4 de jan de 2016

Teste do Fiat 500 Abarth

Teste do Fiat 500 Abarth

O Fiat 500 já é um “funcar” por natureza. Mas sua configuração de topo acentua o que de mais divertido o subcompacto da marca italiana tem a oferecer: uma esportividade surpreendente. Afinal, na versão Abarth, o carrinho pesa 1.164 kg e é empurrado por nada menos que 167 cv. E é justamente a relação peso/potência de 6,79 kg/cv o melhor trunfo da variante Abarth – departamento de competição desportiva da Fiat criado depois que a fabricante comprou, em 1971, a marca de automóveis de corrida Abarth.  Veja também:
  • Impressões do Fiat 500 Abarth
O propulsor é o mesmo 1.4 16V MultiAir, que rende no 500 Cabrio Automático 105 cv. No Abarth, porém, ele ganha o reforço de um turbo de até 1,24 bar, filtro de ar de alto fluxo e coletor de escape otimizado de dupla saída. Para manter tamanha força sob controle, entra em ação uma suspensão esportiva e tecnologias voltadas para a segurança. Além disso, há toda uma preparação estética que envolve saias laterais, spoiler avantajado sobre o vidro traseiro e para-choques dianteiro e traseiro mais robustos – o modelo também cresceu 6 cm em relação ao 500 “civil”. O brasão do escorpião, símbolo da Abarth, aparece em diversos lugares de fora e de dentro – até mesmo no motor e no cubo das rodas, que têm aro 16 e recebem pneus 195/45.

O interior também se destaca. Além do brazão vermelho e amarelo do escorpião centralizado no volante, o carro tem painel em cristal líquido com velocímetro digital. Nas laterais, dois medidores em barras mostram, à esquerda, um modesto conta-giros, e à direita, para manter o equilíbrio estético, um exagerado marcador de combustível. Os bancos esportivos, no estilo concha, têm apoio de cabeça integrado. O revestimento é em couro preto e, para incrementar o visual de bólido, há pespontos em vermelho. A mesma combinação é usada na alavanca do câmbio e no volante. Todos os plásticos são em preto, exceto o charmoso aplique no painel, na cor da carroceria, típico do 500. E, como não poderia deixar de ser, as pedaleiras em alumínio reforçam a atmosfera agressiva do habitáculo.

Mas o melhor do 500 Abarth está mesmo sob o capô. Os 167 cv do propulsor 1.4 16V MultiAir Turbo são acompanhados pelo generoso torque de 23 kgfm, que fica pleno na faixa entre 2.500 e 4 mil giros. Ele trabalha em conjunto com um câmbio manual de cinco velocidades e, com essas especificações, o Abarth sai do zero e chega aos 100 km/h em apenas 6,9 segundos. Já a velocidade máxima fica em 214 km/h. Os itens de série englobam alguns voltados para a segurança. Há controles eletrônicos de tração com transferência de torque entre as rodas e de estabilidade configurável em três níveis. Um botão “Sport” amplia dos 0,8 bar normais para 1,24 bar a pressão do turbo e sete airbags estão disponíveis – frontais, laterais, de cortina e de joelhos para motorista. A lista de opcionais é curta: há apenas teto solar panorâmico e som Beats. O preço inicial parte de R$ 94 mil, mas completo chega a R$ 100.335. Não é barato, mas a compra de um automóvel com essas características não contempla qualquer critério racional.

Ponto a ponto

Desempenho – O Fiat 500 Abarth é divertido. São 1.164 kg empurrados por nada menos que 167 cv. Essa relação peso/potência de 6,79 kg/cv justifica bem a denominação “pocket rocket” – foguete de bolso – empregada à versão. O acelerador é bastante suscetível à pressão, os giros sobem rapidamente e o ganho de velocidade é vigoroso. O motor se enche facilmente, principalmente em saídas de curvas. Com isso, arrancadas, ultrapassagens e retomadas são sempre eficientes. E o modo de direção Sport ainda garante um comportamento mais reativo. Nota 9. Estabilidade – É impressionante a sensação de segurança que o 500 Abarth transmite. A suspensão esportiva segura bem o subcompacto nas curvas. Não se notam rolagens de carroceria e o modelo ainda conta com bons aparatos tecnológicos: há controles eletrônicos de tração com transferência de torque entre as rodas e de estabilidade que pode ser configurado para atuar em três níveis: pouco permissivo, permissivo ou muito permissivo. Nota 9. Interatividade – No interior, tudo parece conspirar para que se explore a esportividade do 500 Abarth. Principalmente o painel com medidor de força G, que instiga a levar a ótima estabilidade do modelo ao limite. Mas não há luxos que justifiquem a faixa de preço por volta dos R$ 100 mil, como câmara de ré ou central multimídia. O quadro de instrumentos tem leitura simples e existem poucos comandos, todos acessíveis e de uso intuitivo. O câmbio manual de seis velocidades tem engates precisos e o volante, boa pegada. Nota 8.

Consumo – O Fiat 500 Abarth foi avaliado pelo Programa de Etiquetagem do InMetro e registrou 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada, o que garantiu classificação E em sua categoria e C na geral. É pouco para um modelo apenas a gasolina e tão pequeno e leve. Nota 5. Conforto – A esportividade da versão mais apimentada do 500 prejudica levemente a vida dos ocupantes, já que a suspensão firme transfere para a cabine os desníveis das ruas brasileiras – mas nada tão exagerado. O espaço atrás é apertado e só indicado para crianças. O isolamento acústico é eficiente, já que o barulho do motor só invade mesmo o habitáculo quando sua força é exigida e, nesse caso, cria uma atmosfera instigante. Nota 7. Tecnologia – A base é o 500, mas na versão Abarth o carro foi totalmente revisto, a começar pelo conjunto suspensivo esportivo e os discos de freios redimensionados, maiores e com poder de frenagem realçado. São sete airbags, controle eletrônico de estabilidade em três níveis de atuação, controle de tração e função “Sport”, que aumenta automaticamente a pressão do turbocompressor na faixa de torque do motor, de 0,8 bar para 1,24 bar. O pacote pode ser completado ainda com teto solar elétrico opcional e sistema de áudio premium Beats. Nota 8.

Habitalidade – Há poucos porta-objetos na cabine do 500 Abarth. Até os bolsões das portas são pequenos. O porta-malas leva apenas 185 litros. O espaço na frente é razoável, mas pessoas mais altas podem se sentir um pouco apertadas. Nota 5. Acabamento – O painel tem aplique plástico na cor da carroceria e mescla um aspecto jovem com uma qualidade aparentemente boa e encaixes bem feitos. O volante recebe um couro pespontado, assim como os bancos. Os cromados são utilizados sem exageros e o resultado é um habitáculo harmônico, charmoso e agradável. Mas na mesma faixa de preço há carros bem superiores nesse quesito. Nota 7. Design – A configuração Abarth parece uma variante convencional do 500, mas tunada. Um visual que expressa esportividade com certo exagero. Há duplo escapamento cromado, rodas de liga leve exclusivas de 16 polegadas, faixas laterais disponíveis nas cores vermelho, branco e preto e capa dos retrovisores externos acompanhando a mesma cor da faixa. O parachoque dianteiro tem 69 mm a mais, para alojar os radiadores de ar e água, enquanto o traseiro foi renovado. Além disso, são 16 exclusivos detalhes “Abarth” espalhados pela carroceria e interior, como o logotipo do escorpião, que aparece até no motor. Nota 8.
Custo/benefício – O preço do Fiat 500 Abarth é R$ 94 mil. Com sistema de áudio Beats e teto solar, sobe para R$ 100.335. Um Audi A1 Sportback Attraction 1.4 TFSI S tronic tem menos potência, quatro portas e custa R$ 96.190. A Suzuki pede R$ 76.990 pelo Swift Sport com motor 1.6 aspirado de 162 cv e, na versão R, com pintura no teto e na cobertura do motor, rodas de liga leve aro 17 – normalmente são 16 –, retrovisores externos com pisca integrado e sensor de estacionamento, esse valor sobe para R$ 83.990. A própria Fiat vende o Punto T-Jet completo, com motor 1.4 turbo de 152 cv por R$ 82.816 – e bem mais equipado que o 500 Abarth. A Renault entrega o Sandero RS, com motor 2.0 de 150 cv, por R$ 58.880. O 500 é importado e chegou a custar cerca de 20% menos que o valor atual. Com a variação cambial, fica difícil se dar bem nesse quesito. Nota 4. Total – O Fiat 500 Abarth somou 70 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Visualmente, o Fiat 500 Abarth não chega a chamar tanta atenção, comparado com outras configurações do modelo. Ele tem elementos que inserem certa agressividade ao seu design, mas o estilo retrô e simpático prevalecem a ponto de ficar até difícil acreditar que o carro seja capaz de um desempenho tão instigante. Apesar das muitas indicações de que se trata de um Abarth – há escorpiões espalhados por todo o carro –, é o ronco rouco do motor o responsável por dar a maior pista de até onde a versão consegue chegar.  O banco esportivo em concha recebe o motorista bem e o volante parece do mesmo tamanho que as outras versões – o que é uma pena, porque se fosse um pouco menor estaria mais próximo da realidade de um bólido. Afinal, tudo no modelo é diminuto, principalmente o espaço. Trata-se de um carro para duas pessoas na frente e, talvez, crianças no assento traseiro – mas com duas portas, manusear cadeirinhas infantis é nada prático ali. Já a posição do câmbio, assim como em qualquer 500, encaixa bem na mão e torna as trocas de marchas mais confortáveis.
O acelerador responde bem. Basta pressioná-lo com vontade e esperar poucos instantes para ver os giros subirem rápido. Há um pequeno “turbo lag”, mas é pouco perceptível. É uma direção extremamente instigante, principalmente quando se aperta o botão “Sport”. Ele faz a pressão do turbocompressor aumentar de 0,8 bar para 1,24 bar na faixa de torque, entre 2.500 rpm e 4 mil giros.  A suspensão esportiva garante uma estabilidade ímpar e quase não se vê intervenção do controle eletrônico de estabilidade. Ela até cobra um pouco do conforto, mas nada tão distante de muitos modelos que não têm a mesma potência do 500 Abarth. Um dos pontos fortes do carro é sua desenvoltura também no trânsito urbano. Além do tamanho perfeito para as grandes cidades, sua agilidade chama atenção nos engarrafamentos cotidianos.

Ficha técnica

Fiat 500 Abarth

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbo, comando variável de válvulas na admissão e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima: 167 cv a 5.500 rpm.
Torque máximo: 23 kgfm entre 2.500 e 4 mil rpm.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 6,9 segundos.
Velocidade máxima: 214 km/h.
Diâmetro e curso: 72,0 mm X 84,0 mm.
Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: McPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores a geometria triangular e barra estabilizadora. Traseira do tipo semi-independente, eixo de torção e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 195/45 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD e BAS.
Carroceria: Subcompacto em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 3,67 metros de comprimento, 1,63 m de largura, 1,49 m de altura e 2,30 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais, de cortina e joelho para motorista de série.
Peso: 1.164 kg.
Capacidade do porta-malas: 185 litros.
Tanque de combustível: 40 litros.
Produção: Toluca, México.
Itens de série: controles eletrônicos de estabilidade e tração, rodas de 16 polegadas, controle de transferência de torque, assistente de partida em rampas, sete airbags, ar-condicionado automático dual zone, volante multifuncional, bancos revestidos em couro, rádio/CD/MP3, Bluetooth, comandos de voz e entrada USB/AUX, computador de bordo e trio elétrico.
Preço: R$ 94 mil.
Opcionais: Teto solar elétrico e som premium Beats by Dr. Dre.
Preço completo: R$ 100.355.
Autor: Márcio Maio (Auto Press)
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Foguete de bolso - Configuração “nervosa” Abarth dá desempenho de bólido ao subcompacto Fiat 500

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 04 Jan 2016 09:45:00

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