11 de set de 2014

Teste do Ford Focus SE 1.6 Powershift

Teste do Ford Focus SE 1.6 Powershift

Os três anos de hiato entre o lançamento da terceira geração do Ford Focus nos Estados Unidos e Europa e o desembarque no Brasil parecem não ter afetado o sucesso do hatch por aqui. A perda da liderança em 2013 – ano de transição entre gerações – no segmento de hatches médios foi revertida em 2014. Esse ano, mesmo com a presença do badalado Volkswagen Golf – que chegou por aqui na mesma época do Focus –, o modelo da Ford tem até agora uma liderança folgada. O carro da marca do oval azul emplaca uma média de pouco mais de 1.900 unidades/mês, com pico de 2.260 em junho. Golf e o Chevrolet Cruze Sport6 brigam pelo segundo lugar com cerca de 1.500 veículos mensais.

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Uma das razões que pode explicar o êxito do Focus por aqui é a ampla faixa de atuação. São sete versões, que começam perto dos R$ 65 mil e ultrapassam os R$ 92 mil. Na zona intermediária de toda essa ploriferação de preços está a configuração SE. Ela traz três diferentes combinações de motores e câmbios. Com o propulsor 1.6 litro – mesmo do New Fiesta de topo – de 131/135 cv e 16,2/16,7 kgfm de torque com etanol e gasolina, respectivamente, o Focus pode trazer a transmissão manual de cinco marchas – R$ 67.400 – ou a moderna automatizada Powershift de seis relações e duas embreagens, vendida por R$ 72.400. O carro ainda pode ser equipado com o 2.0 litro Duratec de injeção direta e 178 cv de potência. Nessa versão, o câmbio é sempre robotizado e o preço fica em R$ 78.400. Ainda sem a atual identidade visual da Ford, marcada pela generosa grade dianteira oval, o desenho do Focus ficou “fora do padrão” em relação aos seus companheiros de concessionária Fusion, New Fiesta, EcoSport e Ka. Apesar disso, ainda é um automóvel com aspecto jovial e aventureiro. Uma “personlidade” reforçada pelas inúmeras participações do Campeonato Mundial de Rali – WRC, em inglês. Na Europa e nos Estados Unidos, o carro está na metade de sua vida e, pouquíssimo tempo depois de surgir no Brasil, a fabricante norte-americana atualizou o Focus em abril último e o deixou com a “cara” do resto da gama. O visual mais recente só deve chegar em solo brasileiro no próximo ano.

Além da transmissão e do motor 1.6, o Focus SE tem outros bons predicados. Mesmo a versão intermediária é bem fornida em relação aos equipamentos de segurança. De série, quatro airbags – frontais e laterais –, controles eletrônicos de estabilidade e tração e assistente de partida em rampa. Na parte tecnológica, destaque para o Sync, que reúne rádio AM/FM, CD player MP3, USB/iPod, Bluetooth e tela de LCD multifuncional colorida no painel central de 4,2 polegadas. Um “pack” que contempla alguns dos itens “queridinhos” dos consumidores do segmento.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor Sigma 1.6 de até 135 cv está longe de ser um “canhão”, mas é convincente. A transmissão automatizada de seis marchas e duas embreagens até explora a faixa de trabalho do motor e há torque e  potência disponíveis para uma aceleração mais vigorosa. Mas os 12,2 segundos para chegar aos 100 km/h denunciam a baixa cilindrada do propulsor. Nota 7. Estabilidade – A versão hatch do Ford Focus demonstra bastante segurança no rodar. A direção tem peso correto e as suspensões trabalham muito bem para segurar o carro nas curvas. O hatch segue a direção apontada sem problemas e para qualquer exagero do motorista há os controles de estabilidade e de tração, que garantem a trajetória correta. Nota 9. Interatividade – Para o dia a dia, o Focus SE 1.6 Powershift é bem simples de manusear. Os comandos vitais estão nos lugares corretos, a marcha é indicada no painel de instrumentos e volante tem boa pegada. Apenas o Sync pode demandar mais algum tempo de familiarização do condutor. Nota 8.

Consumo – O InMetro testou a versão hatch do Ford Focus SE 1.6 Powershift. O modelo registrou médias de 6,8 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada com etanol no tanque. Com gasolina, os números sobem para 10 km/l em trecho urbano e 12,5 km/l em rodovia. Esse resultado lhe conferiu classificação B no segmento e C no geral, com consumo energético de 2,01 mJ/km. Nota 7. Conforto – Sem dúvida, o ponto forte do hatch sãos os bancos dianteiros. Eles são espessos e a espuma tem ótima densidade. Com os apoios laterais, tanto o motorista quanto o carona, “encaixam” e se sentem bem à vontade. A suspensão também filtra bem as imperfeições do solo e o isolamento acústico é eficiente. A caixa automatizada garante um descanso ao pé esquerdo. Atrás, o espaço é um tanto reduzido – apesar de ser um hatch médio. Nota 8. Tecnologia – A terceira geração do Focus está no meio de sua vida útil – foi lançada no fim de 2010 na Europa e nos Estados Unidos. A plataforma é moderna e dá suporte a versões elétricas e híbridas na Europa. A versão SE 1.6 Powershift traz itens importantes de segurança como controles eletrônicos de estabilidade e tração e quatro airbags. O câmbio é moderno – automatizado de dupla embreagem. Um sistema multimídia mais completo e sete airbags só estão disponíveis na versão topo de linha. Nota 8.

Habitabilidade – O bom ângulo de abertura das portas facilita o acesso. Os nichos para objetos são satisfatórios. O porta-malas leva 316 litros – 3 litros a mais que o Golf, mas longe dos 402 litros do Cruze Sport6. Já os ocupantes traseiros podem sofrer com a falta de espaço para as pernas e o caimento acentuado do teto. Nota 7. Acabamento –  O interior do Focus mistura peças emborrachadas, plásticas e bancos revestidos parcialmente em couro. Não é um ambiente sem graça, mas a sensação é que falta requinte esperado em um modelo que passa dos R$ 70 mil. Os encaixes também mereciam mais atenção. Nota 7. Design – O visual do Focus é “parrudo”. A carroceria é larga com muitas superfícies planas e sutileza em recortes e vincos. A frente é dominada pela entrada de ar, dividida em três seções. O conjunto ótico também difere o modelo na multidão – principalmente o traseiro, que se estende bastante pela lateral. Mas a demora na chegada do Focus ao Brasil teve seu preço. Com menos de um ano à venda no Brasil, a Ford promoveu um face-lift do hatch e sedã nos Estados Unidos e Europa. Lá, o médio ganhou a identidade visual já encontrado em carros como EcoSport, Fiesta, Fusion e o novíssimo Ka. Nota 7.

Custo/benefício – A Ford cobra R$ 72.400 pelo Focus SE 1.6 Powershift. A Volkswagen pede R$ 74.790 pelo Golf Comfortline dotado da opcional transmissão automatizada de sete marchas e dupla embreagem e com o único motor disponível: o 1.4 turbo de 140 cv. Já o Chevrolet Cruze Sport6 LT com câmbio automático de seis marchas e com motor 1.8 litro de máximos 144 cv – único disponível – custa R$ 76.700.  Correndo por fora, o Peugeot 308 Allure automático parte de R$ 69.390 com motor 2.0 litro. Nota 7. Total – O Ford Focus hatch SE 1.6 Powershift somou 75 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Sentar ao volante do Focus é uma experiência prazerosa. Os bancos são largos, envolventes e “tratam” bem o corpo. O bom isolamento acústico também reforça consideravelmente o conforto a bordo. Mas os materiais usados não passam a percepção de sofisticação que se espera de um carro com o valor R$ 72.400 escrito em sua etiqueta de preço. E a montagem das peças do carro que vem importado da Argentina também deixa um pouco a desejar. O volante revestido em couro tem excelente pegada e traz os comandos do sistema Sync. Na versão SE, o dispositivo multimídia traz itens modernos como Bluetooth, UBS e comando por voz. Tudo pode ser acompanhado pela tela de 4,2 polegadas no centro do painel. Ela não é sensível ao toque e também não traz GPS integrado – só a “top” Titanium.
Um quesito à parte do Focus hatch é o espaço para os ocupantes traseiros. Eles dependem do ajuste do banco do motorista ou carona para se sentirem confortáveis. O condutor ou passageiro que tiver as pernas longas e regular o seu banco com máximo ajuste pode reduzir bastante o conforto de quem vai atrás. Outro detalhe é o caimento do teto. Pessoas com mais de 1,75 metros de altura tendem se sentir desconfortáveis. Em movimento, as características dinâmicas fazem do Focus um belo hatch. A direção se comunica bem com as rodas da frente e passa muita precisão nos comandos. A suspensão permite mudanças de rota com segurança e faz bonito em curvas mais acentuadas, com bom controle da rolagem da carroceria e acerto firme. Quanto à transmissão, o entrosamento com o motor é bem cordial. As trocas são suaves e o escalonamento aproveita bem o potencial do propulsor. O único problema é a operação das trocas manuais, feita por um botão na alavanca de mudanças – semelhante aos Chevrolet Onix, Prisma, Spin e Cobalt com câmbio automático –, que dificulta para quem quer dirigir de uma forma mais esportiva. Pelo menos, o modo automático entende bem os desejos do motorista com o pé direito e efetua mudanças rapidamente.

Ficha técnica

Ford Focus hatch SE 1.6 Powershift 

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.596 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando de válvulas variável. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima: 131 cv com gasolina e 135 com etanol a 6.500 rpm.
Torque máximo: 16,2 kgfm com gasolina a 3 mil rpm e 16,7 kgfm  com etanol a 5.250 rpm.
Diâmetro e curso: 79 mm x 81,4 mm. Taxa de compressão: 12,0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira do tipo multilink, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle de estabilidade.
Pneus: 205/55 R16.
Freios: Discos na frente e atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,36 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,48 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 1.344 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 316 litros.
Tanque de combustível: 55 litros.
Produção: General Pacheco, Argentina.
Lançamento mundial: 2010. Lançamento no Brasil: 2013
Itens de série: controles eletrônicos de estabilidade e tração, airbags frontais e laterais, ar-condicionadom assistente de partida em rampas, aviso de pressão baixa dos pneus, bancos e volante revestidos parcialmente em couro, farol de neblina, piloto automático, limitador de velocidade, rodas de liga leve de 16 polegadas, sensor de estacionamento traseiro, Ford Sync com radio AM/FM, CD player MP3, USB/iPod, Bluetooth e tela de LCD multifuncional colorida no painel central de 4,2 polegadas, 4 alto-falantes, 2 tweeters e comandos de voz com funções de áudio e telefone.
Preço: R$ 72.400.

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Volta por cima - Versão SE 1.6 Powershift combina dinâmica e preço para ajudar a recolocar o Ford Focus na liderança dos hatches médios

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 10 Sep 2014 08:26:00
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