7 de jan de 2016

Teste do Hyundai HB20 Premium

Teste do Hyundai HB20 Premium

A Hyundai já estava mais do que satisfeita com o resultado de vendas do HB20. O modelo, junto sua versão aventureira “X” e sedã “S”, levou a fabricante sul-coreana a ultrapassar os 8% de participação no mercado – eram 3% quando a linha HB20 foi lançada, em 2012. E a marca chegou à quinta posição do ranking nacional. Mas conseguiu em 2015 um feito e tanto: o hatch se tornou o terceiro carro mais vendido do país, perdendo apenas para o líder Chevrolet Onix e para o “destronado” Fiat Palio. A versão de topo Premium não é a responsável por esse feito, já que representa apenas 15% de todos os HB20 hatches emplacados, mas certamente ajuda a atrair os olhares de possíveis compradores nos showrooms da marca. Principalmente desde outubro último, quando o compacto passou por seu primeiro face-lift, depois de três anos de existência.

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As principais alterações estéticas ficam por conta da nova grade hexagonal dianteira com detalhes cromados – que segue a atual identidade visual da Hyundai. Os faróis ganharam projetores, incluindo os de neblina, e luzes diurnas em leds. Os para-choques estão mais robustos e, na traseira, as lanternas ficaram mais espichadas. De perfil, chamam atenção as novas rodas de 15 polegadas. Por dentro, a marca quis ampliar a imagem de requinte que o modelo já carregava em suas configurações de topo. Todos os revestimentos de bancos foram trocados e, quando se opta pelos assentos em couro, disponíveis apenas na versão mais cara, eles saem em um tom marrom escuro – assim como o painel das portas dianteiras e a manopla do câmbio. A mesma preocupação de se posicionar acima da maior parte dos concorrentes se vê nos itens de série. Há ar-condicionado digital, airbags laterais e retrovisores com rebatimento automático, por exemplo. Além disso, o painel é em dois tons escuros e conta com detalhes cromados e cromo acetinados, material que amplia a impressão de esportividade e é suave ao toque.

Mas as mudanças não ficaram restritas ao visual. O trem de força recebeu melhorias significativas. Agora, a transmissão tem seis velocidades em qualquer versão com motor 1.6, sendo apenas automática na variante Premium – antes, este câmbio tinha quatro marchas e o manual, cinco. A sexta marcha funciona como overdrive – uma forma de reduzir o consumo e também o nível de ruído em altas velocidades. Com isso, a velocidade máxima do HB20 Premium fica em 190 km/h e a aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 10,6 s. Além disso, o material das velas de ignição mudou de níquel para irídio, pistões e anéis de vedação foram retrabalhados para reduzir o atrito interno e o motor 1.6 conta ainda com sistema de partida a frio, que elimina o tanque adicional de gasolina. Outra novidade que ajuda a diminuir o consumo é a adoção de pneus verdes em todas as configurações. No total, a marca afirma ter reduzido em 6,5% o consumo de combustível nesta motorização. O computador de bordo ganhou uma função nova, de aviso de manutenção programada, que emite um alerta visual quando faltam 30 dias ou 1.500 km para a próxima revisão. Já o sistema de som BlueAudio é de série em todos os modelos, com tela LCD de 3,8 polegadas com comandos no volante e Bluetooth. Mas a configuração Premium pode ser equipada com central multimídia de 7 polegadas com tela sensível ao toque e compatível com o Car Link, que espelha alguns smartphones com sistema Android, e com o Apple CarPlay, para iPhone. Desta forma, o conteúdo do celular passa a ser exibido e controlado pela tela touchscreen do BlueMedia. Um detalhe que aguça ainda mais a imagem de modernidade que o HB20 transmite por seu design e trem de força.

Ponto a ponto

Desempenho – O propulsor 1.6 de 128 cv não decepciona. Os 1.071 kg da versão Premium do HB20 garantem uma relação peso/potência de 8,4 kg/cv. Não lhe dá credencial de um esportivo – e nem é essa a intenção da marca –, mas garante agilidade suficiente para se destacar no tráfego urbano e desempenho instigante na estrada. O novo câmbio automático de seis marchas tem relações eficientes e “joga” a favor do motorista, com respostas rápidas em ultrapassagens e retomadas. Nota 8. Estabilidade – A suspensão é firme e isso ajuda a evitar as rolagens de carroceria diante de curvas acentuadas. Apesar do preço na faixa dos R$ 60 mil, nem mesmo a versão de topo é “agraciada” com recursos como controle eletrônico de estabilidade e tração. Estes ficaram para a próxima geração. Nota 7. Interatividade – O HB20 é um carro extremamente fácil de se lidar, ainda mais na configuração de topo. Os faróis têm acendimento automático e as manobras são facilitadas pelos sensores traseiros de estacionamento, mas não há câmara de ré. O ar-condicionado é digital e os retrovisores rebatem eletricamente. A central multimídia, paga à parte, espelha alguns modelos de celulares, mas não tem GPS. Ou seja, depende de um smartphone com bateria e conexão de internet, além de sistema operacional e marca compatíveis com a tecnologia, para definir rotas. Nota 8.

Consumo – O Hyunday HB20 Premium 2016 não consta na tabela de avaliações do InMetro. Durante a avaliação, o consumo ficou em 10,8 km/l com gasolina em ciclo misto. Para um motor flex com suas especificações, não é ruim. Nota 8. Conforto – Como todos os compactos, o HB20 foi feito para levar quatro adultos com conforto e cinco com algum aperto no assento traseiro. Neste caso, porém, há bom espaço para as pernas atrás. O isolamento acústico é eficiente até o momento em que se exige mais força do motor. Em giros altos, não há milagres. Nota 8. Tecnologia – A linha HB20 usa uma plataforma moderna, que teve alguns componentes adaptados especialmente para o Brasil e ainda serviu como base para o Hyundai i20 europeu. No recente facelift, lançado em outubro, o motor 1.6 ganhou sistema de partida a frio e o câmbio automático passou a ter duas marchas a mais, totalizando seis. A central multimídia opcional da versão de topo traz soluções interessantes para o motorista, como o espelhamento de alguns celulares. A configuração Premium ainda recebe airbags laterais. Nota 8.

Habitabilidade – Há nichos na medida para levar os objetos pessoais do motorista, mas sem grande folga. As portas têm excelente ângulo de abertura e os ajustes do banco propiciam uma posição confortável para o condutor. O porta-malas carrega 300 litros, uma capacidade na média da concorrência direta, e os bancos na versão Premium são bipartidos, o que pode ampliar a área útil mesmo com passageiros atrás. Nota 8. Acabamento – O interior da linha HB20 é agradável e remete a carros maiores e mais caros da marca sul-coreana. Além disso, os encaixes são precisos e os materiais escolhidos, de boa qualidade. O pacote opcional com bancos, painel das portas dianteiras e manopla do câmbio em couro marrom insere certo requinte ao compacto e o diferencia nesse quesito da concorrência em seu segmento. Nota 8. Design – Esse sempre foi um ponto forte do HB20 e, mesmo assim, a linha inteira passou por um recente face-lift. A nova grade hexagonal dianteira com detalhes cromados segue a identidade visual adotada nos demais veículos da marca e, junto com os faróis com projetores e luzes diurnas em leds da versão Premium, entrega uma dianteira mais refinada e imponente. Atrás, as lanternas ficaram mais espichadas e o para-choque, assim como o dianteiro, tornou-se mais robusto. Detalhes que dão mais charme ao hatch. Nota 9.
Custo/benefício – O HB20 Premium não é barato. Começa em R$ 59.445 e, completo, vai a R$ 63.535, mas está posicionado na parte superior do nicho de hatches pequenos. Na briga entre eles, não se sai tão mal. É mais caro que um Peugeot 208 Griffe 1.6, que tem lista mais farta de equipamentos. Porém, custa menos que um Ford Fiesta Titanium 1.6, também mais bem equipado, e que um Fiat Punto Blackmotion 1.8 e um Honda Fit EXL, com equipamentos similares. A julgar pelo seu bom resultado de vendas, preço não é um problema para o HB20. Nota 7. Total – O Hyundai HB20 somou 79 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

O Hyundai HB20 sempre se destacou pelo visual e foi considerado um dos hatches compactos mais vistosos do mercado. O face-lift promovido pela marca em outubro do ano passado só fez crescer essa impressão, principalmente na sua configuração de topo, a Premium. A frente ganhou novidades que conseguiram, ao mesmo tempo, tornar o modelo mais robusto e requintado. A grande aumentou e segue o mesmo padrão dos modelos superiores da Hyundai, com bordas laterais e inferior cromadas. As novas luzes diurnas de leds inserem mais personalidade à dianteira e transmitem um ar de superioridade entre a concorrência. Chama atenção o cuidado que a fabricante sul-coreana teve com o interior. A primeira impressão é de se tratar de um modelo de categoria superior – e era exatamente essa a intenção. Principalmente com o pacote opcional que engloba revestimentos em couro marrom escuro nos assentos, painéis das portas e manopla do câmbio. Os materiais são aparentemente de boa qualidade e todos os comandos são bem resolvidos e de utilização simples.
Em movimento, os 128 cv e 16,5 kgfm do propulsor 1.6 se traduzem em um vigor capaz de impressionar quem está acostumado a dirigir outros hatches compactos. Ultrapassagens e retomadas são realizadas sem grande esforço: basta pressionar com vontade o pedal do acelerador que o câmbio automático de seis marchas reduz o suficiente para ver o conta-giros subir rapidamente. O barulho aumenta no habitáculo, mas esse leve incômodo compensa. A direção hidráulica tem o peso certo para manobrar o carro sem dificuldades e garantir firmeza em velocidades altas. A visibilidade é semelhante à da maioria dos hatches, ou seja, melhor à frente que atrás. Surpreende a ausência de uma câmara de ré, mas isso certamente será resolvido em breve, com uma nova opção de central multimídia. Em tempos de crise automotiva, dá para perceber porque o HB20 cada vez mais se posiciona como um dos carros preferidos do consumidor brasileiro.

Ficha técnica

Hyundai HB20 Premium

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.591 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote, sistema de partida a frio e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Automática de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.
Potência máxima: 128 cv e 122 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,6 segundos.
Velocidade máxima: 190 km/h.
Torque máximo: 16,5 kgfm a 5 mil rpm com etanol e 16,0 kgfm a 4.500 rpm com gasolina.
Diâmetro e curso: 77,0 mm x 85,4 mm.
Taxa de compressão: 12:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos pressurizados e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores. Não possui controle de estabilidade.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,92 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,47 m de altura e 2,50 m de distância entre-eixos. Airbags frontais e laterais de série.
Peso: 1.071 kg.
Capacidade do porta-malas: 300 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Piracicaba, São Paulo.
Lançamento no Brasil: 2012.
Reestilização: 2015.
Itens de série: Ar-condicionado digital e automático, direção hidráulica, fixação Isofix, sistema de som com Bluetooth e comandos no volante, computador de bordo, banco do motorista com regulagem de altura, vidros elétricos com função one-touch, travas elétricas, chave tipo canivete com comando de travamento das portas, retrovisores elétricos com luz indicadora de direção e com rebatimento elétrico, volante com regulagem de altura e profundidade, rodas de liga leve de 15 polegadas, lanternas renovadas, faróis com projetores e luzes diurnas de leds, faróis de neblina com projetores, acendimento automático dos faróis, sensores traseiros de estacionamento, banco traseiro bipartido, alarme volumétrico, volante e pomo de câmbio em couro, maçanetas externas cromadas, friso cromado nos vidros laterais e airbags laterais.
Preço: R$ 59.445.
Pacote com bancos de couro marrom: R$ 61.035.
Pacote com bancos de couro e central multimídia: R$ 63.535.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias

Na crista da onda - Terceiro em vendas no Brasil em 2015, Hyundai HB20 esbanja requinte e desempenho na versão Premium

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 06 Jan 2016 14:09:00

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