3 de dez de 2015

Teste do Volkswagen Speed up! TSI

Teste do Volkswagen Speed up! TSI

A ideia de que potência bruta possa combinar com sustentabilidade causa até estranhamento. Mas a tática de usar o downsizing dos motores e a adoção de turbo tem sido muito utilizada para enquadrar os modelos nas normas cada vez mais rígidas de emissão de poluentes. Foi a estratégia da Volkswagen para criar uma versão “esportiva” do subcompacto Up. O motor 1.0 de três cilindros ganhou um turbo e, além de melhorar o desempenho, ainda fez com que se tornasse o  carro mais econômico produzido no Brasil, segundo o InMetro, com um consumo energético de 1,44 MJ/km. O feito é expressado visualmente na versão Speed, que alia elementos esportivos a adereços em tons de azul e branco, que remetem aos conceitos BlueMotion e Think Blue, usados pela própria marca mundo afora.

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A configuração tem pintura preta no teto e nos para-choques, carroceria sempre na cor branca e os aros dos faróis auxiliares cromados. Nas laterais, os retrovisores e as faixas alusivas à variante Speed são em azul. Além disso, há spoilers e rodas de liga leve de 15 polegadas diamantadas na cor preta. Na traseira, o para-choque traz defletor preto. Nas motorizações TSI, a tampa da mala é sempre em preto, numa referência ao modelo europeu, que tem a peça em vidro pintado. O interior também traz traços de exclusividade, como a ambientação toda em tons escuros. O revestimento do teto e as colunas são em preto, assim como o aplique plástico que cobre o painel central – nesse caso, brilhante. Os bancos são de couro de fábrica, assim como o volante.

Tantos elementos ligados à esportividade se justificam pelos dados técnicos do motor 1.0 TSI. Com a adoção do turbocompressor, o tricilíndrico da Volkswagen aumentou em 28% sua potência e em 62% seu torque. Enquanto o Up aspirado rende 75 cv e 82 cv com gasolina e etanol no tanque, suas versões mais “nervosas” entregam 101 cv e 105 cv com os mesmos combustíveis. Já o torque passou dos 9,7 kgfm e 10,3 kgfm para 16,8 kgfm, com gasolina e com etanol. A transmissão é sempre manual com cinco marchas e, no caso de qualquer Up TSI, há controle eletrônico de tração.  O aumento de eficiência e de esportividade se refletiu diretamente no preço. Daí a reação no mercado bem menor que a esperada pela Volkswagen. A fabricante queria incrementar os emplacamentos do subcompacto em 20% e ter o novo motor em 30% de todas as unidades comercializadas. Só que o momento não foi dos melhores. Desde que começaram as vendas com o novo motor, em agosto, até outubro último, os emplacamentos do Up caíram 1,9%, com média de 4.548 unidades mensais entre janeiro e julho de 2015 e média de 4.463 mensais entre agosto e outubro. É uma queda um pouco menor que a do mercado geral, que nesse período vendeu 2,9% menos automóveis e comerciais leves por mês – foram 212.749 por mês nos sete primeiros meses do ano e 206.695 mensais nos três seguintes. Pelo menos por enquanto, o Up só deixa boa parte de sua concorrência direta para trás nas ruas mesmo.

Ponto a ponto

Desempenho – É um dos trunfos das versões com motor TSI. São 105 cv em um carrinho com mil quilos. Isso é suficiente para levá-lo de zero a 100 km/h em 9,1 segundos e alcançar 184 km/h. O bom torque de 16,8 kgfm aparece já aos 1.500 giros e, na prática, isso significa agilidade nas arrancadas, ultrapassagens e retomadas. A performance em nada se parece com a de um modelo 1.0 e o câmbio se mostra harmonizado com o três cilindros turbinado. Nota 9. Estabilidade – É natural que um carro com motor turbo instigue mais o motorista a pisar com força no acelerador. Apesar do desempenho esportivo, o Speed Up não tem controle de estabilidade. E o alto torque em baixa faz com que o compacto perca aderência na frente nas arrancadas mais vigorosas, mesmo contando com controle de tração. Por outro lado, tem boa rigidez, não torce nas curvas e tem uma suspensão bem calibrada. Nota 8. Interatividade – Há poucos comandos e todos são bem localizados. O conta-giros é pequeno, assim como o visor do computador de bordo. Para contornar este problema, só mesmo recorrendo ao opcional “Maps & More”, que traz GPS em tela destacável. Falta também um volante multifuncional e um relógio permanente para enxergar as horas – um “luxo” desejável em um carro de quase R$ 50 mil. Nota 7.

Consumo – É esse, sem dúvida, um dos principais apelos de qualquer Up com motor 1.0 TSI. De acordo com dados do Programa de Etiquetagem do InMetro, o modelo recebe nota A na categoria e no geral com consumo energético de 1,44 MJ/km, o melhor registrado no Brasil sem o auxílio de um propulsor elétrico. São 9,6 km/l e 11,1 km/l na cidade e na estrada com etanol e 13,8 km/l e 16,1 km/l com gasolina. Nota 10. Conforto – Foram adotados no Up TSI molas e amortecedores com nova calibração, tornando a suspensão mais rígida, o que prejudica esse quesito. Na frente, há bom espaço para os dois ocupantes, mas quem viaja atrás depende da boa vontade dos passageiros dianteiros. O isolamento acústico também deixa a desejar. Nota 6. Tecnologia – O Up inaugurou uma nova plataforma em 2012 na Europa, a PQ12. O motor três cilindros de 1.0 litro já era novo, mas agora ganhou versão mais potente. O opcional sistema “Maps & More” parece um GPS comprado em loja, mas se comunica com os dados do veículo e exibe até o gráfico do sensor de ré. Para tê-lo, porém, é necessário abrir mão da entrada USB. Um ponto que decepciona é a ausência de vidros traseiros elétricos, imperdoável nessa faixa de preço. Nota 7.

Habitabilidade – O espaço interno é bem aproveitado. Há nichos para garrafas e papéis nos bolsões das portas. O porta-malas comporta 285 litros e vem com um “tapume” removível que divide o compartimento e permite acomodar bagagens em pisos distintos. De resto, nada muito diferente dos compactos da categoria. Nota 8. Acabamento – Os plásticos aparentam boa qualidade e têm encaixes bem feitos. Um charme do Up é o acabamento colorido no painel, mas que na versão Speed ganha apenas o tom preto brilhante. Não é feio, mas faz com que o Up perca um pouco da característica jovial e contemporânea que o interior na cor da carroceria traz ao modelo. Nota 7. Design – O Up se diferencia do resto da gama Volkswagen e não segue o “family face” da marca. A ausência de uma grade dianteira transmite uma personalidade mais contemporânea e o teto escuro entrega uma dose de agressividade ao carro. De perfil, se destacam as rodas de liga leve exclusivas da versão, assim como a faixa lateral e os retrovisores externos em azul. A tampa preta remete ao modelo europeu – mas lá é de vidro – e está presente em todas as versões com motor 1.0 TSI. Nota 8.
Custo/benefício – A grande vantagem do Speed Up é ser uma versão esportiva de um compacto popular que, de fato, tem desempenho. Mas não é barato. Ele começa em R$ 49.990. Com o sistema “Maps & More” opcional são acrecidos R$ 1.518 à conta, que fica em R$ 51.508. Não há nenhum concorrente 1.0 com a mesma potência do modelo. Com potência parecida, há o Palio Sporting 1.6 16V, com 117 cv, e custa R$ 50.950. Já o Fiat Uno Sporting 1.4 de 88 cv equipado à altura sai a R$ R$46.887. Um Chevrolet Onix Effect 1.4 16V tem 106 cv e é vendido por R$ 50.840. Na Ford, um Ka SEL 1.5, de 110 cv, tem etiqueta de R$ 50.190 e já tem controle eletrônico de estabilidade. Para quem não sente falta de boas arrancadas, a concorrência tem opções melhores. Nota 6. Total – O Volkswagen Speed Up somou 76 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Diversão garantida

O Up é um carro de entrada, não há dúvidas. Mas a Volkswagen conseguiu dar o toque de exclusividade quando adotou o motor TSI. O modelo ganhou esportividade e uma dinâmica muito interessante. A versão Speed, caracterizada principalmente pela carroceria branca repleta de adereços azuis, evidencia uma das principais vantagens que a fabricante alemã conseguiu oferecer aos consumidores com o aprimoramento do trem de força: a economia de combustível. O InMetro aferiu 9,6 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada com etanol e 13,8 km/l e 16,1 km/l com gasolina, mas é possível conseguir uma média ainda melhor. Isso, é claro, quando se esquece o chamado esportivo de um compacto turbinado.  O novo propulsor, lançado no país em julho último, expressa uma esportividade ímpar em sua categoria. Com apenas mil quilos e torque de 16,8 kgfm em baixos 1.500 giros, é possível partir do zero e chegar aos 100 km/h em apenas 9,1 segundos – ou seja, menos 3,3 s que as versões do Up com motor aspirado. Na prática, basta pisar o pedal direito com vontade para obter respostas imediatas e um desempenho superior ao da maioria dos modelos 1.6. Não se nota falta de força para as saídas, ultrapassagens ou retomadas, tornando a direção instigante e divertida tanto na estrada quanto na cidade.
A suspensão ganhou mais firmeza com o aumento de torque e potência, o que prejudica o conforto dos passageiros frente aos muitos buracos das ruas nacionais. As saídas do ar ainda são ineficientes, já que as centrais são em cima do painel e se localizam atrás do opcional “Maps & More”, o que retarda a refrigeração do habitáculo e entrega pouco vento direto nos passageiros – frequentemente necessário no alto verão. A central multimídia é bem completa e, apesar de ser uma peça à parte no painel, reproduz as informações do carro. Porém, o uso do GPS não é tão intuitivo e demanda algum tempo até que o motorista o domine.

Ficha técnica

Volkswagen Speed Up

Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbocompressor. Injeção direta e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 105 e 101 cv a 5 mil rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 16,8 kgfm entre 1.500 e 4 mil rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,1 segundos.
Velocidade máxima: 184 km/h.
Diâmetro e curso: 74,5 mm X 76,4 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira interdependente, com braços longitudinais e molas helicoidais. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e discos à tambor atrás. Oferece ABS com EBD de série.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 3,64 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,50 m de altura e 2,42 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 1 mil kg, em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 285 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Taubaté, Brasil.
Lançamento mundial: 2011.
Lançamento no Brasil: 2014.
Lançamento do novo motor 1.0 TSI: 2015.
Itens de série: ar-condicionado, direção elétrica, banco do motorista e coluna de direção com ajuste de altura, computador de bordo, sistema de som com rádio/CD/Bluetooth/USB/AuX/iPod, rodas de liga leve de 15 polegadas, chave com alarme e comando remoto, travas e vidros dianteiros elétricos, sistema isofix para fixação de cadeirinha de criança, porta-malas com fundo de altura variável, sensor de estacionamento traseiro, faróis e lanterna de neblina, bancos revestidos em couro sintético, volante e painel com aplique plástico preto brilhante, adesivos laterais, espelho com pintura azul, teto e seção central da grade pintados de preto, saias laterais, acabamento em tom de alumínio nas soleiras de porta, forração de teto e colunas “A” em tecido preto e manopla com acabamento diferenciado. 
Preço: R$ 49.990.
Opcional: sistema “Maps & More” com navegador GPS e integrado ao computador de bordo do carro.
Preço completo: R$ 51.508.

Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Racional com emoção - Volkswagen Up explora o bom equilíbrio entre força e consumo do motor TSI na versão de topo Speed

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 02 Dec 2015 10:38:00

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