4 de mar de 2015

Teste do Citroën C4 Lounge THP Flex Exclusive

Teste do Citroën C4 Lounge THP Flex Exclusive

Os sedãs médios formam uma das categorias de veículos mais sólidas do Brasil. Por mais que a liderança absoluta fique há muitos anos com os japoneses Toyota Corolla e Honda Civic, muitas marcas investem no segmento. É o caso da Citroën, que acredita bastante no potencial de seu representante, o C4 Lounge. Tanto que a marca francesa não se absteve de trazer uma novidade substancial ao modelo no fim do ano passado, pouco mais de um ano depois de seu lançamento. O três volumes já tinha versões com o motor turbo a gasolina. Mas há três meses é vendido com o propulsor THP Flex, que roda também com etanol. De acordo com a fabricante, essa motorização agora já é responsável por 60% das vendas do carro. Ela alia desempenho a uma série de equipamentos de segurança e conforto, principalmente em sua versão de topo, a Exclusive. 

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O propulsor 1.6 de 4 cilindros turbinado com injeção direta já era utilizado em modelos da Citroën e da Peugeot, mas foi aprimorado graças à tecnologia bicombustível da alemã Bosch. Com puro etanol no tanque, a potência máxima do C4 Lounge THP subiu dos antigos 165 cv do motor movido apenas a gasolina para 173 cv quando abastecido com etanol. Com gasolina, o ganho foi de 1 cv. Já o torque máximo se manteve nos 24,5 kgfm e nas mesmas 1.400 rpm, independentemente do combustível que preenche seu tanque. De acordo com as especificações da fabricante, rodando apenas com etanol, ele é capaz de garantir uma aceleração de zero a 100 km/h em 8,9 segundos e alcançar velocidade máxima de 214 km/h.

As inovações chegaram ainda a outra parte do trem de força, porém de forma mais discreta. O câmbio automático sequencial de seis marchas passou por uma modernização em seu conversor de torque e, com isso, de acordo com a Citroën, contribui agora para a redução de até 7,5% no consumo de combustível em relação ao 1.6 THP movido a gasolina. Essa transmissão adiciona ainda a função RDT, de Redução De Tração. Ela ajuda a diminuir as vibrações em marcha lenta quando o carro está em movimento. Um avanço que beneficia os motoristas que enfrentam o trânsito cada vez mais engarrafado das metrópoles nacionais. A lista de itens de série da versão Exclusive é bem extensa. Além do câmbio automático sequencial de seis velocidades, a configuração de topo do C4 Lounge já vem de fábrica com ar-condicionado automático digital bizone, central multimídia com CD/MP3 e comandos no volante, GPS e tela colorida de sete polegadas, seis airbags – frontais, laterais e de cortina –, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, soleiras cromadas, sensores de obstáculos dianteiros e traseiros com indicação gráfica e sonora, câmara de ré, sistema de keyless e botão start/stop para dar a partida no motor. O teto solar, que no lançamento era oferecido como opcional, está sendo entregue a custo zero nas configurações realizadas no site oficial da marca. 

Pelo pacote, a Citroën cobra R$ 89.490. A cor branca perolizada da versão testada adiciona mais R$ 1.890 – tons metálicos saem por R$ 1.490. O preço esbarra na versão de topo do Honda Civic, a EXR, que chega às lojas esse mês a R$ 88.400. Mas fica bem abaixo dos R$ 96.330 cobrados pela Toyota por seu Corolla Altis. De qualquer forma, na briga entre os sedãs médios no Brasil, só a Volkswagen tem um concorrente turbinado com mais força que o C4. Mas apenas em sua configuração top, que será vendida reestilizada no final de março por um valor que deve ultrapassar os R$ 100 mil. Talvez por isso a marca francesa planeje alcançar uma média de mil emplacamentos por mês em 2015. O que seria uma bela evolução em relação a 2014, que fechou com 767 unidades mensais e participação de 3,96 % no segmento, somando 9.206 exemplarese emplacados. 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 THP flex que equipa o C4 Lounge Exclusive é capaz de render até 173 cv com etanol no tanque e 166 cv com gasolina, número mais que suficiente para empurrar o sedã médio de 1.500 kg da Citroën. A aceleração de zero a 100 km/h ocorre em bons 8,9 segundos e a máxima chega aos 214 km/h. As saídas de sinal se dão de maneira bem rápida e as retomadas e ultrapassagens ocorrem de forma consistente. O bom torque de 24,5 kgfm, pleno já em 1.400 rotações, torna as respostas às pisadas no acelerador quase instantâneas. Nota 9. Estabilidade – A suspensão do C4 Lounge prioriza o conforto, mas controla de forma eficiente as rolagens de carroceria. A sensação de segurança é constante e, para os motoristas mais ousados, há controle eletrônico de estabilidade. A direção é leve em velocidades médias, mas trabalha em sintonia com o velocímetro no que diz respeito à firmeza. A esportividade instigada pelo motor turbo vem acompanhada de um comportamento sóbrio nos caminhos mais sinuosos. Nota 9. Interatividade – A posição de dirigir é boa e todos os comandos vitais estão bem posicionados. Há um excesso de botões, mas a maioria tem um funcionamento bem intuitivo. O único porém fica por conta da utilização e configuração da central multimídia. Inserir um endereço no GPS demanda o uso de um botão giratório – não há tela touch – e as informações do computador de bordo se sobrepõem ao display, prejudicando sua utilização em viagens em que o navegador esteja sendo utilizado, por exemplo. Nota 7.

Consumo – O InMetro testou o Citroën C4 Lounge THP Flex Exclusive em seu Programa Brasileiro de Etiquetagem. O modelo registrou médias de 6,5 e 8,5 km/l em tráfego urbano e rodoviário com etanol no tanque e 9,3 e 11,9 km/l com gasolina, nas mesmas situações. Esse resultado deixou o sedã com nota “C” tanto na classificação geral quanto em sua categoria, com consumo energético de 2,11 MJ/km. Nota 6. Conforto – A suspensão filtra razoavelmente bem os desníveis das ruas brasileiras. O isolamento acústico é bom, já que o barulho do motor só aparece de maneira agressiva quando é esse o comportamento que se tem com o pedal do acelerador, ou seja, um ruído que normalmente quem opta por um propulsor turbo gosta de escutar. Os bancos são agradáveis e têm densidade firme. Quatro passageiros viajam com bastante espaço. Mesmo um quinto elemento, dependendo de sua estatura, não prejudica tanto o conforto no assento traseiro. Nota 8. Tecnologia – O C4 Lounge é construído sobre a plataforma PF2 da segunda geração do C4 hatch francês, lançado na Europa no fim de 2010. A base é uma evolução da usada no primeiro C4 e já está sendo substituída na Europa pela modular EMP2, do novo Peugeot 308. O motor da versão de topo é o badalado 1.6 litro THP, desenvolvido numa parceria entre a PSA e a BMW e agora com versão bicombustível. Há sistemas de segurança importantes, como seis airbags e controles de estabilidade e tração de série, assim como monitor de ponto cego. Nota 8.

Habitabilidade – Nesse ponto, o C4 Lounge se equipara aos sedãs médios da concorrência. As dimensões são generosas e as portas, grandes. As quatro têm bom ângulo de abertura e o porta-malas acomoda 450 litros – número que pode ser expandido com o rebatimento do banco traseiro. Mas faltam porta-objetos. O vão sob o apoia-braço central não é tão grande e também não deve ser utilizado para o que precise ficar mais à mão dos passageiros dianteiros. Na prática, somente os bolsões das portas ou o porta-luvas são realmente úteis. Nota 7. Acabamento – A cabine causa boa impressão assim que se entra no C4 Lounge Exclusive. O painel é revestido com material emborrachado e os bancos de couro da versão, além de confortáveis, ampliam a atmosfera de requinte. Há materiais plásticos duros, mas são utilizados apenas nas partes menos nobres. Nota 9. Design – A dianteira do C4 Lounge dá ao modelo uma imponência, com vincos acentuados no capô. A grade é harmoniosa e os frisos cromados de um farol ao outro ajudam a ornar o conjunto. Mas o principal trunfo é o perfil, que apresenta uma musculatura muito bem entalhada. É um carro que chama atenção nas ruas. Nota 9.

Custo/benefício – A versão THP Flex Exclusive é bem fornida de equipamentos e custa R$ 89.490. Um Peugeot 408 com o mesmo motor em sua versão apenas a gasolina é ligeiramente mais barato e sai por R$ 85.490, mas sem teto solar. O Renault Fluence vai a R$ 85.590 na versão topo Privilège em igualdade de equipamentos, mas com transmissão CVT e propulsor 2.0 de 143 cv. A configuração mais cara do Honda Civic, que começa a ser vendida neste mês de março, custa R$ 88.400, enquanto o líder da categoria, o Toyota Altis, começa em R$ 96.330. Apenas o Volkswagen Jetta – além da Peugeot, que faz parte do mesmo grupo que a Citroën – tem motor turbo na configuração top, mas o sedã começará a ser vendido reestilizado no final de março e o preço deve passar dos R$ 100 mil. Nota 7. Total – O Citroën C4 Lounge THP Flex Exclusive somou 79 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Esportividade nem sempre é uma característica que é levada ao pé da letra quando se analisa os sedãs. O formato em três volumes prioriza a habitabilidade e o conforto. Mas a Citroën conseguiu no C4 Lounge Exclusive aliar requinte, sobriedade e uma boa dose de esportividade ao modelo. Por fora, o design agrada o suficiente para arrancar olhares por onde passa – principalmente na cor da versão testada, um branco perolizado. Ainda mais quando decide-se extrair o bom desempenho proporcionado pelo motor turbo.  A cabine chama bastante atenção. Os revestimentos são de boa qualidade e, com grande parte deles emborrachados ou em couro, cria-se uma atmosfera refinada. A central multimídia, porém, não é moderna. Definir um endereço de destino no GPS, por exemplo, demanda certa paciência. As letras são digitadas a partir de um botão giratório, já que a tela não é sensível ao toque. Ao menos, o sedã é recheado de equipamentos interessantes. Caso, por exemplo, do ar-condicionado automático de duas zonas e dos faróis de xenon direcionais. 
O motor 1.6 turbo capaz de entregar 173 cv quando abastecido com etanol é a grande estrela do modelo. Seu torque máximo de 24,5 kgfm constantes entre 1.400 e 4 mil giros confere um comportamento digno de elogios. As arrancadas são ágeis e seu desempenho, de maneira geral, é bastante consistente. O câmbio automático de seis marchas consegue extrair o melhor do quatro cilindros e o equilíbrio entre ambos é claro. A transmissão trabalha em sintonia com os movimentos no pé direito e a impressão que se tem é de que não há um “delay” entre a vontade do motorista e as reações do carro. O resultado é uma esportividade que vai além do que se espera de um sedã e dá ao C4 Lounge a possibilidade de agradar quem tem um pé direito mais pesado e quem prefere adotar uma direção mais comportada.  O conjunto suspensivo é voltado para garantir o conforto de seus passageiros, mas isso não chega a afetar de forma gritante a estabilidade do carro. Normalmente, o modelo mantém as quatro rodas fincadas ao chão. Trata-se de um sedã bom de curvas e, no caso de algum excesso cometido, o controle eletrônico de estabilidade está presente para corrigir qualquer irregularidade. É sem dúvida uma boa opção para quem não pode abrir mão do espaço de um sedã médio, mas também não quer perder o instinto esportivo que normalmente é abolido nesta categoria.

Ficha técnica

Citroën C4 Lounge THP Flex Exclusive

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, turbo com intercooler, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro. Comando duplo de válvulas no cabeçote com sistema de variação de abertura na admissão e escape. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Controle de tração.
Potência máxima: 173 cv com etanol e 166 com gasolina a 6 mil rpm.
Torque máximo: 24,5 kgfm com gasolina/etanol a 1.400 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 8,9 segundos com etanol e 9,2 s com gasolina.
Velocidade máxima: 214 km/h.
Diâmetro e curso: 77,0 mm x 85,8 mm.
Taxa de compressão: 10,2:1.
Suspensão: Dianteiro tipo pseudo McPherson e traseira com travessa deformável. Molas helicoidais, amortecedores hidráulicos pressurizados a gás e barra estabilizadora nos dois eixos. Oferece controle de estabilidade de série.
Pneus: 225/45 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EDB.
Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,62 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,50 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso em ordem de marcha: 1.500 kg.
Capacidade do porta-malas: 450 litros.
Tanque de combustível: 60 litros.
Produção: El Palomar, Argentina.
Lançamento no Brasil: 2013.
Lançamento do motor THP Flex: 2014.
Itens de série: Rodas de liga leve de 17 polegadas, bancos de couro, bancos traseiros rebatíveis, volante multifuncional em couro com regulagem de altura e profundidade, central multimídia com tela colorida de 7 polegadas com CD/MP3/USB, Bluetooth, câmara de ré e GPS integrado, ar-condicionado automático digital bi-zone, fixação Isofix, retrovisor interno eletrocrômico, retrovisores externos rebatíveis eletronicamente e com regulagem elétrica, sensores de chuva, crespuscular e de estacionamento dianteiros e traseiros, sistema keyless com botão start/stop, teto solar e painel de instrumentos digital/analógico personalizável em 5 tons do branco ao azul. 
Preço: R$ 89.490.
Opcional: Cor branca perolizada.
Preço completo: R$ 91.380.

Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Duplo sentido - Citroën C4 Lounge THP Flex Exclusive alia conforto de um sedã médio à esportividade de seu motor turbo bicombustível

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 04 Mar 2015 09:00:00

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