8 de abr de 2015

Entrevista com Marcio Furlan, gerente de Marketing e Comunicação da Scania no Brasil

Entrevista com Marcio Furlan, gerente de Marketing e Comunicação da Scania no Brasil

Nem só do melhor custo/benefício se fazem as negociações de caminhões no Brasil. A Scania sabe bem disso. Tanto que a marca sueca tem no cenário global diversas ações voltadas para o fortalecimento de sua imagem e, ao mesmo tempo, para atrair as atenções para profissionais essenciais para sua sobrevivência: os mecânicos e os motoristas. Os primeiros são as estrelas – e competidores – do “Top Team”, evento que reúne as equipes de serviços das concessionárias da fabricante espalhadas pelo mundo, cuja etapa regional brasileira aconteceu no final de março. Já os caminhoneiros são fisgados pelo “Melhor Motorista de Caminhão do Brasil”, com provas para escolher quem se destaca no comando de um extrapesado. “A equipe técnica de serviços é fundamental para conquistar a fidelização dos clientes. E os condutores, quando não são autônomos, normalmente têm força na decisão de compra de grandes frotistas”, avalia Marcio Furlan, gerente de Marketing e Comunicação da Scania no Brasil, que explica a importância dessas ações para a marca na entrevista a seguir. 

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Pergunta – A Scania investe bastante em marketing no Brasil. De que forma isso mexe com a imagem da marca em relação ao público? Resposta – Temos ações mais tradicionais de marketing, que servem para apresentar a marca, fazer publicidade, organizar eventos, essas coisas. Comercialmente falando, já temos uma série de atividades que suprem isso, como um programa de visitas à fábrica, participações em grandes feiras e organizações de confrarias, por exemplo. O que a gente faz com atividades como o “Top Team” é entregar aos clientes e às comunidades onde a gente atua um valor diferente. Por exemplo, o “Top Team” treina o time de mecânicos da Scania e, ao mesmo tempo, motiva e reconhece a importância deles. É um incentivo para retê-los em um momento do mercado em que esses caras podem ser assediados por outras marcas. E chega para o cliente com a entrega de um serviço melhor, um atendimento eficiente. Um mecânico bem treinado reduz o tempo de diagnóstico e devolve o veículo mais rapidamente ao dono. P – Além do “Top Team”, a Scania atrai milhares de profissionais na competição do “Melhor Motorista de Caminhão do Brasil”. Por que essa relação com os caminhoneiros é considerada tão importante? R – Os motoristas são o nosso principal público. O autônomo é o próprio empresário e o agregado, um grande influenciador na decisão da compra. Mas essa fase de trabalhar comercialmente a marca, sinceramente, já passou para a Scania. Estamos em outro estágio. O MMCB treina o motorista e faz com que ele seja mais consciente das suas responsabilidades. Não é só uma questão de vender mais caminhão, trabalhamos pela sustentabilidade nesse segmento e também para reforçar a segurança nas estradas. É uma forma de devolver à sociedade um pouquinho de tudo que o mercado e o país entregaram para a marca nesses quase 60 anos de Brasil. 

P – A Scania vem registrando recorde no número de inscritos a cada ano e o Brasil sempre se destaca no número de participantes de ações globais. Que fatores favorecem isso? R – O mercado brasileiro é maior, com muito potencial. Mas outra característica que favorece é o próprio modal daqui, já que 65% de toda a carga nacional é transportada por caminhões. E, além disso, há um relacionamento e reconhecimento da Scania muito grande. O motorista e o próprio mecânico da marca veem a importância dela na vida deles. Isso não fica explícito só no número de inscrições, mas também no engajamento. A relação emocional desse público com a Scania é forte. P – Além das ações globais, existe alguma de grande porte puramente nacional? R – Por enquanto, não. Esses programas, quando são criados, recebem um pouco da cara dos mercados. Ainda não vimos necessidade de produzir nenhum exclusivo para o Brasil. O contato e a relação humana me parecem mais fortes aqui, por exemplo, o que já dá o nosso toque. Quando trazemos um jovem para conhecer a Scania, ele vê que pode trabalhar em uma marca global, com oportunidade de se desenvolver profissional e pessoalmente. Essa aproximação inspira e engaja as comunidades em que a gente atua e faz a diferença. 

P – Ações como o “Top Team” e o “Melhor Motorista de Caminhão do Brasil” têm funções sociais também, valorizando os profissionais técnicos e os motoristas. Vocês têm resultados concretos dessas iniciativas no Brasil? R – Não consigo precisar em números, mas temos como resultado a mudança do comportamento dos motoristas, por exemplo. A conscientização do papel deles como profissionais e cidadãos é o ponto principal do MMCB. E isso fica claro no contato que ele passa a ter com a marca e no serviço que ele começa a prestar depois de participar do programa, nos cursos que passam a procurar. Essa inspiração sobre a profissão é o nosso principal legado. E existe também uma abertura maior para as vagas. P – De que forma isso é feito?  R – Muitos dos transportadores nos consultam quando têm vagas. Alguns empresários nos ligam durante a competição porque veem o programa como uma boa forma de filtrar os mais indicados para o trabalho. Tivemos representantes de empresas acompanhando etapas regionais e observando as provas realizadas. Isso gerou a contratação de pessoas. Estamos incentivando esse ciclo naturalmente. E acho que isso vai fazer com que jovens se sintam motivados e percebam que é uma profissão que pode trazer uma sustentação bacana, um desenvolvimento profissional.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Divulgação

Nas rodas do marketing - Marcio Furlan, gerente de Marketing e Comunicação da Scania no Brasil, fala da estratégias globais que a marca usa no país

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Mercado
Publicado em: 08 Apr 2015 07:37:00

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