4 de jan de 2016

Perspectivas 2016: Mercado de automóveis

Perspectivas 2016: Mercado de automóveis

A queda por volta de 25% no mercado automotivo nacional em 2015 provocou expectativas nada animadoras para 2016. Mesmo quem caminhou na contramão da crise prefere manter a cautela na hora de planejar as estratégias diante de um período de incertezas. “Nos mantemos em alerta com as dificuldades atuais. Os planos para o início das operações de nossa segunda fábrica de automóveis no país, na cidade de Itirapina, em São Paulo, foram revisados e a nova data será definida de acordo com a evolução do mercado”, explica Paulo Takeuchi, diretor de Relações Institucionais da Honda South America.

O mais curioso é que a Honda cresceu cerca de 14% ao longo de 2015, com o lançamento bem-sucedido do utilitário esportivo compacto HR-V. Os planos da fabricante eram colocar a unidade de Itirapina em funcionamento já no final de 2015, mas agora não há qualquer previsão de inauguração. A planta recebeu investimentos de R$ 1 bilhão, incluindo aquisição do terreno, compra de equipamentos e construção das instalações. A Toyota não cresceu no ano passado – a queda foi de cerca de 8%¨–, mas já se prepara para aumentar a produção do compacto Etios na fábrica de Sorocaba, em São Paulo. “Vamos passar das 74 mil unidades anuais para 108 mil”, avisa Ricardo Bastos, diretor adjunto de Relações Públicas e Governamentais da Toyota no Brasil. A marca se prepara ainda para inaugurar, já no primeiro semestre deste ano, uma nova fábrica de motores em Porto Feliz, também em São Paulo.

Mas há quem acredite, pelo menos, na estabilidade dos números em 2016. “Quando tivermos uma definição política e econômica e informações sobre ajuste fiscal, o mercado deve se acalmar e encerrar o ano, no mínimo, com os mesmos resultados de 2015”, aponta o analista automotivo Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. E se o ano passado foi marcado pela proliferação de SUVs, 2016 reserva boas apostas no segmento de picapes. A Toyota já renovou a Hilux e a Renault lançou a Duster Oroch em 2015, mas ambas recebem novas versões com novidades nos trens de força para os próximos meses. Além disso, já se espera no Brasil a reestilização da Ford Ranger, a nova geração da Nissan Frontier e, em fevereiro, a chegada da mais nova integrante na categoria: a Fiat Toro, que usa a plataforma do Jeep Renegade e é um pouco maior que a Renault Duster Oroch –  tem um tamanho próximo ao de antigas picapes médias, como a Chevrolet S-10 e Ford Ranger vendidas no país até a década passada. “Essa nova configuração é meio que um balão de ensaio no Brasil. Não dá para saber o que vai acontecer, mas pode ser que apresente bons resultados e atinja alguns consumidores dos SUVs. Afinal, são praticamente utilitários esportivos com caçamba”, analisa Garbossa.

A Fiat ainda promoverá mais um lançamento importante em 2016, entre o fim do primeiro e o início do segundo semestre. Trata-se de um subcompacto, possivelmente chamado de Mobi, que fará a função de modelo de entrada, hoje ocupada pelos hatches Uno Vivace e Palio Fire. A Chery também ampliará sua aposta nos subcompactos, com a nacionalização de seu QQ, enquanto a conterrânea Lifan deve trazer, já no primeiro semestre, o crossover compacto X50, que é menor que o carro-chefe da marca por aqui, o SUV X60.

Outra a investir no segmento dos crossovers é a Nissan, que nega, mas tem planos de lançar o utilitário compacto Kicks, construído sobre a mesma plataforma dos compactos March e Versa, já fabricados em Resende, no interior do Rio de Janeiro. Outro modelo neste segmento que pode surgir por aqui no Salão de São Paulo, em outubro, é o ix25, disposto a pegar carona nos bons resultados de concorrentes como o Jeep Renegade e o Honda HR-V. Estes dois, aliás, devem seguir 2016 travando uma disputa acirrada pelo primeiro lugar nas vendas de SUVs no Brasil. “Será nosso primeiro ano cheio de produção e com 200 concessionárias trabalhando a pleno vapor. Estamos bem otimistas em relação ao nosso crescimento de participação no mercado”, diz Sérgio Ferreira, diretor geral da Chrysler Brasil e da Jeep para a América Latina.

Entre os médios, os mais esperados no Brasil em 2016 são as novas gerações do Chevrolet Cruze e do Honda Civic. Há ainda chances do Nissan Sentra ser vendido com o recente face-lift apresentado nos Estados Unidos, mas isso só deve acontecer no fim do ano, como linha 2017. Outra novidade da marca deve ser a nova geração do sedã médio-grande Altima, lançada em setembro último, nos Estados Unidos.
A Volkswagen, que começará este ano a comercialização do hatch Golf nacional, se prepara para trazer, nas próximas semanas, o sedã médio-grande Passat, enquanto a Ford promete para este ano a chegada da nova geração do Edge, SUV médio-grande que divide a plataforma com o sedã Fusion e foi mostrado na edição de 2014 do Salão de São Paulo.
Quem vive dias melhores no Brasil é o segmento de carros premium. Ao contrário do mercado generalista, os veículos de luxo cresceram cerca de 20% em vendas em 2015 e os bons resultados recentes repercutem neste ano, com a nacionalização de novos modelos. “A construção de nossa fábrica está dentro do planejado e sua inauguração está programada para o primeiro trimestre de 2016”, avisa Dirlei Dias, gerente sênior de Marketing e Vendas de Automóveis da Mercedes-Benz do Brasil. A marca alemã começará produzindo o crossover GLA e o sedã Classe C na unidade de Iracemápolis, em São Paulo.
A BMW também se prepara para ampliar seu portfólio de modelos brasileiros na unidade de Araquari, em Santa Catarina. De lá, além do hatch Série 1, do sedã Série 3, do utilitário X3 e do Mini Countryman, passará a sair da linha de produção neste ano a nova geração do crossover X1 e o X4.
A Audi, que iniciou sua produção local com o A3 sedã recentemente, vai fabricar também o crossover Q3 na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná. “Também traremos novidades na linha de produtos, com lançamentos que chegarão à nova geração do superesportivo R8”, promete Jörg Hofmann, presidente e CEO da Audi do Brasil.
A Jaguar Land Rover atua numa faixa de preços superior à dos modelos de entrada das concorrentes alemãs, mas também se prepara para iniciar sua linha de produção local. Da fábrica de Itatiaia, no Rio de Janeiro, sairão o novo Land Rover Range Rover Evoque, em sua versão reestilizada, e o Discovery Sport. A Jaguar ainda reserva para 2016 a chegada do crossover F-Pace e da nova geração do sedã XF.
Já a Porsche, que assumiu diretamente as operações no Brasil em 2015, venderá o novo Porsche 911 ainda neste primeiro trimestre do ano, em versão de entrada e com motor turbo de 370 cv. Mas potência mesmo tem o icônico Dodge Challenger Hellcat, com incríveis 717 cv e que tem sua importação estudada para cá, prevista para sair até o fim do ano. De qualquer forma, não há uma expectativa de forte crescimento no segmento premium em 2016. Pelo menos não comparado ao registrado em 2015. “Quando começarem a importar veículos com os valores de câmbio atuais, vai ser difícil manter os mesmos preços”, avalia o consultor Paulo Roberto Garbossa. De fato, os reajustes serão uma realidade. “Prevemos acréscimo de 6 a 10% em toda a linha de produtos já a partir deste mês”, entrega Dirlei Dias, da Mercedes-Benz. O presidente da Audi é mais otimista, porém não tanto. “Temos espaço para crescer, mas fatores como a flutuação cambial têm um impacto significativo sobre nossas operações”, justifica Jörg Hofmann.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Divulgação

Desastre anunciado - Setor automotivo já espera retração diante das indefinições de 2016

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Mercado
Publicado em: 04 Jan 2016 09:28:00

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