5 de ago de 2015

Teste do Jeep Renegade Sport 1.8 Flex

Teste do Jeep Renegade Sport 1.8 Flex

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A estratégia da Jeep para o Renegade no Brasil sempre foi bem clara: fazer sucesso e rápido. Para isso, apesar da retração intensa que o mercado automotivo enfrenta, investiu alto em publicidade e começou a ampliar sua rede de concessionários no país em ritmo acelerado. Quando lançou o SUV compacto, no mês de abril, já eram 129 lojas – uma evolução considerável em relação às 45 que a marca ostentava no final do ano passado. E a meta é fechar 2015 com 200 pontos de venda. O resultado do plano de ação já pode ser conferido nos emplacamentos.. Nos quatro primeiros meses, já são mais de 10 mil unidades comercializadas, sendo 4.028 apenas em julho, de acordo com dados da Fenabrave. E a demanda do modelo – que ainda está sendo estudada pela Jeep – já aponta para que sua versão Sport 1.8 flex, a de melhor custo/benefício com propulsor bicombustível, responda por 35% de todas as vendas. Além disso, as configurações com trem de força movidas a gasolina ou etanol devem totalizar 70% da demanda.

A marca Jeep carrega uma imagem de fabricante de modelos robustos e com aptidão para aventuras “off-road”. Mas a versão Sport com motor 1.8 flex evoca a personalidade mais urbana do modelo. Principalmente por sua tração dianteira e aposta no conforto e na segurança de quem vai a bordo. Os preços confrontam os principais concorrentes no segmento de utilitários esportivos compactos: começa em R$ 71.900 com câmbio manual e parte de R$ 76.900 com a transmissão automática de seis velocidades. 

Para uma versão de entrada – posição que ocupou durante os quatro primeiros meses de venda, já que a partir de agosto a marca passará a vender também uma configuração mais barata, batizada apenas de 1.8 flex –, o Renegade Sport 1.8 sai de fábrica bem equipado. As rodas são de liga leve em 16 polegadas e há ar-condicionado, piloto automático, direção elétrica, sensor de estacionamento traseiro, freio de estacionamento elétrico, rádio com USB e Bluetooth, retrovisores, vidros e travas elétricos e alarme, além de diversos outros “mimos”. Recentemente, foi o primeiro modelo nacional a obter cinco estrelas nos testes de colisão do Latin NCAP para todos os ocupantes, incluindo crianças. E a preocupação com a segurança é comprovada na ficha técnica. O Renegade Sport tem controle de estabilidade e de tração, sistema anticapotamento, assistente de partida em rampas, alerta de limite de velocidade e de manutenção programada, cinto traseiro central de três pontos, encosto de cabeça traseiro central, ganchos de fixação de carga no porta-malas, Isofix para fixação de assentos infantis, limitador de velocidade e luz diurna. Tamanha bagagem tecnológica colabora na relação custo/benefício – que pode até não ser a melhor, mas tende a manter o Jeep pernambucano em posição de destaque na disputa pela liderança do segmento de utilitários compactos.

A Jeep acredita que pode fechar 2015 na liderança da categoria de utilitários compactos. No ranking geral, por enquanto, já é a quarta colocada. No mês passado, ficou apenas a 10% de empatar com o atual líder, o Honda HR-V, que conseguiu 4.429 exemplares vendidos. Concorrentes como Renault Duster e Ford EcoSport – que reinava no topo da lista até o ano passado – já ficaram para trás. E a tendência é que, com o crescimento da rede de concessionárias no Brasil, a fábrica inaugurada recentemente em Goiana, no interior de Pernambuco, amplie também sua capacidade de produção. Os planos são audaciosos: a pretensão é de uma média inicial de 60 mil unidades por ano. Já em 2016, esse número pode chegar a 90 mil.

Ponto a ponto

Desempenho – O 1.8 flex de 132 cv e 19,1 kgfm, de origem Fiat e tração dianteira, entrega um desempenho correto tanto na cidade quanto na estrada. Não há qualquer sobra para mover os 1.440 kg da versão e o Renegade começa mesmo a responder às pisadas no acelerador depois das 3.200 rotações. Ultrapassagens e retomadas exigem reduções bruscas de marchas, mas o câmbio automático de seis velocidades trabalha em bom equilíbrio com o motor, facilitando a vida do motorista. O zero a 100 km/h em 11,5 segundos e a velocidade máxima de 181 km/h com etanol no tanque são bons, levando-se em consideração o peso do Renegade Sport 1.8. Nota 7. Estabilidade – As rolagens de carroceria aparecem, mas são controladas. A direção tem bom peso e, por mais sinuoso que seja o caminho, o Jeep Renegade Sport se sai bem. O controle eletrônico de estabilidade ainda conta com sistema ERM (Electronic Roll Mitigation), que detecta o risco potencial de capotamento do veículo e intervém na força de frenagem. Nota 9.

Interatividade – São muitos os comandos no volante e painel, mas basta alguma convivência com o modelo para que tudo seja decifrado. A câmara de ré – parte do pacote opcional de multimídia – ajuda as manobras de estacionamento e o volante e a alavanca da transmissão automática da unidade testada têm boa pegada. Nota 8Consumo – O Inmetro avaliou o Jeep Renegade Sport 1.8 flex em seu Programa Brasileiro de Etiquetagem e o SUV registrou médias de 6,7/9,6 km/l na cidade e 7,4/10,7 km/l na estrada com etanol/gasolina no tanque. O resultado foi nota B em sua categoria e C no geral, com 2,18 MJ/km de consumo energético. Nada mau para um carro com quase 1,5 toneladas de peso. Nota 7.

Conforto – O isolamento acústico é bom e o espaço, suficiente para que quatro pessoas viajem sem apertos. A suspensão absorve com competência eventuais falhas no piso, mas os bancos não são tão aconchegantes na versão de entrada do Renegade. Nota 7. Tecnologia – A plataforma do Renegade usa como base a mesma do Fiat 500X, mas com ajustes que aperfeiçoaram, entre outras coisas, sua rigidez torcional. O SUV é recheado de tecnologias, como controle eletrônico de estabilidade e tração, sistema anticapotamento, direção elétrica, cruise control, freio de estacionamento elétrico e hill assist, entre outras. Nota 8.
Habitabilidade – A posição para dirigir é boa e o espaço, bem aproveitado. O número de porta-trecos é suficiente para levar tudo que precisa estar mais à mão do motorista e, apesar de um pouco alto, não é necessário muito esforço para entrar ou sair do Jeep. Em compensação, o porta-malas decepciona: leva apenas 260 litros, menor que alguns hatches de entrada vendidos no Brasil. Nota 7. Acabamento – Neste quesito, o Renegade Sport mistura elementos que transmitem qualidade com uma personalidade mais bruta. Os encaixes são perfeitos e, apesar do “aroma” característico da Fiat em seu interior, o modelo se mostra um Jeep levemente popularizado. Seu volante bastante similar ao da Cherokee e outros pequenos toques característicos dos modelos da marca refinam o jipinho. Nota 9.
Design – Apesar das formas mais quadradas e retangulares, o SUV compacto pernambucano tem um aspecto jovial e moderno. As lanternas traseiras com luzes que formam um X são charmosas, assim como os faróis redondos que ajudam a compor uma imagem mais robusta à dianteira. Nota 9. Custo/benefício – O Renegade Sport começa em R$ 71.900 e passa a R$ 76.900 com transmissão automática de seis velocidades. Com central multimídia com tela de cinco polegadas, Bluetooth, USB e GPS, teto solar elétrico e panorâmico, retrovisores externos dobráveis eletricamente, porta-objetos sob o banco do passageiro, banco do passageiro dobrável, tomada de 12 V no porta malas, tomada de 127 V e lanterna removível, chega a R$ 89.450.  Um Honda HR-V não tem teto solar, que é opcional no Renegade Sport por R$ 6.700,  e, equipado à altura, sai a R$ 90.700 – com airbags laterais a mais. Um Renault Duster Dynamique 2.0 completo é R$ 75.290, mas não tem controle eletrônico de tração e de estabilidade e nem teto solar. Um Ford EcoSport Titanium 2.0 tem seis airbags e chave presencial, por R$ 87.400, mas não tem GPS. Nota 7. Total – O Jeep Renegade Sport 1.8 flex somou 78 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Para uma versão de entrada, o Renegade Sport 1.8 flex causa uma primeira impressão bem interessante. O interior é agradável, com plásticos aparentemente de boa qualidade e uma atmosfera aconchegante. Não há revestimentos em couro nos bancos ou o uso de materiais mais nobres em seu habitáculo, mas o conjunto está longe de fazer feio. A parceria com a Fiat se torna extremamente presente principalmente no aroma que exala dos plásticos. Quem já dirigiu um modelo novo da fabricante italiana conhece bem.  De maneira geral, o interior é muito bem resolvido. Os comandos ficam posicionados de forma bastante equilibrada e a leitura de todos é extremamente simples. A central multimídia opcional com tela de cinco polegadas tem utilização intuitiva e conta com GPS, o que facilita a rotina de quem anda nas grandes metrópoles. A visibilidade é boa tanto à frente quanto atrás e a câmara de ré - que faz parte do pacote de entretenimento, a R$ 4.600, deixa as manobras de estacionamento ainda mais fáceis.
O motor 1.8 flex de 132 cv com etanol se sai razoavelmente bem. Não impressiona, mas proporciona arrancadas boas e entrega seu melhor acima dos 3.500 giros. Não adianta esperar muito vigor sem esgoelar o propulsor. Qualquer ultrapassagem ou retomada demanda reduções de marchas. E, nesses momentos, a transmissão automática de seis velocidades cumpre bem seu papel, comportando-se de maneira totalmente sintonizada com as pisadas no acelerador. Basta carregar com vontade o pedal para que as trocas privilegiem quase instantaneamente as rotações mais altas.  O espaço interno é bom para passeios curtos ou longos. Quatro ocupantes se acomodam bem e um quinto elemento, dependendo da estatura, não dificulta tanto o conforto na cabine. Mesmo quem é mais alto não sofre diante do formato retangular da carroceria do Renegade. Mas longas viagens em família podem evidenciar uma das principais desvantagens do Renegade na comparação com os concorrentes diretos: a baixa capacidade de carga do porta-malas. São apenas 260 litros. Só para se ter uma ideia, um Fiat Uno é capaz de levar 280 litros, enquanto um Renault Duster transporta 475 litros. Ou seja, até levar um carrinho de bebê pode se transformar em uma situação incômoda no Jeep Renegade.

Ficha técnica

Jeep Renegade Sport 1.8 flex

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.747 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco ou automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência: 130 cv com gasolina e 132 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 18,6 kgfm com gasolina e 19,1 kgfm com etanol a 3.750 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 10,8 segundos com gasolina e 10,2 s com etanol com transmissão manual. 12,6 segundos com gasolina e 11,5 com etanol com transmissão automática.
Velocidade máxima: 180 km/h com gasolina e 182 km/h com etanol com câmbio manual e 179 km/h com gasolina e 181 km/h com etanol com câmbio automático.
Diâmetro e curso: 80,5 mm x 85,8 mm.
Taxa de compressão: 12,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais. Traseira independente do tipo McPherson, links transversais/laterais, barra estabilizadora, amortecedores, hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais.  Controle eletrônico de estabilidade e sistema anticapotamento. 
Pneus: 215/65 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e assistente de partida em rampas. 
Carroceria: Utilitário compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,23 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,66 m de altura e 2,57 m de entre-eixos. Airbags frontais de série.
Peso: 1.393 kg (câmbio manual) e 1.432 kg (transmissão automática).
Capacidade do porta-malas: 260 litros (1.300 litros com bancos rebatidos).
Tanque de combustível: 60 litros.
Lançamento mundial: 2014.
Lançamento no Brasil: 2015.
Produção: Goiana, Pernambuco.
Itens de série: Rodas de liga leve em 16 polegadas, ar-condicionado, piloto automático, direção elétrica, sensor de estacionamento traseiro, controle de estabilidade, faróis e lanterna traseira de neblina, freio de estacionamento elétrico, rádio com USB e Bluetooth, retrovisores, vidros e travas elétricos, alarme, volante com ajustes de altura e profundidade, alerta de limite de velocidade e manutenção programada, apoia-braço com porta objetos, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido 60/40 e rebatível, bolsa porta-objetos atrás dos bancos dianteiros, chave canivete com telecomando, cinto traseiro central de três pontos, volante multifuncional, computador de bordo, controle eletrônico anti-capotamento, controle de tração, encosto de cabeça traseiro central, ganchos de fixação de carga no porta-malas, assistente de partida em subidas, Isofix para fixação de assentos infantis, limitador de velocidade, luz diurna, luz de setas nos retrovisores e tomada 12V.
Preço: R$ 71.900
Opcionais da versão testada: câmbio automático de seis marchas, central multimídia com tela de 5 polegadas touchscreen, Bluetooth, USB, sistema de reconhecimento de voz, navegação GPS e câmara de ré, volante com acabamento em couro com controles de áudio e Bluetooth, teto solar panorâmico, retrovisores externos dobráveis eletricamente, porta-objetos sob o banco do passageiro, banco do passageiro dobrável, tomada de 12V no porta-malas, tomada de 127 V e lanterna removível no porta-malas. 
Preço completo: R$ 89.450.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Fórmula anti-crise - Bom recheio tecnológico e preço competitivo fazem do Jeep Renegade Sport 1.8 Flex um sucesso de vendas

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 05 Aug 2015 09:42:00

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