25 de fev de 2015

Teste do Renault Sandero Stepway Easy R

Teste do Renault Sandero Stepway Easy R

Não há dúvida que os hatches aventureiros caíram na graça do consumidor brasileiro. Atualmente há uma vasta oferta deles por aí. Porém, entre ter uma estética “bonitinha” voltada ao off-road e ser realmente um veículo que aguente um pedaço de mau caminho há uma enorme diferença. No caso do Sandero Stepway, a Renault caprichou no acerto de suspensão, que de quebra proporcionou um visual bastante robusto ao modelo. Além disso, com o câmbio automatizado e o motor de 8 válvulas – antes trazia câmbio automático e motor 1.6 16V – tornaram o preço da versão Stepway bastante competitiva. Ela parte de R$ 50.550, valor bem abaixo dos rivais diretos. Isso explica o bom desempenho de mercado. Desde 2008, já foram mais de 100 mil unidades apenas da configuração. No ano passado, ela foi responsável por 30% das vendas do hatch compacto– ou cerca de 33 mil. Diante desse panorama, a marca francesa não quis perder tempo e, apenas quatro meses após lançar o remodelado Sandero, lançou a versão off-road-light.

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Como todo carro aventureiro, as mudanças para a versão convencional começam na estética. No Sandero Stepway, os para-choques dianteiros e traseiros são exclusivos e dão ao hatch um caráter mais “parrudo”. Nas laterais, há o famoso protetor preto nos para-lamas dianteiros e traseiros ligados pela saia lateral, tudo na cor negra. A sofisticação fica por conta das rodas de 16 polegadas com novo desenho e as barras longitudinais no teto. Os faróis e lanternas com máscara negra, juntamente com as luzes de neblina, completam o conjunto.

Mas de nada valeria o aspecto embrutecido sem as alterações mecânicas. Com 19 cm de vão livre do solo, o Sandero Stepway tem 4 cm mais que as demais versões do hatch graças à suspensão elevada. Segundo a Renault, a distância contribui para enfrentar os principais percalços encontrados pelos motoristas no dia a dia das grandes cidades. E como nos demais modelos, a bitola dianteira aumentou 3 cm e a traseira está 2,2 cm maior que a passada geração. Já no interior as diferenças são pontuais. Os bancos são impressos em relevo. A cor laranja está presente em todo o habitáculo, mas de forma sutil na costura dos bancos, nas saídas de ar laterais e no painel de instrumentos, que também tem contornos com preto brilhante. Outro detalhe no tom alaranjado é a inscrição “Stepway” no raio inferior do volante.

Além das modificações externas e internas, a Renault aproveitou para dar mais tecnologia ao Sandero Stepway. O destaque, claro, é o sistema multimídia Media Nav com tela de sete polegadas sensível ao toque, que é item de série. Além de navegação, traz as funções Eco-Scoring e o Eco-Coaching, que orientam o condutor para dirigir de modo mais econômico. Os espelhos retrovisores e os vidros traseiros com acionamento elétrico agora são de série. Há ainda ar-condicionado automático, computador de bordo com seis funções, aberturas internas do porta-malas e tanque de combustível, piloto automático e volante em couro com regulagem em altura. As mudanças no Renault Sandero Stepway param até a abertura do capô. Lá, um velho conhecido: o motor 1.6 8V Hi-Power. Ele fornece 98 cv a 5.250 rpm e 14,5 kgfm de torque a 2.850 giros quando abastecido com gasolina. Com etanol, a potência sobe para 106 cv e o torque vai a 15,5 kgfm, nos mesmos regimes. De fábrica, a transmissão é manual de cinco velocidades. Mas a caixa automatizada Easy R – que substitui a antiquada automática de quatro marchas – pode ser adquirida à parte. Aí o preço sobe para R$ 52.950. Dotado do câmbio robotizado, o hatch aventureiro cumpre o zero a 100 km/h em 11,4/11,6 segundos e alcança a máxima de 169/167 km/h com etanol e gasolina, respectivamente.

Ponto a ponto

Desempenho – Os 106 cv que o motor 1.6 8V Hi-Power fornece são capazes de tirar o Sandero Stepway do lugar sem muito esforço. Grande parte do torque máximo de 15,5 kgfm está disponível logo a 1.500 giros, o que melhora sensivelmente as saídas de sinal ou no fluxo de trânsito urbano. Em trechos rodoviários, os limites do trem de força ficam mais evidentes. Propulsor e  câmbio automatizado Easy R têm uma difícil relação. Nota 6. Estabilidade – Apesar de ser mais “altinho”, o Sandero Stepway tem bom controle. É bem “no chão” e a carroceria rola pouco nas curvas mais fechadas. Porém, o hatch não é um carro para uma “tocada” mais esportiva, onde rapidamente ele mostra seus limites. Em estrada de terra também não convém abusar. Sem pneus de uso misto, o modelo patina facilmente. Nota 7. Interatividade – Os poucos botões e o sistema multimídia de uso intuito facilitam a convivência com o Sandero Stepway. O laranja presente em partes do habitáculo é bem dosado. O painel de instrumentos é simples e legível, apesar dos números colados. O que incomoda é 0 posicionamento no painel central dos comandos do piloto automático e dos vidros elétricos traseiros, além da alavanca satélite localizada atrás do volante para controlar as músicas, rádio e áudio do Media Nav. Nota 7.

Consumo – O Renault Sandero Stepway está no Programa de Etiquetagem Veicular do InMetro. Segundo o órgão, o hatch aventureiro faz 6,8 km/l na cidade e 8,2 km/l na estrada com etanol no tanque. Com gasolina, os números sobem para 9,6 km/l em trecho urbano e 11,4 km/l em trajeto de estrada. As médias resultam em classificação “A” no segmento e “C” no geral, com um consumo energético de 2,10 mJ/km. Nota 6. Conforto – O conforto proporcionado ao belo espaço interno do Sandero Stepway perde força com o vai-e-vém provocado pelos constantes “soluços” da opcional transmissão automatizada. Já o conjunto suspensivo aguenta bem o dia a dia da buraqueira das ruas. Os bancos sustentam o corpo de forma eficaz, apesar da falta de maiores apoios laterais. Nota 7. Tecnologia – O Sandero Stepway manteve a estrutura básica do modelo anterior. Em relação aos equipamentos, a vedete é a central multimídia Media Nav com GPS integrado. A câmara de ré com sensor de estacionamento também é bem-vinda. Já o câmbio automatizado Easy R vai exigir uma sintonia de calibragem mais fina. Também faltam ofertas de itens de segurança, como controle de estabilidade e airbags laterais ou de cortina, além de recursos para a prática de pequenas aventuras no fora de estrada. E a chave não é nem canivete. Nota 6.

Habitabilidade – Os 4 cm a mais na altura em relação ao solo não prejudicam o entrar e sair do Sandero Stepway. O espaço interno é digno de elogios. Três ocupantes traseiros se acertam sem grandes dificuldades. Os espaços oferecidos para objetos pessoais também agradam. O porta-malas de 320 litros é ótimo para o segmento. Nota 9. Acabamento – O Sandero Stepway difere pouco dos parceiros de gama nos materiais e no design interno. O modelo tem um contorno laranja no mostrador do velocímetro e nas saídas de ar, assim como nas costuras dos bancos e na inscrição “Stepway” que agora orna a base do volante. De resto, estão lá os mesmos plásticos que não transmitem muita qualidade. Pelo menos os encaixes são justos. O painel tem desenho mais agradável, a moldura do sistema Media Nav traz acabamentos em laca preta e o ar-condicionado digital tem detalhes prateados. Nota 7. Design – A receita para um carro aventureiro é instalar apliques plásticos nos para-choques e nas caixas de roda, barras longitudinais no teto e, se possível, um estepe pendurado na traseira. Tirando o último item, Sandero Stepway tem todos. Esse aparatos em conjunto com o face-lift que o carro recebeu em 2014 formam um combinação bem harmônica e emprestam bastante robustez ao carro. Nota 9.
Custo/benefício – A versão Stepway começa em R$ 50.550 e vai até os R$ 52.950 quando equipada com a transmissão automatizada Easy R. O Volkswagen Cross Fox com câmbio I-Motion e motor 1.6 de 120 cv parte de pouco mais de R$ 64 mil. Outro aventureiro da marca alemã, o Gol Rallye, com caixa automatizada, começa em R$ 58.910. A Fiat pede iniciais R$ 60.590 pelo Idea Adventure 1.8, onde a transmissão robotizada custa adicinais R$ 3.222. O Hyundai HB20X Premium 1.6 AT também supera a barreira dos R$ 60 mil. Nota 8. Total – O Renault Sandero Stepway Easy R somou 72 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Câmbio, desligo

O renovado Renault Sandero, lançado em julho do ano passado, ganhou um valor com os apliques estéticos na versão Stepway. De frente, o representante aventureiro da marca francesa também impressiona pelo porte. Dentro, o modelo também causa boa impressão. Os detalhes em laranja nos bancos, painel de instrumento e saídas de ar pontuam as diferenças entre as outras versões da gama, mas o espaço é dominado pelo monitor de 7 polegadas do Media Nav 1.2. Traz GPS integrado, Bluetooth, câmara de ré e até um lúdico “joguinho” que pontua a eficiência do condutor na direção. Com boa visualização, por causa da tela de sete polegadas, o sistema multimídia é fácil de manusear. Dinamicamente, a robusta suspensão garante um bom comportamento e segurança ao carro, que também tem pneus maiores e mais largos. O conjunto aguenta buracos e lombadas sem “reclamar” ou transmitir os solavancos aos passageiros. A direção só peca em manobras, onde é excessivamente pesada.
Embora a utilidade de uma transmissão automatizada em engarrafamentos seja evidente, o câmbio Easy R incomoda bastante em uso normal. Ele provoca verdadeiros trancos entre as trocas de marchas, o que incomoda demasiadamente quem vai dentro. Uma solução para amenizar os “engasgos” é acertar o tempo das trocas e tirar o pé do acelerador ou efetuá-las de forma manual, levando a alavanca de câmbio para cima ou para baixo. Entretando, nenhuma das opções é garantia de conforto. A relação da transmissão robotizada com o motor 1.6 litro de máximos também não é amistosa. O câmbio não consegue explorar com eficiência os máximos 106 cv e 15,5 kgfm de torque do propulsor. Em uma necessidade de força extra, uma pressão a mais no acelerador resulta em altos giros, pouco ganho de velocidade e um ruído extremo no habitáculo. A transmissão “pensa” demais qual marcha colocar e demora a agir. Tudo em meio a soluços profundos.

Ficha técnica

Renault Sandero Stepway Easy R


Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automatizado de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 98 cv com gasolina e 106 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 14,5 kgfm com gasolina e 15,5 kgfm com etanol a 2.850 rpm
Diâmetro e curso: 79,5 mm x 80,5 mm.
Taxa de compressão: 12,0:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira por barra de torção com rodas semi-independentes, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos verticais e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 205/55 R16.
Freios: Discos sólidos na frente e a tambor na traseira, com ABS de série.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,06 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,56 m de altura e 2,59 m de distância entre-eixos. Oferece somente airbags frontais.
Peso: 1.127 kg, em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 320 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.
Itens de série: ar-condicionado, direção hidráulica, banco do motorista com regulagem de altura, sistema Media Nav 1.2 com tela “touch” de sete polegas, funções Eco-Coaching e Eco-Scoring e GPS integrado, ar-condicionado automático, sensor de estacionamento, comando de abertura das portas por radiofrequência, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos, computador de bordo com seis funções, iluminação do porta-malas e do porta-luvas, para-sol do motorista com espelho, porta-copos traseiro, alarme perimétrico, alças de segurança no teto, apoios de cabeça dianteiros reguláveis em altura, travamento automático das portas a 6 km/h, retrovisores elétricos com setas integradas, vidros traseiros elétricos, banco traseiro com encosto rebatível 1/3 - 2/3, indicador de temperatura externa, piloto automático, rodas de liga leve com 16 polegadas, três apoios de cabeça traseiros reguláveis em altura e faróis de neblina.
Preço: R$ 52.950.
Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Na trilha do mercado - Renault Sandero Stepway Easy R une o conforto do câmbio automatizado com preço e visual atraentes

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 25 Feb 2015 14:50:00

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