29 de out de 2015

Teste do Fiat Freemont Precision

Teste do Fiat Freemont Precision

Ao longo de sua história, a Fiat sempre se destacou com seus carros compactos. Porém, a incorporação do grupo Chrysler – dono das marcas Jeep, Dodge e RAM – e o crescimento da demanda global de utilitários esportivos mudou um pouco o espectro de modelos da marca italiana. A Fiat aproveitou o “know-how” das fabricantes americanas, “experts” em tecnologia “off-road” e carros grandes, para lançar, em 2011, o Freemont – primeiro fruto da fusão que depois se tornou a atual Fiat Chrysler Automobiles a desembarcar por aqui. O mais recente exemplo desta holding ítalo-americana fica por conta do badalado Jeep Renegade. No Brasil, o Fiat Freemont é comercializado em duas versões. A de entrada é a Emotion – com cinco lugares – e a topo de linha é Precision, que busca unir espaço, conforto e capacidade para até sete passageiros para se destacar como um veículo familiar de respeito.

De janeiro a setembro deste ano, o Fiat Freemont emplacou 1.253 unidades – média mensal de 125 unidades –, e a versão Precision, responde por 95% do share de vendas. Nesta variante, o Freemont tem preço inicial de R$ 119.900 – R$ 10.400 mais caro que a versão de entrada –, e vem com o melhor que o modelo pode oferecer, desde sete lugares até itens tecnológicos e mimos para conforto. Para justificar o valor inicial, o SUV vem com sistema keyless – partida através de botão –, bancos dianteiros elétricos, ar-condicionado três zonas com saídas de ventilação para passageiros traseiros e tela multimídia de 8,4 polegadas “touch” com funções de áudio, telefonia, GPS e Bluetooth. Na área da segurança, estão presentes os airbags frontais, laterais e de cortina, freios ABS com EBD, controles eletrônicos de tração e estabilidade e câmara de ré com sensor de estacionamento traseiro. A configuração topo de linha dispõe também dos opcionais bancos aquecíveis revestidos parcialmente em couro, teto solar e rodas de liga leve aro 19, que ao serem adicionados elevam o preço do SUV para R$ 130.890.

Dentro da cabine, o maior destaque fica por conta do generoso espaço interno, mesmo com disposição para sete lugares, gerado pelas suas amplas dimensões – 4,88 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,75 m de altura e 2,89 m de distância entre-eixos. O painel possui acabamento em plásticos agradáveis ao toque de tonalidade preta que entram em contraste com o revestimento dos bancos e laterais das portas em couro bege. O painel possui uma linha curva prata que engloba alguns botões, e logo acima encontra-se a tela da central multimídia “touch” de 8,4 polegadas com funções de GPS, áudio e telefonia. Há molduras nas saídas de ar, botões, em alguns porta-objetos e na alavanca de câmbio. O volante é multifuncional, e no quadro de instrumentos entre o conta-giros e velocímetro existe uma pequena tela com informações do computador de bordo.

O modelo é uma “versão Fiat” do Dodge Journey, presente no país desde 2008, com o qual compartilha plataforma, tecnologia e carroceria. A principal diferença está na motorização. Enquanto o Dodge Journey é impulsionado pelo motor seis cilindros de 3.6 litros e 280 cv, o Fiat Freemont carrega o motor de 2.4 litros de 172 cv de potência. Junto com o propulsor, trabalha sempre uma caixa de transmissão automática de seis velocidades com opção de trocas manuais no câmbio, que substituiu a antiga de quatro marchas em 2013. A força gerada pelo bloco será sempre distribuída para as rodas dianteiras. O design é bem semelhante. As linhas sóbrias e robustas permanecem, tendo como principal diferença a grade dianteira, que no carro assinado pela marca italiana é composta por duas barras prateadas com a logo Fiat, e as lanternas traseiras, de desenho idêntico, porém com disposição de luzes diferentes. Na visão de perfil, destacam-se as rodas aro 17 e o rack de teto. Apesar das adaptações providenciadas pelos designers italianos, o Freemont é sem dúvida o Fiat com menos cara de Fiat que se teve notícia.

Ponto a ponto

Desempenho – Por ser um carro familiar para sete ocupantes e mais de 1.800 kg, este quesito não é o ponto forte do modelo. Arracandas e retomadas são um pouco lentas. O motor 2.4 litros de 172 cv e 22,5 kgfm de torque junto com a transmissão de seis velocidades impulsiona o carro de maneira correta, sem exageros ou faltas. O zero a 100 km/h é realizado em 12,9 segundos. Nota 6. Estabilidade – Embora seja alto, comprido e pesado, o utilitário em nenhum momento passa a sensação de insegurança. A carroceria rígida e as rodas aro 17 calçadas por pneus 225/65 auxiliam bastante em curvas. Em retas, o modelo se comporta de modo agradável. Em caso de qualquer exagero, os controles eletrônicos estão presentes. Nota 8. Interatividade – Na configuração topo de linha Precision, o Freemont conta com uma tela touchscreen de 8,4 polegadas com inúmeras funções – áudio, Bluetooth, telefonia, GPS e outras. Os demais comandos, localizados no volante ou na parte central-inferior do painel são de fácil acesso e manuseio. Os retrovisores externos parrudos, junto com a altura do veículo, favorecem visibilidade – a retrovisão só fica ligeiramente comprometida caso a terceira fileira de bancos esteja montada. A transmissão responde de maneira agradável às pisadas no acelerador. Nota 8. Consumo – O modelo apresentou nota D no comparativo de sua categoria e no geral, após registrar média de 7,1/10,7 km/litro em trecho urbano e rodoviário respectivamente pelo programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro. Nota 5.

Conforto – Sem nenhuma dúvida, o ponto forte do modelo. Os bancos são bem macios e revestidos em couro. Passageiros da primeira e segunda fileira contam com amplo espaço para pernas, joelhos e cabeça. Na terceira fileira, apenas crianças ou adultos de baixa estatura podem viajar tranquilamente. A suspensão é macia e não transmite de modo áspero as imperfeições das vias brasileiras. O isolamento acústico não deixa a desejar, mas, se pisar um pouco mais fundo, a partir dos 3.500 rpm pode incomodar um pouco. Nota 9. Tecnologia – O modelo não esbanja recursos tecnológicos, mas também não faz feio. O principal destaque fica por conta da central multimídia touchscreen de 8,4 polegadas no centro do painel. A transmissão de quatro velocidades deixou de ser utilizada em 2013 para ser substituída pela atual de seis marchas. Outros destaques ficam por conta do ar-condicionado de três zonas com saídas e ajustes de temperaturas para passageiros traseiros, regulagem elétrica para banco do motorista, sistema de monitoramento de pressão dos pneus e controles eletrônicos de estabilidade e tração. Nota 7. Habitabilidade – Como carro familiar, o utilitário cumpre bem essa tarefa. Há diversos porta-trecos para passageiros dianteiro e traseiros, e saídas de ar no teto ajudam a ninguém se sentir sufocado. Os bancos podem ser facilmente rebatidos ou levantados. Entrar e sair do veículo é fácil devido ao grau de abertura das portas. A segunda fileira de bancos pode ter a parte central dos assentos elevada para posicionar corretamente crianças entre 4 e 8 anos. A capacidade do porta-malas varia entre 145 e 2.301 litros. Nota 9. Acabamento – O Fiat Freemont Precision é o Fiat mais bem acabado, graças à “herança” do Dodge Journey. O painel é composto por plásticos agradáveis ao toque, de tonalidade preta, com uma linha curva de alumínio na cor prata ao centro. As portas e bancos revestidos em couro bege transmitem ar de refinamento. Nota 9.
Design – O utilitário da Fiat é uma adaptação do Dodge Journey, comercializado por aqui desde 2008. Isso faz com que o visual se torne um pouco cansativo, sem grandes atrações. Além disso, o estilo escapa completamente do padrão de design italiano da Fiat. Nas ruas, o carro se mostra imponente devido ao seu porte – 4,88 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,75 m de altura. Seu “jeitão” familiar com uma pitada de crossover não compromete. A frente parruda com faróis levemente agressivos interligados por duas linhas cromadas são agradáveis. As lanternas traseiras com luzes de leds passam certa dose de modernidade. Nota 7. Custo/Benefício – O Fiat Freemont Precision começa em R$ 119.900, e pode chegar até R$ 130.890 com todos os opcionais. O Toyota Hillux SW4  tem valor inicial em R$ 139.400 com motor a gasolina de 2.7 litros de 163 cv e transmissão automática de 4 marchas. Quando equipado com motor diesel 3.0 litros de 171 cv, câmbio automático de 5 velocidades e tração integral o valor sobe para R$ 210 mil. O Hyundai Santa Fé com 7 lugares e motor V6 3.3 litros de 270 cv e transmissão automática de seis velocidades custa R$ 192.990. O Dodge Journey começa em R$ 124.900 na versão SXT e chega a R$ 144.900 na configuração topo de linha R/T AWD de tração integral e motor V6 3.6 litros de 280 cv e câmbio automático de seis marchas. O Chevrolet Trailblazer custa R$ 160.890 quando equipado com motor V6 de 3.6 litros e 277 cv e R$ 188.790 com motor turbodiesel de 2.8 litros e 200 cv, ambos com câmbio automático de seis marchas e seletor de tração. Todos os modelos dispõem de listas de equipamentos de série similares. Nota 5. Total – O Fiat Freemont Precision somou 73 pontos de 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Fiel às origens

Embora esteja no mercado brasileiro há algum tempo, o Fiat Freemont ainda chama certa atenção por onde passa. Normalmente surpreende muita gente por se tratar de  um Fiat. A sensação de não ser o que normalmente se espera de da marca italiana prevalece dentro da cabine, onde o modelo transmite um nível de sofisticação incomum aos modelos da Fiat – pelo menos aos disponíveis no mercado brasileiro, onde quase as suas vendas são no segmento de compactos. A posição de dirigir é facilmente encontrada devido à regulagem de altura e profundidade do banco e volante. Este último possui boa pegada e movimentos leves, ainda mais quando se trata de um veículo com mais de 1.800 kg. Os comandos no volante também são de fácil manuseio, assim como os da tela multimídia de 8,4 polegadas, com funções de áudio, Bluetooth, telefonia, câmera de ré e outras. Em ação, o utilitário mantém a bordo a questão conforto. A suspensão é bem macia, e embora o modelo seja robusto, não chega a chacoalhar após passar por lombadas e buracos. Suas dimensões proporcionam conforto em demasia, embora no quesito desempenho não possa ser dito o mesmo. Arrancadas e retomadas são um pouco demoradas, algo que faz falta em trechos urbanos. Em vias menos movimentadas com velocidades maiores e constantes, o SUV se sai bem. O cambio automático de seis velocidades junto com o motor 2.4 litros de 172 cv trabalham de forma tranquila, sem abusos nem carências. Para obter maior desempenho, é necessário rodar com rotações mais elevadas, já que a potência e torque máximo só aparecem em 4.500 e 6 mil rpm, respectivamente. Porém, ao explorar o acelerador de forma mais rigorosa, o som emitido pelo motor começa a dar as caras. As opções para troca de marcha de modo manual no alavanca do câmbio são bem simples e agradáveis, e assim como no modo para trocas automáticas, não chegam a “soluçar” de maneira desagradável. No aspecto geral, o Fiat Freemont atende bem sua proposta de carro familiar, espaçoso e confortável, bem dotado de características para um passeio.

Ficha técnica

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.360 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote e duplo comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 172 cv a 6 mil rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 12,9 segundos.
Velocidade máxima: 190 km/h.
Torque máximo: 22,5 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 88 mm X 97 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com rodas independentes, braços oscilantes, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo Multilink, com barra estabilizadora e molas helicoidais. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 225/65 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e sete lugares. Com 4,88 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,75 m de altura e 2,89 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e do tipo cortina de série na versão.
Peso: 1.849 kg.
Capacidade do porta-malas: 145 litros. Com rebatimento da segunda e terceira fileira de bancos: 2.301 litros.
Tanque de combustível: 77,6 litros.
Produção: Toluca, México.
Itens de série: seis alto-falantes, segunda fileira de bancos com dois assentos reguláveis para crianças, terceira fileira com bancos bipartidos 50/50 com inclinação de encosto, rodas de liga leve aro 17, sete lugares, freios ABS, EBD e BAS, seis airbags, ar-condicionado automático digital de três zonas, volante com regulagem de altura e profundidade revestido em couro com comandos do rádio, computador de bordo e piloto automático, vidros, travas e retrovisores elétricos com rebatimento, tapetes dianteiros e traseiros em carpete, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, sensor de estacionamento, câmara de ré, sensor de chuva e luminosidade, maçanetas e retrovisores na cor do veículo, faróis com regulagem elétrica, faróis de neblina, rádio/CD/MP3/USB/AUX/Bluetooth com tela sensível ao toque de 8,4 polegadas, controle eletrônico de estabilidade e tração, cruise control.
Preço inicial: R$ 119.900.
Itens opcionais: Teto solar, bancos revestidos em couro com aquecimento, rodas de 19 polegadas.
Preço do completo: R$ 132.840.
Autor: Raffaele Grosso (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Familiar com “F” maiúsculo - Com conforto para até sete pessoas, Freemont Precision ocupa o posto de topo de linha da Fiat

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 29 Oct 2015 11:30:00

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