12 de mar de 2015

Impressões do Mini Cooper S 4 portas

Impressões do Mini Cooper S 4 portas

A história da Mini começa em 1957, quando o então presidente da British Motor Corporation – BMC – encomendou o projeto de um carro versátil, compacto. Dois anos mais tarde surgia o icônico Cooper. Porém, desde que a marca britânica passou a ser controlada pelo Grupo BMW, em 1994, o carrinho simpático e estrela de cinema dos anos 1960 conheceu o mundo dos negócios. Nesse cenário onde o que importa é vender, logo surgiram inúmeras variantes: Coupé, Roadster, Cabrio, Countryman e Paceman, com suas respectivas versões apimentadas pela John Coopers Works. E não parou por aí. Em setembro de 2014, a Mini mostrou ao mundo uma versão mais que anunciada – a inédita configuração quatro portas. Ela desembarca agora no Brasil, com entre-eixos mais longo e duas portas a mais que o modelo base. O novo Cooper de quatro portas ganha em acessibilidade, mas com certeza perde um pouco de charme e personalidade.

Veja também:

  • Teste da nova geração do Mini Cooper hatch
O grande fator que permitiu o Mini Cooper ganhar uma versão quatro portas é a plataforma modular. Chamada de UKL1 – “unter klasse 1”, ou classe inferior 1 em alemão, essa nova arquitetura serve de base para a atual gama da Mini – e também modelos da BMW com tração dianteira. Por ser flexível, a estrutura está disponível em vários comprimentos de entre-eixos. E no novo Mini esse é o grande diferencial. Para ter duas portas a mais e um espaço condizente com a proposta do carro, os engenheiros da Mini deixaram a distância entre o eixo dianteiro e traseiro em 2,57 metros – 7,2 cm a mais que a versão tradicional. O comprimento cresceu 16 cm e agora é de 3,98 metros – no Cooper S chega a 4,0 m.  Outro ponto favorecido foi a capacidade de carga do porta-malas, que pulou de 211 para 278 litros. Com o banco traseiro rebatido, o Mini 4 portas ainda pode carregar até 941 litros.

Quanto à motorização, a fabricante britânica aposentou o propulsor 1.6 THP desenvolvido em parceria com a PSA Peugeot-Citroën. O mais recente integrante da família Mini no Brasil vai usar os motores apresentados junto à terceira geração do carrinho no começo do ano passado. Ou seja, na configuração Cooper, quem dá as cartas é o inédito motor três cilindros de 1.5 litros e turbinado. Ele fornece 136 cv a 6 mil giros, com torque de 22,5 kgfm já a partir de 1.250 rpm. Já na Cooper S trata-se de um poderoso 2.0 litros também com turbo capaz de gerar 192 cv e 28,5 kgfm de torque. Os motores ainda atingem suas potências e torques máximos em regimes inferiores aos da última geração e, segundo a Mini, são até 27% mais eficientes. Independentemente da versão, a transmissão é sempre automática de seis marchas.

A Mini acredita que a nova variante responda a 25% do “mix” do Cooper – um número bem otimista. Esse objetivo ficará a cargo das três versões oferecidas por aqui. A “básica” é a Cooper com motor três cilindros 1.5 turbo, que parte de R$ 105.950. Ela traz de série os controles eletrônicos de tração e estabilidade, sistema keyless e botão de partida, faróis e lanternas halógenas, rodas de 16 polegadas, assistente de declive, seis airbags, suspensão adaptativa, três modos de condução e volante multifuncional. Na Cooper S Exclusive, o propulsor passa a ser o 2.0 litros turbinado e o hatch ganha leds no conjunto ótico, sistema multimídia com tela de 6,5 polegadas e GPS, rodas de 17 polegadas por R$ 122.500. Já a topo de linha Cooper S Top, vem com tudo o que a Mini pode oferecer. Estão lá teto solar panorâmico, head-up display, o visor da central multimídia cresce para 8,8 polegadas com navegação 3D, HD interno com capacidade para armazenar até 20 gb e som “de grife” Harman-Kardon. A versão mais cara sai por R$ 139.950.

Primeiras Impressões

Tuiutí/SP - Como o mote da versão lançada agora no Brasil era contemplar as duas portas adicionais e o maior espaço interno, o test-drive do modelo começou pelo banco de trás. Mas logo no acesso uma dificuldade. O ângulo de abertura das portas traseiras é apenas satisfatório. Uma vez dentro do carro, é possível se sentir confortável na parte traseira. Dois passageiros têm bons espaços para pernas e ótimos para cabeça. Até cabe uma terceira pessoa, porém há o túnel central do carro que “mata” o vão para a perna.

Habitabilidade à parte, era chegada a hora de colocar o Mini na pista. A primeira versão testada foi a mais potente Cooper S. A esportividade começa logo ao sentar no carro. O banco “abraça” o corpo e faz o condutor se sentir parte integrante da carroceria. A relação homem-máquina ainda melhora. Empurrado pelo motor 2.0 litros de quase 200 cv, o carrinho vira um verdadeiro foguete. Apesar do pequeno “lag” entre a pressão no acelerador e a resposta do propulsor, o Mini 4 portas não perde a sensação de “kart” que tanto a fabricante enobrece. Essa percepção ainda é ampliada pela estabilidade formidável do hatch e pela forma com que ele “gruda” no chão.
Depois da adrenalina descarregada com o Cooper S, a versão Cooper dotada do inédito motor três cilindros 1.5 litro turbo de 136 cv parece um carro bem normal. Não há excesso de potência e o funcionamento do propulsor se iguala a um de quatro cilindros. O Cooper 4 portas é bem mais “soft” frente à “hardcore” Cooper S. As coisas começam a esquentar quando o modo de condução é posto em “Sport”. As reações do carro ficam mais ariscas, o volante enrijece e o Mini pede para acelerar mais.

Ficha técnica

Mini Cooper 4 portas

Motor 1.5 (Cooper): A gasolina, dianteiro, transversal, 1.499 cm³, três cilindros em linha, turbo, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote com abertura de válvulas variável. Injeção direta.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré, com modo manual e trocas sequenciais. Tração dianteira. Oferece controles eletrônicos de tração e de bloqueio de diferencial.
Potência máxima: 136 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 22,5 kgfm (23,5 kgfm com booster) a 1.250 rpm.
Diâmetro e curso: 83,6 mm x 78 mm. Taxa de compressão: 11,0:1.
Motor 2.0 (Cooper S): A gasolina, dianteiro, transversal, 1.995 cm³, quatro cilindros em linha, sobrealimentado por turbo duplo, quatro válvulas por cilindro com comando duplo no cabeçote e tempo de abertura variável na admissão e no escape. Acelerador eletrônico e injeção direta.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré, com modo manual e trocas sequenciais. Tração dianteira. Oferece controles eletrônicos de tração e de bloqueio de diferencial.
Potência máxima: 192 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 28,5 kgfm (30,6 kgfm com booster) de 1.250 a 4.750 rpm.
Diâmetro e curso: 82 mm x 94,6 mm.
Taxa de compressão: 11,0:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com controle antimergulho e traseira multilink. Suspensão adaptativa. Oferece controle de estabilidade.
Pneus: 195/55 R16 no Cooper e 205/45 R17 no Cooper S.
Freios: Discos sólidos na frente e atrás com ABS, EBD, controle de frenagem em curvas e assistente de partida em ladeira. Freio de estacionamento mecânico que atua sobre as rodas traseiras.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,98 metros de comprimento (4,00 na S), 1,73 m de largura, 1,42 m de altura e 2,57 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.117 kg e 1.220 kg (S).
Aceleração 0-100 km/h: 8,1 segundos e 6,9 segundos (S).
Velocidade máxima: 207 km/h e 230 km/h (S).
Capacidade do porta-malas: 278 litros.
Tanque de combustível: 44 litros.
Produção: Cowley, Inglaterra.
Lançamento mundial: Setembro/2014. Lançamento no Brasil: Março/2015.

Itens de série

Cooper: Suspensão adaptativa, ar-condicionado dual zone, controle de cruzeiro eletrônico com função freio, computador de bordo, três modos de condução, Bluetooth, airbags frontais, laterais e de cortina, controle dinâmico de estabilidade e tração com controle eletrônico da trava do diferencial, alarme, farol de milha, sensor de chuva e crepuscular e luz traseira de neblina. 
Preço: 105.950.
Cooper S Exclusive: adiciona sensor de estacionamento traseiro, divisor de torque, sistema multimídia com tela de LCD de 6,5 polegadas, Bluetooth e GPS, retrovisor interno eletrocrômico, farol de milha de leds e farol full led. 
Preço: R$ 122.500
Cooper S Top: adiciona teto solar panorâmico, sistema de navegação com mapas em 3D, sistema de som Hi-Fi Harman Kardon, borboletas para a troca de marchas no volante, head-up display. 
Preço: R$ 139.950.
Autor: Raphael Panaro (Auto Press)
Fotos: Raphael Panaro/Carta Z Notícias, fotos de interior e motor: divulgação

Saída fácil - Uma previsível versão quatro portas chega ao Brasil para ampliar o espectro de vendas do Mini Cooper

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 12 Mar 2015 09:15:00

Nenhum comentário:

Postar um comentário