16 de ago de 2014

O mercado de implementadoras no Brasil

O mercado de implementadoras no Brasil

A popularização dos negócios sobre rodas vem aquecendo o mercado de veículos urbanos de carga – os chamados VUCs. Mas uma outra ponta deste negócio se beneficia com essa nova realidade: o segmento de implementadoras, as empresas que adaptam esses automóveis para se tornarem verdadeiras lojas e centros de serviços itinerantes. Desde baús com múltiplos acessos, caçambas de abertura lateral ou carrocerias customizadas, muitas são as possibilidades, tornando as transformações cada vez mais inusitadas. De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, a ANFIR, existem 154 empresas deste segmento inscritas na organização. Desde pequenas oficinas de baús às maiores do país. Esse panorama garante em torno de 70 mil empregos no Brasil e a tendência é de que siga crescendo. A Truckvan, uma das principais referências neste ramo, fechou 2013 com R$ 135 milhões de faturamento. Agora, a expectativa é que esse número cresça em quase 20%, para algo em torno de R$ 160 milhões em 2014. “Nosso linear de produção até agora era de capacidade para trabalhar em 3.500 produtos por ano. Mas em setembro inauguraremos uma fábrica que é uma preparação para que a gente consiga chegar a uma capacidade anual de 12 mil produtos”, explica Alcides Braga, sócio e fundador da empresa.

Um dos principais impulsos para o crescimento das implementadoras no Brasil atualmente é o “food truck”. Regulamentada em São Paulo recentemente e chegando aos poucos a diversas cidades do país, a prática e a aceitação da comida de rua vem aumentando consideravelmente a procura pelo serviço de implementação de veículos. “Hamburguerias e temakerias são os implementos mais procurados. Mas existem outros projetos bacanas, como lojas de sucos, salgados e até pizzaria sobre rodas”, afirma o engenheiro Davi Moreno, diretor comercial da implementadora Vic. Recentemente, o Grupo Vic patenteou o sistema hidráulico Stop & Go, que permite carregar e descarregar qualquer implemento em até quatro minutos. O preço de cada implemento varia de acordo com o negócio que será montado. A média geral fica entre R$ 70 e R$ 80 mil, sem contar o valor do carro. Segundo Caroline Minucci, consultora de Marketing do Sebrae/SP, muitos empreendedores estão optando por veículos usados para diminuir custos e, assim, reduzir os riscos de perda de capital. Ou até investir em uma customização mais caprichada. E é o baixo custo a principal vantagem para quem opta por esse tipo de negócio. Mas outra vantagem – que pode ser ampliada de acordo com o serviço feito pela implementadora – é a visibilidade. Isso porque o implemento é a fachada do negócio e o empresário pode expor mais ou menos o serviço e os produtos oferecidos de acordo com a estrutura e materiais usados. “O consumidor baixa mais a guarda, perde um pouco a vergonha. Muitas vezes deixa de entrar em uma loja porque sabe que pode terminar sem comprar nada. Mas ali, já está na rua mesmo”, analisa Caroline, que atende principalmente profissionais das áreas de TI, Pet Shop, salão de beleza e alimentação interessados no modelo de negócios sobre rodas. O desenvolvimento crescente dessas atividades e a procura cada vez mais consistente por veículos que serão implementados já tem inclusive mudado o tratamento no pós-venda de algumas marcas. A Mercedes-Benz, por exemplo, que traz para o Brasil da Argentina a Sprinter, criou seu Centro de Implementadores Vans, que dá suporte técnico adequado aos clientes e às empresas que transformam os veículos. “A gente entende que, independentemente do que se criar em cima do veículo depois, vai ser sempre um Mercedes-Benz. E, por isso, precisamos cuidar para manter um padrão compatível com a necessidade de qualidade do cliente que escolhe a Sprinter”, avalia Ana Paula Teixeira, gerente da área. Essa preocupação já abre espaço para que, no futuro, a relação entre as implementadoras e fabricantes se estreite ainda mais. Inclusive a ponto de planejarem, juntas, mudanças estruturais que facilitem as adaptações dos veículos. “Somos muito ouvidos, mas não sei se já influenciamos nesse ponto. O que eu entendo é que esse interesse mútuo só tem a favorecer o funcionamento dos implementos e dos veículos juntos”, valoriza Davi Moreno, do Grupo Vic.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias

Aonde o consumidor está - Empreendedorismo móvel movimenta o negócio das implementadoras de veículos urbanos de carga

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Mercado
Publicado em: 13 Aug 2014 09:22:00
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