17 de set de 2014

Teste do novo Mercedes-Benz GLA

Teste do novo Mercedes-Benz GLA

A Mercedes inverteu sua estratégia tradicional. Normalmente, a marca costuma iniciar as vendas de seus modelos pelas versões mais caras. E, numa lógica comercial, o motivo para isso é defensável: se novidade é valor, não há porque não ganhar alguns caraminguás com isso. Com o crossover GLA, no entanto, a marca decidiu iniciar os trabalhos no Brasil com as versões mais baratas. O GLA 200 Advance, de entrada, sai a R$ 132.900. O Vision salta para R$ 149.900, com a subversão Black Edition a R$ 152.900. Neste caso há outra questão em jogo. O modelo começará a ser feito no Brasil em pouco mais de um ano – no início de 2016 – e a ideia foi favorecer o ganho de volume. Ao deixá-lo mais acessível, facilita a familiarização da marca com seu novo público-alvo: jovens da classe alta e consumidores maduros da classe média-alta.

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Outros fatores demonstram a preocupação da Mercedes em não espantar a freguesia. Um deles é o plano de revisão programada, em que o proprietário faz um contrato de manutenção de duas a cinco revisões, pagas adiantado em até 12 vezes. Cada visita sai em média por R$ 800. A segunda atitude foi a criação de um seguro, com apoio do Banco Mercedes-Benz, em que o custo em algumas praças fica em 2,6% do valor do carro – por volta de R$ 4 mil. Sem falar em planos de financiamento com parcelas intermediárias, como as que se pratica na venda de imóveis.

Independentemente dessas artimanhas financeiras, o GLA apresenta bons motivos para atrair compradores. O mais evidente deles é o jeito de veículo “aventureiro”, por seus volumes bem encorpados e proporcionais, com 4,42 metros de comprimento e 1,49 m de altura. Já os 2,70 m de entre-eixos criam uma área de habitáculo bastante generosa. Por esta arquitetura, aliás, que utilitários esportivos e crossovers vêm substituindo stations e monovolumes e crescem na contramão do mercado. E o desenho quase “arabesco” do crossover alemão – que a Mercedes classifica como SUV – também atende às aspirações de esportividade típicas do consumidor brasileiro. Outro ponto de atração no GLA é o bom acabamento que a Mercedes passou a oferecer em seus modelos compactos. Embora um ou outro detalhe denuncie a preocupação com a economia – como o recorte do bagagito ou a qualidade do carpete –, o habitáculo traz texturas, revestimentos e combinações bastante agradáveis. Em relação aos recursos, porém, o crossover alemão não escapa da lista obrigatória para modelos premium. São diversos sistemas de auxílio dinâmico, quase todos baseados no ABS de última geração, como controle eletrônico de estabilidade, controle de tração individual em cada roda, auxílio de partida em rampa e attention assist, que monitora possíveis cochilos do motorista. Isso além de sete airbags, faróis bixenônio, ar digital e, dependendo da versão, GPS.

O trem de força consiste no propulsor 1.6 turbo, de 156 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, gerenciado por um câmbio de dupla embreagem com sete marchas. O conjunto é suficiente para mover os mais de 1.400 kg do crossover com alguma elegância, mas sem sobras. No próximo ano, os modelos mais fortes, como o GLA 250, de 211 cv, e o GLA 45 AMG, de 360 cv, devem chegar para tentar encarar rivais mais consolidados no mercado – principalmente o Range Rover Evoque, que começa em quase R$ 200 mil. Por enquanto, o objetivo é mesmo enfrentar o modelo equivalente da rival-mor, o BMW X1, que inclusive pratica preços bastante semelhantes. As expectativas da marca são de vender mil unidades a partir de outubro até dezembro – o primeiro lote trazido foi de 1.300 unidades. Nas contas da Mercedes, os modelos compactos – Classe A e B, o sedã CLA e o GLA – representarão 25% das vendas de 2014, algo próximo de 2 mil veículos. Para 2015, a projeção é que chegue a nada menos que 50% das unidades emplacadas. É a forma da marca alemã apostar na força da nova classe média-alta brasileira.

Ponto a ponto

Desempenho – O GLA 200 tem uma certa agilidade, proporcionada principalmente pela transmissão de dupla embreagem e sete marchas. Este câmbio, apesar dos trancos em baixa velocidade, consegue arrancar do motorzinho 1.6 turbo de 156 cv uma performance até razoável para um carro que tem uma relação peso/potência pouco generosa – de 9,2 kg/cv. O conjunto comportado deixa um bom espaço para o GLA 250, de 211 cv. Nota 7. Estabilidade – As características físicas do GLA favorecem bastante o trabalho da suspensão. A altura, de 1,49 m – pouco maior que a de um hatch médio tradicional – ajuda a reduzir a tendência de rolagem lateral. Já os eixos bem nas extremidades da carroceria reduzem as oscilações longitudinais, em acelerações e freadas. Em retas, a qualquer velocidade, o GLA parece andar em trilhos, com ótima comunicação entre rodas e direção. Nota 9. Interatividade – A Mercedes concentrou o máximo de comandos em torno do condutor, ao alcance das mãos. No volante são 12 botões, as palhetas para mudanças de marcha e três hastes na coluna de direção: para setas, controle de cruzeiro e câmbio. O computador de bordo tem um bom número de informações, que aparecem no pequeno visor de LCD entre o conta-giros e o velocímetro. Na tela que se projeta do console central aparecem as funções de som e do GPS, na GLA Vision. Esta versão também traz bancos de regulagem elétrica apenas para o motorista. A visibilidade traseira não é das melhores – a vigia é muito pequena –, mas o sensor de obstáculos compensa isso. Nota 8.

Consumo – Mesmo tendo sido classificado pelo InMetro como um carro grande, o GLA 200 não se saiu bem. Recebeu nota C na categoria, com um consumo urbano de 8,9 km/l  e rodoviário de 11,5 km/l de gasolina. No teste de 200 km, quase todo em rodovias, a média de consumo foi de 10,4 km/l. Nota 6. Conforto – A suspensão do GLA é firme, bem no estilo europeu. Filtra as pequenas irregularidades, mas chaga rápido ao limite em desníveis maiores. O isolamento acústico é eficiente em relação ao motor e aos ruídos de rolagem dos pneus, mas não é tão bom em velocidades de estrada. Na unidade testada, a sensação era que as janelas estavam mal vedadas. No mais, o interior é bem amplo, pelo teto alto e o entre-eixos de 2,70 metros, com espaço generoso nas duas fileiras. Nota 8. Tecnologia – A Mercedes disponibiliza no GLA um grande arsenal de recursos eletrônicos: controle de estabilidade e tração, sistema de estacionamento automático, sete airbags, inclusive para o joelho do  motorista, ar-condicionado automático e faróis bixenônio. A plataforma compacta da Mercedes é nova – estreou há três anos no Classe B e é a mesma do sedã CLA e do hatch A. O motor é o 1.6 turbo, que se espalha por todos os mais baratos da marca. Os pneus runflat são modernos e práticos. Até a hora da troca, quando ficam caros e difíceis de encontrar. A versão Vision traz ainda ar automático de duas zonas, teto solar e GPS no sistema multimídia. Faltou apenas um controle de cruzeiro adaptativo, com sistema de frenagem de emergência – itens que devem aparecer apenas no GLA 250. Nota 8.

Habitabilidade – A altura “mediana” do crossover da Mercedes facilita o acesso ao interior. Lá dentro, vários nichos e porta-trecos se prestam para acomodar itens, de garrafas a celulares e carteira. O porta-malas também é generoso e carrega 421 litros de carga até a altura da janela – capacidade que pode se amplia bastante com os bancos rebatidos. As luzes internas, com 17 fontes de iluminação, destaca os pontos mais importantes, como puxadores, porta-copos, área de controles dos vidros etc. Nota 9. Acabamento – A Mercedes resolveu nivelar por cima. Não há mais a antiga e evidente separação no nível de acabamento entre os modelos menores e os maiores. Claro que os recursos continuam relativos ao preço do carro, mas o cuidado, o design e o material empregado são agora de um mesmo padrão. Fechamentos e encaixes perfeitos, forração de boa qualidade – embora os alemães estejam adotando o couro sintético nos revestimentos – e texturas muito agradáveis. Nota 8. Design – O aspecto geral do GLA é de um carro robusto, quase gordo. As linhas frontais seguem o estilo da marca, com grade de frisos grossos e faróis oblíquos. A traseira, bojuda, lembra um Classe A mais musculoso. Há um excesso de “nervuras” nas superfícies maiores, como capô, laterais e teto. Sobram vincos mas falta ousadia. Nota 8. Custo/Benefício – O preço inicial de R$ 132.900 não é exatamente baixo, mas é suficiente para atrair um novo consumidor que a marca deseja. A versão mais completa, a Vision, a R$ 149.900 já salga um pouco a conta. De qualquer forma, são valores semelhantes aos pedidos pelo BMW X1 com conteúdo equivalente. Nota 6. Total – O Mercedes-Benz GLA200 somou 77 em 100 pontos possíveis.

Primeiras impressões

Iracemápolis/SP – As proporções perfeitas do GLA enganam. Visto nas fotos, parece um hatch comum. De perto, ele encorpa. Não chega a ser um SUV, como gosta de classificar a Mercedes no Brasil. Lá fora ele é descrito como crossover executivo compacto, definição bem mais coerente com a forma e a função do modelo feito na fábrica de Rastatt, na Alemanha, e que será produzido no Brasil em 2016. É por dentro, no bom acabamento, que ele mostra este lado executivo. As linhas elegantes do interior – extremamente semelhantes às do sedã CLA –, o bom acabamento e a delicadeza dos materiais o afastam naturalmente das aventuras mais “encardidas”. O propulsor 1.6 de 156 cv também ajuda a restringir o modelo de 1.435 kg a ambientes mais civilizados, de preferência com boa pavimentação. A agilidade do conjunto motriz é dada principalmente pela versatilidade do câmbio de dupla embreagem e sete marchas, que sempre busca a melhor relação para as situações. É por conta dele que a aceleração de zero a 100 km/h é feita em bons 8,8 segundos. Na dinâmica rodoviária, como a oferecida no teste de apresentação, o modelo consegue manter um ritmo elevado sem se esforçar muito. Em velocidades mais baixas, as mudanças de marcha são marcadas por pequenos trancos, que causam maiores inconvenientes.
Por dentro, o GLA é bastante amplo, com bom espaço para pernas e cabeças. Os comandos ficam todos nos lugares clássicos e ao alcance do motorista. É preciso apenas algum tempo para se ganhar intimidade com as inúmeras funções oferecidas pelo carro. Os instrumentos também seguem a linha tradicional/moderno. Conta-giros e velocímetro em relógios redondos com um pequeno painel em LCD entre eles com as informações do computador de bordo.  Apesar da suspensão não ser macia, ela consegue filtrar bem as irregularidades do piso. Nisso é ajudada pelos bancos bastante aconchegantes, com apoio lombar e abas bem proeminentes, que ajudam a segurar o corpo nas curvas. Dá até para extrair do crossover alemão um comportamento agressivo e explorar mais a boa estabilidade que oferece, mas não é a situação em que ele fica à vontade. Mesmo que a suspensão deixe o comportamento da carroceria bastante neutro. Mas tudo ali induz a uma vida mais doméstica, pacata. O GLA pode não ter a robustez de um SUV, mas mostra a finesse de um bom crossover de luxo.

Ficha técnica

Mercedes-Benz GLA 200 (dados da montadora)

Motor: Gasolina, dianteiro, longitudinal, 1.595 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbo, comando duplo de válvulas no cabeçote variável na admissão e no escape. Acelerador eletrônico e injeção direta.
Transmissão: Automatizada de duas embreagens e sete marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência: 156 cv a 5.300 rpm.
Torque: 25,5 kgfm entre 1.250 rpm e 4 mil rpm.
Aceleração de zero a 100 km/h: 8,8 segundos.
Velocidade máxima: 215 km/h.
Diâmetro e curso: 83 mm X 73,7 mm.
Taxa de compressão: 10,3:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, braço inferior triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora. Traseira four-link, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora.
Pneus: 235/50 R18.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. 
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,41 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,49 m de altura e 2,70 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.435 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 421 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Rastatt, Alemanha.
Lançamento mundial: 2013.
Lançamento no Brasil: 2014.

Itens de série

GLA200 Advance: paddle-shifts para trocas manuais, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em subidas, barras longitudinais no teto, faróis bixenônio com limpadores e LED, sete airbags, sistema start/stop, sensor de chuva, piloto automático, limitador de velocidade, direção elétrica progressiva, volante multifuncional revestido em couro sintético, ar-condicionado digital, sistema multimídia com rádio, Bluetooth, entrada USB e memória de 10 GB, park-assist, alerta de fadiga, aviso de perda de pressão dos pneus, bancos esportivos revestidos em couro sintético e rodas de liga leve de 18 polegadas.
Preço: R$ 132.900. GLA200 Vision: adiciona ajuste elétrico do banco do motorista com função de memória, teto solar panorâmico, rodas com desenho exclusivo, navegador GPS e ar-condicionado dual zone.
Preço: R$ 149.900. GLA200 Black Vision: adiciona rodas e espelhos retrovisores em preto e pedais esportivos.
Preço: R$ 152.900.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

A estrela que faltava - Mercedes-Benz completa a gama de compactos com o GLA, crossover que será feito no Brasil em 2016

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 17 Sep 2014 08:40:00
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