6 de mai de 2015

Teste do Suzuki S-Cross

Teste do Suzuki S-Cross

De hatch médio para crossover. Do motor 2.0 litros para 1.6 litro. Da tração integral para uma inteligente, que varia entre 4X2 ou 4X4. Essas são as principais mudanças da nova geração do Suzuki SX4, que agora acrescentou um S-Cross na nomenclatura. Como se pode perceber, a marca japonesa promoveu uma modificação geral no modelo que chega este mês às concessionárias brasileiras. A aposta, porém é diferente. A Suzuki não quer fazer barulho com o SX4 S-Cross. No máximo, botar uma pulguinha atrás da orelha dos potenciais compradores de utilitários compactos. A meta da fabricante nipônica é emplacar esporádicas 250 unidades por mês em 2015 – os concorrentes querem até a 5 mil carros/mês. Importado da Hungria, com visual que mistura hatch e utilitário, motorização menor, dimensões mais avantajadas e bastante tecnologia embarcada, o SX4 S-Cross quer apenas “comer” pelas beiradas. Veja também:
  • Suzuki S-Cross chega com preços a partir de R$ 74.900
O segmento pode até ter mudado, mas a “pegada” off-road ainda está presente no S-Cross. Um dos principais itens do modelo é o sistema de tração integral sob demanda chamado de All Grip. Ele consegue interpretar  o movimento do motorista ao volante combinado com o micro escorregamento dos pneus no solo e modula a distribuição de torque entre as rodas e o esforço do volante. Se necessário, a tecnologia ainda aplica frenagem de forma individual em qualquer uma das rodas para garantir aderência e tração. Ele ainda traz quatro diferentes modos. O “Auto” é o padrão e visa maior economia de combustível e automaticamente muda de 4X2 para 4X4, de acordo com as necessidades do terreno. Já o “Sport”, otimiza as trocas de marchas e as características de torque do motor, dando um aspecto mais esportivo ao carro – também transfere torque para o eixo traseiro. O “Snow/Mud” é para pisos de baixa aderência como neve, lama ou outras superfícies escorregadias. O “Lock” auxilia no extremo off-road quando o veículo está atolado na lama ao distruibuir o torque quase 50/50 entre o eixo dianteiro e traseiro.

A aparência externa é outra virtude do S-Cross. A frente traz faróis grandes com lentes translúcidas e grade frontal também avantajada, em formato de trapézio invertido, com o emblema ao centro. De lado é como se melhor percebe a altura do carro em relação ao solo. São quase 20 cm de distância, que parecem mais graças ao acabamento em preto fosco com uma parte prateada, que simula um estribo lateral. A traseira é simples e também protegida com revestimento de plástico, que a torna mais resistente a pequenos arranhões. O S-Cross ainda impressiona pelo seu baixo peso. São apenas 1.085 kg na versão de entrada e 1.190 kg na “top”, recheada de equipamentos. A razão é o uso ostensivo de diferentes tipos de aços de alta tensão na carroceria e, também, o motor menor. Aí que entra o “pacato” 1.6 litro de 120 cv a 6 mil rpm e 15,5 kgfm de torque a 4.400 giros. Ele toma o lugar do 2.0 litros de 145 cv e 18,7 kgfm que estava sob o capô do SX4. Ele trabalha em conjunto com uma transmissão manual de cinco marchas ou câmbio CVT com sete relações pré-definidas e paddle-shifts atrás do volante. Apesar do “downsizing”, de acordo com a marca japonesa, o S-Cross cumpre o zero a 100 km/h em 11,7 segundos – 0,3 segundos a menos que o antecessor.

A missão de atingir a meta de vendas será das 54 concessionárias no Brasil e das quatro versões oferecidas do crossover por aqui. A “básica” é a GL 4X2, que sai por R$ 74.900. Traz câmbio manual de cinco marchas, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, airbags dianteiros, ar-condicionado, bancos com revestimento de tecido, rodas de 16 polegadas e rádio com Bluetooth. O preço sobe para R$ 88.900 na GLX 4X2, que começa a ficar interessante: adiciona botão de partida, transmissão CVT, ar-condicionado digital duas zonas, rodas de 17 polegadas controles eletrônicos de estabilidade e tração, além de assistente de rampas e seis airbags – dianteiros, laterais e de cortina. A versão GLX também pode ser encontrada com o tração 4X4, de R$ 95.900. Além da tecnologia, ela traz ainda bancos e portas revestidos em couro.  O S-Cross ultrapassa a barreira dos R$ 100 mil na versão topo de linha GLX 4X4. Ela custa exatos R$ 105.900 e é a única a vir equipada com faróis bixenônio, teto solar panorâmico com dupla abertura e um sistema multimídia com tela sensível ao toque de 8 polegadas. O dispositivo parece um tablet acoplado ao painel central do carro. Lá é possível descarregar aplicativos – Waze, Facebook, por exemplo – para a memória do modelo por meio de conexão Wi-Fi. Mas só para aparelhos com Android.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 litro de 120 cv e 15,5 kgfm de torque move o S-Cross corretamente. A transmissão CVT usa bem a faixa de torque, mas dá um comportamento um tanto anestesiado ao modelo. Para quem não tem pretensão de explorar a esportividade, o crossover cumpre o que promete. Ao abusar do acelerador, a única resposta imediata é o aumento de ruído. Nota 7. Estabilidade – Equipado com o sistema All Grip, o S-Cross mostra boa desenvoltura em trajetos mais sinuosos. Em curvas fechadas, a carroceria rola mais do que deveria. Mas nada que preocupe o motorista. O crossover também não foi feito para “arroubos” esportivos. Caso isso aconteça, a tração integral sob demanda está lá para consertar qualquer “deslize” do condutor. Assim como os controles de estabilidade e tração. Nota 7. Interatividade – O volante é inclinado à esquerda, mas o condutor se acostuma e ainda pode regulá-lo em altura e profundidade. O S-Cross tem muitos botões – principalmente no volante. Porém, não há nenhum mistério no manuseio. O seletor dos modos de tração fica em uma boa posição – atrás da alavanca de câmbio. A tela multimídia tem uso intuitivo. Para as versões que tem apenas rádio com Bluetooth, o condutor pode perder muitos minutos tentando conectar seu smarthphone. Nota 8.

Consumo – De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro, o Suzuki S-Cross registrou médias de 11,9 km/l em trajeto urbano e 13,2 km/l em trecho rodoviário. Os números deram nota “A” no segmento e “B” no geral. Já o consumo energético ficou em 1,73 MJ/km. Nota 8. Conforto – O Suzuki S-Cross vai bem nesse aspecto. Os espaço para o motorista e carona são ótimos. A suspensão filtra os desníveis do asfalto e o modelo é macio no rodar. Os bancos têm a densidade correta e os corpos dos passageiros são bem recebidos. E desde que não abuse do pedal do acelerador, o isolamento acústico dá conta do recado. Nota 7. Tecnologia – Assistente de rampa, tração integral sob demanda, motor econômico, transmissão CVT, plataforma nova e sistema multimídia com tela de 8 polegadas com Wi-Fi e GPS integrados. O S-Cross chega ao Brasil com uma lista interessante de equipamentos. Destaque para o sistema 4X4 inteligente, que adapta o carro a diferentes situações e para o dispositivo de entretenimento e navegação. Nota 8.

Habitabilidade – Os cinco ocupantes de acomodam confortavelmente no S-Cross. O teto solar panorâmico com dupla abertura eleva a percepção de espaço no habitáculo. Os porta-objetos são poucos, porém eficientes para levar chaves, celulares e carteiras. O porta-malas engole bons 440 litros. E, por ser um carro “altinho”, a capacidade pode chegar a 1.270 litros com os bancos traseiros rebatidos. Nota 8. Acabamento – O habitáculo do Suzuki S-Cross é rechado de plásticos. Mas nenhum aparenta má qualidade e todos têm boa textura. Os encaixes também são esmerados. Há ainda detalhes prateados na moldura do sistema de som, saídas de ar e nas portas. Tudo simples e de acordo com a racionalidade japonesa. Nota 7. Design – O S-Cross é bem resolvido nesse aspecto. De hatch médio a um crossover, o modelo ficou mais encorpado e traz um desenho que não impressiona, mas também não deixa a desejar. Os faróis são grandes, a linha de cintura tem uma altura compatível e o perfil é marcado por uma grande vinco – para dar sempre a sensação de que o carro está em movimento. Nota 8.
Custo/benefício – A Suzuki acredita que pode arrebatar alguns potenciais clientes do Honda HR-V – dimensões e equipamentos – e Mitsubishi ASX – por ter tração 4X4. O S-Cross começa em R$ 74.900 e atinge os R$ 105.900. A favor está a boa mecânica e lista de equipamentos. O utilitário da Honda começa em R$ 69.900 e vai até os 88.700 – sempre com tração 4X2. Porém, o modelo conta com o prestígio da fabricante japonesa no Brasil. Já a briga “caseira” com o ASX é nas versões com tração integral. Enquanto o S-Cross custa R$ 95.900 e R$ 105.900, o ASX parte de 107.990 e chega a R$ 115.490. Nota 6. Total – O Suzuki S-Cross somou 74 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões

Guarujá/SP – Nos poucos mais de 130 km que ligam a capital paulista à cidade litorânea do Guarujá, o Suzuki S-Cross mostrou o que pode oferecer para tentar “roubar” compradores de Honda HR-V e Mitsubishi ASX. A versão testada foi a intermediária GLX dotada da tração integral sob demanda All Grip. Se é a primeira impressão é a que vale, o S-Cross passou no teste. Apesar de simples, o habitáculo é espaçoso e sóbrio. O que “pega” é o excesso de plásticos duros. Pelo menos a montagem das peças não revelou folgas. Em movimento, na primeira metade da viagem, recheada de longos trechos retilíneos, o S-Cross se mostrou à vontade: leveza, suavidade, conforto e economia – chegou a registrar cerca de 17 km/l. O motor 1.6 litro de 120 cv e 15,5 kgfm de torque também deu conta do recado, trabalhando em baixas rotações e com fôlego. A conjunto suspensivo é macio e voltado para o conforto, mas ainda assim é capaz de controlar as rolagens da carroceria e deixar quem dirige tranquilo ao volante.
Nos quilômetros finais, o crossover foi posto à prova em um trajeto sinuoso e de subida. Quando exigido, o S-Cross revela outra característica. O propulsor faz um grande esforço para atender a solicitação do condutor. O giro sobe rapidamente e o motor solta todo seu ruído que logo invade o interior e faz o som do rádio se tornar secundário. O S-Cross não é um carro para quem está atrasado para o trabalho. Todo “rosnado” não se traduz em ganho de velocidade subitamente. No crossover, isso se dá de forma gradativa. Já em curvas, o sistema de tração integral deixa o crossover com um comportamento interessante – ou entediante para quem gosta de abusar. A todo momento, o dispositivo analisa um conjunto de fatores – condição da pista, aceleração e esterçamento do volante – e modula a distribuição de torque entre quatro rodas, independentemente da vontade do motorista ou do modo de condução selecionado. Portanto, eletronicamente, o carro tenta ao máximo evitar algum descuido por parte do motorista ou deixá-lo em maior segurança possível em um terreno de baixa aderência. Os controles de tração e estabilidade também estão lá para garantir a ordem em situações mais extremas.

Ficha técnica

Suzuki SX4 S-Cross

Motor: A gasolina, 1.586 cm³, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e comando variável de válvulas. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Potência máxima: 120 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 15,5 kgfm a 4.400 rpm.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,7 segundos.
Velocidade máxima: Não informado.
Diâmetro e curso: 78 mm X 83 mm.
Taxa de compressão: 11:1
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas ou automático CVT com múltiplas relações à frente e uma a ré. Tração dianteira ou integral sob demanda. Oferece controle de tração.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. Traseira com barra de torção, molas helicoidais e amortecedores pressurizados.
Pneus: 205/50 R16 (GL), 205/50 R17 (GLX) e 225/50 R17 (GLS).
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás com ABS, EBD, BAS e BOS. 
Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,30 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,60 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos. Airbags frontais de série.
Peso - 4X2 GL MT: 1.085 kg.
Peso - 4X2 GLX CVT: 1.125 kg.
Peso - 4X4 GLX CVT: 1.170 kg.
Peso - 4X4 GLS CVT: 1.190 kg. 
Capacidade do porta-malas: 440 litros. (1.270 litros com os bancos traseiros rebatidos).
Tanque de combustível: 47 litros.
Produção: Esztergom, Hungria.
Lançamento mundial: 2013.
Lançamento no Brasil: 2015.

Itens de série e Preços

4X2 GL MT: rodas de 16 polegadas, ar-condicionado, faróis de neblina, computador de bordo, rádio com CD/MP3/USB, Bluetooth e quatro alto-falantes, direção elétrica, volante multifuncional revestido em couro e com ajustes de altura e profundidade, piloto automático, Isofix, cintos de segurança traseiros de três pontos
Preço: R$ 74.900.
4X2 GLX CVT: adiciona transmissão CVT, airbags laterais e de cortina, rack de teto, rodas de 17 polegadas, ar-condicionado duas zonas, botão de partida, controlador de velocidade, retrovisores com rebatimento elétrico e pisca integrado, controles eletrônicos de tração e estabilidade e assistente de partida em rampa.
Preço: R$ 88.900.
4X4 GLX CVT: adiciona o sistema de tração integral All Grip com quatro modos de condução e bancos revestidos em couro.
Preço: R$ 95.900.
4X4 GLS CVT: adiciona faróis bixenônio, teto solar panorâmico com dupla abertura, sistema multimídia com tela de 8 polegadas, sensor de chuva, retrovisor eletrocrômico e sensor crepuscular.
Preço: R$ 105.900.
Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Raphael Panaro/Carta Z Notícias

Onde a demanda vai - Suzuki SX4 ganha nome S-Cross, muda de segmento e fica mais econômico para seduzir consumidores de SUVs

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 29 Apr 2015 08:05:00

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