24 de set de 2014

Teste do Renault Sandero Dynamique

Teste do Renault Sandero Dynamique

No Brasil são raríssimos os automóveis que entregam tudo aquilo que a etiqueta de preço sugere. O máximo que ocorre são os modelos apresentarem uma relação custo/benefício favorável, diante da realidade do mercado. Um carro que se aproxima dessa “equação” é o Renault Sandero – principalmente na versão topo de linha Dynamique. O preço competitivo foi a forma que a marca francesa encontrou para vencer a desconfiança do consumidor brasileiro, que custou a enxergá-la como montadora nacional. E resolveu manter a estratégia, mesmo que uma remodelação, como a ocorrida em junho desse ano, pudesse servir de pretexto para majorar a tabela. 

Veja também:

  • Impressões do novo Renault Sandero
  • Teste do Renault Sandero GT-Line
O preço atraente se soma a outras qualidades já consagradas do modelo. Mesmo sendo um compacto, o Sandero fornece um bom espaço interno e manteve as boas qualidades dinâmicas da plataforma, que é apenas uma evolução da anterior. Neste recente e profundo face-lift a Renault decidiu acompanhar o novo visual com recursos mais “moderninhos”, ao oferecer equipamentos que já estavam presentes em alguns modelos da concorrência. E na configuração “top” Dynamic, estes itens estão reunidos por um valor bastante competitivo. Sem dúvidas, o principal ponto de evolução do Sandero foi a estética. Além de substituir o “pragmático” design anterior, que exigia um certo “desapego estético” do comprador, o novo hatch traz o “family face” e fica alinhado ao atual visual da Renault no mundo – apresentado em 2012 no compacto Clio de segunda geração, feito na Argentina. O Sandero ostenta o grande logo na parte central da grade frontal e os frisos cromados que se estendem até os faróis. Na traseira, os para-choques continuam “parrudos” e as lanternas ganharam um novo desenho – que as deixaram no estilo de hatches concorrentes como Volkswagen Gol e Chevrolet Onix.

A remodelação do Sandero também passou no quesito tecnologia. Para não ficar atrás da concorrência – que cada vez mais oferece modelos “recheados”, a Renault deu bons equipamentos ao hatch. A versão “top” Dynamique vem com rádio, entradas USB/AUX, conexão Bluetooth, o lúdico indicador de troca de marcha no quadro de instrumentos, volante multifuncional revestido de couro, bancos traseiros rebatíveis com encosto de cabeça para três ocupantes e cintos de três pontos para dois, além de retrovisores externos com ajuste elétricos. Rodas de liga leve de 15 polegadas e soleiras das portas exclusivas são os adornos estéticos. A marca francesa cobra R$ 43.180 pelo Sandero Dynamique e ainda oferece o pacote Techno Plus. Por R$ 1.600 é possível adicionar sistema multimídia com tela de 7 polegadas sensível ao toque, ar-condicionado automático e sensor de estacionamento traseiro. As mudanças visual e tecnológica foram bastante profundas, mas não se pode falar o mesmo da parte mecânica e da motorização. A estrutura básica do carro se manteve e o motor não recebeu nenhum recurso mais modernos ou sofisticados, como cabeçote multiválvula, válvulas com tempo de abertura variável ou partes em alumínio. A configuração Dynamique usa o velho propulsor 1.6 8V do modelo anterior – que estreou no Brasil a bordo da primeira geração do Clio, em meados nos anos 1990. Para este novo Sandero, ele se manteve com a mesma potência e torque, de 98 cv/14,5 kgfm com gasolina e 106 cv/15,5 kgfm com etanol. Exatamente para não ter de voltar a oferecer o motor de 1.6 16V, que trabalhava em conjunto com o câmbio automático, a marca francesa passou a oferecer uma transmissão automatizada de cinco marchas, a partir da versão intermediária Expression, que acrescenta R$ 2.400 ao preço final dos modelos. De série, o câmbio é manual de cinco velocidades.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 8V de 106 cv com etanol cumpre o seu trabalho. Há fôlego em giros baixos garantidos pelos 85% dos 15,5 kgfm de torque já disponíveis a 1.500 rpm. Isso fornece ainda alguma agilidade no trânsito urbano. Entretanto, na hora de explorar a esportividade, o hatch fica uma sensação de falta de potência em rotações maiores. Nota 7. Estabilidade – O Sandero é um carro bem acertado. O comportamento da suspensão agrada nas curvas, com rolagens de carroceria controladas. A direção é precisa e traz um bom “feeling” da estrada. Até contornos mais sinuosos são feitos com segurança, mas os excessos se traduzem em escapadas de frente típicas de carros com tração dianteira. Nota 8. Interatividade – O convívio com o Sandero é fácil. Há pouquíssimos botões e os que existem estão nos locais corretos. O sistema opcional multimídia tem comandos intuitivos. O painel de instrumentos é simples e legível, apesar dos números estarem muito próximos. Já a transmissão, com transferência por cabo, tem o curso longo e engates borrachudos, além da alavanca “alta” tirar um pouco da sensação de astúcia do carro. Nota 7.

Consumo – O Renault Sandero Dynamique não participa do Programa de Etiquetagem do InMetro. Durante a avaliação, o computador de bordo marcou a média de 8,1 km/l de gasolina em trecho urbano. Na estrada, o consumo ultrapassou os 12 km/l, também com gasolina. Nota 6. Conforto – O tamanho da cabine é um dos destaques do Sandero. Cinco adultos conseguem viajar no hatch sem grandes problemas, algo que raramente acontece entre seus concorrentes. A suspensão é robusta e bem calibrada para o solo brasileiro. Mesmo com espumas mais espessas, os bancos pouco confortáveis e sem apoios laterais são o ponto fraco: causa cansaço em trajetos mais demorados. Nota 7. Tecnologia – A plataforma não é nova, mas passou por uma atualização. Já o motor 1.6 8V não recebeu qualquer mudança. O melhor do novo Sandero é mesmo a lista de equipamentos, que o deixou um pouco mais nivelado neste quesito com outros hatches compactos do mercado. Faltam ofertas de itens de segurança, como controle de estabilidade e airbags laterais ou de cortina. Até mesmo um equipamento simples, como uma barra estabilizadora dianteira, fica restrita à versão top Dynamique. Nota 5.

Habitabilidade – Entrar e sair do Sandero é simples devido às grandes e amplas portas. Lá dentro, há porta-copos à frente da alavanca da transmissão e mais ao fundo existe um nicho para objetos como celulares, carteiras e eventuais moedas. O porta-malas de 320 litros é ótimo para o segmento. Nota 9. Acabamento – Não é o forte dos Renault de origem Dacia. A larga presença de plásticos rígidos não chega a impressionar, pois é algo esperado no segmento, mas incomoda o aspecto dos materiais usados. Está longe dos chamados “hatches superiores”. Pelo menos não há rebarbas aparentes e encaixes são bem feitos. O painel tem desenho mais agradável e a moldura do sistema Media Nav traz acabamentos prateados e em laca preta, assim como as saídas de ar centrais. Houve um ganho notável em relaçào ao antigo modelo. Nota 7. Design – Embora não tivesse um visual refinado, o antigo Sandero não tinha um visual ultrapassado, como ocorria com o sedã Logan. Mas o profundo face-lift deixou o hatch da Renault mais atual e explicitou o posto de versão hatch do Logan. Os destaques são os novos conjuntos óticos – inspirados no Clio IV europeu – e a grade dianteira com o generoso símbolo da marca encravado no centro da peça. Atrás, as lanternas avançam pela lateral e pegam um pouco da tampa do porta-malas. Em geral, as linhas são fluidas e harmoniosas. Nota 8.
Custo/benefício – O Sandero sempre foi conhecido como um dos principais carros nesse quesito. E a Renault tratou de preservar esta característica. A favor do hatch estão o espaço interno e o custo competitivo – que o permite atuar bem no miolo do mercado. Vai bem mesmo na versão topo de linha Dynamique, que sai por iniciais R$ 43.180 e pode chegar a R$ 44.780 com um pouco mais de apetrechos. Nessa linha de preço, o Sandero tem dois rivais diretos: Nissan March SL, de R$ 42.990, e o Ford Ka SEL, de R$ 44.990. Já as configurações “top” dos chamados hatches superiores – como Peugeot 208, Hyundai HB20, Fiat Punto e Citroën C3 – ultrapassam a barreira dos R$ 50 mil. Nota 8. Total – O Renault Sandero Dynamique somou 72 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Em uma olhada rápida de frente não dá mais para distinguir se é um Sandero ou um Logan. A mudança no visual “oficializou” o Sandero como a versão hatch do três-volumes. Numa apreciação mais atenta, é possível perceber sutilezas como as molduras dos faróis de neblina maiores na versão Dynamique do hatch. No Sandero, inclusive, a subgrade frontal é no estilo colmeia, enquanto no sedã são filetes abertos.
Além da estética, o hatch compacto possui um comportamento bem semelhante ao sedã. O “manjado” motor 1.6 8V de 98/106 cv – com gasolina e etanol, respectivamente – não vacila e com 85% do torque máximo de 14,5/15,5 kgfm disponíveis já a partir das 1.500 rpm, o Sandero mostra seus atributos em ambientes urbanos. Em trechos mais livres de estrada, o modelo necessita de algumas reduções de marchas para efetuar ultrapassagens. A falta de força em giros maiores é compensada pela boa rigidez torcional demonstrada em curvas mais acentuadas e o peso correto da direção em altas velocidades. No Sandero, o motorista é sempre “comunicado” do que acontece nas rodas. O câmbio manual de cinco velocidades tem escalonamento correto, porém merecia engates mais precisos. Mas o grande trunfo do Sandero continua a ser o espaço interno, garantido pelo bom entre-eixos de 2,59 m. Os ocupantes traseiros não dependem da boa vontade do motorista ou do carona para ter um vão que acomode confortavelmente as pernas. Há também espaço de sobra para a cabeça devido o teto elevado – são 1,53 m de altura. Um ponto a favor da configuração topo de linha do Sandero é o “recheio”, que finalmente incorporou itens já presentes nos rivais. Mas nessa nova e extensa lista de dispositivos, nada se refere à segurança – nem como opcional. O carro da Renault traz apenas os airbags frontais e ABS obrigatórios pela legislação brasileira. Por outro lado, há pequenas comodidades para quem está no habitáculo, como abertura interna do porta-malas e do tanque de combustível, controlador de velocidade e volante multifuncional.

Ficha técnica

Renault Sandero Dynamique

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 98 cv com gasolina e 106 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 14,5 kgfm com gasolina e 15,5 kgfm com etanol a 2.850 rpm 
Diâmetro e curso: 79,5 mm x 80,5 mm.
Taxa de compressão: 12,0:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais e barra estabilizadora (na versão Dynamique). Traseira por barra de torção com rodas semi-independentes, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos verticais e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 185/65 R15.
Freios: Discos sólidos na frente e a tambor na traseira, com ABS de série.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,06 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,53 m de altura e 2,59 m de distância entre-eixos. Oferece somente airbags frontais.
Peso: 1.055 kg, em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 320 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.
Itens de série: ar-condicionado, direção hidráulica, banco do motorista com regulagem de altura, comando de abertura das portas por radiofrequência, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos, computador de bordo com seis funções, iluminação do porta-malas e do porta-luvas, para-sol do motorista com espelho, porta-copos traseiro, difusores de ar laterais cromados, maçanetas externas na cor da carroceria, maçanetas internas, manopla do câmbio e frisos na grade dianteira cromados, retrovisores na cor da carroceria, alarme perimétrico, alças de segurança no teto, apoios de cabeça dianteiros reguláveis em altura, travamento automático das portas a 6 km/h, retrovisores elétricos com setas integradas, vidros traseiros elétricos, banco traseiro com encosto rebatível 1/3 - 2/3, bolsas integradas na parte traseira dos bancos dianteiros, indicador de temperatura externa, piloto automático, molduras dos faróis de neblina e medidores do painel de instrumentos cromados, proteção de soleira nas portas dianteiras, volante revestido em couro, rodas de liga leve com 15 polegadas, três apoios de cabeça traseiros reguláveis em altura e faróis de neblina. 
Preço: R$ 43.180.
Opcionais: Sistema Media Nav 1.2 com Eco-Coaching e Eco-Scoring, ar-condicionado automático, sensor de estacionamento e câmbio automatizado de cinco marchas.
Preço completo: R$ 47.180.
Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Racionalidade moderna - Relação custo/benefício é o grande trunfo da versão Dynamique do Renault Sandero

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 24 Sep 2014 08:50:00
Ler mais aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário