14 de abr de 2016

Teste do novo Volkswagen Gol Comfortline 1.0

Teste do novo Volkswagen Gol Comfortline 1.0

A Volkswagen até planejou a saída do Volkswagen Gol da liderança nacional quando lançou o Up!, no início de 2014. Mas a ideia era que as vendas de um se transferissem para o outro, o que não aconteceu. Foram dois anos de posições menos nobres no ranking para a marca promover, em fevereiro de 2016, uma reestilização no Gol que foi além do “tapa no visual”. O compacto agora adota o moderno e econômico motor 1.0 de três cilindros da marca em todas as versões e, de quebra, ainda garantiu um patamar acima para a versão Comfortline 1.0: além do trem de força vigoroso, a configuração pode receber boa dose de conectividade com opcionais de centrais multimídias que incluem até espelhamento de celulares. Algo relativamente raro em modelos com motorização tão baixa.

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Mesmo quem não opta por esses equipamentos conta com um sistema de som com Bluetooth e ainda pode pagar à parte por um suporte para celular, instalado no topo e ao centro do painel. Ele permite deixar o smartphone em posição mais interativa e facilita o uso de aplicativos que auxiliam o trabalho do motorista. Por dentro, a transformação inclui painel modernizado e acabamento melhorado com mistura de tons e apliques brilhantes.

Por fora, a mudanças foram sutis, mas incorporaram um ar mais contemporâneo à linha. Os conjuntos óticos frontais foram redesenhados e receberam linhas mais angulosas. A grade também é nova, assim como os para-choques, que destacam as linhas horizontalizadas. De perfil, um novo vinco lateral contorna quase toda a carroceria e transmite uma ideia de largura ampliada. Já a traseira foi mais mexida. As lanternas cresceram e ganharam um aspecto tridimensional, também destacando os traços horizontalizados. A tampa traseira tem estilo mais retilíneo, com duas linhas que se conectam com o interior das lanternas e o vidro ganhou formato mais plano.

A mudança mais impactante vem embaixo do capô. No lugar do antigo 1.0 quatro cilindros, agora o Gol adota o 1.0 12V de três cilindros, que a marca utiliza em toda a sua gama a partir deste ano. São 82 cv e 10,4 kgfm máximos com etanol no tanque e se trata de um dos mais eficientes do segmento. Isso, sem dúvida, aumenta o poder de atração do carro. As vendas de todas as versões já mostraram isso em março, primeiro mês cheio de emplacamentos da linha 2017. Foram 5.296 comercializações, contra as cerca de 3.900 que registrou na média do primeiro bimestre de 2016. 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.0 de três cilindros empurra o Volkswagen Gol com boa desenvoltura. A impressão é de que se trata de um propulsor maior. O bom torque de 9,7 kgfm com gasolina e 10,4 kgfm  com etanol só aparece entre 3 mil e 3.800 rpm, mas a sensação é de que a maior parte dele já surge bem antes. Não há falta de força nos pisos planos e retomadas e ultrapassagens são feitas com eficiência. Nota 8. Estabilidade – O Gol não é um modelo que expresse esportividade em suas versões de entrada. Ele até mantém as quatro rodas bem presas ao chão, mesmo em curvas mais fechadas. Mas convém evitar abusos, até porque essa nem é a proposta da versão Comfortline 1.0. Nota 8. Interatividade – As mudanças deixaram o interior mais bonito, mas não mexeram com o lado funcional do Gol. O painel é simples, com poucos comandos. Mas tem tudo que é preciso para informar o motorista durante as viagens. E tudo bem à mão do condutor, de uso intuitivo. Há até um suporte opcional que comporta celulares de diversos tamanhos e facilita bastante a vida do motorista. Nota 8.

Consumo – No Programa de Etiquetagem do InMetro não consta avaliação do Volkswagen Gol com motor 1.0 12V. Nota 7. Conforto – O Gol é um carro simples e que não privilegia tanto o espaço interno. Quatro pessoas de estatura média se acomodam relativamente bem, mas um passageiro mais alto ou com pernas mais compridas pode sofrer apertos atrás. A suspensão é firme a ponto de não absorver boa parte dos impactos causados pelos desníveis nas ruas brasileiras. E o isolamento acústico deixa um pouco a desejar quando seu motor trabalha em rotações altas – mas nada tão incômodo assim. Nota 7. Tecnologia – A plataforma é, na verdade, uma simplificação da utilizada pela quarta geração do Volkswagen Polo, que já tem 15 anos de vida. O motor três cilindros de 1.0 litro, porém, é moderno, potente e extremamente econômico. A lista de itens de série e opcionais contempla alguns equipamentos interessantes, como central multimídia que espelha celulares – não incluída na unidade testada. Nota 8.

Habitabilidade – Há espaço para garrafas e outras coisas nos bolsões das portas e porta-trecos. De maneira geral, é fácil acomodar carteira, celular e chaves, por exemplo. O porta-malas leva bons 285 litros. Nota 8. Acabamento – Há plásticos por toda a parte, mas de qualidade razoável. Não há folgas aparentes nos encaixes. Mas não são materiais de toque agradável. Nesse ponto, a Volkswagen nunca foi uma grande referência. Principalmente na faixa de preços em que o Gol atua. Nota 6. Design – A reestilização aproximou o Gol da nova identidade visual da Volkswagen, sem dúvida. Mas não tirou dele as formas já cansadas e batidas do hatch compacto. Não se trata de um design muito atraente ou surpreendente. A sensação de “déjà vu” é inevitável. Nota 6.
Custo/benefício – A Volkswagen cobra R$ 42.690 pelo Gol Confortline 1.0, mas ele chega a R$ 46.330 na unidade testada, completo sem central multimídia ou volante multifuncional. Ele é o hatch compacto de marca generalista mais caro nesta configuração, chegando a custar 10% a mais que alguns concorrentes diretos. Um Renault Sandero Expression 1.0, com central multimídia e até GPS, por exemplo, sai por R$ 44.250. A vantagem do Gol é, sem dúvida, o motor moderno e eficiente de três cilindros. Nota 6. Total – O Volkswagen Gol Comfortline 1.0 somou 72 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Basta entrar no Gol Comfortline para perceber que a Volkswagen aumentou o cuidado com o acabamento das versões de entrada do hatch compacto. Os plásticos duros ainda estão lá, e por toda parte, mas um ou outro revestimento aparentemente menos agressivo, em comparação com o que se encontrava antes no modelo, já cria boa impressão. Uma característica, porém, foi mantida: a racionalidade. Tudo parece pensado para simplificar e garantir a facilidade do motorista na hora de conduzi-lo.
De cara, um objeto bem simples seduz os amantes da tecnologia. O suporte opcional para celulares é prático e situado em posição que contribui bastante para o uso de aplicativos de mapas pelo smartphone, como o popular Waze, por exemplo. Principalmente quando não se opta pela central multimídia com tela touch, caso da unidade avaliada.
Mas um dos avanços mais proveitosos da recente reestilização do Gol foi mesmo a adoção do motor de três cilindros já utilizado anteriormente pelos hatches Fox e Up. O propulsor é valente o suficiente para, em comparação com o quatro cilindros anterior, não parecer ter o mesmo tamanho. Dificilmente ele decepciona nas arrancadas, ultrapassagens e retomadas. Até as subidas de ladeiras são feitas com bem mais vigor do que normalmente se espera de um 1.0.
O compacto enfrenta curvas em velocidades altas com certo equilíbrio e suavidade. As rolagens e carroceria até aparecem, mas não chegam a intimidar o condutor. Porém, não convém abusar demais de um modelo que não foi pensado e nem preparado para entregar grande esportividade. Tanto que os aparatos de segurança não fogem ao padrão estabelecido pela lei brasileira. A suspensão é a típica da Volkswagen, firme e eficiente. Mas com uma absorção de impactos que deixa um pouco a desejar. Encarar a buraqueira das ruas brasileiras resulta em certo desconforto.

Ficha técnica

Volkswagen Gol Comfortline 1.0

Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 82 e 75 cv a 6.250 rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 10,4 e 9,7 kgfm entre 3 mil e 3.800 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,3 segundos.
Velocidade máxima: 170 km/h.
Diâmetro e curso: 74,5 mm X 76,4 mm.
Taxa de compressão: 11,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. Traseira interdependente com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores pressurizados. Não tem controle eletrônico de estabilidade. 
Pneus: 195/55 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD de série.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 3,90 metros de comprimento, 1,66 m de largura, 1,47 m de altura e 2,47 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 901 kg.
Capacidade do porta-malas: 285 litros.
Tanque de combustível: 55 litros.
Produção: São Bernardo do Campo, São Paulo.
Itens de série: Alerta de frenagem de emergência, 4 alto-falantes e 2 tweeters, alças de segurança no teto, ar-condicionado, banco do motorista com ajuste de altura, banco traseiro com encosto rebatível, chave tipo “canivete”, cintos de segurança dianteiros com pré-tensionador, limitador de carga e regulagem de altura, coluna central externa com aplique preto, computador de bordo, desembaçador do vidro traseiro, direção hidráulica, espelhos retrovisores e maçanetas das portas na cor do veículo, espelhos retrovisores externos com luzes indicadoras de direção, faróis de neblina, faróis com máscara escurecida, frisos laterais na cor do veículo, iluminação no porta-malas, brake light, porta-revistas nos encostos dos bancos dianteiros, retrovisores com comando interno manual, rodas de aço aro 15", sistema de som com bluetooth, MP3 e entradas USB, SD-card e AUX-IN, tampa do porta-malas com abertura elétrica e tomada 12V no console central.
Preço: R$ 42.690.
Opcionais da unidade avaliada: sistema de alarme com comando remoto, sensores de estacionamento traseiros, luzes de leitura traseiras, espelhos retrovisores externos eletricamente ajustáveis com função tilt-down no lado do passageiro, suporte para celular, rodas de liga leve, travamento elétrico das portas e vidros traseiros elétricos.
Preço completo: R$ 46.330.

Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Evolução racional - Volkswagen Gol Comfortline 1.0 aposta na praticidade e entrega eficiência acima da média

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 13 Apr 2016 13:20:00

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