14 de mar de 2015

Teste: Alfa Giulia inventou a categoria de sedãs esportivos

Teste: Alfa Giulia inventou a categoria de sedãs esportivos



Saiba como anda esse modelo que inventou moda e, de quebra, foi estrela em quase todos os filmes de Fellini Marcelo Mastroiani, Alberto Sordi e Giulieta Masina eram artistas de presença marcante nos filmes de Fellini. Mas um automóvel da polícia italiana sempre aparecia na tela, circulando em cidades italianas: era a Alfa Giulia com a palavra “Carabinieri” pintada na lateral. Era um sedã aparentemente careta para os padrões atuais. Quem o julga assim talvez não saiba, mas foi o primeiro sedãzinho esportivo do estilo. Não é pouco, hoje em dia a BMW se arvora de ter inventado esse estilo. Dá para entender por que a polícia italiana sempre dirigia a toda velocidade nesses clássicos. No Brasil, a Alfa Giulia se destacou nas pistas pilotada por Piero Gancia, italiano que veio montar a representação do Vermouth Gancia, de sua família. Apaixonado por automóveis, montou também a empresa que importava  Alfa Romeo e Ferrari e a equipe Jolly-Gancia. Farois duplos

A Alfa Giulia foi um dos mais bem sucedidos modelos na história da Alfa Romeo. Lançada em 1962 como “1600 TI”, foi produzida até 1977 com ligeiras modificações de estilo, motores 1.300, 1.600 e, nos dois últimos anos, também um diesel 1.8. A grade teve farol duplo com diâmetros diferentes, farol simples e, no final, duplos de mesmo tamanho. Os freios, inicialmente a tambor, foram equipados com discos nas quatro rodas. Levinho com cerca de 1 tonelada, o sedãzinho freava como poucos. Vários batismos O motor de quatro cilindros em linha, longitudinal dianteiro, era muito eficiente para a época, com dois eixos comandos de válvulas e alimentado por dois carburadores duplos (Weber ou Solex). Gerava 88cv, bela potência para um 1.3 de então. O 1.6 chegava a 104 cv, para você ter uma ideia, a potência do EA 111 1.6 8V do Gol. Mas havia várias versões mais quentes. A primeira, Tipo 105.16 era de homologação. Lançada em 1963, não dispensava o quadrifloglio verde, ou trevo de quatro folhas, em adesivos nos para-lamas. Foram 501 unidades, todas envenenadas pelo carburador duplo Weber 45. Com isso, a potência de 112 cv e o peso menor o levavam a quase 180 km/h, 20 km/h a mais. Todos já tinha freios a disco. Lembra dos carabinieri? No filme Um golpe à Italiana de 1969, a polícia usava sempre os sedãs esportivos para (tentar) alcançar os Mini Cooper dos ladrões.    Era um carro atual para época, com câmbio manual de cinco marchas e, como era de costume, tração traseira. A suspensão dianteira era McPherson independente, enquanto a traseira apelava para eixo rígido bem balanceado graças ao uso de uma subestrutura triangular. A Alfa sempre fez ótimos eixos rígidos. Recebeu várias denominações durante os quinze anos de produção: TI, TI Super, Nuova, Nuova Super. Sem falar nos cupês, só que esses rendem outra matéria. Ford: “Tiro o chapéu” Não deve ter sido a toa que Henry Ford declarou, em 1939, que tirava o chapéu ao ver passar um Alfa Romeo. Marca que sempre inovou tecnologicamente e escolhida por Enzo Ferrari para montar sua escuderia antes da Segunda Guerra. A Giulia, por exemplo, tem coeficiente aerodinâmico de apenas 0,34, enquanto o do Porsche 911 da mesma época era de 0,38. O “Romeo” da marca inspirou um modelo chamado “Giulietta” na década de 50. Sucedida pela Giulia mas que voltou (até nos modelos atuais) à Giulietta. Isso ajudava o pequeno 1.300 a chegar a 165 km/h. Ahhh... que inveja! 

Os automóveis europeus sempre foram mais sofisticados que os americanos, mas eu não imaginava tanta diferença quando dirigi pela primeira vez a Alfa Giulia 1974 1.3. Afinal, que desempenho poderia esperar de um motor com apenas 1.300 cm3 fabricado há exatos 40 anos?  Pois aí veio a surpresa, pois os europeus  tiravam o dobro de cavalos por centímetro cúbico que as americanas, usando de sofisticada tecnologia. Neste pequeno 1.3,  os 88 cv e 10,6 kgfm  vinham, por exemplo,  do “bi-albero” (dois eixos de comando no cabeçote) e dos dois carburadores Solex duplos horizontais. Vários cavalos mais que  um motor com o dobro da cilindrada como o 2.500 cm3 que equipava – neste mesmo ano – nosso Chevrolet Opala (81 cv). Apesar de não ter uma suspensão sofisticada o carro é puro prazer de dirigir. A potência só aparece com o giro mais alto, como em qualquer DOHC (duplo comando de válvulas no cabeçote). Mas vale a pena, pois o ronco de um Alfa é inigualável. Para muitos, o som rascante dos quatro em linha dos Alfinhas de então é considerado música pura, sinfonia para nenhum motorzão de seis, oito ou doze cilindros calar.

A caixa de câmbio é super agradável e tem hora que, na estrada, reduzir de quinta para quarta é tarefa super bem-vinda de tão prazerosa. Os freios – a disco nas quatro – param em linha reta qualquer que seja a velocidade apesar da ausência do ABS que só chegou anos mais tarde. Aliás, ótimo que não tenha ESP: a traseira sai na medida certa e dá para brincar com ela nas curvas de baixa. Era capaz de divertir ou levar quatro adultos com muito conforto.   Ahhh... que inveja eu tinha do Piero Gancia e Lula (sua mulher), o Emilio Zambello(seu sócio), Ubaldo Lolli e outros pilotos da poderosa e quase invencível Scuderia Jolly-Gancia que passavam “de viagem” pelo meu DKW nas corridas dos anos 60. E como eles deviam se divertir ao volante daquelas Alfas...

Fonte: R7
Publicado em: 2015-01-22T08:16:00-02:00

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