15 de jul de 2015

Teste do Chevrolet Cruze LTZ 2015

Teste do Chevrolet Cruze LTZ 2015



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Enquanto a maior parte dos sedãs médios nacionais passou por renovações profundas no Brasil recentemente, a Chevrolet caminha na contramão dessa tendência. A primeira geração do Cruze surgiu por aqui em 2011, três anos depois de seu lançamento global. E agora, enquanto lá fora ganhou uma nova geração, no Brasil recebeu uma discretíssima reestilização na linha 2015. Esse descompasso vai abreviar a vida no Cruze nacional. O Cruze de segunda geração já deve desembarcar em território nacional a partir de 2016, quando passará a ser feito na Argentina. Por enquanto, o modelo se vale de suas boas qualidades para se destacar - atualmente, é o quarto sedã médio mais vendido, atrás apenas dos modelos de marcas japonesas, Toyota Corolla, Honda Civic e Nissan Sentra. E a topo LTZ cumpre bem o papel de vitrine tecnológica e expressa a principal vocação do modelo: a de um exemplar carro familiar. É claro o Cruze não tem vida fácil, mas na versão LTZ já conta com tecnologias que só agora chegaram nos rivais. Caso dos controles eletrônicos de estabilidade e tração. E a lista de equipamentos é farta, incluindo central multimídia com tela de 7 polegadas com GPS e câmara de ré, piloto automático, chave presencial – que possibilita o acesso ao veículo e a partida do motor através do simples toque de um botão – e sensores crepuscular e de chuva. Mas tamanho conforto e aparatos eletrônicos são muito bem cobrados. Para adquirir um Cruze topo de linha, é preciso gastar R$ 89.150.

O valor é alto principalmente quando se analisa seu trem de força. O motor 1.8 de 144 cv e 18,9 kgfm é um dos mais modestos da categoria. Apesar disso, já traz tecnologias interessantes, como tempo de abertura de válvulas e geometria do coletor de admissão variáveis. A transmissão é automática de seis velocidades – aí, sim, um diferencial no segmento, recheado de pouco instigantes câmbios CVT. O fato de existir uma nova geração do Cruze próxima de aparecer no Brasil tira do Cruze um pouco de seu poder de atração – considerando apenas os dois últimos meses, ficou em quinto lugar, atrás do Volkswagen Jetta. O mérito de o sedã médio da Chevrolet se manter no páreo mesmo sem grandes novidades é do conjunto, ainda bem nivelado com o da concorrência. E o lançamento de sua nova geração deve reservar um momento melhor para o modelo – que é o mais vendido da marca atualmente no mundo, com mais de 3 milhões de unidades emplacadas em sete anos, nos 118 países em que é comercializado.

Ponto a ponto

Desempenho – O 1.8 de 144 cv e 18,9 kgfm de torque é suficiente para movimentar o Cruze. Para retomadas, ultrapassagens e outras situações que impliquem na entrega mais imediata de desempenho do sedã, é necessário que o motor trabalhe em rotações altas. O câmbio automático de seis velocidades tem atuação exemplar e interage bem com o propulsor. Nota 8. Estabilidade – Um dos destaques do sedã. O três volumes se dá bem nas curvas e a sensação de segurança é constante. A versão LTZ ainda conta com controle eletrônico de estabilidade e a direção é firme o suficiente para não demandar correções inesperadas na estrada. Nota 9. Interatividade – O ar-condicionado é automático e a direção elétrica ganha firmeza de acordo com a velocidade do modelo. Há câmara de ré para auxiliar nas manobras de estacionamento, sensores de chuva e crepuscular, central multimídia com GPS e a partida e o acesso ao carro são feitos a partir de botões. Prático e funcional. Nota 8.

Consumo – A Chevrolet não participa do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do InMetro. Durante a avaliação, realizada em ciclo misto, o computador de bordo apontou a fraca média de 7,1 km/l com o tanque abastecido com gasolina. Nota 5. Conforto – O entre-eixos de 2,68 metros contribui para que quatro ocupantes – ou até cinco, dependendo do trajeto – viajem sem apertos. Os bancos, que na versão LTZ são em couro, têm densidade boa e a suspensão absorve com competência as imperfeições das ruas brasileiras. O isolamento acústico funciona em rotações baixas e médias. Nas altas, instiga quem busca uma performance mais esportiva do sedã médio. Nota 9. Tecnologia – A lista de equipamentos de série do Cruze LTZ é boa. Inclui controle eletrônico de estabilidade e tração, seis airbags, sistema de entretenimento com GPS, câmara de ré e comandos por voz, partida do motor e destravamento do carro por botão, sensor crepuscular e de chuva, direção elétrica, trio elétrico e ar-condicionado automático. A plataforma foi inaugurada pelo próprio Cruze em 2008. O motor Ecotec de terceira geração é feito na Hungria e roda na Europa desde 2005. Traz soluções modernas mas que já não causam mais admiração, como comando de válvulas e geometria do coletor de admissão variáveis. Nota 8.

Habitalidade – Faltam bons porta-objetos e o porta-malas carrega razoáveis 450 litros. Mas ainda dá rebaixar os bancos traseiros para criar uma área de bagagem maior. As portas têm bons ângulos de abertura, condição normal em qualquer modelo médio encontrado no Brasil. Nota 6. Acabamento – Nesse quesito, o Cruze LTZ é apenas honesto. Não oferece luxo ou materiais requintados, mas também não decepciona. A simetria se destaca em seu interior e os bancos em couro preto e marrom criam uma atmosfera mais contemporânea e elegante. Nota 7. Design – O tempo não foi generoso com o Cruze. As formas geométricas deixam o modelo datado e ressaltam a falta de ousadia das linhas. Por agora, o principal trunfo de seu desenho é a inclinação de seu vidro traseiro, que aproxima seu perfil ao de um cupê de quatro portas. Mas essa estratégia chama bem mais atenção em sua carroceria hatch. Nota 7.
Custo/benefício – O Cruze LTZ tem preço público sugerido de R$ R$ 89.150. O Toyota Corolla XEi tem mais potência e torque – 154 cv e 20,3 kgfm – e custa R$ 87.770 com câmbio CVT, mas não tem controle eletrônico de tração e de estabilidade. Já a Honda pede R$ 89.400 pelo Civic EXR, que ainda traz teto solar e é tão bem equipado quanto o Cruze. O Nissan Sentra sai das concessionárias na versão Unique por R$ 87.490, enquanto um Citroën C4 Lounge com motor 1.6 turbo de 173 cv é vendido a R$ 89.490. Numa comparação rigorosa, o três volumes médio da Chevrolet não se destaca. Nota 6. Total – O Chevrolet Cruze LTZ somou 73 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

O visual do Cruze LTZ não chama a atenção. No entanto, em ação, tem seus atrativos. O motor é competente e, embora esteja bem distante de ser o mais forte de seu segmento, consegue dar agilidade e destreza ao sedã. Mas os 144 cv não oferecem grande esportividade. Ultrapassagens e retomadas exigem o uso forte do pedal do acelerador.  Mesmo quando explorado esportivamente, a postura do modelo é correta. A suspensão é bem-calibrada e segura o carro em trechos sinuosos. As rolagens de carroceria até aparecem, mas são extremamente sutis e controladas. A direção elétrica acompanha a lógica do trânsito, sendo extremamente leve em baixas velocidades e mais firme conforme o velocímetro sobe. Os desníveis das ruas são bem absorvidos e o espaço interno da cabine é condizente com o segmento. Mesmo com bancos com espessura de espuma avantajada. Na versão LTZ, eles são em couro preto e marrom, uma combinação que confere ao modelo certo charme.

Ficha técnica

Chevrolet Cruze LTZ

Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 1.796 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando do cabeçote e comando variável nas válvulas de admissão e escape e duto de admissão de dupla geometria. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 144 cv e 140 cv a 6.300 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração 0-100 km/h: 10,2 segundos.
Velocidade máxima: 196 km/h.
Torque máximo: 18,9 kgfm e 17,8 kgfm a 3.800 rpm com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso: 80,5 mm X 88,2 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente McPherson, molas helicoidais com carga lateral, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Traseira por eixo de torção e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Possui controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 225/50 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,60 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,47 m de altura e 2,68 m de entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.427 kg.
Capacidade do porta-malas: 450 litros.
Tanque de combustível: 60 litros.
Produção: São Caetano do Sul, São Paulo.
Lançamento mundial: 2008.
Lançamento no Brasil: 2011.
Reestilização: 2014.
Itens de série: Seis airbags, alarme, controle de tração, controle eletrônico de estabilidade, faróis e lanternas de neblina, luzes diurnas de leds, regulagem de altura dos faróis, sensor de estacionamento traseiro, Isofix, rodas de alumínio de 17 polegadas, abertura das portas e partida do motor através de botão, sensor crepuscular, ar-condicionado digital, câmera de ré, coluna de direção com regulagem em altura e profundidade, computador de bordo, controlador de velocidade de cruzeiro, volante multifuncional, direção elétrica, retrovisor interno eletrocrômico, retrovisores externos elétricos e com rebatimento elétrico, vidros elétricos, sensor de chuva, bancos em couro bicolor e sistema multimídia com tela LCD de 7 polegadas sensível ao toque, rádio AM/FM stéreo, CD, MP3, USB, entrada auxiliar, Bluetooth com função audio streaming, seis alto-falantes, visualizador de fotos, navegador e GPS integrados.
Preço: R$ 89.150.

Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

Motivação interna - Chevrolet Cruze LTZ usa bom recheio tecnológico para se manter na briga entre os sedãs médios do Brasil

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 15 Jul 2015 10:50:00

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