16 de ago de 2014

Impressões dos novos Ford Ka e Ka+ Sedan

Impressões dos novos Ford Ka e Ka+ Sedan

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A Ford do Brasil quer ser grande. E acredita que a nova linha compacta Ka é o principal instrumento para repetir no mercado brasileiro a mesma pujança que tem no resto do mundo – onde busca alcançar o posto de segundo maior fabricante do planeta. Os novos Ka são montados em Camaçari e aposentam não só o linha Rocam como também o motor que deu nome a ela, pois estreia um novo 1.0 de três cilindros, que gera 85 cv de potência com etanol. Por outro lado, tem uma missão dura: levar a Ford à liderança entre os modelos hatch 1.0 no varejo. Feitas as projeções, isso significa que a versão de dois volumes, que desembarca nas concessionárias em setembro, deverá emplacar coisa de 12 mil unidades mensais – o dobro da média que o Rocam cumpria. Com isso, o Ka deve brigar diretamente com Fiat Palio e Uno, Volkswagen Gol, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. No caso do Ka sedã, chamado pela Ford de Ka+, a ideia é que ele se aproxime das 5 mil unidades mensais. Não é tão avassalador quanto o hatch, mas é o triplo das vendas do sedã da linha Rocam. O Ka+ chega ao mercado apenas em meados de outubro, juntamente com a oferta na linha do motor Sigma 1.5 de 110 cv de potência com etanol. Com a chegada do novo Ka, a Ford se gaba de passar a oferecer no mercado brasileiro apenas modelos globais. Por enquanto, este Ka só é oferecido no Brasil, mas a ideia é que ele passe a figurar também no line-up da marca em vários países – emergentes, a princípio. Em termos tecnológicos, porém, o Ka está credenciado até mesmo a mercados mais sofisticados. Ele compartilha com os novos Fiesta e EcoSport não só a arquitetura mas também a plataforma eletrônica. Ou seja: ele dispõe de recursos como controle eletrônico de estabilidade ou assistência de partida em rampa, só oferecidos em compactos mais sofisticados, como o próprio Fiesta ou o Fiat 500, por exemplo. A grande aposta, no entanto, é na conectividade – axioma que orienta o marketing da Ford mundo afora.

No caso do modelo básico SE, a conectividade também é básica. Se resume ao sistema chamado de MyConnection, que permite apenas conexão Bluetooth. Para ganhar mais conectividade é preciso ir à versão intermediária SE Plus. Ali está o sistema Sync, que aceita comandos vocais, lê SMS, opera uma série de aplicativos para celular e ainda tem o recurso de chamadas automáticas para o SAMU, no caso de constatar o acionamento dos airbags ou o corte automático do combustível do veículo. A versão SE Plus acrescenta ainda vidros elétricos traseiros e adiciona R$ 2 mil ao preço final. No caso do hatch, o preço vai de R$ 35.390 para R$ 37.390. No Ka+, que custa exatos R$ 2.500 a mais, o valor vai de R$ 37.890 para R$ 39.890. A motorização 1.5 soma outros R$ 5 mil a qualquer Ka. Na configuração de topo, SEL, a tabela adiciona R$ 2.600 ao total. Ela inicia em R$ 39.990 no hatch 1.0 e em R$ 42.490 no Ka+ 1.0 e pula para R$ 44.900 e para R$ 47.490, respectivamente, com motor 1.5. De relevante, esta versão ganha um acabamento melhorado e acrescenta controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partidas em rampa, rodas de liga leve, faróis de neblina, alarme, ajuste de altura do volante e um prosaico computador de bordo, que até causa estranheza não estar presente nas demais versões. Afinal, elas já vêm de série com ar-condicionado, direção, travas e vidros dianteiros elétricos, sistema de som e desembaçador traseiro. O valor máximo, próximo de R$ 50 mil, parece pouco condizente com um compacto assumidamente de entrada. Mas preço é relativo. No confronto de conteúdos, os únicos modelos que rivalizam com o novo Ka hatch são o Nissan March e o Renault Sandero – que ficam até um pouco mais baratos. Já em comparação com os modelos da Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Hyundai, o novo Ka fica entre 10% e 15% abaixo. Essa diferença, nesse segmento de entrada, pode atrair o significativo volume de mercado que a Ford tanto busca.

Primeiras impressões

Trancoso/Bahia – O Club Med de Trancoso, onde a Ford apresentou o novo Ka, é uma espécie de “ilha da fantasia”. Mas o entorno provoca um choque de realidade. As estradas esburacadas e empoeiradas – fruto, dizem, da conjugação de vários dias de chuva e uns poucos de sol – criaram uma pista de teste bem rigorosa para o novo Ka. E o novo compacto feito na Bahia até se saiu bem. A suspensão acertada filtra bem as irregularidades, mas não deixa o carro mole. A resistência à poeira também se mostrou eficiente. Já o isolamento acústico entregou os limites bem cedo. Principalmente no caso da versão hatch, que no test-drive era empurrado sempre pelo motor 1.0 de três cilindros, com duplo comando de válvulas variáveis. Mas não é barulho por nada. O novo propulsor entrega um desempenho animador. Embora não seja muito agressivo e denuncie a baixa litragem em certos momentos, como quando está mais carregado, mostra algum vigor já por volta dos 2 mil giros. A arrancada é decidida, sem aquele murchamento típico de motores muito pequenos. O torque de 10,2 kgfm chega à plenitude a razoáveis 3.500 rpm, quando abastecido com gasolina, e o de 10,7 kgfm apenas a 4.500 rpm, com etanol. Para serem mais efetivas, nas retomadas é preciso recorrer às reduções de marcha. Nisso, a precisão do câmbio ajuda. Impressiona também a suavidade de funcionamento do trem de força. Quase não há vibrações. O motor 1.5, o único disponível nos sedãs do teste, tem um comportamento análogo ao do 1.0 no hatch, mas numa oitava superior.

No interior, muito plástico. No lançamento, havia apenas unidades na versão top SEL, que tem acabamento mais caprichado. Ainda assim, não impressionam ninguém. O painel é visualmente bem resolvido e tem a mesma lógica estilística do Fiesta: um console central dominante, em pintura prateada, com os diversos botões organizados de forma simétrica. O cluster é bem pequeno e é possível vê-lo completamente pelo vão superior do volante. Ali estão três mostradores: velocímetro ao centro, conta-giros à esquerda e mostrador de combustível à direita. Com o Ka, a montadora norte-americana segue a tendência atual da indústria brasileira para modelos mais simples, como acontece com HB20, Onix e Uno: bom espaço interno, padrão de revestimento simples mas jovial, visual com alguma esportividade e detalhes que projetam algum requinte, para provocar um aumento no valor atribuído pelo consumidor. Deu certo com Hyundai, Chevrolet e Fiat. Pode dar certo com a Ford.

Ficha técnica

Ford Ka hatch e Ka sedã

Motor 1.0: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 997 cm³, três cilindros em linha, duplo comando variável na admissão e no escape no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Motor 1.5: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.498 cm³, quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração na versão SEL. 
Potência 1.0: 80/85cv com gasolina/etanol a 6.500 rpm.
Potência 1.5: 105/110 com gasolina/etanol a 6.500 rpm. 
Torque 1.0: 10,2 a 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgfm com etanol a 4.500 mil rpm.
Torque 1.5: 14,6/14,9 kgfm com gasolina/etanol a 4.250 rpm.
Diâmetro e curso 1.0: 71,9 mm X 81,8 mm.
Taxa de compressão: 12:1.
Diâmetro e curso 1.5: 79 mm X 76,4 mm.
Taxa de compressão: 11,1:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade na versão SEL.
Pneus: 175/65 R14 (SE) e 195/55 R15 (SEL). 
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem. 
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,53 m de altura e 2,45 m de entre-eixos. Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,26 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,53 m de altura e 2,45 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 1.034/1.048 kg (hatch/sedã, versão SEL).
Capacidade do porta-malas: 270/445 litros (hatch/sedã). 
Tanque de combustível: 51,6 litros. 
Produção: Camaçari, Bahia, Brasil. 
Lançamento mundial: 2014.
Lançamento no Brasil: 2014.
Versão SE: Volante com regulagem de altura, computador de bordo, desembaçador traseiro, limpador traseiro com temporizador (hatch), direção elétrica progressiva, porta-malas com abertura elétrica, chave com telecomando para abertura e fechamento das portas, travas elétricas e vidros dianteiros elétricos, ar-condicionado, sistema de som com Bluetooth.
Preço: R$ 35.390 (hatch 1.0), R$ 37.890 (sedã 1.0), R$ 40.390 (hatch 1.5) e R$ R$ 42.890.
Versão SE Plus: Acrescenta vidros elétricos traseiros e sistema Sync.
Preço: R$ 37.390 (hatch 1.0), R$ 39.890 (sedã 1.0), R$ 42.390 (hatch 1.5) e R$ R$ 44.890.
Versão SEL: Acrescenta controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, rodas de liga leve aro 15, faróis de neblina, computador de bordo, alarme, ajuste de altura do banco do motorista, aplique cromada na grade e lanternas traseiras escurecidas.
Preço: R$ 39.990 (hatch 1.0), R$ 42.490 (sedã 1.0), R$ 44.990 (hatch 1.5) e R$ R$ 47.490.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

Fundamentos para o crescimento - Ford aposta na nova linha Ka para brigar pela liderança entre os modelos de entrada

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 13 Aug 2014 10:20:00
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