12 de nov de 2014

Teste do Renault Fluence 2015

Teste do Renault Fluence 2015

As vendas de sedãs médios, que representam 8% do mercado brasileiro de automóveis, podem ser divididas em três partes de tamanhos similares: Toyota Corolla, Honda Civic e o resto. Nesse resto estão uma dezena de modelos, muitos com função de “topo de linha” de marcas generalistas. Entre eles, Chevrolet Cruze – que chega renovado em dezembro –,  Ford Focus, Nissan Sentra, Volkswagen Jetta, Citroën C4 Lounge, Peugeot 408 e Renault Fluence. Para tentar se destacar desse grupo e se aproximar dos líderes, a marca do losango começa a vender em dezembro o modelo 2015 de seu sedã. O novo Fluence incorpora o design frontal característico dos Renault mais recentes e também equipamentos de conectividade mais modernos e funcionais. Com esses ajustes, a marca planeja retomar o patamar de 1.100 unidades vendidas mensalmente em 2013 – e até superá-lo. Em 2014, com o sedã produzido na Argentina já com seu face-lift anunciado, as vendas despencaram para 400 emplacamentos/mês.  Se conseguir voltar à faixa acima das mil unidades mensais, o Fluence retorna à briga pela terceira posição no segmento. Ou seja, fica atrás dos aparentemente inamovíveis Corolla e Civic. Todos os concorrentes dos dois líderes padecem de um problema parecido. Quando pensa em sedã médio, o consumidor brasileiro parece sofrer de uma certa preguiça de buscar opções que fujam dos óbvios Corolla e Civic, que conquistaram fama de confiabilidade mecânica e de preservarem bom valor na revenda. O Cruze chegou a atingir boas vendas, assim como o C4 Lounge, o Focus e o Sentra. Mas nenhum conseguiu ser visto durante muito tempo como uma “terceira via” entre os sedãs médios no Brasil. Para se consolidar nesse posto, a Renault aposta na confiabilidade do conjunto e no visual elegante do novo Fluence.

Em termos estéticos, o novo Fluence traz poucas mudanças em relação ao anterior. A grade segue o estilo atual da Renault, com o losango mais proeminente. O para-choque ganhou um filete de leds com luzes diurnas. Os leds aparecem nas luzes de setas na carenagem do retrovisores e, na versão Privilège, também nas lanternas traseiras. E as rodas ganharam novos desenhos. Externamente é só. Apesar de sutil, a evolução do design permite que o médio deixe de parecer antiquado quando colocado ao lado dos Renault mais recentes, como Logan e Sandero. No interior, os bancos de couro ganharam acabamento que remete ao estilo “capitonê”, para aumentar a percepção de sofisticação. Mas as mudanças mais notáveis estão à frente do motorista. O painel digital que equipava a versão GT agora é padrão em toda a linha Fluence. Porém o inegável destaque do habitáculo é o novo sistema multimídia R-Lynk, com GPS integrado. A tela agora é touch e o sistema incorpora comandos de voz para o telefone e Eco Drive, que atribui pontos conforme a condução.

Se o design pouco mudou, a mecânica mudou menos ainda. O motor permanece exatamente o mesmo do modelo anterior – 2.0 16V Hi-Flex com 140 cv – gasolina – e 143 cv – etanol – a 6 mil rpm e 19,9 kgfm a 20,3 kgfm de torque, sempre a 3.750 giros. Juntamente com o câmbio CVT X-Tronic, repete o mesmo trem de força adotado no Nissan Sentra. Até o datado tanquinho de gasolina para partida a frio nos motores flex, já abolido nos propulsores mais recentes, permanece sob o capô do Fluence. Também não houve alterações na suspensão. Às vezes, a ausência de mudanças é bem-vinda. Nas versões Dynamique e Dynamique CVT, as mais básicas do Fluence 2015, os valores cobrados permanecem iguais aos da versão 2014. A Dynamique manual custa os mesmos R$ 66.890 e a com CVT ficou em idênticos R$ 71.890. A nova versão Dynamique CVT Plus, que incorpora multimídia e bancos em couro, sai por R$ 74.890. A “top” Privilège fica em R$ 82.990 e transformou em itens de série os opcionais do modelo anterior, como teto solar e farois de xenon. A versão GT ficou para depois, mas chega em breve. Com a renovação do Fluence, a Renault espera que seu sedã médio se firme na memória do consumidor como uma opção atraente. E consiga arrebatar uma das posições mais duramente disputadas do mercado brasileiro: o de terceiro sedã médio mais vendido do país.

Ponto a ponto

Desempenho – A potência de 143 cv e o torque de 20,3 kgfm do motor 2.0 16V dão conta de mover o Fluence com a necessária destreza. O câmbio CVT não gera trancos, mas quem sente falta deles tem a opção de acionamento manual sequencial de seis marchas simuladas na manopla – em um câmbio continuamente variável, as marchas não mudam e a transmissão varia de forma progressiva, conforme a demanda. O trem de força é elástico e dá conta do recado. Sem rompantes de grande esportividade, mas com eficiência. Nota 8Estabilidade – O Fluence vem com uma suspensão macia. Nas curvas fechadas, a carroceria tende a rolar, de forma discreta. Mas os controles de estabilidade e de tração são de série na versão Privilège e ajudam a reparar eventuais “presepadas” do motorista. Nas frenagens bruscas, a percepção de estabilidade é ressaltada pelo ABS com assistência de frenagem de urgência – AFU – e distribuição eletrônica de frenagem – EBD. Nota 7. Interatividade – Os ajustes do banco do Fluence são eficientes e não é muito difícil achar uma boa posição de dirigir. O câmbio CVT continua a oferecer a opção de trocas manuais na alavanca, com 6 marchas simuladas. Mas a grande evolução desse modelo 2015 surge no sistema multimídia. A utilização está bem mais simples e intuitiva que na versão anterior. Além disso, os recursos de conectividade e as opções de informações oferecidas – como a câmara de ré integrada – foram bastante aperfeiçoados. Nota 8.

Consumo – Segundo o InMetro, o Fluence com CVT consome 6,0 km/l na cidade e 8,1 km/l com etanol e  9,1 km/l na cidade e 12,0 km/l na estrada com gasolina. Consumo energético de 2,20 MJ/km e classificação C no segmento e C geral. Durante o teste, em trajeto predominantemente rodoviário, o Renault Fluence Privilège testado obteve a média de 8 km/l, com etanol. Nota 6. Conforto – Sempre foi um dos pontos fortes do Fluence. A suspensão macia faz que as irregularidades da pavimentação sejam superadas sem grandes solavancos. O câmbio CVT exibe a suavidade habitual desse gênero de transmissão e o isolamento acústico evoluiu bem.  O espaço interno também é bom. No banco traseiro só um quinto ocupante ficaria um pouco mais apertado. Nota 8. Tecnologia – A plataforma do Fluence é originária do Samsung SM3 sul-coreano. O motor 2.0 16V e o câmbio CVT – provenientes da Nissan – continuam a ser modernos e eficientes. Uma evolução considerável dessa versão 2015 está nos equipamentos de série. Destaque para os itens de segurança, como seis airbags, ABS, controle de tração e ESP. Nota 8.

Habitabilidade – Não faltam porta-objetos no Fluence e eles são bastante funcionais. A ergonomia também é decente. No banco traseiro, o caimento do teto reduz o espaço da cabeça dos mais altos. O porta-malas leva generosos 530 litros. Nota 8. Acabamento – O interior do Fluence evoluiu de forma considerável em relação ao modelo anterior. Os revestimentos têm aspecto mais requintado. Os bancos de couro, em estilo “capitonê”, são quase “vintage” e bem charmosos. Nota 8. Design – O Fluence já era um carro elegante e pouco mudou. O desenho é basicamente o mesmo do Samsung SM3, apresentado em 2009 pela subsidiária sul-coreana da aliança Renault-Nissan. Mas o estilo ainda parece moderno em relação aos rivais. Nota 8. Custo/Benefício – A relação custo/benefício já era bem competitiva em relação aos concorrentes. No modelo 2015, tornou-se ainda mais “brigadora”, principalmente na versão topo de linha Privilège, que é bastante bem equipada. Nota 8. Total – O Renault Fluence Privilège 2.0 16V somou 77 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões

Campinas/SP -  A versão do novo Fluence avaliada em um percurso de 80 km entre a capital paulista e a cidade de Campinas era a “top” Privilège, na “cor de lançamento” batizada de “Preto Ametista” – um tom de negro perolizado que, sob luz forte, revela matizes de violeta. Nuances cromatológicas à parte, aparentemente são poucas as diferenças em relação ao modelo anterior. A plataforma é a mesma. A suspensão é a mesma. O motor é o mesmo. Até o câmbio CVT é exatamente o mesmo. Dito isso, não daria mesmo para esperar grandes alterações na performance do Fluence em seu modelo 2015.  A sorte da Renault é que seu sedã já era bem acertado nesse aspecto. Trata-se de um conjunto equilibrado e dinamicamente eficiente. O motor 2.0 de 143 cv e 20,3 kgfm de torque permite retomadas consistente, bem assessorado que é pelo câmbio CVT, que faz a entrega da força às rodas de forma eficiente. Nas curvas, se repete o bom equilíbrio já demonstrado no modelo anterior. O sedã se sai bem em trechos sinuosos feitos em alta velocidade, sem adernar excessivamente ou “rabear”. Em suma, cumpre a função de ser um carro que dá prazer de dirigir – como deve ser qualquer sedã médio que se preze. Como não há alterações mecânicas, qualquer percepção de evolução no Fluence pode ser atribuída às mudanças no design, no acabamento e nos equipamentos. E essa impressão de aprimoramento efetivamente ocorre no novo Fluence. Os materiais usados nos revestimentos aparentam maior qualidade e a montagem também parece mais apurada. Algo que é notável até auditivamente. Além de visualmente agradável, o carro dá a impressão de ter se tornado mais silencioso, o que denota aprimoramento no processo industrial de acabamento interno. Nem o câmbio CVT, que normalmente torna o funcionamento do motor mais rumoroso, causa sonoridades muito perceptíveis a bordo. Aparentemente os padrões de montagem da fábrica da Renault na cidade argentina de Córdoba foram aperfeiçoados. É no somatório de detalhes assim que a Renault espera levar seu sedã a atrair o  interesse e se firmar entre as preferências do consumidor brasileiro.

Ficha técnica

Renault Fluence 2015

Motor: Bicombustível, dianteiro, transversal, 1.997 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando variável nas válvulas e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de seis marchas ou continuamente variável (CVT) com seis marchas a frente e uma a ré. Tração dianteira. 
Potência máxima: 140 cv com gasolina e 143 com etanol a 6 mil rpm.
Torque máximo: 19,9 kgfm com gasolina e 20,3 kgfm com etanol a 3.750 rpm.
Diâmetro e curso: 84 mm X 90,1 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Aceleração 0-100 km/h: 9,7 segundos e 9,9 segundos com etanol/gasolina e câmbio manual. 9,9 segundos e 10,1 s com etanol/gasolina com transmissão CVT.
Velocidade máxima: 200 km/h (câmbio manual) e 195 km/h (CVT).
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com braço inferior triangular, barra estabilizadora e amortecedores hidráulicos telescópicos. Traseira com eixo soldado em “H” de deformação programada, barra estalizadora integrada e amortecedores hidráulicos telescópicos. 
Freios: Discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira. Oferece ABS com EBD.
Pneus: 205/60 R16 (Dynamique, Dynamique CVT e Dynamique CVT Plus). 205/55 R17 (Privilége)
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,62 metros de comprimento, 1,81 metro de largura, 1,47 metro de altura e 2,70 metros de entre-eixos. Oferece airbags duplos de série.
Peso: 1.369 kg (manual) e 1.372 kg (CVT).
Capacidade do porta-malas: 530 litros.
Tanque de combustível: 60 litros.
Produção: Córdoba, Argentina.

Itens de série

Dynamique: Câmbio manual de seis marchas, painel de instrumentos digital, chave-cartão hands free, fechamento das portas e partida do motor no botão start/stop pelo reconhecimento do cartão, ar-condicionado automático dual zone, abertura elétrica independente para tampa do tanque de combustível e do porta-malas, apoio de braço traseiro com porta-lata, airbgas frontais e laterais, volante com regulagem de altura e profundidade, sensor de chuva e crepuscular, retrovisores externos com regulagem elétrica, vidros dianteiros e traseiros elétricos com função “one touch” e sistema anti-esmagamento, regulador e limitador de velocidade, faróis de neblina, rodas de liga leve de 16 polegadas, rádio CD/MP3 com conexão USB/iPod/AUX com quatro alto-falantes, comando satélite de áudio e celular na coluna de direção, retrovisores externos na mesma cor da carroceria com setas de direção integradas e travamento automático das portas e do porta-malas a partir de 6 km/h.
Preço: R$ 66.890 Dynamique CVT: adiciona a transmissão continuamente variável com opção de trocas sequenciais de seis marchas.
Preço: R$ 71.890. Dynamique CVT Plus: adiciona sistema multimidia com tela multitoque de 7 polegadas, GPS Integrado, Rádio MP3 Arkamys, com conexão USB/iPod/AUX, 4 alto-falantes e 4 tweeters e bancos com revestimento em couro cinza escuro.
Preço: R$ 74.890. Privilège: adiciona acabamento cromado nos faróis de neblina, porta-malas e vidros laterais, sensor de estacionamento traseiro, câmara de ré traseira, teto solar elétrico com sistema anti-esmagamento, airbags de cortina, controle de estabilidade e tração, faróis de xênon com regulagem automática de altura e lavador, luzes diurnas de leds, rodas de liga leve de 17 polegadas, retrovisores externos com regulagem elétrica e rebatimento e bancos com revestimento em couro cinza claro.
Preço: R$ 82.990.
Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira (Auto Press)
Fotos externas do Renault Fluence Pivilège: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias - Foto interna: divulgação

Vantagens de ser visível - Renault Fluence 2015 atualiza imagem e incorpora tecnologias para ganhar destaque entre os sedãs médios

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 12 Nov 2014 11:40:00

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