28 de ago de 2014

Teste do Fiat Idea Adventure Dualogic Plus

Teste do Fiat Idea Adventure Dualogic Plus

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Lançado há oito anos, o Idea Adventure já chegou com uma espécie de dupla identidade. Pelo menos no que diz respeito à sua função, já que alia características de veículos compactos voltados para o uso familiar às qualidades aventureiras – que vão além da estética. Uma combinação que, dependendo da configuração, gera certa contradição. É o que ocorre quando o modelo vem equipado com a transmissão Dualogic Plus. O câmbio automatizado facilita a vida de quem perde horas nos longos engarrafamentos das cidades. Mas inibe um maior controle sobre o desempenho – problema que é atenuado com o uso das trocas manuais de marchas.  Com 4,20 metros, é 25 centímetros mais comprido que as outras configurações em função do estepe preso na tampa do porta-malas – que leva consideráveis 380 litros. Seu perfil recebe proteções laterais nas portas e nas caixas de rodas, o que também amplia as dimensões da versão, mais larga cerca de seis centímetros que as outras duas. Sob o capô, o carro traz, desde 2010, o motor E.torQ 1.8 16V. Com 130 cv/132 cv de potência a 5.250 rpm com gasolina/etanol no tanque, o propulsor tem torque máximo de 18,4 kgfm/18,9 kgfm a 4.500 rpm com os mesmos combustíveis. O suficiente para levar o modelo de zero a 100km/h em 10,8 segundos quando abastecido com etanol. Já sua velocidade máxima é de 180 km/h.  Para ressaltar a habilidade “off road” do Idea Adventure, a Fiat se gaba de ter no modelo o opcional bloqueio de diferencial – chamado pela fabricante italiana de  Locker. O equipamento acrescenta R$ 1.807 aos R$ 57.310 cobrados pela marca pela versão com câmbio manual. Para adicionar o câmbio Dualogic Plus com borboletas no volante, é preciso incluir R$ 3.031 a essa conta. Com tudo que pode levar de opcionais, o preço atinge o valor de R$ 68.284, incluindo no modelo bancos revestidos parcialmente em couro bicolor, sensores de chuva, de estacionamento e crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, vidros elétricos traseiros – de série, só os dianteiros –, subwoofer e airbags laterais. Preços tão altos até ajudam a explicar porque o carro não está em sua melhor fase. Com 11.236 unidades da minivan emplacadas nos sete primeiros meses do ano, obteve uma média de 1.600 exemplares por mês. Em 2007, chegou a registrar 2.500 vendas mensais.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor E.torQ 1.8 16V é até esperto, mas trabalha melhor em altas rotações. Abastecido com etanol, o bom torque de 18,9 kgfm só se manifesta a 4.500 rpm. Isso prejudica ligeiramente as saídas de sinal e até algumas ultrapassagens. O câmbio automatizado demanda a atenção do motorista, que deve aliviar o pé do acelerador ao identificar as trocas de marchas, para evitar os trancos nas mudanças. Nota 7. Estabilidade – Em velocidades até os 120 km/h, suas quatro rodas estão bem presas ao chão. Acima disso, correções de direção se tornam necessárias e, mesmo em curvas pouco acentuadas, rolagens de carroceria são nítidas. Apesar de sua velocidade máxima ser, de acordo com a Fiat, de 180 km/h, convém evitar levar o modelo ao limite. Nota 7. Interatividade – O volante e o banco do motorista têm ajustes eficientes. Os comandos são intuitivos e o computador de bordo, além de ser fácil de se operar, é recheado de funções que auxiliam a condução. Na versão testada, os sensores de estacionamento, de chuva e crepuscular favorecem o conforto de quem comanda o carro. Nota 8.

Consumo – O Idea Adventure Dualogic foi testado pelo InMetro, que constatou consumo médio de 5,9/8,8 km/l na cidade e 6,7/10,1 km/l na estrada com etanol/gasolina. Esse resultado lhe conferiu a fraca classificação D, tanto em sua categoria quanto no geral, com consumo energético de 2,40 mJ/km. Nota 4Conforto – O espaço é bom para passageiros dianteiros e traseiros, mesmo sendo construído sobre a mesma plataforma do compacto Punto. A suspensão macia filtra bem buracos e outras irregularidades do piso. Com o motor em rotações mais baixas, o isolamento acústico funciona. Mas acima dos 4 mil giros, o ronco dificulta a interação do condutor com os demais passageiros. Nota 7. Tecnologia – A versão Adventure, pelo caráter “off road”, pode receber o diferencial auto-blocante Locker, que bloqueia a distribuição uniforme do torque entre as rodas motrizes para ajudar o carro a superar atoleiros. O câmbio automatizado é antigo e o último face-lift do modelo aconteceu em 2010, quando também recebeu a motorrização E.torQ 1.8 16V. Nota 7. Habitabilidade – Existem bons porta-objetos e porta-copos no Idea Adventure. O console central de teto traz um prático porta-objetos, além do espelho vigia e das portinholas no teto. O porta-malas abriga satisfatórios 380 litros. Nota 8.

Acabamento – Mesmo sendo a versão mais cara do modelo, o Fiat Idea Adventure abusa de plásticos rígidos. Mas os encaixes são bons e os bancos opcionais revestidos parcialmente em couro bicolor dão certo requinte ao habitáculo. Nota 7. Design – A versão aventureira do Fiat Idea tem uma aparência mais agressiva, que destoa da função de veículo familiar que a minivan carrega. Esse visual “lameiro” é reforçado pelas proteções laterais nas portas e para-lamas e pelo indefectível estepe na tampa do porta-malas, que também traz spoiler integrado. Nota 7. Custo/Benefício – A versão Adventure 1.8 16V é a topo da linha do Idea e custa R$ 57.310 com bons itens de série. Com os opcionais Adventure Locker, câmbio Dualogic Plus com borboletas no volante, sensor de estacionamento traseiro, de chuva e crepuscular e vidros traseiros elétricos, passa a custar R$ 66.630. Um Volkswagen CrossFox equipado à altura – mas sem bloqueio de diferencial – custa R$ 61.272, porém tem motor 1.6 de 104 cv. Nota 7. Total – O Fiat Idea Adventure somou 69 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

A proposta principal do Fiat Idea é ser um carro voltado para a família. A farta distribuição de porta-objetos e o amplo espaço interno transparecem isso. Mas a marca italiana apostou, em 2006, na versão aventureira no intuito de abocanhar consumidores interessados na proposta lameira/urbana que virou moda entre as fabricantes que atuam no mercado nacional. Funcionou e, de quebra, deu uma aparência bem menos conservadora que a das outras versões do modelo.  A posição de direção elevada facilita a condução e a visibilidade. Os comandos são de entendimento simples e bem posicionados. Escondido sob o capô, o motor 1.8 16V de 132 cv com etanol mostra vigor e esperteza, mas principalmente em rotações elevadas. As saídas de sinal se prejudicam quando o trem de força vem acompanhado da opcional transmissão Dualogic Plus, de cinco marchas. O câmbio automatizado reduz um pouco a força inicial do propulsor, que se mostra mais eficiente acima de 3 mil rpm. Uma boa solução para quem espera mais esportividade é aproveitar as borboletas para trocas manuais, presentes no volante multifuncional.  Na estabilidade, o centro de gravidade um pouco elevado provoca inclinação no Idea, o que se nota facilmente nas entradas de curvas. Em altas velocidades, a carroceria torce o suficiente para que uma leve sensação de insegurança apareça, estabelecendo um limite entre o que as especificações técnicas do modelo prometem e o que de fato ele instiga a buscar em movimento. Mas a suspensão reforçada e elevada absorve bem as irregularidades da pista, garantindo o conforto no interior.

Ficha técnica

Fiat Idea Adventure Dualogic Plus

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.747 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Automatizada com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 130 cv com gasolina e 132 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 18,4 kgfm com gasolina e 18,9 kgfm com etanol a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 80,5 mm x 85,8 mm. Taxa de compressão: 11,2:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos de duplo efeito, braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora. Traseira semi-independente, com amortecedores hidráulicos telescópicos de duplo efeito, travessa de torção de seção aberta e barra estabilizadora.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS de série com EBD.
Pneus: 205/70 R15.
Carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,20 metros de comprimento, 1,75 m de largura, 1,81 m de altura e 2,51 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.325 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 380 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Produção: Betim, Minas Gerais.
Lançamento: 2006.
Face-lift: 2010
Itens de série: Alerta de limite de velocidade, apoia-braço central no banco de motorista, ar-condicionado, banco traseiro bipartido, bússola e inclinômetros longitudinal e transversal, chave canivete com controle remoto, computador de bordo, direção hidráulica, faróis de neblina, retrovisores, travas e vidros dianteiros elétricos, volante multifuncional, rodas de liga leve de 15 polegadas, rádio com CD, MP3 e Bluetooth. 
Preço: 57.310.
Opcionais: Câmbio Dualogic Plus com borboletas no volante, bancos revestidos parcialmente em couro bicolor, sensores de chuva, crepuscular e de estacionamento traseiro, retrovisor interno eletrocrômico, subwoofer, vidros traseiros elétricos e bloqueio de diferencial. 
Preço completo: R$ 66.630.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Nas trilhas do paradoxo - Fiat Idea Adventure esbanja vigor lameiro, mas perde esportividade com o câmbio Dualogic Plus

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 27 Aug 2014 09:05:00
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