22 de set de 2016

Impressões do Fiat Uno 2017 com os novos motores Firefly

Impressões do Fiat Uno 2017 com os novos motores Firefly

À primeira vista, o que a Fiat fez com o Uno poderia ser confundido com um “lançamento de grade”, classificação jocosa da imprensa automotiva para apresentações de modelos com mudanças quase imperceptíveis em relação ao do ano anterior. Ainda mais porque o Uno 2017, de fato, ganhou uma nova grade, com um desenho que o aproxima visualmente do pequeno Mobi. A grande novidade do Uno está sob o capô, nos motores de três e quatro cilindros da nova família Firefly – vagalume em inglês. Só que o destino do novo propulsor não tem nada de errático: ele certamente vai se espalhar por toda a linha de compactos da Fiat. A capacidade de produção da renovada planta de motores em Betim é de 400 mil unidades/ano – praticamente a atual produção de automóveis da Fiat. O Uno 2017 é, portanto, apenas o começo.

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O Firefly era para ter aparecido, na verdade, no lançamento do Mobi, em abril passado. Ele seria responsável por cria uma imagem mais moderna para o subcompato. Só que a Fiat teve de escolher entre atrasar o carro ou lançá-lo com o antigo motor Fire. A opção por finalizar o novo motor sem pressa tem a ver também com o fato de o Firefly trazer conceitos pouco usuais para os dias de hoje, mas que conseguem tornar a produção e a manutenção do motor bem mais baratas. Para começar, ele tem “apenas” duas válvulas por cilindro, ao contrário de motores 1.0 de três cilindros de rivais como Volkswagen, Ford, Hyundai e Nissan, que têm quatro válvulas por cilindro. A lógica é a seguinte: um cabeçote com metade de peças móveis tem menores chances de dar problema.

Outra “moda” que a Fiat desprezou foi a injeção direta de combustível. Para a engenharia da empresa, este recurso é caro e indicado para motores pensados para receber turbo-compressor – o que não é o caso do Firefly. Mas há outro motivo para a Fiat se manter na injeção multiponto. O novo propulsor tem utiliza um sistema que faz parte dos gases do escape recircularem na câmara de combustão quando a potência não é solicitada. Dependendo da situação, eixo de comando com variador de tempo de abertura atrasa ou adianta o movimento das válvulas. Segundo a Fiat, este conjunto pode gerar uma economia de até 7% no consumo de combustível.

Essas novidades resultam em números admiráveis na ficha técnica do Fireflex. O motor 1.0 tem entre 72 e 77 cv, com gasolina e com etanol e um torque de 10,4 a 10,9 kgfm – o maior atuamente no Brasil entre os motores 1.0 aspirados. O motor 1.3 tem potências entre 101 e 109 cv e torque de 13,7 a 14,9 kgfm. Além disso, pelo números do Conpet, o Uno 1.0 ficou 10% mais econômico que o antecessor e a versão 1.3 consome 15% a menos que o antigo Fire 1.4 8V.

Outra evolução que o Uno 2017 apresenta é nos sistemas dinâmicos, controlados pelo módulo do ABS. Quando equipado com o câmbio automatizado Dualogic, o compacto passa a vir de série com controle de estabilidade e tração e assistência de partirda em rampa. O câmbio, no entanto, acrescenta salgados R$ 4.350 ao preço final do modelo.  Nas demais versões, os recursos podem vir dentro de um pacote de equipamentos opcionais que custa em torno de R$ 3.700. Some-se a isso o acréscimo de quase R$ 2 mil na mudança da linha 2016 para 2017, o Uno sair por mais de R$ 57 mil. Os recursos e o preço criam um espaço maior para o Mobi e aproxima o Uno do Palio – que deve ser o próximo a receber o Firefly. Apesar de ter um motor moderno e eficiente para oferecer, a Fiat não espera nenhuma reação grandiloquente do mercado. A expectativa é manter a média dos oito primeiros meses do ano, de 3 mil emplacamentos mensais. Não perder em momentos de queda generalizada já é uma vantagem. 

Primeiras impressões

Belo Horizonte/MG – Não são apenas números frios. As medidas de potência e de torque dos novos motores Firefly esquentam a relação entre homem e máquina a bordo do Uno 2017. No caso do propulsor 1.0 de três cilindros, o torque chega ao pico apenas a 3.250 giros. Mas este dado não traduz fielmente o comportamento do carro. Bem antes disso, o motor já está cheio e consegue empurrar o compacto com bastante energia. Mesmo ladeira acima. Nas arrancadas não se percebe mais aquela perda de ímpeto que acompanhava os motores Fire. Agora o Uno vence a inércia com decisão.

Obviamente, o novo motor dá esportividade ao compacto da Fiat. Nem mesmo na versão 1.3, com quatro cilindros. O comportamento do Firefly cria uma dinâmica suave e progressiva no ganho de velocidade. Mesmo que o zero a 100 km/h consiga ficar 2 segundos abaixo dos modelos antecessores, as reações não são agressivas nem o motorista é instigado a pressionar muito a acelerador.
Outro detalhe que chama a atenção é o baixo nível de vibração do modelo – e no modelo de três cilindros chega a ser surpreendente. No mais, é o mesmo Uno de sempre: acabamento bom, embora sem luxo, painel moderno, de fácil leitura, e interior com espaço limitado, mas não apertado. A troca da simpática grade frontal por outra parecida com a do Mobi não chega a configurar um ganho estético. Mas é preciso marcar visualmente a grande diferença entre o antigo e o novo Uno. 

Ficha técnica

Fiat Uno 2017

Motor 1.0: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, duas válvulas por cilindro. Injeção multiponto e acelerador eletrônico.
Potência: 72/77 cv com gasolina/etanol a 6.250 rpm.
Torque: 10,4/10,9 kgfm com gasolina/etanol a 3.250 rpm.
0-100 km/h: 12,6/ 12,2 segundos com gasolina/etanol.
Diâmetro e curso: 70,0 mm X 86,5 mm.
Taxa de compressão: 13,2:1.
Velocidade máxima: 153,7/157 km/h (Gasolina/etanol). Motor 1.3: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.332 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro. Injeção multiponto e acelerador eletrônico.
Potência: 101 cv a 6 mil rpm com gasolina e 109 cv a 6.250 rpm com etanol.
Torque: 13,7/14,9 kgfm com gasolina/etanol a 3.500 rpm.
0-100 km/h: 10,8/ 10,1 segundos com gasolina/etanol.
Diâmetro e curso: 70,0 mm X 86,5 mm.
Taxa de compressão: 13,2:1.
Velocidade máxima: 177,2 (gasolina/etanol). Transmissão: Manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Direção: Elétrica com modo city
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, braços oscilantes inferiores transversais e molas helicoidais. Traseira com barra de torção e rodas semi-independentes, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 175/65 R14.
Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD de série.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,81 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,48 m de altura e 2,38 m de distância entre-eixos. Airbags frontais de série.
Peso: 920 kg.
Capacidade do porta-malas: 280 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Produção: Betim, Brasil.
Lançamento no Brasil: 2010.
Reestilizações: 2014 e 2016.

Versões e Preços

Versão Attractive 1.0: Alertas de limite de velocidade e manutenção programada, ar-condicionado, computador de bordo, conta-giros, desembaçador e limpador do vidro traseiro, direção elétrica com modo city, faróis de neblina, volante multifuncional, pneus de baixa resistência e travas e vidros dianteiros elétricos.
Preço: R$ 41.840.
Versão Way 1.0: Acrescenta barras longitudais no teto, barras de proteção nas portas, moldura nas caixas de roda, faróis máscara negra e lanterna fumê.
Preço: R$ 42.970.
Versão Way 1.3: Acrescenta motor 1.3, chave canivete com controle remoto, rádio com leitor MP3 e entradas auxiliar e USB, sistema Start&Stop.
Preço: R$ 47.640.
Versão Way 1.3 Dualogic: Acrescenta câmbio automatizado, controle de estabilidade e tração, assistência para partida em rampa.
Preço: R$ 51.990.
Versão Sporting 1.3: Saem barras longitudais no teto e barras de proteção nas portas e acrescenta faixas laterais, saias laterais, detalhes esportivos no acabamento e rodas de liga leve aro 15.
Preço: R$ 49.340.
Versão Sporting 1.3 Dualogic: Acrescenta câmbio automatizado, controle de estabilidade e tração, assistência para partida em rampa.
Preço: 53.690.
Opcionais: Alarme antifurto, rádio connect integrado ao painel com RDS, entrada USB/AUX, viva-voz Bluetooth e função Audio Streaming, volante com comandos do rádio e telefone, espelhos elétricos com função rebatimento automático retrovisor direito ao acionar a ré, sensor de estacionamento traseiro com visualizador gráfico, vidros elétricos traseiros, 3° apoio de cabeça traseiro rebaixado, apoia-braço central no banco do motorista, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido e cinto de segurança traseiro central retrátil de três pontos.
Preço completo: R$ 57.550.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/CZN

Troca essencial - Fiat Uno 2017 tem poucas mudanças externas mas surpreende no conceito do novo motor Firefly

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 21 Sep 2016 12:30:00

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