20 de ago de 2015

Teste do Audi RS Q3

Teste do Audi RS Q3

De uns anos para cá, as marcas Premium cada vez mais apostam em suas linhas esportivas. A Mercedes-Benz tem a AMG, a BMW insere a letra M em seus modelos mais raivosos e a Audi utiliza a sigla RS nas suas versões mais potentes. A marca das quatro argolas inaugurou essa linha em 1994, com a perua RS2 Avant, uma edição limitada criada em cima da perua A80, antecessor do A4. De lá para cá, a fabricante alemã já espalhou entre seus modelos configurações mais “explosivas”. Caso do RS Q3, que segue as linhas do crossover médio Q3, com bom espaço interno para a família, mas tem sob a casca um acerto e um propulsor capazes de transmitir a emoção de um bólido. O modelo faz jus à sigla RS, abreviação de “RennSport”, ou corrida em alemão.

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Como em qualquer versão esportiva de marca premium, o grande trunfo do RS Q3 é mesmo o trem de força. No caso, um propulsor 2.5 litros turbinado de cinco cilindros, que rende 310 cv de potência e 42,8 kgfm de torque, gerenciado por uma transmissão automatizada de sete marchas e dupla embreagem, com borboletas no volante para trocas manuais. Para apimentar mais a coisa, a tração é integral. Segundo a marca, o crossover parte do zero e chega aos 100 km/h em 5,2 segundos. Já a velocidade máxima é limitada eletronicamente em 250 km/h. O carro ainda tem função Launch Control, de controle de largada, semelhante à usada nos modelos da Fórmula 1. Ela faz com que a força do motor chegue às rodas de forma limpa, sem patinar. Por fora, o RS Q3 traz poucos sinais característicos de modelos “normais” dos quais se tenta extrair uma inusitada esportividade. No caso da linha RS, a frente costuma ser marcada por diferenças em relação ao restante da linha. Tanto que o crossover Q3 sofreu um face-lift recentemente, mas o RS Q3 não mudou o visual – o que deve ocorrer em 2016. O RS Q3 recebe um para-choque de desenho mais robusto, com entradas de ar maiores para refrigerar os freios, e uma grade telada com o emblema da linha RS no canto. De perfil, o mais flagrante são as rodas aro 19 com pneus de perfil baixo – 255/40.

Esta esportividade encontra respaldo na dinâmica. Pode-se configurar o modelo em um de três modos de condução no sistema Audi Drive Select. A escolha interfere no controle de válvulas do sistema de escape e na curva característica do acelerador. Para respostas mais rápidas, por exemplo, basta selecionar Dynamic. Já uma direção mais pacata é entregue pela opção Comfort. A Auto se ajusta ao comportamento do condutor. A suspensão esportiva RS – McPherson na frente e multilink atrás – é 25 mm mais baixa do que na versão “civil” do Q3. Para melhorar a distribuição de peso, a bateria foi transferida do cofre do motor para o compartimento de bagagem. A lista de itens de série é compatível com a de um modelo “top” de marca premium. Na questão da segurança, além dos obrigatórios airbags frontais e freios ABS, há bolsas de ar também laterais e de cortina. Os controles dinâmicos de estabilidade e tração se aliam ao assistente de partida em rampas e ao controle de cruzeiro para facilitar a vida do motorista. As manobras de estacionamento contam com sensores na frente e atrás, com visualização gráfica, e há ainda sensor crepuscular e de chuva. A chave é presencial e a única versão vendida no Brasil já traz de série a central multimídia com navegador GPS. Não se trata de um veículo econômico – e nem é essa a proposta –, mas o RS Q3 ajuda a diminuir o consumo de combustível através do sistema start/stop, que desliga o motor quando o carro está parado com o freio pressionado e o religa automaticamente quando o pedal é liberado.

Preço nunca é o forte deste tipo de carro. No caso do RS Q3, o montante é de R$ 285.190. De qualquer forma, nesse quesito, uma particularidade ele tem: é o modelo mais em conta da linha RS da Audi no Brasil – na Europa, o mais barato é o RS 3 Sportback. Por aqui, logo acima dele está a perua RS4 Avant, que sai por nada menos que R$ 467.190. Ou seja, para quem sonha com um exemplar da categoria “RennSport” com quatro argolas, o Audi RS Q3 é a porta de entrada.

Ponto a ponto

Desempenho – O comportamento dinâmico do RS Q3 é impressionante. O carro acelera de forma intensa e necessita de apenas 5,2 segundos para chegar aos 100 km/h. Retomadas e ultrapassagens são realizadas com vigor de sobra e não há qualquer momento em que o motorista sinta falta de força. Quando não se deseja extrair o máximo de desempenho, basta aliviar o pé direito e o crossover se comporta de forma pacata e que pode ser considerada até econômica, visto que se trata de um motor com 2.5 litros. Nota 10. Estabilidade – A tradicional tração integral Quattro da Audi, aliada aos diversos sistemas eletrônicos de controle dinâmico resultam em uma direção muito direta, com absoluto controle sobre o que está acontecendo. O volante tem o peso certo e fica bem firme em velocidades elevadas. Ainda assim, o fato de ter uma carroceria alta cobra um preço nos contornos de curvas mais forçados e rola um pouco. Mas, porém, nada que desencoraje a tocada esportiva. Nota 9.

Interatividade – A central multimídia do RS Q3 demanda certa familiaridade para que se possa explorar bem o equipamento. Mas o sistema é limitado, pois não tem tela touch nem uma simplória entrada USB – há apenas um conector específico da Audi que só é melhor para o concessionário que o comercializa. A ergonomia, no entanto, é correta e os ajustes elétricos dos bancos dianteiros facilitam a vida do condutor e do passageiro. Nota 6. Consumo – O Audi RS Q3 não participa do Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro. E durante a avaliação se mostrou um tanto sedento. O computador de bordo registrou média de consumo de 7,1 km/l de gasolina. Nota 6.

Conforto – O RS Q3 é um SUV compacto confortável. Os bancos esportivos são aconchegantes e mantêm o corpo dos ocupantes na posição correta, mesmo em conduções mais radicais. Atrás, até dois adultos e uma criança se acomodam bem. A suspensão não absorve bem os desníveis das ruas brasileiras nem no modo Comfort, mas em vista do desempenho do modelo, os impactos são suportáveis. Nota 7. Tecnologia – O motor 2.5 de cinco cilindros tem 310 cv e torque de 42,8 kgfm. A transmissão é de dupla embreagem com sete marchas e o sistema de tração é o tradicional Quattro. A partir de uma embreagem multidisco controlada eletronicamente e com acionamento hidráulico, ele garante a distribuição adequada de torque entre os eixos traseiros e dianteiros. O sistema Audi Drive Select conta com três modos: Auto, Comfort e Dynamic. A central multimídia tem sistema de navegação e há borboletas no volante para trocas manuais de marchas. O RS Q3 conta ainda com chave presencial e sistema start/stop. Nota 9.
Habitabilidade – A boa altura do crossover faz os acessos ao interior serem descomplicados. O porta-malas tem apenas 356 litros, um tanto pequeno para um SUV médio. No habitáculo há fartura de porta-objetos, todos bastante funcionais. A visibilidade dianteira e a retrovisão são corretas. Nota 8. Acabamento – A cabine não deixa dúvidas sobre o carácter preimum do RS Q3. Os materiais utilizados nos revestimentos internos são de bom gosto e aparentam qualidade. Os bancos mesclam couro e Alcantara e os poucos plásticos presentes têm toque agradável. Há detalhes em alumínio e tudo parece bem equilibrado, o que contribui para a atmosfera de requinte. Nota 9.
Design – Em sua versão “convencional”, o Q3 se mostra bem conservador. Está ali a identidade visual que a marca aplica em toda a sua linha, sob a forma de SUV. Mas os detalhes estéticos RS desta versão inserem uma dose de agressividade que dá charme e personalidade ao design pouco ousado. Como os apliques em alumínio fosco na carroceria e nas barras laterais do teto e a frente exclusiva. Nota 8. Custo/benefício – O Audi RS Q3 custa R$ 285.190 no Brasil e é o modelo RS mais barato à venda. Seu principal concorrente é o Mercedes GLA 45 AMG, com motor 2.0 turbo de 360 cv, a R$ 298.900. Mas existem opções de modelos com desempenho semelhante e tamanho maior. Caso do BMW X3 xDrive 35i M Sport, com 310 cv e preço de R$ 290.450, ou o Volvo XC60 T6 R-Design, com propulsor 3.0 V6 turbo de 304 cv e que é vendido a R$ 245.990. Nota 7. Total – O Audi RS Q3 recebeu 81 pontos de 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

A ideia de que um crossover é um modelo indicado para a família destoa de todo o potencial de diversão que o Audi RS Q3 carrega. Basta entrar no modelo para perceber que não se trata de um simples “carro de passeio”. Vários detalhes de seu design interno transmitem a sensação de se estar a bordo de um veículo de corrida. Caso dos bancos dianteiros esportivos – que, a propósito, recebem muito bem seus ocupantes e têm todos os ajustes elétricos – e dos pedais e apoios para os pés com acabamento em alumínio, assim como o painel de informações com dados como a pressão do turbo, temperatura do óleo e até cronômetro para calcular os tempos de voltas. O acesso ao interior e a partida do motor se dão sem ter de manusear a chave. O sensor de presença da mesma permite que tudo isso se resolva apenas no toque. De cara, o ruído que vem do propulsor já instiga o motorista a pisar com vontade no pedal do acelerador. O efeito é imediato e arrebatador. O RS Q3 ganha velocidade de forma explosiva e cola as costas dos passageiros nos encostos dos assentos. O ronco do vigoroso 2.5 litros de 310 cv invade o habitáculo sem cerimônia – mas, neste caso, não é um incômodo, e sim uma injeção de adrenalina que trabalha em conjunto com a velocidade alcançada. Nas curvas, de início, a cautela faz com que se exija menos do modelo, até que a confiança apareça. E isso também não demora. Além dos controles dinâmicos de estabilidade e tração, o sistema Quattro de tração integral faz com que o RS Q3 percorra os trechos sinuosos como se estivesse sobre trilhos. A sensação de controle absoluto do carro é intensa – o que pode até se tornar perigoso, porque só faz aumentar a vontade de pisar mais e mais no acelerador. E assim como a agilidade para alcançar velocidades elevadas é surpreendente, o mesmo se nota ao frear. O crossover para de forma segura e progressiva, sem sustos nem sacolejos. A diversão que se tem na direção, no entanto, não é a mesma que se consegue pelas tecnologias de entretenimento do modelo. A central multimídia não tem tela touch e seu uso é pouco intuitivo. É claro que a convivência vai, aos poucos, amenizando as dificuldades, mas a ausência de uma simples entrada USB é injustificável. Também não há câmara de ré. Quando se move para trás, um gráfico complementa o trabalho sonoro dos sensores de estacionamento. No fundo, a principal brincadeira dentro de um RS Q3 é aproveitar toda a explosão de força de seu motor.

Ficha técnica

Audi RS Q3

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 2.480 cm³, cinco cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção direta de combustível, acelerador eletrônico e turbocompressor com intercooler.
Transmissão: Câmbio automatizado de sete velocidades à frente e uma a ré. Tração integral. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 310 cv entre 5.200 e 6.700 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 5,2 segundos.
Velocidade máxima: 250 km/h (limitada eletronicamente).
Torque máximo: 42,8 kgfm entre 1.500 e 5.200 rotações.
Diâmetro e curso: 82,5 mm x 92,8 mm.
Taxa de compressão: 10:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo multilink, com braços sobrepostos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 255/40 R19.
Freios: A discos ventilados. Oferece ABS e EBD.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,41 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,58 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.655 kg.
Capacidade do porta-malas: 356 litros.
Tanque de combustível: 64 litros.
Produção: Martorell, Espanha.
Lançamento mundial: 2013.
Lançamento no Brasil: 2014.
Itens de série: Ar-condicionado automático de duas zonas, bancos dianteiros elétricos com apoio lombar, alarme, faróis de xenônio e com refletores duplos e ajuste automático de altura, faróis e lanternas de neblina, trio elétrico, luzes diurnas de leds, acabamento interno em preto brilhante, alavanca do câmbio e volante em couro, bancos em couro/Alcantara, computador de bordo com display colorido, controle de cruzeiro, chave presencial, sensor de luz e de chuva, Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, teto solar, borboletas para trocas manuais de marchas no volante, vidros laterais e traseiros com isolante térmico, rodas de liga leve de 19 polegadas, som Bose, rádio MMI Plus com sistema de navegação, assistente de partida em aclives, freio de estacionamento elétrico, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro com visualização gráfica e sistema start/stop.
Preço: R$ 285.190.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Unindo o útil ao esportivo - Audi RS Q3 é prático, tem espaço e ainda exibe um comportamento dinâmico invejável

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 19 Aug 2015 09:07:00

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