3 de jun de 2015

Entrevista com Marco Borba, vice-presidente da Iveco

Entrevista com Marco Borba, vice-presidente da Iveco

Os tempos não andam fáceis para o mercado brasileiro de caminhões. No primeiro quadrimestre, a queda foi de 39% em relação ao mesmo período do ano passado. Em meio às notícias negativas no setor, inclusive greves de metalúrgicos que paralisaram algumas linhas de montagem, a italiana Iveco veio na contramão – acaba de anunciar um investimento de R$ 650 milhões no Brasil até 2016. O aporte de capital contempla aprimoramentos na fábrica da cidade mineira de Sete Lagoas e também a implantação de um Centro de Treinamento na cidade paulista de Sorocaba. “Esse movimento faz parte da estratégia da marca, independentemente do cenário político-econômico do Brasil”, explica Marco Borba, vice-presidente da Iveco para a América Latina. Com 48 anos, formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas com especialização em Marketing pela mesma instituição, o executivo paulistano detalha, na entrevista a seguir, algumas das estratégias da marca para o país. Veja também:
  • Entrevista com Humberto Spinetti, diretor de negócios de Ônibus da Iveco
Pergunta - Num momento de brutal retração do mercado brasileiros de caminhões e ônibus, a Iveco anuncia um investimento de R$ 650 milhões no Brasil. Não parece arriscado investir em um momento como esse? 

Resposta: O mercado brasileiro é muito forte e a Iveco continua apostando que o país possui todas as condições para crescermos, com bases firmes. Os investimentos em pesquisa, desenvolvimento, inovação e capacitação provam o compromisso que temos com o futuro da operação no país. O momento é propício para aprimorarmos os processos produtivos e, por consequência, conquistarmos maior participação de mercado. Vemos o atual cenário como um período para fortalecermos  a empresa e realizarmos os ajustes necessários. Temos convicção de que a crise atual é passageira. Quando ela terminar, estaremos ainda mais competitivos. P - Esse investimento contempla novos produtos? R: Parte desse aporte será utilizada para atualizações em nossa linha de produtos. A Iveco possui uma gama de veículos que vai dos leves aos extrapesados. Entendemos que, mais importante que pensar em ampliar essa gama, é deixar nossos atuais veículos ainda mais atrativos para os clientes. Nossos investimentos também contemplam a aquisição de equipamentos para otimizar processos produtivos e aprimorar a qualidade do produto final. É em nome desse aprimoramento que iremos inaugurar em breve o mais completo campo de provas das empresas do nosso setor no país, na cidade paulista de Sorocaba. A estrutura permitirá realizar testes completos, da linha Daily ao blindado Guarani, produzido em parceria com o Exército brasileiro.

P - Em termos de nacionalização de componentes, como anda a evolução dentro da fábrica de Sete Lagoas? R: A nacionalização de componentes é um esforço constante na Iveco e antecede os investimentos. Com o novo aporte, vamos ter um impulso ainda maior nesse sentido. O esperado é que nossas linhas alcancem patamares de 80% a 90% de conteúdos nacionais. Sobre a atração de fornecedores, o projeto do distrito industrial já é uma realidade. Oito dos vinte lotes disponíveis a menos de 500 metros do complexo industrial da Iveco já estão reservados. Percebemos o interesse de empresas locais e do exterior nesse projeto, que irá representar um grande ganho de eficiência logística e independência de variações cambiais. P - Qual a importância do novo Centro de Treinamento em Sorocaba dentro da estratégia da Iveco para o mercado brasileiro? R: É fundamental, uma vez que bons serviços têm a mesma importância que um bom portfolio de produtos. Nossa rede é a principal ferramenta para fidelizarmos clientes. O Centro de Treinamento de Sorocaba será, na prática, um local para transmissão de todo o conhecimento teórico acerca dos veículos Iveco, com uma estrutura completa, que permitirá cursos gerenciais, de peças, entre outros. É importante destacar que essa é mais uma iniciativa que se soma a outros esforços de capacitação que temos feito em conjunto com a rede. Nos últimos quatro anos, mais de 6.000 profissionais foram treinados para dar respostas rápidas aos nossos clientes e garantir a melhor assistência técnica.

P - Como foi o desempenho de vendas da Iveco no mercado brasileiro nesse primeiro quadrimestre, comparando com o mesmo período do ano passado? R: Sentimos os efeitos, assim como todo o mercado, da desaceleração da economia brasileira. Estamos mantendo nossa participação de mercado na casa de 8% para veículos na faixa acima de 3,5 toneladas. Vemos espaço para ampliar ainda mais a nossa participação.  P - Onde a Iveco avalia que existam melhores perspectivas de crescimento? R: Acreditamos que a tendência para 2015 seja para a compra de caminhões para entregas urbanas. O setor de varejo foi afetado com menos força pela crise econômica, já que esse segmento trabalha com produtos essenciais para a sociedade, como os alimentos. Para essa demanda temos o Iveco Daily, modelo mais vendido da marca. Cremos que já estamos devidamente consolidados nessa fatia de mercado. Em contrapartida, a Iveco tem grandes possibilidades de crescer nos segmentos de semipesados e pesados. No caso dos semipesados, temos o Tector, um veículo que tem excelente aceitação entre os proprietários. Na linha dos pesados, apostamos nas gamas Stralis e Hi-Way. Com nossos investimentos, deixaremos esses veículos ainda mais interessantes para os nossos clientes, sob os aspectos da durabilidade, robustez e custo operacional. O pós-venda também está sempre no nosso foco, com destaque para novos planos de manutenção, voltados para atender e fidelizar os clientes cada vez mais exigentes do nosso mercado.


Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira (Auto Press)
Fotos: Divulgação

Postura arrojada - Marco Borba, vice-presidente da Iveco América Latina, justifica os investimentos de R$ 650 milhões em tempos de retração

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Mercado
Publicado em: 03 Jun 2015 09:08:00

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