10 de mai de 2015

Teste do Fiat Bravo T-Jet 2016

Teste do Fiat Bravo T-Jet 2016

Não tem jeito. Por mais que as versões esportivas valorizem a imagem de agressividade e sofisticação de um carro “comum”, na prática, funcionam melhor no marketing do que nas vendas. Por muito tempo essa teoria não se aplicava ao Fiat Bravo T-Jet, que arrebatava expressivos 10% do “mix” de vendas da linha – que chegou a emplacar mil unidades mensais. Porém, atualmente essa máxima é bem plausível ao hatch médio da marca italiana. Hoje, a participação da versão turbinada é mais realista – apenas por 5% dos quase 400 emplacamentos/mês do Bravo. Apesar do declínio nas vendas, que reflete a situação geral do mercado automotivo brasileiro, o Bravo T-Jet não perdeu suas premissas básicas: aliar bom comportamento dinâmico e motor potente sem deixar de lado a praticidade e o conforto de um carro para o uso diário.

Veja também:
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Um dos fatores que colabora no cotidiano é o visual discreto. Em fevereiro deste ano, toda linha do Bravo recebeu uma branda atualização estética. Visto de frente, há uma nova grade de ar, agora reforçada por uma barra cromada com o logotipo da marca centralizado. O para-choque traz linhas bem acentuadas e uma barra cromada em V, que acomoda as novas molduras dos faróis de neblina. O conjunto traseiro apresenta para-choque redesenhado com defletores de ar, novas lanternas com molduras pretas e spoiler traseiro. O T-Jet ainda conta com discretas saias laterais, rodas de 17 polegadas e grafismos nas laterais específicos da configuração. Sem um visual “vitaminado”, a esportividade do Bravo T-Jet é garantida pelo que está escondido sob o capô. Lá reside o conhecido motor 1.4 16V turbinado, que fornece 152 cv a 5.500 rpm e torque de 21,1 kgfm entre 2.250 rpm e 4.500 rpm. Ainda há a função Overbooster, que eleva a pressão do turbo de 0,9 para 1,3 bar e, consequentemente, o torque sobe para 23 kgfm nas 3 mil rotações. A transmissão é sempre manual com seis velocidades. Os dois alavancam o hatch de 1.435 kg a 100 km/h em 8,7 segundos e à velocidade máxima de 206 km/h.

Por ser a topo de linha, a versão T-Jet é a que melhor tem a oferecer em termos de equipamentos. Ela traz de série volante multifuncional, ar-condicionado de duas zonas, teto solar duplo, assistente de partida em rampa, piloto automático e controles eletrônicos de estabilidade e tração. O novo sistema de entretenimento Uconnect Touch agora substitui a opcional tela de 6,5 polegadas oferecida anteriormente. Nele, funções de mídia e telefone são comandadas por voz a partir de um toque no volante multifuncional – revestido em couro. Ele tem tela sensível ao toque de 5 polegadas, que pode reproduzir a imagem da câmara de ré e aceita audio streamming, Bluetooth e USB compatível com iPod e iPhone, além da entrada auxiliar. Com estes itens, a Fiat pede iniciais R$ 79.980 pelo Bravo T-Jet. Porém, a conta pode chegar a muito mais. Com faróis de xenon, GPS integrado, airbags laterais, de cortina e de joelho, revestimento dos bancos parcialmente em couro, retrovisor interno eletrocrômico, sensor de estacionamento dianteiro, câmara de ré, entre outros, o custo/benefício do Bravo T-Jet vai pelos ares: R$ 96.714.

Ponto a ponto

Desempenho – Motores turbinados costumam ser sinônimo de desempenho. No Fiat Bravo T-Jet, isso acontece diferente. O 1.4 litro turbo de 152 cv consegue deixar o hatch bem explosivo. Porém, só depois das 3 mil rpm quando o “turbolag” é vencido. Antes da turbina encher, o modelo tem um comportamento “pacato”. A sensação de esportividade é ampliada pelo câmbio manual de seis marchas, que tem o escalonamento correto, mas merecia engates mais precisos. Nota 9. Estabilidade – O Bravo é um hatch com uma bela dinâmica. A versão T-Jet só incrementa as coisas. O acerto um pouquinho mais firme da suspensão colabora para ampliar o controle sobre o carro. O médio segura bem nas curvas – com rolagens da carroceria controladas – e uma ótima sensação de segurança. Nota 9. Interatividade – Apesar de seus muitos botões, é fácil lidar com o Bravo T-Jet no dia a dia. O ar-condicionado bizone e o novo sistema Uconnect Touch têm comandos intuitivos. Os pedais com acabamento em alumínio são adequados à proposta do T-Jet. Talvez o volante com o diâmetro menor reforçasse ainda mais a sensação de esportividade. Nota 8.

Consumo – O Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro não foi generoso com o Fiat Bravo T-Jet. O hatch – movido somente a gasolina – registrou média de 9 km/l na cidade e 10,4 km/l em trecho rodoviário. As notas dadas foram “E” dentro do segmento e “C” no geral. Já o índice energético ficou em elevados 2,29 MJ/km. Durante a avaliação, o computador de bordo do Bravo marcou 8,7 km/l em ciclo urbano e 10 km/l na estrada. Nota 5. Conforto – O Bravo T-Jet oferece um bom espaço para os ocupantes frontais. Os bancos também são aconchegantes. Atrás, duas pessoas se acomodam relativamente bem. Porém, dependem da boa vontade e do ajuste dos bancos do condutor e carona para melhorar o conforto. O conjunto suspensivo mais esportivo não afeta tanto o rodar – as pancadas secas como resposta a buracos mais fundos continuam. Nota 7. Tecnologia – A lista de equipamentos de série do Bravo T-Jet conta com itens interessantes, como ar-condicionado dual zone, teto solar, controles de estabilidade e tração e sistema multimídia com tela sensível ao toque. Os opcionais podem deixam o hatch ainda mais equipado, com faróis de xenônio, airbags adicionais e GPS integrado. O câmbio importado da Itália poderia ter trocas mais precisas. Nota 8.

Habitabilidade – O teto solar na frente e atrás – só o dianteiro é rebatível – eleva a sensação de espaço no Bravo T-Jet. Os porta-objetos poderiam ser mais eficientes em levar itens de uso rápido, como carteira, celulares e chaves. Já entrar na parte de trás do hatch pode se tornar uma sessão de alongamento por causa do caimento acentuado do teto. Nada grave, no entanto. O porta-malas “engole” razoáveis 400 litros. Nota 7. Acabamento – A reestilização do Bravo T-Jet chegou ao interior. Uma nova iluminação branca nos comandos internos e uma grafia diferente no quadro de instrumentos dão um toque sofisticado ao habitáculo. Soma-se ainda o painel todo em plástico emborrachado e com uma textura agradável ao toque. Em partes menos nobres, há um material mais duro, mas que não compromete o acabamento. Os encaixes também mostram precisão. Nota 8. Design – O Bravo T-Jet é um exemplo de que a esportividade não está atrelada a um visual espalhafatoso. O hatch médio preza mais pela elegância do que para os “penduricalhos” estéticos. No recente face-lift, a Fiat optou por manter a discreção. A versão T-Jet é identificável apenas pelas rodas com desenho exclusivo e decalques nas laterais alusivos à versão. Nota 8.
Custo/benefício – O Fiat Bravo T-Jet custa iniciais R$ 79.980 e, além do motor turbo de 152 cv, traz ar-condicionado dual zone, hill assist, teto solar e um sistema multimídia com tela de 5 polegadas. O valor pode ultrapassar os R$ 96 mil com opcionais, como airbags laterais, de cortina e de joelho, GPS integrado, revestimento dos bancos parcialmente em couro, retrovisor interno eletrocrômico, sensor de estacionamento dianteiro e câmara de ré. Um concorrente direto é o Peugeot 308 THP, que é equipado também com um propulsor turbinado, mas 1.6 de 165 cv e câmbio automático de seis marchas. O preço é de R$ 80.490. O valor é mais caro, porém o hatch francês vem com airbags de cortina – opcionais no T-Jet. Já o porta-malas é inferior: 343 litros. O Citroën DS4, dotado do mesmo propulsor, começa na casa dos R$ 100 mil. O Volkswagen Golf parte de R$ 74.300 na versão Confortline dotada do motor 1.4 TSI de 140 cv e transmissão manual de seis relações. A conta do hatch alemão pode beirar os R$ 90 mil com todos os opcionais. Nota 6. Total – O Fiat Bravo T-Jet somou 74 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Se carro esportivo dependesse de visual espalhafatoso, o Fiat Bravo T-Jet estaria excluído dessa classificação. Mas apenas por esse quesito. Porque motor potente e bom comportamento dinâmico estão presentes. A versão “top” do hatch médio da marca italiana parece um carro “civil”. Não exibe para-choques pronunciados, spoiler protuberante e inúmeras saídas de escapamento. Os detalhes são apenas rodas estilosas e adesivos nas laterais. Em uma festa à fantasia, o Bravo T-Jet opta pelo esporte fino. Mas é só entrar em movimento que o modelo mostra toda sua destreza. O Bravo T-Jet gosta de girar alto. Em rotações mais baixas, o comportamento é comedido. Porém, quando “tocado” de forma mais forte, o ponteiro do conta-giros sobe, a turbina enche e o hatch dotado do motor 1.4 litro turbo de 152 cv a 5.500 rpm tem um comportamento “agressivo”. Além de tornar a barreira dos 100 km/h irrelevante. A transmissão manual contribui para isso. O escalonamento é correto e as relações, próximas. O revés fica por conta dos engates, que deveriam ser mais justos. O Bravo T-Jet ainda conta com um botão no painel que deixa a mistura ainda mais “quente”. O Overbooster eleva o torque de 21,1 kgfm para 23 kgfm a 3 mil rpm. Isso torna qualquer “saidinha” de sinal um evento.
A estabilidade do T-Jet só corrobora o bom comportamento do Bravo. A suspensão mais firme contém rolagens de carroceria. O chassi é acertado e há bastante controle do hatch tanto em mudanças bruscas de direção quanto em frenagens fortes. Os pneus 215/45 R17 são os mesmos das configurações Sporting e Blackmotion e garantem boa aderência ao modelo. No mundo real, ou seja, no dia a dia, o Bravo T-Jet também vai bem. O conjunto suspensivo mais firme não “agride” os ocupantes com solavancos e impactos na lombar. O motor gosta dos giros nas alturas, mas o isolamento acústico consegue dar conta do recado. O espaço interno é bom para quatro adultos. Um quinto fica um tanto desconfortável. O bom padrão de acabamento, com materiais de bom gosto, é um ponto a favor do hatch da Fiat.

Ficha técnica

Fiat Bravo T-Jet

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Turbocompressor, intercooler, injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico. 
Transmissão: Câmbio manual de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 152 cv a 5.500 rpm. 
Aceleração 0-100 km/h: 8,7 segundos.
Velocidade máxima: 206 km/h.
Torque máximo: 21,1 kgfm entre 2.250 e 4.500 rpm. Com o Overbooster ligado: 23 kgfm a 3 mil rpm.
Diâmetro e curso: 72 mm x 84 mm.
Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com rodas independentes, braços oscilantes e barra estabilizadora. Traseira do tipo eixo de torção, com rodas semi-independentes e barra estabilizadora.
Pneus: 215/45 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,36 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,48 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série e laterais, de cortina e de joelho para o motorista como opcional.
Peso: 1.435 kg.
Capacidade do porta-malas: 400 litros.
Tanque de combustível: 58 litros.
Produção: Betim, Minas Gerais.
Lançamento na Europa: 2007.
Lançamento no Brasil: 2010.
Reestilização: 2015.
Itens de série: airbag duplo, ar-condicionado dual zone, direção elétrica, sistema multimídia com MP3/USB/Bluetooth e tela de 5 polegadas sensível ao toque, volante multifuncional, rodas de liga leve de 17 polegadas, ABS, apoios de braço, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, controle de estabilidade e de tração, Hill Holder – que auxilia nas partidas em ladeiras –, ponteira do escapamento cromada, sensor de estacionamento traseiro e trio elétrico.
Preço: R$ 79.980.
Opcionais: faróis de xenônio com limpador automático, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, bancos revestidos parcialmente em couro com costura prata, airbags laterais, de cortina e de joelho para o motorista, rebatimento elétrico dos retrovisores externos, retrovisor interno eletrocrômico, sensor crepuscular, sensor de chuva, sensor de estacionamento dianteiro, som Hi-fi com subwoofer, câmara de ré e sistema Uconnect Touch Nav 5".
Preço completo: R$ 96.714.

Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Tempero sem exagero - Versão T-Jet reforça a esportividade do Fiat Bravo, mas estética prima pela discrição e elegância

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 06 May 2015 10:00:00

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