28 de mai de 2015

Teste da Chevrolet Spin Activ automática

Teste da Chevrolet Spin Activ automática

De uns anos para cá, a indústria automotiva enxergou potencial de lucro no nicho de modelos com estética aventureira. Mas a Chevrolet resistiu a criar sua primeira versão em um carro de passeio. Até mostrar, no ano passado, no Salão de São Paulo, a Spin Activ. Com a configuração, a marca oferece uma alternativa ao seu SUV mais barato – o Tracker, que começa na casa dos R$ 90 mil – com um modelo que alia bom espaço interno a um porta-malas capaz de evidenciar sua vocação familiar, com excepcionais 710 litros de capacidade.

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Na frente, o para-choque da Spin foi redesenhado para a versão Activ. Vincos pronunciados nas extremidades e aplique na parte inferior em tom fosco escuro se juntam às molduras de proteção nos para-lamas, soleira das portas e um largo decalque e barra longitudinal que se estendem sobre todo o teto para transmitir a impressão de vocação aventureira. Retrovisores externos e coluna central pretos e adesivos alusivos à versão são outros artifícios usados nessa roupagem off-road. Mas o diferencial mais explícito das configurações convencionais é mesmo o estepe fixado na tampa do porta-malas e as rodas de liga leve diamantadas de 16 polegadas, que acompanham pneus mais largos, 205/60, de uso misto. Com isso, está 8 mm mais alta.  O interior tem bancos com desenho exclusivo e revestimentos em preto. O sistema multimídia MyLink com tela sensível ao toque e de sete polegadas chega de série e envolvido por uma moldura prateada. Outros itens de conforto fazem parte do pacote da versão Activ, como ar-condicionado, direção hidráulica, retrovisores e vidros elétricos e sensores de estacionamento traseiros. Mas, mesmo sendo baseada na configuração de topo LTZ, a Active não tem opção de sete lugares.

O motor é o mesmo 1.8 litro de 106/108 cv com gasolina/etanol utilizado nas demais versões da minivan. A transmissão pode ser manual de cinco velocidades ou automática de seis. Mas, nesse último caso, trata-se da nova GF6, que foi recalibrada recentemente para diminuir o tempo das trocas de marchas e melhorar a eficiência das reduções. Além disso, a suspensão foi mexida para a versão, com acerto levemente mais rígido. Mas nada que mude tanto o comportamento dinâmico da minivan.

Ponto a ponto

Desempenho – São 106/108 cv com gasolina/etanol no tanque e 1.325 kg. Para uma tocada mais pacata, o propulsor 1.8 é mais que suficiente para mover a versão pseudoaventureira da Spin. Como o torque máximo de 16,4/17,1 kgfm aparece a 3.200 rpm com etanol/gasolina – e boa parte dele já fica disponível a partir dos 2.500 rpm, não há decepções nas saídas de sinal. O câmbio automático de seis velocidades é moderno e trabalha em boa sintonia com o motor. As ultrapassagens e retomadas são favorecidas com a redução de até três marchas. Nota 7. Estabilidade – A vocação de minivan da Spin pede uma suspensão que priorize o conforto, mas a versão Activ recebeu uma nova calibração que deixou o conjunto um pouco mais rígido. É tranquilo manter o carro em sua trajetória, mas ainda assim a carroceria aderna consideravelmente em curvas. Não chega a transmitir insegurança. Nota 7.

Interatividade – Os comandos principais do carro estão em lugares fáceis e têm uso bem intuitivo. A posição de dirigir – mais elevada – facilita a visibilidade dianteira e o grande vidro traseiro garante boa retrovisão. Mas abrir o porta-malas demanda o uso das duas mãos e uma certa familiaridade para lidar bem com a trava do estepe, que fica preso na tampa. Nota 7. Consumo – A Chevrolet não cede seus modelos para as avaliações do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro. Durante o teste, o computador de bordo marcou média de 8,6 km/l de gasolina, em trajeto urbano. Nota 6.

Conforto – Há bom espaço para os passageiros dianteiros e duas pessoas viajam com algum conforto no assento traseiro. A suspensão é macia e absorve bem os impactos das irregularidades do asfalto. Nota 7. Tecnologia – A plataforma é a mesma dos sedãs Cobalt e Prisma e do hatch Onix. Foi lançada em 2010 e é bem acertada. A transmissão automática de seis velocidades GF6 foi recalibrada recentemente, uma alteração que resulta em trocas em tempo 50% menor e reduções duplas e até triplas. O sistema multimídia com tela de sete polegadas é de série. Nota 7.

Habitalidade – O teto alto e o bom ângulo de abertura das portas facilitam bastante o acesso. O porta-malas leva invejáveis 710 litros, mas o espaço livre pode chegar a 1.668 litros com os bancos rebaixados. Nota 9. Acabamento – A Spin tem encaixes bem feitos e os materiais são aparentemente de boa qualidade. Mas não são bonitos nem têm toque suave. O excesso de plásticos rígidos cria uma atmosfera de carro popular que não condiz com um preço final de mais de R$ 70 mil da unidade testada. Nota 6.
Design – A versão Activ teve o para-choque dianteiro redesenhado, com aplique na parte inferior em tom fosco escuro. Faróis de neblina têm molduras em preto brilhante e os faróis ganham máscara negra e lentes transparentes. Rodas de liga leve diamantadas de 16 polegadas, molduras de proteção nos para-lamas, soleira das portas, rack de teto e estepe fixado na tampa do porta-malas completam o visual “off-road”. No geral, preserva o aspecto habitual da Spin – sem qualquer charme. Nota 7. Custo/benefício – A Chevrolet cobra iniciais R$ 67.250 pela Spin Activ, mas a cor metálica da versão testada adiciona R$ 1.300 à conta, além dos R$ 4.140 do pacote com transmissão automática e controle de cruzeiro. No total, a unidade avaliada custa R$ 72.690. Um Fiat Doblò Adventure tem sete lugares e motor 1.8 de 132 cv e 18,9 kgfm de torque, mas custa R$ 81.775 equipado à altura, só que sem transmissão automática e com sistema de bloqueio do diferencial dianteiro. Já pelo Idea Adventure Locker com equipamentos semelhantes e transmissão automatizada, com o mesmo motor do Doblò, a marca italiana pede R$ 71.915. Um Citroën Aircross 1.6 Auto Exclusive com sistema de multimídia com navegador GPS sai por R$ 71.690. A Volkswagen pede R$ 78.973 pelo Space Cross com sistema de som com GPS, mas sem estepe pendurado na traseira. Para quem precisa de mais espaço e porta-malas, a Spin pode ser a melhor opção. Mas sem essa necessidade, não é. Nota 6. Total – A Chevrolet Spin Activ automática somou 69 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Design, definitivamente, não é o ponto forte da Spin. Mas a versão Activ carrega alguns atributos estéticos capazes de atrair a atenção de quem se interessa pelo apelo aventureiro que tanto tem feito sucesso no mercado automotivo. Mesmo se tratando apenas de uma roupagem off-road, já que a maior diferença nesse quesito com suas configurações tradicionais é a adoção de um conjunto de rodas e pneus maiores, que elevam a altura do carro em relação ao solo em 8 mm, ante as demais versões da Spin. O motor 1.8 litro de 108 cv com etanol no tanque move o veículo com eficiência, mas sem qualquer emoção. Não há sobras, mas o torque máximo de 17,1 kgfm já presente integralmente a 3.200 rpm favorece retomadas e ultrapassagens. Basta carregar com vontade o pedal do acelerador para sentir a transmissão automática de seis velocidades reduzir até três marchas para ganhar mais força. Quem prefere manter o controle sobre o câmbio pode se decepcionar, já que as trocas se dão através de botões na alavanca.
O amplo espaço interno é o principal trunfo do modelo. Quatro ocupantes viajam sem apertos e até um quinto pode ser incluído, preferencialmente para trajetos curtos. O porta-malas de 710 litros evidencia a vocação familiar da minivan, surpreendentemente grande para um modelo montado sobre uma plataforma compacta. A suspensão absorve bem os impactos causados pelos desníveis do asfalto brasileiro, mas o isolamento acústico deixa a desejar. Nas curvas, as rolagens de carroceria são perceptíveis, mas não chegam a prejudicar a dirigibilidade do modelo. Servem apenas como um alerta de que não se trata de um modelo para se levar ao limite em qualquer circunstância. Em linha reta, no entanto, mesmo em velocidades mais altas, não exige correções na direção.

Ficha técnica

Chevrolet Spin Activ Automática

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.796 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção multiponto.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.
Potência máxima: 108/106 cv a 5.400 rpm com etanol/gasolina.
Torque máximo: 17,1/16,4 kgfm a 3.200 rpm com etanol/gasolina.
Diâmetro e curso: 80,5 mm X 88,2 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Traseira semi-independente por eixo de torção, barra estabilizadora e amortecedores pressurizados.
Pneus: 205/60 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS de série.
Carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,42 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,69 m de altura e 2,62 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série.
Peso: 1.316 kg (manual) e 1.325 kg (automática)
Capacidade do porta-malas: 710 litros.
Tanque de combustível: 53 litros.
Produção: São Caetano do Sul, São Paulo. 
Lançamento no Brasil: 2012.
Lançamento da versão: 2014.
Itens de série: Ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, ajuste de altura do banco do motorista, rodas de 16 polegadas, rack de teto, faróis de milha, sensor de estacionamento traseiro, computador de bordo e sistema de entretenimento MyLink com Bluetooth e USB. 
Preço: R$ 71.390. 
Opcional: Cor metálica. 
Preço completo: R$ 72.690.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Caminho da roça - Chevrolet aposta na Spin Activ como alternativa de crossover com jeito aventureiro

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 27 May 2015 13:15:00

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