27 de ago de 2014

Teste do Suzuki Swift Sport

Teste do Suzuki Swift Sport

[Veja a galeria de fotos no site] A Suzuki quer invadir um dos poucos nichos do mercado ainda exclusivo dos europeus no Brasil. O compacto Swift chega na versão Sport, a mais forte da linha, para encarar alemães, britânicos e franceses e seus respectivos Audi A1, Mini Cooper e Citroën DS3. E aposta na mais pura e singela engenharia para isso. O Swift Sport aparece empurrado por um motor 1.6 aspirado de surpreendentes 142 cv de potência e rotundos 17 kgfm de torque – os três rivais têm propulsores sobrealimentados. O modelo vem diretamente do Japão – único local onde a versão é produzida – e passa a ser distribuído pelas 42 concessionárias da marca no final de setembro. A ideia é flexibilizar a atuação da Suzuki, extremamente identificada com o off-road no Brasil, e abrir espaço para as outras linhas de produtos da empresa em um futuro próximo. Por enquanto, a função do Swift Sport é mesmo ser um carro de imagem. Caminho semelhante ao que foi trilhado pela Mitsubishi, que assim como a Suzuki, é também controlada no Brasil pelo Grupo Souza Ramos. Por um bom tempo, a Mitsubishi trabalhou apenas com modelos off-road. De uns tempos para cá, iniciou um migração para os modelos mais esportivos e agora se prepara para iniciar a produção do sedã Lancer no país. Até por ter um line-up bem mais enxuto, a Suzuki tem cumprido este processo um pouco mais rápida e agressivamente. Tanto que usa o preço como ferramenta para entrar no nicho de compactos premium. Começa em R$ 75.990, coisa de R$ 11 mil a R$ 17 mil a menos que o pedido pelos rivais. Completo, com tudo que tem direito, o Swift Sport pode chegar a R$ 85.990.  Obviamente, o Swift não desfruta nem do status nem do charme dos adversários. Em compensação, tem qualidades dinâmicas capazes de seduzir quem está mais interessado em acelerar do que em desfilar. O motor 16 16V aspirado tem comando de válvulas e geometria do duto de admissão variáveis e é gerenciado por um câmbio mecânico de seis marchas – no Japão, há ainda uma versão com câmbio CVT com sete marchas pré-definidas, que a princípio não será importada. Na construção do modelo, várias partes da estrutura feitas em aço carbono comum foram substituídas por aços especiais de alta resistência, bem mais leves. O resultado é que ele tem mais de 100 quilos a menos que as versões comuns – que tão cedo não desembarcam no Brasil.

Embora o interior do carrinho japonês não seja lá muito requintado, em termos de equipamentos, o Swift é completo. São seis airbags, controle de cruzeiro, volante multifuncional em couro, controles de estabilidade e tração, direção elétrica, bancos esportivos com abas laterais, ar-condicionado automático digital e faróis bixênon, chave presencial que destrava as portas e permite a partida – através de um botão no painel. Além disso, há detalhes que servem para reforçar o visual esportivo do modelo, como ponteiras de escapamento cromadas, aerofólio traseiro, grade colmeia e pneus de perfil baixo. Na versão de entrada, os pneus são 195/50 com aro 16. Na versão R, eles são 205/45 R17 e ainda ganham pintura no teto, cobertura do motor com pintura, espelhos com repetidores e sensor de estacionamento. O Sport R ainda pode receber o sistema multimídia com GPS integrado. Com este nível de recursos, a intenção de atuar no segmento de compactos esportivos premium pode ser facilitada ainda por dois outros aspectos. O primeiro é que o mercado de luxo no Brasil parece imune à crise. Cresce ano a ano, inclusive por não depender tanto de financiamento, como ocorre nos segmentos com modelos mais baratos e de maior volume. O segundo é que a tarefa do Swift é apenas formar imagem. A expectativa da marca é que o esportivo emplaque por volta de 100 unidades por mês ao longo do próximo ano. Tarefa que o simpático modelo japonês tem plenas condições de realizar.

Ponto a ponto

Desempenho – A Suzuki arranca de um motorzinho 1.6 aspirado nada menos que 142 cv. Isso graças a recursos como duto de admissão de geometria variável e comando de válvula variável. E com um torque abrangente, que deixa o Swift Sport bem disposto em toda a faixa útil de giro. Melhor que a velocidade final de 210 km/h ou a aceleração de zero a 100 km/h em 8,7 s, é o vigor que o carrinho transmite. Nisso, a boa relação peso/potência, de 7,5 kg/cv, contribui bastante. Nota 9. Estabilidade – A engenharia da Suzuki apostou forte na aderência mecânica. Trocou o tipo de aço de partes do monobloco, para aliviar o peso e ganhar rigidez torcional, trabalhou a suspensão dianteira, uma McPherson tradicional, mas com amortecedor com uma segunda mola, e eixo traseiro autodirecional, com esterçamento de até 3 graus. O resultado foi uma absoluta neutralidade da carroceria, tanto na rolagem lateral quanto nas oscilações em freadas e acelerações. Nota 10. Interatividade – O Swift é bem completo. Os comandos estão posicionados nos locais tradicionais, o que acelera o entrosamento com o carro. O painel de instrumentos também usa um desenho clássico, com cinco nichos redondos. Conta-giros e velocímetro nos maiores, termômetro e combustível em dois menores nos cantos e um central com uma pequena tela de cristal com informações do computador de bordo. Tudo simples e eficiente. Nota 9. Consumo – O Suzuki Swift não está incluído no Programa de Etiquetagem do InMetro, mas não se mostrou beberrão mesmo sendo abusado em teste de pista. Ali obteve médias sempre superiores a 8 km/l. Segundo a Suzuki, em velocidade constante a 90 km/h faz 22 km/l e a 120 km/h faz 16 km/l. São números compatíveis com um compacto potente que pesa uma tonelada. Nota 7.

Conforto – Não tem mágica: ganha-se de um lado, perde-se de outro. A esportividade e a dinâmica do Swift apresenta a conta no conforto. A suspensão tem curso muito curto e transfere quase sem filtros as irregularidades para o interior. A economia de peso exigiu também um alívio de materiais fonoabsorventes e o som do motor invade o habitáculo. As abas protuberantes dos bancos da frente seguram bem o corpo nas curvas. Nota 6. Tecnologia – A versão Sport desta 5ª geração do Swift foi lançada em 2012, dois anos depois dos modelos normais de linha. Além das modificações na suspensão e na plataforma, conta com uma série de recursos mais luxuosos, com ar-condicionado digital, sistema keyless para travas e ignição, volante multifuncional e cruise control. O motor foi retrabalhado, também em 2012, e é bastante eficiente. O Swift ainda é muito bem fornido também em relação à segurança: faróis bixênon, seis airbags, controle de estabilidade e tração, sistema isofix, entre outros. Nota 9. Habitabilidade – O Swift não é muito generoso em porta-objetos. Há os mais comuns, nas portas e no console central à frente do câmbio, e ainda um compartimento com tampa na parte superior do painel. O fato de ter quatro portas com bom ângulo de abertura pode até não combinar tanto com um modelo esporte, mas facilita o acesso. O espaço para os passageiros é bom para um compacto, mas o porta-malas de 210 litros é bem restrito. A vantagem é o rebatimento do banco traseiro em 60/40. Nota 7. Acabamento – Nesse ponto, o Swift é um compacto comum. O interior é todo em plástico rígido e as texturas não são as mais elegantes. Tudo é correto, com bons encaixes e sem rebarbas, mas não transmite o requinte capaz de compatibilizá-lo com os rivais, todos mais luxuosos. Nota 5.

Design – Falta ousadia ao desenho do Swift. As linhas apresentadas pelo compacto em 2010 foram uma suave evolução das mostradas em 2004, na quarta geração do modelo. É simpático, mas não tem o impacto exigido no nicho em que pretende brigar. A frente em curva acentuada, a cintura alta e a traseira truncada dão um aspecto robusto e formam um desenho até harmônico, mas nada que o faça se destacar na multidão. Nota 5. Custo/benefício – O Swift Sport começa em R$ 74.990 e essa é a principal vantagem sobre os concorrentes que a Suzuki pôs na mira. Citroën DS3 inicia em R$ 86.990, o Mini Cooper em R$ 89.950 e o Audi A1 em R$ 91.700. Já a versão R, que adota um visual mais condizente com o segmento, eleva o preço para R$ 81.990. Ela ganha pintura no teto, rodas aro 17, sensores de obstáculos traseiros e a possibilidade de receber um sistema multimídia com GPS integrado – que encarece o conjunto em R$ 4 mil. Ou seja: preço de R$ 85.990 e sem a grife ou o requinte de um A1, um Mini ou um DS3. Nota 6. Total – O Suzuki Swift Sport somou 73 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões

Mogi-Guaçu/SP – O Suzuki Swift Sport fica muito à vontade em um autódromo como o Velo Cittá. Afinal, o esportivo japonês é uma espoleta, que acelera forte, o motor sobe o giro rapidamente, freia forte sem embicar e entra nas curvas sem se contorcer. Por um lado, a base do projeto não foi completamente eliminada após o forte tratamento de engenharia pelo qual passou para ganhar uma personalidade mais agressiva. Manteve o bom espaço interno e a altura elevada, de 1,51 metro, facilita o acesso ao habitáculo. Por outro lado, o design é comprometido com a ideia de não desagradar. Com isso, peca pela falta de ousadia. O Swift conservou também a mesma qualidade dos revestimentos internos, que são bastante simples. Trata-se, na verdade, de um acabamento pensado para não onerar um modelo de marca generalista com bom volume de vendas. E que não sofreu qualquer modificação ao virar uma versão esporte. A não ser pelos bancos esportivos, revestidos com tecido, de abas avantajadas. Eles são rígidos, confortáveis e prendem bem o corpo nas curvas. Quem também enfrenta bem as curvas é o conjunto carroceria/suspensão. A ponto de fazer com que o controle de estabilidade dificilmente seja chamado ao trabalho. É preciso extrapolar para que a luz do ESP no painel pisque. Nestas conduções mais agressivas, o ronco do motor invade o interior sem a menor cerimônia. Durante um “track day” é ótimo, mas em uso normal, nem tanto. No afã de aliviar o peso do carro, a Suzuki acabou economizando nos isolantes acústicos. Ao se sentar ao volante do Swift, é fácil encontrar a melhor posição de digirir. Banco e volante têm ajuste longitudinal e de altura. Apesar do traçado interessante do Velo Cittá, não é possível chegar sequer à quinta das seis marchas do trem de força. Mas as saídas de curvas, mesmo em subida, e as frenagens no limite não são capazes de desequilibrar o modelo. Quando conduzido de maneira mais comedida, o motor 1.6 16V ganha uma insuspeita suavidade. A suspensão, porém, não é tão versátil. Ela transfere todas as irregularidades para o interior. A espuma de alta densidade utilizada nos bancos também não filtra muita coisa. A mudança de personalidade promovida pela marca japonesa acabou por unir bons e maus aspectos de um esportivo e de um compacto de grande volume. Mas foi muito bem sucedida no objetivo crucial, que era o de criar um esportivo razoavelmente acessível, de desempenho puro, sem excessos de eletrônica, com uma capacidade dinâmica acima da média. Baseado apenas  na mecânica de motor, de estrutura e de suspensão.

Ficha técnica

Suzuki Swift Sport


Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.586 cm³, quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas e coletor de admissão com geometria variável. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Mecânico com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 142 cv a 6.900 rpm.
Torque máximo: 17 kgfm a 4.400 rpm.
Diâmetro e cruso: 78,0 mm X 83,00 mm (taxa de compressão de 11:1).
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos com molas internas. Traseira com travessa deformável em H, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e eixo autodirecional em 3º. Controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 195/50 R16 (205/45 R17 na R).
Freios: Discos ventilados na frente, sólidos atrás e ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,51 m de altura e 2,43 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.065 kg. 
Capacidade do porta-malas: 210 litros.
Tanque de combustível: 42 litros.
Produção: Sagara, Shizuoka, Japão.
Itens de série: Bancos dianteiros esportivos, computador de bordo, direção elétrica, trio elétrico, volante com regulagem de altura e profundidade, faróis de neblina, sistema keyless para trava das portas e ignição, rodas de liga leve R16, ar-condicionado automático, controle de cruzeiro e rádio/CD/MP3/Bluetooth.
Preço: R$ 74.990.
Versão Sport R: acrescenta pintura no teto e na cobertura do motor, rodas de liga leve aro 17, retrovisores externos com pisca integrado e sensor de estacionamento.
Preço: R$ 81.990
Opcionais: Sistema multimídia com GPS integrado.
Preço completo: R$ 85.990.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

Puro-sangue japonês - Suzuki aposta na dinâmica aprimorada do Swift Sport para encarar os compactos esportivos premium

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 27 Aug 2014 08:50:00
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