa, mas não é, diante da forte concorrência que enfrenta neste segmento. Por se tratar de uma categoria em que o conforto e a aptidão familiar são os principais pontos de atração do público, a fabricante acredita que aproximadamente 90% de todas as unidades comercializadas estarão posicionadas na versão mais cara do utilitário esportivo, com todos os packs de opcionais.

A JAC separa o T6 em três pacotes de itens. O primeiro, mais básico, inclui rodas de 17 polegadas em aço com calotas, ar-condicionado, direção e trio elétricos, freios a disco nas quatro rodas, monitoramento de pressão dos pneus, computador de bordo, sensores de estacionamento traseiros e rádio com CD/MP3 e entrada USB. Com esses equipamentos, o T6 custa R$ 69.990. O preço pula para R$ 73.990 com central multimídia – bem completa, por sinal –, rodas de liga leve, chave com destravamento remoto das portas, luzes de setas nos retrovisores, barras longitudinais no teto, faróis e lanternas de neblina, acendimento automático dos faróis, maçanetas e frisos laterais cromados e retrovisores com rebatimento elétrico, entre outros itens. Câmara de ré, chave canivete e revestimento sintético nos bancos e no volante multifuncional fazem esse valor pular para R$ 75.990.  Sob o capô, o T6 recebe um motor 2.0 litros flex com comando de válvulas variável. O propulsor é capaz de fornecer 155 cv e 20 kgfm de torque quando abastecido com gasolina. Com etanol no tanque, os números sobem para 160 cv e 20,6 kgfm de torque. O resultado é um zero a 100 km/h em 12,2 segundos e velocidade máxima de 186 km/h. Por enquanto, o modelo está disponível apenas com transmissão manual de cinco marchas. De acordo com a JAC, a versão automática só chega ano que vem, aliada a um motor 2.0 litros turbinado. Se a marca seguir com a proposta de praticar preços competitivos com o novo trem de força, talvez consiga, de fato, incrementar suas vendas no país. Porque nos primeiros dois meses de vendas cheias, o T6 emplacou menos da metade do que a JAC deseja – ficou perto de 170 exemplares mensais.

Ponto a ponto

Desempenho – Para um utilitário de quase uma tonelada e meia, o T6 até acelera com desenvoltura. O torque máximo de 20,6 kgfm com etanol é alto e aparece em sua totalidade aos 3 mil giros. Ou seja, para manter o modelo “aceso”, é necessário pisar fundo e deixar as rotações sempre mais altas. O câmbio tem engates precisos e até macios, mas a falta de uma opção com trocas automáticas é lamentável neste segmento familiar. Nota 7. Estabilidade – A proposta do T6 nem é de uma tocada mais ousada, porém o SUV chinês se mostra surpreendentemente estável na estrada. Por se tratar de um carro com vocação claramente familiar, a suspensão é mais voltada para o conforto – o que resulta em rolagens e torções na carroceria em curvas mais acentuadas. Mas não chegam a transmitir insegurança. Nota 8.

Interatividade – Os comandos têm leitura simples e localização intuitiva. A visibilidade é boa tanto à frente quanto atrás. A central multimídia opcional, disponível na versão avaliada, permite espelhar alguns smartphones e tablets, facilitando o uso de aplicativos como o Waze, por exemplo. Nota 8. Consumo – O JAC T6 não foi avaliado pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro. Durante a avaliação, registrou média de 7,6 km/l de etanol em ciclo misto. Nota 7.

Tecnologia – O modelo da marca chinesa é bem recheado nesse sentido. Estão lá freios a disco nas quatro rodas, monitoramento de pressão dos pneus, sensores de estacionamento traseiros, rádio com CD/MP3 e USB, computador de bordo, ar e direção elétrica. O motor tem cabeçote em alumínio, comando variável de válvulas e sistema de pré-aquecimento do etanol – não precisa de tanquinho de gasolina para partidas a frio. A central multimídia opcional é extremamente funcional e até espelha celulares e tablets e tem entrada HDMI, além de navegador GPS. Com todos os opcionais, ela também reproduz as imagens da câmara de ré. Nota 8. Conforto – O espaço interno é o forte do SUV da JAC. Os cinco ocupantes desfrutam de uma grande área, sem nenhum aperto. A suspensão também é bem calibrada e consegue passar boa dose de conforto para o interior. O isolamento acústico poderia ser um pouco melhor. Nota 8.
Habitabilidade – O porta-malas do T6 é bem generoso. São 610 litros sem precisar contar com o rebaixamento dos bancos – que está disponível. As portas abrem em bom ângulo e permitem fácil acesso ao interior. Há nichos suficientes para guardar os objetos que necessitam estar mais à mão do motorista, como carteira, celular e chaves. Nota 9. Acabamento – É de longe o JAC mais bem resolvido nesse quesito. Não é luxuoso ou requintado, mas os plásticos parecem de boa qualidade e são, na maioria das partes, escuros. Alguns brilhantes, que imitam madeira. O uso de cromados é mais contido e os encaixes são bons, sem rebarbas aparentes. Nota 7.
Design – O JAC T6 tem porte vistoso e seu design foi todo desenvolvido no centro de design da marca em Turin, na Itália. As linhas são modernas e, ao mesmo tempo, deixam o SUV encorpado. Há apliques cromados por toda a grade e também na parte inferior dos vidros laterais, além das maçanetas. O desenho lembra bastante o do Hyundai ix35, inclusive as proporções. Nota 8. Custo/beneficio – A marca cobra R$ 69.900 iniciais pelo T6, mas esse valor chega a R$ 75.990 com os opcionais retrovisores pintados na cor da carroceria e com rebatimento elétrico, maçanetas e frisos laterais cromados, barras longitudinais no teto, câmara de ré e central multimídia, entre outros detalhes. Um Renault Duster equipado à altura custa R$ 73.940, enquanto um Ford EcoSport com transmissão automatizada de dupla embreagem, controle eletrônico de tração e estabilidade e assistente de partida em rampas parte de R$ 76.700, mas com rodas de 15 polegadas e central multimídia sem GPS. O Honda HR-V tem motor 1.8 de 140 cv e só começa a ficar equipado de forma similar ao T6 na versão intermediária EX, por R$ 82.400 com câmbio CVT. Um Peugeot 2008 1.6 THP sai mais caro que o JAC, a R$ 79.590, mas tem motor turbo, é mais bem acabado e equipado com várias tecnologias ausentes no utilitário chinês. Um Jeep Renegade 1.8 Flex de 132 cv sai a R$ 75.750 equipado à altura de um T6, sendo que há controles dinâmicos de estabilidade e tração de série. Nota 6. Total – O JAC T6 somou 76 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Todo o marketing da JAC em cima de seu SUV é feito na proposta de oferecer um modelo com preço de compacto e dimensões de médio. De fato, a marca chinesa cumpre o que promete, já que não há apertos no modelo e até o porta-malas, com bons 610 litros, deixa a maior parte de seus concorrentes diretos numa posição bem atrás. As dimensões avantajadas – são 4,47 metros de comprimento e 1,84 m de largura, com entre-eixos de 2,64 m – combinam com a vocação de carro de família que a categoria ostenta.  O primeiro contato visual é bom. O design é bem moderno e, na configuração de topo, com todos os opcionais disponíveis e preço de R$ 75.990, há diversos itens que contribuem para aliar uma imagem robusta a certo traço de refinamento. Caso do rack de teto e dos cromados presentes no friso lateral, nas maçanetas e na moldura inferior dos vidros laterais. Por dentro, apesar da presença dominante dos plásticos, há uma harmonia nas escolhas da fabricante e algumas peças brilhantes que imitam madeira adicionam charme ao habitáculo. Não é uma referência de luxo e requinte, mas também não faz feio.
Em movimento, o JAC T6 não demonstra falta de força em nenhum momento. Porém, não dá para dizer que exista sobra. De acordo com a marca, o bom torque de 20,6 kgfm com etanol no tanque fica presente entre 3 mil rpm e 4.500 giros. De fato, para ter um carro com respostas mais imediatas às pisadas no acelerador, o ideal é manter as rotações sempre nessa margem. O câmbio manual – característica pouco estratégica em um segmento que busca conforto e praticidade para a família – tem trocas suaves e trabalha em boa sintonia com o propulsor.  Mas a vitrine tecnológica do T6 parece estar na central multimídia opcional do modelo. A tela é bem legível e intuitiva. Há opção de idioma português e entradas HDMI, USB, SD e auxiliar. Além da tecnologia Bluetooth para emparelhar celulares, é possível espelhar smartphones e tablets na tela. Ou seja, o motorista pode operar aplicativos como o Waze, verificar sua conta de e-mail e até acessar redes sociais pelo painel do carro. Um diferencial que pode encher os olhos do público mais ligados aos gadgets e ao mundo virtual.

Ficha técnica

JAC T6

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.997 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas na admissão. Injeção multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 155 cv e 160 cv a 6 mil rpm com gasolina e etanol.
Diâmetro e curso: 85 mm X 88 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Aceleração 0-100 km/h: 12,2 segundos.
Velocidade máxima: 186 km/h.
Torque máximo: 20 kgfm e 20,6 kgfm entre 3 mil e 4.500 rpm com gasolina e etanol.
Suspensão: Dianteira independente, do tipo McPherson com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo multilink, molas helicoidais e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 225/60/R17.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS e EBD.
Carroceria: Utilitário em monobloco com quatro portas e cinco lugares. 4,47 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,67 m de altura e 2,64 m de distância entre-eixos. Oferece airbag duplo de série.
Peso: 1.460 kg.
Capacidade do porta-malas: 610 litros.
Tanque de combustível: 60 litros.
Produção: Hefei, China.
Lançamento no Brasil: 2015.

Itens de série e preços

Pack 1: vidros, travas e retrovisores elétricos, direção elétrica ar-condicionado digital, rádio com CD/MP3 e entrada USB, seis alto-falantes, cintos traseiros laterais de 3 pontos, abertura interna da tampa do tanque de combustível, rodas de aço de 17 polegadas com calotas, bancos em veludo e sensor de estacionamento traseiro. 
Preço: R$ 69.990.
Pack 2: Pack 1 + rodas de liga leve de 17 polegadas, central multimídia com tela “touch” de 7 polegadas e espelhamento de smartphones e tablets, película com proteção solar, chave com destravamento remoto das portas, luzes de setas nos retrovisores, retrovisores na cor da carroceria, barras longitudinais no teto, faróis e lanternas de neblina, limpador traseiro com temporizador, acendimento automático dos faróis, tapete, maçanetas e frisos laterais cromados e retrovisores com rebatimento elétrico.
Preço: R$ 73.990.
Pack 3: Pack 1 e 2 + rodas de liga leve de 17 polegadas exclusivas, câmara de ré, chave canivete, revestimento sintético nos bancos, volante multifuncional em couro.
Preço: R$ 75.990.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

O porte é a arma - Com preço de SUV compacto e medidas de médio, T6 tenta embalar as vendas da JAC no Brasil

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 29 Jul 2015 13:00:00

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