18 de mar de 2015

Entrevista com Antonio Baltar, gerente de Vendas e Marketing da Ford Caminhões

Entrevista com Antonio Baltar, gerente de Vendas e Marketing da Ford Caminhões



O sinal vermelho segue em alerta para a indústria de caminhões brasileira. Mas entre as fabricantes, há uma que tem motivos para comemorar. A Ford conseguiu, apesar da crescente queda do setor, manter um recuo inferior ao mercado – caiu 4% em 2014, contra os 11% enfrentados pela indústria de caminhões – e subiu em 4,5% seu market share, atualmente em 19%. Antonio Baltar, gerente de vendas e marketing da Ford Caminhões, faz questão de ressaltar que a marca americana tem atualmente uma linha completa de produtos para oferecer aos frotistas. Mas admite que a explicação para esse desempenho está, principalmente, no relançamento da Série F. “A pré-venda nos ajudou a dar um empurrão, foram mais de 800 unidades fechadas. Já esperávamos esse crescimento com a reintrodução desses veículos”, explica ele, que analisa o mercado nacional de caminhões e o posicionamento da Ford dentro dele na entrevista a seguir. Pergunta – Em fevereiro de 2015, a Ford chegou ao market share de 20%, registrando 19% no acumulado do ano. Esse resultado superou as expectativas da marca, já que no final de 2014 eram 14,4%? Resposta – Era mais ou menos o que esperávamos. Na verdade, nossa meta é fechar 2015 nessa margem. Quando reintroduzimos a Série F, já começamos a ver esse crescimento de mercado. Em dezembro, chegamos aos 17%. Mas quando falamos de 20% de market share em fevereiro, esse é o pico. Nós fizemos a pré-venda de três meses de produção, aquilo viraria emplacamento mais à frente. Acho que o share não vai ser 20% o ano inteiro, mas acredito que estaremos nesse patamar.

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  • Lançamento do Ford Cargo Extrapesado
P – Por que a Ford interrompeu a produção da série F e, no ano passado, decidiu retomar? R – Suspendemos a fabricação em 2011, já prevendo a volta três anos depois. Foi uma equação imposta pelo Euro 5. Na época, não encontramos uma opção de powertrain que seguisse a legislação e deixasse a Série F dentro de preços competitivos. A saída seria usar a mesma motorização do Cargo 816, mas teríamos uma Série F no mesmo preço de um oito toneladas. Não fazia sentido. Precisávamos de uns dois anos de projeto para desenvolver uma solução viável. Para lançar um produto, com toda a bateria de testes e homologações que precisamos cumprir, é necessário pelo menos esse prazo. 

P – Como vocês encaram 2015 para a indústria de caminhões? R – Em 2014, nas nossas projeções, já triangulávamos que a atividade econômica do país cairia e, consequentemente, sofreríamos com isso. Não há projeção que suporte uma queda em dois anos da ordem do que está previsto. Em 2013, contabilizamos 153 mil unidades, foram 136 mil em 2014 e trabalhamos com perspectivas de um recuo entre 15% e 20% neste ano. Ou seja, podemos chegar a dezembro com um total de 105 mil exemplares vendidos. É uma diferença muito brutal e que demanda um planejamento especial com um plano de crescimento muito bem pensado. P – Como funcionou esse plano para a Ford? R – Já vínhamos nos destacando há anos como uma das líderes no segmento de leves. Então, não só a reintrodução da Série F foi uma mola de impulso para esse crescimento como também o lançamento do Cargo 1119, de 11 toneladas, que aconteceu no ano passado. Essa novidade trouxe bastante volume dentro deste segmento. No final do ano, com a chegada da Série F, aproveitamos o momento em que a indústria está mais favorável aos caminhões desta categoria. Foi a estratégia certa na hora certa. Hoje, temos a linha mais completa de leves, com cabine convencional e avançada, numa fase em que a indústria não caiu neste segmento. Ele não sofre tanto quanto os demais. A falta de financiamento e a alta de juros estão mudando o perfil do mercado. E a Ford tira proveito disso.

P – O que vem prejudicando as vendas de caminhões em 2015? R – O que pegou todo mundo de calça curta – e a Ford não é privilegiada nesse sentido – foi subestimar o aumento de juros do Finame. Todo mundo esperava que a política de austeridade do governo, de maior rigidez e menor incentivo para as indústrias, não teria um impacto tão grande. Tínhamos 6% de juros ao ano enquanto a inflação de 7% a 8% fazia com que essa conta se tornasse negativa. Do dia para a noite, passou para 12% a 13% de juros. Nossas projeções indicavam um aumento para 8,5% ou 9%. Desaceleraria o mercado, mas não tão forte como estamos vivendo. Ou seja, ficamos dois meses sem Finame nesse ano e, quando voltou, veio com aumento na prestação de aproximadamente 15%. O que escutamos dos clientes é que a renovação de frota será reduzida pela metade.  P – Quais são os planos da Ford para seguir mantendo esse market share? R – Nossos trunfos são os leves, sem dúvida, incluindo os modelos de oito e 11 toneladas e a Série F. Mas o mercado não se estabilizou ainda. Acabou o Carnaval e horário de verão e março é o primeiro mês cheio sem feriados. É um período crucial para as fabricantes entenderem se o fundo do poço já chegou ou se ainda vai chegar. E temos uma linha completa. Esse mercado, da mesma forma que virou para os leves, pode virar de volta para o extrapesado. Estar preparado para essas fases é importante.


Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Divulgação

Luz no início do túnel - Ford Caminhões ganha 4,5% de participação, mas gerente nacional de Vendas e Marketing prevê tempos difíceis para o Brasil

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Mercado
Publicado em: 18 Mar 2015 09:50:00

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