27 de ago de 2015

Teste do Peugeot 2008 Griffe THP

Teste do Peugeot 2008 Griffe THP

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A Peugeot vem trabalhando na proposta de redimensionamento da marca no Brasil. A ideia é atuar em diversos segmentos, mas investir na sofisticação e tecnologia para diferenciar seus produtos da concorrência. Passar certo ar de exclusividade em seus produtos. E nada mais justo do que reforçar esse plano na categoria que mais cresce no país, tanto em vendas quanto em novidades: a dos utilitários esportivos compactos. Com vendas iniciadas em maio, o 2008 é uma das maiores provas dessa estratégia. O crossover, fabricado em Porto Real, no Sul do Rio de Janeiro, entrega tecnologia, acabamento superior e, na configuração de topo Griffe THP, alia o bom espaço interno prometido pelos SUVs a uma característica que nem sempre é encontrada na concorrência direta: performance. Isso graças à adoção do motor 1.6 turbo flex que já equipa outros modelos da marca, como o hatch médio 308, e alguns carros da Citroën, caso do sedã C4 Lounge, entre outros.

O propulsor é mesmo o grande trunfo da configuração mais cara do crossover compacto da Peugeot, que responde por cerca de 15% do total de vendas do modelo. São 173 cv com etanol no tanque e torque  de 24,5 kgfm entre 1.750 e 4 mil rpm. O trem de força trabalha somente com o câmbio mecânico de seis marchas – a plataforma compacta da PSA, usada também no DS3, por exemplo, não tem espaço para receber a trasmissão automática juntamente com o motor THP. De qualquer maneira, nem mesmo na França, sede da marca, o 2008 recebe uma motorização tão forte.  Por se tratar da versão mais “agressiva”, ela também é a única que reúne as tecnologias de segurança mais interessantes. Caso dos controles eletrônicos de estabilidade e tração, por exemplo. Este último, no 2008 Griffe THP, é batizado de Grip Control e possui cinco modos de seleção. O “Normal” é apropriado para situações de baixo índice de derrapagem, como o asfalto seco das ruas e estradas. O “Neve” adapta instantaneamente a derrapagem de cada uma das rodas motrizes às condições de aderência. Já a opção “Barro” é a propícia para uso em lama e grama molhada, transferindo o máximo de torque para a roda aderente. “Areia” mantém a derrapagem simultaneamente nas duas rodas motrizes para possibilitar a progressão em solo arenoso e limitar o risco de encalhar o veículo. E “ESP Off” desliga totalmente os controles de estabilidade e tração até os 50 km/h.

Além disso, são seis airbags – frontais, laterais e de cortina – e o utilitário conta com assistente de partida em rampas. A lista de itens de série, aliás, é bem farta. A central multimídia interage com o celular, transmitindo via Bluetooth informações sobre autonomia, consumo, distância e tempo dos trajetos, itinerários do GPS e até quanto tempo falta para a próxima revisão. Os revestimentos são mesclados em couro e tecido e o ar-condicionado é de duas zonas. Em seus três primeiros meses cheios de venda, o Peugeot 2008 emplacou pouco mais de 700 unidades mensais. Está longe de ser um sucesso de vendas, mas diante da queda de 20,03% registrada no setor automotivo nos sete primeiros meses do ano e da estratégia adotada pela Peugeot de caprichar na imagem de refinamento e garantir certo ar de exclusividade em seus produtos, pode-se dizer que o 2008 dá bons passos nessa meta. Sem contar que, de maio para cá, as vendas têm crescido, em média, 10% ao mês. A julgar pela versão de topo Griffe THP, o crossover tem tudo para seguir ganhando fôlego no mercado.

Ponto a ponto

Desempenho – O 1.6 16V THP flex, que impulsiona o Peugeot 2008, gera 173 cv e insere uma boa dose de esportividade no SUV compacto. O zero a 100 km/h acontece em 8,1 segundos e o torque de 24,5 kgfm se mantém entre 1.750 e 4 mil rpm. O resultado é uma agilidade que impressiona em acelerações e retomadas. A transmissão é manual de seis marchas e trabalha em sintonia constante com o motor, possibilitando extrair bastante vigor do carro. Nota 9. Estabilidade – O Peugeot 2008 praticamente não aderna nas curvas, mesmo com seus 20 cm de distância livre do solo. Nos casos que extrapolam os limites do modelo, a versão Griffe THP traz um recheio tecnológico de fazer inveja nos rivais: há, por exemplo, controle de estabilidade e de tração, o Grip Control, que limita o escorregamento do diferencial. Nota 9.

Interatividade – O 2008, assim como os modelos mais novos da marca francesa, tem os instrumentos elevados na cabine, chamado de i-cockpit. A ideia é que tudo fique na linha de visão do condutor e, com isso, o volante tem o diâmetro um tanto reduzido. Facilita bastante a vida de quem dirige. A central multimídia tem operação fácil e o modelo conta com câmara de ré, que auxilia as manobras de estacionamento. Mas, com motor 1.6 turbinado, o crossover só tem disponível o câmbio manual – as trocas automáticas de marcha ficam restritas às configurações com propulsor 1.6 de 122 cv. Nota 8. Consumo – O Peugeot 2008 Griffe THP recebeu nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro dentro da categoria de SUVs compactos. No geral, ficou com classificação C. As médias registradas foram de 7,1/10,7 km/l na cidade com etanol/gasolina e 8,5/12,4 km/l na estrada, com os mesmos combustíveis. O índice de consumo energético aferido foi de 1,95 MJ/km. Nada mau para um modelo turbinado com 173 cv. Nota 8.

Conforto – A suspensão é firme – até pela pegada esportiva da versão Griffe THP –, mas não compromete o sossego dos ocupantes. O espaço para cabeça e pernas de todos os passageiros é bom e não se parece com a realidade de um modelo compacto. Os bancos recebem bem tanto à frente quanto atrás. O isolamento acústico é eficiente e só deixa o ronco do propulsor invadir a cabine quando o pedal do acelerador é carregado com vontade – situação normal e até esperada em um carro esportivo. Nota 8. Tecnologia – O Peugeot 2008 Griffe THP sai de fábrica com controle eletrônico de estabilidade e tração, assistência de partida em rampas, faróis de chuva com iluminação lateral nas curvas e o motor flex de 173 cv – mas apenas com câmbio mecânico de seis marchas. Tem seis airbags e central multimídia completa, incluindo GPS. Um excelente recheio. Nota 9.
Habitabilidade – O espaço é farto à frente e atrás e o teto panorâmico ainda cria uma sensação maior de amplitude no habitáculo. O porta-malas carrega 355 litros – não é muito, mas pode chegar a quase 1.200 litros com o banco traseiro rebatido. Por ser um pouco mais alto, o 2008 permite o acesso dos passageiros de maneira bem fácil. Há bons nichos e porta-trecos espalhados por toda a cabine. Nota 8. Acabamento – A marca francesa se destaca nesse quesito em todas as categorias e não é diferente no SUV compacto. A mistura de materiais de qualidade se alia a um extremo bom gosto. Os bancos revestidos em couro bicolor e os detalhes em alumínio, em cromado e em preto brilhoso conferem uma atmosfera agradável aos olhos e também ao toque. Nota 9.
Design – As linhas são harmoniosas e os detalhes em tons prateados da versão 1.6 Griffe THP – na parte inferior dos para-choques, na grade, moldura dos faróis de chuva, dos vidros laterais e rack de teto – transmitem certo requinte. Mas não chegam a impressionar. Nota 7. Custo/benefício – O Peugeot 2008 Griffe, topo da gama, custa R$ 79.590 e é o mais potente entre os SUVs compactos no país. Um Honda HR-V EXL custa R$ 90.700 e tem dois airbags a menos que o modelo, com motor 1.8 de 140 cv e câmbio CVT que simula sete velocidades. Um Ford EcoSport Titanium 2.0 tem apenas 147 cv, mas é o que mais se aproxima em recheio do 2008. O preço é de R$ 87.400, mas o câmbio é automatizado de dupla embreagem, com seis velocidades. A Jeep pede R$ 82.900 pelo Renegade Longitude 1.8 flex, de 132 cv, com transmissão automática de seis marchas. Já a Renault vende o Duster Dynamique 4X2 2.0 manual por R$ 73.940, mas sem controles dinâmicos de estabilidade e tração e airbags apenas frontais. O propulsor dele rende 148 cv. Pelo visto, não é só pelo vigor que o 2008 se destaca no custo/benefício. Nota 8. Total – O Peugeot 2008 Griffe THP somou 83 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Por fora, o Peugeot 2008 passa a impressão de que se trata de um modelo menor, quase uma station wagon com altura elevada. Mas ao entrar em seu habitáculo ficam explícitas suas qualidades de SUV. A cabine é espaçosa o suficiente para que os ocupantes se sintam bem-acolhidos. A ergonomia é um diferencial no modelo. A Peugeot já vem elevando os instrumentos em seus carros mas em modelos mais altos, como o 2008, esse benefício é ainda maior. Os instrumentos não precisam ser tão espremidos e o volante não tem de ser tão pequeno. A linha de visão do motorista fica beneficiada e até o volante com diâmetro ligeiramente menor evoca a “esperteza” do motor THP.
O propulsor 1.6 turbinado flex, aliás, é com certeza a principal vantagem do 2008 Griffe THP. Seus 173 cv e, principalmente, o torque de 24,5 kgfm, tanto com gasolina quanto com etanol no tanque já a 1.750 rpm, garantem um desempenho que faz jus à expressão “esportivo” da categoria. Na prática, esses dados conferem ao crossover saídas e retomadas que impressionam mesmo em giros baixos. Não há qualquer sensação de falta de força. O comportamento em curvas é exemplar e tecnologias de segurança como controle de estabilidade e de tração estão presentes para qualquer excesso cometido. As facilidades para o condutor não se resumem à performance. A atmosfera de requinte típica da marca se repete, com acabamento de alto padrão. E a central multimídia adotada no modelo é extremamente completa. É capaz de transferir dados do computador de bordo para um smartphone e até do GPS – que tem comandos bem simples e se mostra muito eficiente no dia a dia do tráfego urbano. É inegável que o Peugeot 2008 Griffe THP tem condições de garantir não apenas o conforto dos passageiros e espaço bom para viagens, mas também uma boa dose de adrenalina para quem está no comando.

Ficha técnica

Peugeot 2008 Griffe THP

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, turbo com intercooler, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro. Comando duplo de válvulas no cabeçote com sistema de variação de abertura na admissão e escape. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Potência: 173 cv com etanol e 166 cv com gasolina a 6 mil rpm.
Torque: 24,5 kgfm com gasolina/etanol entre 1.750 rpm e 4 mil rpm.
Transmissão: Manual de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Aceleração 0-100 km/h: 8,1 segundos com etanol e 8,3 s com gasolina.
Velocidade máxima: 209 km/h e 206 km/h com etanol/gasolina.
Diâmetro e curso: 77 mm x 85,8 mm.
Taxa de compressão: 10,2:1.
Suspensão: Dianteira tipo pseudo McPherson, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados a gás e barra estabilizadora. Traseira com travessa deformável, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados a gás e barra estabilizadora.
Pneus: 205/60 R16.
Freios: A disco nas quatro rodas com ABS e EBD.
Carroceria: SUV em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,16 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,58 m de altura e 2,54 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.231 kg.
Capacidade do porta-malas: 355 litros.
Tanque de combustível: 55 litros.
Produção: Porto Real, Brasil.
Lançamento mundial: 2013.
Lançamento no Brasil: 2015.
Itens de série: Rodas de liga leve de 16 polegadas diamantadas, lanternas traseiras com guias de luz em led, airbags dianteiros, laterais e de cortina, faróis elípticos com luz diurna de leds, lanternas indicadoras de direção nos retrovisores, faróis de chuva, lanterna traseira de chuva, cintos de segurança traseiros de três pontos para todos os passageiros, travamento automático das portas e do porta-malas em velocidade, ar-condicionado automático digital dual zone, volante multifuncional revestido em couro com regulagem de altura e profundidade, vidros elétricos, retrovisores externos com comandos elétricos, iluminação no porta-malas e porta-luvas, porta-luvas refrigerado, central multimídia com tela touchscreen colorida de 7 polegadas integrada ao painel com navegação GPS, rádio, CD Player, Bluetooth, entradas USB e AUX, 4 alto-falantes e dois tweeters, sensores de estacionamento, piloto automático, computador de bordo, chave tipo canivete com comandos de abertura das portas, alerta sonoro de faróis acesos, alarme perimétrico e volumétrico, três apoios de cabeça traseiros com regulagem de altura, teto solar panorâmico, bancos esportivos revestidos em couro/tecido, banco traseiro bipartido rebatível, sensor crepuscular e de chuva, moldura cromada nos faróis de neblina, controles eletrônicos de tração e estabilidade, hill assist, retrovisores cromados e pedaleiras esportivas em alumínio.
Preço: R$ 79.590.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Um SUV singular - Peugeot 2008 Griffe THP se destaca pela esportividade em segmento com vocação familiar

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 26 Aug 2015 08:50:00

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