2 de mar de 2016

Teste do novo do Honda Accord

Teste do novo do Honda Accord

Apesar do face-lift, o novo Honda Accord mais evoluiu do que mudou. Na frente, capô, para-choques, conjuntos óticos e grade estão diferentes, mas nem tanto. A traseira teve alterações ainda mais sutis: para-choque e lanternas. A lógica do design se manteve a mesma de quando esta nona geração foi apresentada, em 2012. No entanto, o sedã médio-grande ganhou uma série de recursos que o tornaram mais seguro, interativo e tecnológico. Para o Brasil, a marca japonesa decidiu trazer dos Estados Unidos – ele é feito no estado de Ohio – apenas a versão EX-L V6, uma das mais completas – a de topo mesmo é a Touring. E a função é bem clara: ser um carro de imagem. A projeção de vendas é de míseras 10 unidades mensais.

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A pequena freguesia nem é por causa do preço – que, para o segmento, é razoável. O modelo está nas concessionárias oferecido por R$ 156.300. O Camry, médio-grande da arquirrival Toyota, sai a R$ 180 mil. Já o Azera, da sulcoreana Hyundai, fica em R$ 167 mil. Só perde mesmo para o “hors-concours” Ford Fusion, que sai na versão topo a R$ 137 mil. Acontece que essa faixa de mercado é bem concorrida. Entram nela os modelos mais completos dos sedãs médios de luxo alemães. Por tudo isso, a Honda faz uma projeção parecida com a do ano passado, quando vendeu 100 carros, e desenha o perfil de seus possíveis interessados como “fãs da marca”.

De fato, o Accord oferece bons motivos para despertar a admiração. As tecnologias implementadas são para o uso efetivo, sem apelar para o encantamento de luzes piscantes ou recursos mirabolantes. Um bom exemplo disso é o LaneWatch, que elimina os pontos cegos com uma câmara instalada no retrovisor que exibe em um dos monitores do painel a lateral direita sempre que a seta é acionada. Outro recurso inovador no segmento é o sistema que elimina ruídos e vibrações ao transmitir ondas contrárias na mesma frequência sonora.

O motor é o mesmo 3.5 V6 de 280 cv de potência e 34,9 kgfm de torque. Ele conta um sistema de economia de combustível que desconecta metade dos cilindros quando não há solitação de potência. Como as vibrações de um propuslor com três cilindros são bem diferentes de um com seis, o V6 foi instalado sobre coxins eletro-hidráulicos, controlados eletronicamente.De carona neste face-lift da nona geração, outras mudanças foram promovidas no Accord. Caso dos novos conjuntos óticos, que passaram a ser full-led. Na traseira, as lanternas ganharam leds e a tampa do porta-malas ostenta agora um discreto spoiler. Nada que altere a personalidade desse sedã, que une como poucos tecnologia e racionalidade.

Ponto a ponto

Desempenho – A Honda apostou apenas na versão mais poderosa do Accord. Os 280 cv e os 34,9 kgfm do motor 3.5 V6 dão conta dos pouco mais de 1.600 quilos do sedã sem qualquer sacrifício. O zero a 100 km/h traduz matematicamente esta facilidade: 5,7 segundos. O câmbio automático sequencial de seis marchas, com paddle shifts no volante, ajusta rapidamente o carro às situações. A 5ª e a 6ª marchas bem longas ajudam na economia e permitem que o Accord trafegue em velocidades altas com muita desenvoltura. Nota 9. Estabilidade – A suspensão do Accord é clássica, com McPherson na frente e multilink atrás. embora não seja um esportivo, seu comportamento dinâmico é bastante neutro e controlado – tanto nas retas, como em curvas e frenagens. No pacote montado para o Brasil após o atual face-lift, as rodas foram aumentadas de aro 17 para 18, o que obrigou a redução do perfil do pneu. Para compensar este “enrijecimento”, a Honda adotou amortecedores mais macios. Manteve o conforto e deixou a direção elétrica mais comunicativa. Nota 8. Interatividade – Houve ganhos significativos na nova linha do Accord. Caso da adoção de chave presencial para destravar as portas e ligar o carro, que permite também o acionamento remoto do motor. Um sistema interessante, chamado de LaneWatch, consiste numa câmara que mostra toda a lateral direita no monitor quando a seta neste lado é acionada. O Accord tem três lentes diferentes para a câmara de ré e recebeu ainda sensores de obstáculos dianteiros. Através do volante multifuncional, pode-se regular o som, o controle de cruzeiro, acionar o telefone, comando de voz e navegar no computador de bordo. No console central, duas telas – uma delas multitouch – transmitem informações do GPS, podem espelhar celulares e também utilizar Apple CarPlay e Andoid Auto. O sistema multimídia tem duas entradas USB, uma auxiliar e uma HDMI. Dá para conectar praticamente qualquer coisa ao equipamento. Nota 10.

Consumo – O Honda Accord não está presente no Programa Brasileiro de Etiquetagem, do InMetro. No programa norte-americano, a indicação de consumo é de 10,4 km/l na cidade e 15,4 km/l na estrada. Durante o teste, feito basicamente em estrada, o computador de bordo acusou um consumo bem mais alto, de 10,6 km/l, mas deve-se levar em conta que o modelo foi bastante exigido e não teve chance de usar o sistema de desabilita três dos seis cilindros, quando há pouca solicitação de potência. De qualquer forma, são números razoáveis para um carro com 280 cv de potência. Nota 7. Conforto – É um dos pontos altos do Accord. Na parte de tecnologia, a Honda incrementou o sedã com um sistema antirruído, em que um microfone na cabine capta ruídos e vibrações que são anulados por ondas emitidas pelos alto-falantes. O motor também recebeu coxins eletro-hidráulicos, para compensar a mudança de vibrações do motor quando está trabalhando com seis ou três cilindros. A suspensão é firme, mas filtra bem as irregularidades. Os bancos são bem ergonômicos, mas o próprio desenho do assento traseiro indica que o carro é muito melhor para quatro passageiros do que para cinco. Nota 9. Tecnologia – O Accord é o modelo mais tecnológico que ostenta a marca Honda e traz itens bem originais e inventivos, que não estão presentes nem em modelos de marcas de luxo. O motor é possante e tem o sistema de desativação de cilindros, para ficar mais econômico. Esta nona geração é de 2012 e tem uma plataforma moderna, leve e com ótima rigidez torcional. Em relação à segurança, o Accord traz controle de estabilidade e tração, sistema de direção variável, que induz o motorista ao movimento correto quanto há perda de aderência, assistente para aclives, faróis full-led e seis airbags, sendo os frontais com duplo estágio. Nota 10.
Habitabilidade – O entre-eixos de 2,78 m é muito bem aproveitado. E a boa altura do Accord, de 1,48 m, ajuda no acesso ao habitáculo e permite uma postura mais ereta aos ocupantes. Com isso, o espaço para as pernas e cabeça são bastante generosos e há apoio de braços na frente e atrás. Há também porta-objetos em bom número. O teto solar elétrico ajuda a melhorar o ambiente e o porta-malas, de 461 litros, é bem suficiente para a bagagem de quatro pessoas. Nota 9. Acabamento – A configuração trazida para o Brasil é completa, daí o acabamento ser o melhor disponível na linha. O revestimento é em couro nos bancos e consoles. Portas e painel trazem detalhes em uma discreta madeira escura. Os plásticos das portas e tablier são agradáveis ao toque e aparentam boa qualidade. Não há luxo, mas tudo é bem-cuidado e bem-finalizado. Nota 8. Design – Mesmo com as mudanças promovidas no face-lift, o Accord não impressiona esteticamente. Não tem nada especificamente errado, mas as linhas são previsíveis e conservadoras. Vincos, inclinação das colunas, caimento do teto, tudo é correto, sem ousadia ou alguma característica que reforce a personalidade do modelo. O sedã da Honda é bem melhor por dentro do que por fora. Nota 6.
Custo/Benefício – O modelo chega em versão única ao preço de R$ 156.300. Nessa faixa, ele briga com Hyundai Azera e, principalmente, Toyota Camry. Só que o pacote tecnológico do Accord torna sua relação custo/benefício muito superior à dos rivais. Se a comparação for com modelos de luxo, a vantagem fica ainda maior. Nesta faixa de preço, as marcas premium oferecem carros menores e muito despojados. Nota 8. Total – O Honda Accord somou 84 pontos em 100 possíveis.

Primeiras Impressões

Indaiatuba/SP – É preciso examinar atentamente para encontrar as novidades da nova linha Accord. Afinal o motor é o mesmo e as linhas quase não mudaram. A diferença está nos detalhes. A frente agora ostenta as grossas barras cromadas, onde fica incrustado o “H” da Honda. Ao lado dela, novos conjuntos óticos em full-led. Na traseira, as lanternas ganharam iluminação em led e a tampa do porta-malas tem um spoiler. Na lateral, as rodas tiveram um ligeiro aumento de diâmetro, indo de 17 para 18 polegadas. As poucas alterações mostram que o carro japonês se manteve competitivo na briga com o Toyota Camry pela liderança dos automóveis de passeio do mercado dos Estados Unidos. A necessidade de atualização foi em itens periféricos. Como a central multimídia, que ganhou em conectividade, a chave presencial, que permite até dar a partida a 25 metros de distância, e a direção elétrica, que é coordenada com o controle de estabilidade.
O motor V6 ronca de forma bem suave quando é acionado. Mas é preciso estar com a janela aberta para poder escutar de dentro do carro. O sistema antirruído do Accord cria uma bolha de silêncio dentro do habitáculo. O câmbio reage bem aos comandos manuais – tanto na alavanca quanto nas espátulas atrás do volante –, mas também passa muito bem sem as intervenções do motorista. Como tem uma relação peso/potência de carro esportivo, com 5,82 kg/cv, não se percebe qualquer esforço em acelerações ou retomadas. Ao contrário: uma pisada mais determinada no acelerador faz com que o corpo dos ocupantes sejam pressionados contra o encosto. Com esse fôlego, a suspensão mais firme é uma escolha natural. Nem por isso o conforto é comprometido. A espuma dos bancos tem espessura e densidade corretas e o desenho ergonômico segura bem o corpo dos ocupantes. A direção elétrica mantém o peso correto no volante e a impressão é que o sedã é menor que seus 4,91 metros de comprimentos.

Ficha técnica

Honda Accord EX-L V6

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 3.471 cm³, com seis cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindro, duplo comando do cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico. Sistema de desativação de cilindros.
Transmissão: Câmbio automático com modo manual sequencial e paddle shifts no volante com seis marchas à frente e uma ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 280 cv a 6.200 rpm.
Torque máximo: 34,6 kgfm a 4.900 rpm.
Diâmetro e curso: 89,0 x 93,0 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira do tipo multilink, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 235/45 R18.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,91 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,47 m de altura e 2,78 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais de duplo estágio, laterais e de cortina.
Peso: 1.629 kg.
Capacidade do porta-malas: 461 litros.
Tanque de combustível: 65 litros.
Produção: Marysville, Ohio, Estados Unidos.
Lançamento mundial da nona geração: 2012.
Face-lift: 2015.
Itens de série: Câmara de ré com três ângulos, sensor de luz, chuva e estacionamento dianteiro e traseiro, faróis de neblina, ar-condicionado dual zone, cruise control, sistema de som com bluetooth, USB, Aux e HDMI, trio elétrico, airbags frontais, laterais e de cortina, computador de bordo, ABS com EBD, controles de estabilidade e tração, teto solar elétrico, faróis dianteiros em led, lanternas em led, sistema supressor de ruído, retrovisores eletricamente rebatíveis, chave presencial para ignição e travas e acionamento remoto do motor.
Preço: R$ 156.300.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias e divulgação (interior)

Força de imagem - Honda importa o novo Accord com mudanças no visual e bom recheio tecnológico

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 02 Mar 2016 12:40:00

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