17 de fev de 2016

Teste da nova picape Fiat Toro

Teste da nova picape Fiat Toro

A Toro é um animal difícil de definir. A nova picape da Fiat tem estrutura em monobloco, como os carros de passeio, divide a plataforma com o SUV compacto Jeep Renegade, mede quase 5 metros mas tem uma versão flex que carrega apenas 650 kg, como se fosse uma picape compacta. Mas também tem uma versão diesel, que transporta uma tonelada, o que a torna oficialmente uma picape média. Na apresentação do veículo, foi pedido aos executivos da marca que traçassem o perfil do público-alvo do novo carro. Ninguém soube dizer exatamente quem a Toro vai atrair. A Fiat, no entanto, tem certeza de que vai atrair. E muito. Primeiro pelo tamanho. Ela é menor que as atuais picapes médias, tem mais espaço na cabine e na caçamba que as compactas. Depois pelo conteúdo. Desde a versão básica, a Toro chega bem completa.

Os preços da Toro se equilibram exatamente entre os das picapes compactas e os das médias. Ela chega em duas versões e cinco configurações. A topo é a Volcano, que vem com motor 2.0 turbodiesel, tração 4X4 e câmbio automático de nove marchas. Ela vem bem completa e custa R$ 116.500. Todas as outras quatro configurações são da versão Freedom. Ela começa com motor flex 1.8 de 139 cv e câmbio automático de 6 marchas a R$ 76.500. Para o lançamento, a Fiat criou a Opening Edition, que é a Freedom flex com vários itens adicionais. Ela custa R$ 84.400 – R$ 7.900 a mais – e inclui rodas de liga aro 16, faróis de neblina, capota marítima, sensor de chuva e de luminosidade e sistema multimídia com tela de 5 polegadas, entre outros. As outras duas configurações da Freedom trazem o mesmo conteúdo da Freedom de entrada, mas têm motorização diesel e câmbio manual de seis marchas. A 4X2 custa R$ 93.900 e a 4X4, R$ 101.900.

Todo o projeto da Toro foi desenvolvido no Brasil e atendeu a intenção da Fiat de valorizar a marca e trabalhar com modelo de segmentos superiores – como já aconteceu em pequena escala com o SUV Freemont. Por isso mesmo, houve uma preocupação de embarcar uma boa dose de eletrônica no modelo – ela conta com controle de estabilidade e de tração e hill holder, por exemplo. Mas onde esta intenção fica mais evidente é mesmo no design, com linhas bem marcadas e modernas. A perspectiva da marca é vender pouco mais de 4 mil unidades por mês ou 50 mil por ano – 65% delas de versões diesel. Essa performance deixaria a Toro acima de Chevrolet S-10 e Toyota Hilux – em 2015, elas venderam menos de 34 mil unidades cada.

Ponto a ponto

Desempenho – Os motores da Fiat Toro são basicamente os mesmos que animam de forma bastante eficiente o Jeep Renegade. Só que o pequeno SUV tem quase 200 kg a menos que a picape. O resultado é que tanto a motorização flex quanto a diesel movimentam a Fiat Toro de forma bem parcimoniosa. Nem os 7 cv a mais do motor 1.8 EVO – chega agora a 139 cv – livram a Toro da relação peso/potência desfavorável, de 11,6 kg/cv. Nas versões diesel, o bom torque de 35,7 kgfm ainda dá uma boa disposição ao utilitário, mas o ganho de velocidade não impressiona. Nota 7. Estabilidade – A sensação de “carro de passeio”, tão propalada pela Fiat para valorizar as qualidades de sua nova picape, é real. A Toro se movimenta como se a caçamba não existisse, tal a rigidez estrutural e a eficiência do conjunto suspensivo – McPherson na frente e multilink atrás. Não há rolagem lateral mesmo em curvas mais forçadas e a neutralidade em retas é absoluta. A tração integral das versões mais caras é capaz de transferir, on demand, até 50% do torque para as rodas traseiras e melhoram ainda mais a equação. Nota 9. Interatividade – Desde o conceito, o sistema Uconnect se mostra uma interface bastante eficiente entre motorista e carro. Na Toro, tudo pode ser controlado pelo volante multifuncional em conjunto com os comandos vocais. O que compensa em parte a timidez da tela touch de apenas 5 polegadas no console central. No centro do painel de instrumentos, uma tela TFT configurável pode trazer informações do computador de bordo, do sistema de som, do telefone e do GPS. Na condução, os dois câmbios automáticos podem ser trabalhados de forma sequencial tanto diretamente na alavanca quanto nos paddles shifts atrás do volante. Nas versões superiores, há sistema para acionamento do motor e do ar-condicionado remotamente, sem destrancar o veículo, e chave presencial com ignição por botão. Nota 9.

Consumo – Segundo o InMetro, a versão flex fez na cidade 5,8 km/l com etanol e 7,4 km/l com gasolina. Na estrada os números sobem para 8,3 e 10,5. Não é um mal resultado para um carro de 1.600 kg. Tanto que esse desempenho rendeu à Toro o índice A na categoria picapes – motorizações diesel não entram no programa de etiquetagem da entidade. Nota 7. Conforto – A Toro transita entre as picapes compactas e as médias. Na prática, isso significa que tem bom espaço longitudinal, para pernas e joelhos, e pouco espaço transversal, para os ombros. Em suma: quatro ocupantes ficam muito bem acomodados, mas um quinto personagem deve ser reservado apenas para trajetos rápidos. A suspensão, que tem um bom compromisso com a estabilidade, filtra muito bem as irregularidades e ajuda no ótimo isolamento acústico do veículo. Nota 8. Tecnologia – O pacote eletrônico da Toro é bem completo mesmo na versão de entrada, Freedom 1.8. Traz um ABS moderno, com recursos como controle de estabilidade e de tração e assistência em aclives. Tem ainda direção elétrica, sensor traseiro, sistema de som com Bluetooth e controle de cruzeiro, além de luzes diurnas e lanternas em led. Nas versões mais caras, os recursos vão se ampliando, principalmente em relação ao conforto. Enquanto os motores não são os mais modernos – embora o Multijet diesel seja muito eficiente –, a plataforma, compartilhada com o Jeep Renegade é bem evoluída. Nota 8.

Habitabilidade – A altura da Toro dificulta um pouco o acesso, mas exige muito menos ginástica que nas picapes médias maiores. Por dentro, falta espaço lateralmente e a proximidade entre o teto e as cabeças dos mais altos é um pouco opressora. Por outro lado, os 2,99 metros de entre-eixos dimensionam bem o conforto que quatro ocupantes podem desfrutar. A solução de dividir a tampa da caçamba em duas portas que abrem em par dá uma maior funcionalidade ao modelo para uso cotidiano. Além disso, sob a capota marítima cabem 850 litros. Nota 9. Acabamento – O interior da Toro é bem concebido e bem desenhado. Os detalhes são bem cuidados e refletem a assumida intenção da Fiat em mudar de status. Há, no entanto, um excesso de plásticos rígidos revestindo painel das portas, console e tablier. Nota 8. Design – Um dos pontos altos da Toro. As linhas são modernas, sofisticadas e equilibradas. A solução de “esconder” os faróis na grade dianteira e fazer das luzes diurnas e lanternas os “olhos” do veículo dão a dose de arrojo que diferencia a picape da Fiat da horda de utilitários sem graça que ocupam as ruas das grandes cidades. O capô tem um contorno arredondado semelhante ao do Range Rover Evoque. A musculatura exposta nos vincos da carroceria, principalmente na lateral, emprestam a robustez e a agressividade necessárias a um carro que trabalha a ideia de resistência. Além de original, o design da Toro é ousado. Nota 10.
Custo/Benefício – A própria Fiat assume uma certa dificuldade em apontar os rivais da Toro. A capacidade de carga da versão diesel, de uma tonelada, a coloca como picape média. Mas na versão flex ela só suporta 650 kg, como se fosse compacta. Com preços entre R$ 76.500 e R$ 116.500, ela briga com as topo de linha de Volkswagen Saveiro e Renault Duster Oroch e com as básicas a diesel de médias como Toyota Hilux e Chevrolet S10. E como é bem completa, pode tranquilamente se dar bem nos dois flancos. Detalhe: a Toro é entre R$ 5 mil e R$ 10 mil mais barata que as versões correspondentes do Jeep Renegade. Nota 8. Total – A Fiat Toro somou 83 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões

Campinas/SP – A Fiat Toro impressiona de cara. O visual ousado e agressivo aproxima a picape da imagem de um SUV moderno. Outros aspectos também promovem esta proximidade. O habitáculo recebe um tratamento de carro de passeio. Não tem grandes luxos, mas há muitos detalhes “sociais”, como as molduras nas entradas de ar, os puxadores das portas cheios de bossa, telas de LCD e um desenho no estilo cockpit do painel. Pela estética e pela pequena largura na cabine, não há como negar o parentesco com o Jeep Renegade, com quem divide a plataforma e a linha de produção, em Goiana, Pernambuco.
Sob o capô, a presença de um propulsor flex ou turbodiesel muda tudo. No segundo caso está a versão de topo Volcano. Nela, além do propulsor de 170 cv, a Toro traz ainda tração 4X4 e câmbio automático de nove marchas. Com ele, a Toro tem boa disposição e aparenta ser capaz de enfrentar trechos difíceis, caso eles houvessem no test-drive proposto. Um efeito colateral da tração integral é o menor esterçamento das rodas dianteiras, o que prejudica um pouco nas manobras – o diâmetro de giro é 70 cm maior. Por outro lado, o maior peso da versão de topo, que tem 250 kg a mais que a flex, até deixa a Toro mais estável.
Todas as unidades estavam com a caçamba vazia. Mas nem assim o propulsor 1.8 flex de 139 cv convenceu muito. Principalmente porque esta motorização tem praticamente a metade do torque da versão diesel – 19,3 kgfm com etanol contra 35,7 kgfm. O melhor, nesse caso, é se concentrar no conforto a bordo. Os bancos têm a densidade correta e bons apoios laterais. Atrás, o encosto tem boa inclinação em relação ao assento, o que amplia o conforto. Mas com mais ou menos torque, a posição de dirigir e as reações da picape são muito semelhantes às de um carro de passeio. Tudo parece pensado para tornar a convivência com a Toro bastante agradável.

Ficha técnica

Fiat Toro

Motor 1.8: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.747 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Coletor de admissão variável, injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência: 135 cv com gasolina e 139 cv com etanol a 5.750 rpm.
Torque máximo: 18,8 kgfm com gasolina e 19,3 kgfm com etanol a 3.750 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 12,8 segundos com gasolina e 12,2 s com etanol.
Velocidade máxima: 172 km/h com gasolina e 175 km/h com etanol.
Diâmetro e curso: 80,5 mm x 85,8 mm.
Taxa de compressão: 12,5:1. Motor 2.0: Diesel, dianteiro, transversal, 1.956 cm³, turbo, quatro cilindros em linha e quatro válvulas por cilindro. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de seis ou automático de nove marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira ou 4X4. Oferece controle de tração.
Potência: 170 cv a 3.750 rpm.
Torque máximo: 35,7 kgfm a 1.750 giros.
Aceleração 0-100 km/h: 9,5 segundos com câmbio manual e 10,0 segundos com automático.
Velocidade máxima: 190 km/h (manual) e 188 km/h (automático).
Diâmetro e curso: 83 mm x 90,4 mm.
Taxa de compressão: 16,5:1. Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais. Traseira independente do tipo multilink, links transversais/laterais, barra estabilizadora, amortecedores de duplo efeito e molas progressivas. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 225/70 R16 (Freedom) e 225/65 R17 (Volcano).
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Picape em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,92 metros com 1,84 m de largura, 1,69 m de altura e 2,99 m de entre-eixos. Possui airbags frontais de série. Airbags laterais, de cabeça e para joelho de motorista opcional.
Peso - Freedom 1.8 flex: 1.619 kg.
Peso - Freedom diesel 4X2: 1.779 kg.
Peso - Freedom diesel 4X4: 1.788 kg.
Peso - Volcano 2.0: 1.871 kg.
Capacidade da caçamba: 850 litros.
Capacidade de carga - 1.8 flex: 650 kg.
Capacidade de carga - Diesel: 1.000 kg.
Tanque de combustível: 60 litros.
Lançamento no Brasil: 2016.
Produção: Goiana, Pernambuco.

Itens de série e Preços

Freedom 1.8 Flex e 2.0 Diesel: Controle de tração, abertura elétrica do tanque, alertas de limite de velocidade e manutenção programada, ar-condicionado, chave canivete com telecomando para abertura e fechamento das portas, computador de bordo, direção elétrica, controle eletrônico da aceleração, controle eletrônico de estabilidade, airbag duplo, freios ABS com EBD, assistente de partida em rampas, lanterna traseira em leds, piloto automático, radio com entrada USB/AUX, Bluetooth e função Audio Streaming, rodas de aço de 16 polegadas, sensor de estacionamento traseiro, tampa traseira dupla com abertura elétrica, tomada 12V, vidros e travas elétricos, volante multifuncional com regulagem de altura e profundidade e lanterna traseira de neblina.
Preço: R$ 76.500 e R$ 93.900. 
Opcionais da Freedom 1.8 Flex: Faróis de neblina, retrovisores externos elétricos com memória, capota marítima, ar-condicionado digital dualzone, câmara de ré, volante em curo com borboletas para trocas de marchas, sistema de reconhecimento de voz, central Uconnect Touch 5 polegadas, válvula antirrefluxo de combustível, rodas de liga leve de 16 polegadas, teto solar, entrada extra USB e tomada extra 12V, alarme antifurto, apoia-braço traseiro, brake light, iluminação de caçamba, sensor de chuva, sensor crepuscular e retrovisor interno eletrocrômico.
Preço completa: R$ 88.030. 
Opcionais da Freedom 2.0 Diesel e 2.0 diesel 4X4: sete airbags, sensor de monitoramento da pressão dos pneus, teto solar, audio streaming, Bluetooth com comandos de voz, centra Uconnect touch 5 polegadas, 2ª entrada USB, 2ª Tomada 12V, alarme, apoia-braço traseiro, brake light, iluminação de caçamba, sensor de chuva, sensor crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, Bluetooth com comandos de voz, capota marítima, faróis de neblina, retrovisores externos elétricos com memória, bancos revestidos parcialmente em couro e rodas de liga leve de 17 polegadas.
Preço completa: R$ 113.280.
Freedom 2.0 Diesel 4X4: adiciona retrovisores elétricos com memória.
Preço: R$ 101.900. 
Opcionais da Freedom 2.0 Diesel 4X4: sete airbags, sensor de monitoramento da pressão dos pneus, teto solar, audio streaming, Bluetooth com comandos de voz, centra Uconnect touch 5 polegadas, 2ª entrada USB, 2ª Tomada 12V, alarme, apoia-braço traseiro, brake light, iluminação de caçamba, sensor de chuva, sensor crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, Bluetooth com comandos de voz, capota marítima, faróis de neblina, retrovisores externos elétricos com memória, bancos revestidos parcialmente em couro e rodas de liga leve de 17 polegadas.
Preço completa: 115.160. 
2.0 Volcano:  adiciona 2ª Tomada 12V, 2ª entrada USB, ar-condicionado digital dualzone, brake light, central multimidia Uconnect Touch NAV 5?com comandos de voz, porta USB, Viva-voz Bluetooth® e função GPS, faróis com sistema DRL, faróis de neblina com sistema Cornering, quadro de instrumentos com display de 7 polegadas colorido com relógio digital, calendário e indicador de temperatura externa multifuncional e rodas de liga leve de 1 polegadas.
Preço: R$ 116.500. 
Opcionais da 2.0 Volcano: banco motorista com regulagem elétrica (assento em 8 posições), sensor de pressão dos pneus, sete airbags, teto solar, capota marítima, chave presencial, sensor de chuva, sensor crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, volante com borboletas para troca das marchas e bancos revestidos parcialmente em couro.
Preço completa: R$ 129.340.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias e divulgação

Carga de originalidade - Picape Toro chega com a missão de elevar a Fiat a um novo status no mercado brasileiro

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 17 Feb 2016 11:34:00

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